terça-feira, 16 de outubro de 2018

Atitudes

Atitudes

Joanna de Ângelis



A atitude mantida pelo indivíduo em relação à vida e às demais pessoas é a radiografia moral que melhor o define.

Nascida nos hábitos do comportamento, cada qual expressa os sentimentos e as qualidades que lhe são peculiares.

Certamente, não poucos conseguem dissimular a sua realidade íntima, graças à maleabilidade emocional, mascarando-se para não se permitir identificação por parte dos outros.

Mesmo na usança de tal conduta, sem dar-se conta, desvela a pusilanimidade e a insegurança pessoal, sem a coragem para enfrentar-se e assumir os valores que lhe são pertinentes.

É muito fácil e saudável a exposição do mundo interior, especialmente quando de referência às atitudes gentis e bondosas que contribuem para tornar os relacionamentos duráveis e edificantes.

A feição dura, assinalada pela revolta ou pela amargura, pelo ressentimento ou pela ira, além de embrutecer, desvela o nível primário de evolução em que se estagia.

Por outro lado, a atitude vulgar, irresponsável ou doentia, exterioriza a irreflexão e a imaturidade, em escala de primitivismo emocional.

Todos transitam no mundo experienciando aprendizagem que irá contribuir para a autoiluminação, a autoconsciência.

Os enfrentamentos de qualquer natureza constituem oportunidades preciosas para o amadurecimento espiritual de relevância no processo evolutivo.

Eis aí a providencial finalidade da reencarnação que, além, de ensejar reparações morais diante da Consciência Cósmica, também faculta conquistas imprescindíveis à felicidade.

A atitude decisiva de trabalhar em favor do próximo e do progresso geral, quando é adquirida a responsabilidade que promove o ser interiormente, é conquista significativa.

As atitudes são a chave de segurança para o êxito ou o fracasso em qualquer empreendimento.

As atitudes ressaltam dos atos cultivados, nem sempre felizes, que se incorporam à conduta do indivíduo, passando a caracterizá-lo.

Os hábitos fazem parte do cotidiano de todas as criaturas, dando surgimento, pela repetição, às atitudes perante a vida.

Os hábitos saudáveis conduzem à felicidade, à harmonia, enquanto que aqueles perturbadores respondem pelos desequilíbrios, gerando transtornos emocionais.

Torna-se necessária a atitude positiva em relação aos objetivos elevados, de forma que a sua conduta se transforme em uma agradável maneira de viver.

As atitudes funcionam como reflexos da vida interior podendo ser renovadas, transformadas, trabalhadas pelo Espírito, que é o comandante do corpo.

O pensamento, dessa forma, é convidado a reflexões agradáveis e felizes, de maneira que dê surgimento ao hábito saudável que contribui em favor do crescimento espiritual.

Por hábito, pensa-se mais no negativo, recordando-se dos momentos difíceis, portanto, afligentes, quando seria mais proveitoso evocar-se alegrias, realizações edificantes, a fim de que possa prolongar satisfações e encantamentos pessoais, transformando-se em atitudes agradáveis.

*   *   *

Cuida com atenção de preservar as atitudes de edificação, aquelas que te apresentam como candidato à perfeição, deixando, à margem, ressentimentos e desconfortos morais, vivenciando sempre os momentos agradáveis e abençoados.

É certo que nem sempre se pode estar sorrindo ou numa atitude jovial. No entanto, pode-se evitar a expressão de mau humor e espalhar dissabores que ressumam do inconsciente assinalado pelo acumular das questões negativas e infelicitadoras.

Não penses que o mundo irá trabalhar-te a evolução, favorecendo-te com a conquista estelar, nem que as demais pessoas poderão fazer aquilo que te está destinado.

Nele encontrarás as oportunidades favoráveis ao teu adiantamento, mas a atitude combativa é tua.

O amor de que te revistas tornará as tuas atitudes de paz e de enternecimento, atraindo para o teu círculo emocional as vibrações favoráveis ao crescimento íntimo, enquanto as reações da mágoa e do ódio, à semelhança de cimitarras, terminam por ferir-te antes que afetem aos demais.

Cultivados os hábitos mentais, conforme as emanações educadas ou não, eles transformam-se em atitudes existenciais que irão fomentar novos comportamentos.

Ilumina a mente com as sublimes lições do Evangelho, enriquece os lábios com palavras edificantes e as tuas serão palavras dignas.

Tudo quanto seja armazenado no pensamento transforma-se em alimento emocional que, de acordo com a qualidade, envenena ou santifica a alma.

Seleciona reflexões e treina atitudes mentais pacíficas, compassivas, misericordiosas, e conseguirás fruir do bem-estar que a retidão proporciona àqueles que se lhe entregam.

As tuas atitudes falam sem palavras a teu respeito, desvelando os recursos de que dispões nos cofres do coração.

Exercita a coragem de ser verdadeiro sem agressividade, de ser amigo sem bajulação e as tuas atitudes solidárias estimularão outras que se converterão em nobre corrente de amor humano, tornando a vida mais rica de luzes e de harmonia.

*   *   *

Jesus manteve todas as atitudes coerentes entre o que falava e o que fazia.

O Seu exemplo de fidelidade ao ideal para o qual viera tornou-se respeitado mesmo pelos adversários, aqueles que O combatiam e O vilipendiavam.

Mediante esse comportamento, era a Luz para o mundo em trevas de ignorância, o Caminho a ser seguido no matagal de crueldade, a Porta de acesso ao  Reino de Deus.

As atitudes são expressões de identificação entre o ser íntimo que as desvela e o mundo exterior que lhes ignora a realidade.

Sejam, portanto, as tuas atitudes elegantes e cristãs para o teu próprio bem.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco
Na reunião mediúnica de 31 de janeiro de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

Mensagem posteriormente incluída no livro:
Iluminação Interior

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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Tempo e conta

Tempo e conta

Emmanuel



Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo.

Aquilo que colocarmos nela corre por nossa conta.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Deus Sempre

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domingo, 14 de outubro de 2018

Samaritanos e nós

Samaritanos e nós

Emmanuel



Quem de nós não terá caído, alguma vez, em abandono ou penúria, aflição, amargura, engano ou perturbação?

À face disso, para nós o samaritano da bondade – a criatura que nos reergue ou reanima - será sempre aquela pessoa:
  • que nos acolhe nos dias de tristeza com a mesma generosidade com que nos abraça nos instantes de alegria;
  • que nos estima, assim tais quais somos, sem reclamar-nos espetáculos de grandeza, de um dia para o outro;
  • que nos levanta do chão das próprias quedas para o regaço da esperança, sem cogitar de nossas fraquezas;
  • que nos alça do precipício da desilusão ao clima do otimismo, sem reprovar-nos a imprevidência;
  • que nos ouve as queixas reiteradas, rearticulando sem aspereza o verbo da paciência e da compreensão;
  • que nos estende essa ou aquela porção dos recursos que disponha, em favor da solução de nossos problemas, sem pedir o relatório de nossas necessidades e compromissos;
  • que nos oferece esclarecimento, sem ferir-nos o brio;
  • que nos ilumina a fé, sem destruir-nos a confiança;
  • que se transforma em harmonia e concurso fraterno, seja em nossa casa, ou no grupo de serviço em que trabalhamos;
  • que se nos converte no cotidiano em apoio e cooperação, sem exigir-nos tributos de reconhecimento; que, por fim, se transubstancia, em nosso benefício, em luz e consolação, amparo e benção.
Detenhamo-nos a pensar nisso e lembrando, reconhecidamente, quantos se nos fazem samaritanos do auxílio e da bondade, nas estradas da existência, recordemos a lição de Jesus e, diante dos outros, sejam eles quem sejam, façamos nós o mesmo. 

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Aulas da Vida / Espíritos Diversos

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sábado, 13 de outubro de 2018

Providência Divina

Providência Divina

Joanna de Ângelis



A Onisciência Divina estabelece os Seus Códigos Soberanos com perfeição e sem qualquer improviso, tendo em vista os acontecimentos que se deverão desenvolver à medida que o progresso assinale as conquistas que vão sendo conseguidas.

Programando o ministério de Jesus e a difusão da Sua doutrina de amor, fez com que Espíritos Nobres mergulhassem na indumentária carnal em diferentes períodos do pensamento histórico, a fim de que as criaturas pudessem ampliar a percepção em torno do futuro empreendimento libertador para as consciências humanas.

Desde tempos imemoriais, nos diversos países e culturas, missionários sábios trouxeram, por determinação divina, fragmentos da Verdade que deveriam facilitar o entendimento das Leis da Vida preparando o advento do Messias de Nazaré.

Desse modo, jamais faltaram às criaturas terrestres as diretrizes de segurança e as luzes do entendimento que lhes facultassem gerar critérios capazes de despertar os valores eternos que se lhes encontravam adormecidos no germe do ser.

De acordo com o nível de consciência de cada estágio da evolução, assim como da dimensão do pensamento, Leis rigorosas e orientações severas abriram os espaços mentais do ser humano para compreender lentamente os objetivos existenciais e perceber a própria imortalidade em cujo oceano de bênçãos se encontra mergulhado.

À medida que o aprimoramento moral se foi estabelecendo, esses códigos de regência dos destinos se foram tornando amenos e mais compatíveis com os naturais processos de evolução.

Saía-se do primarismo dos instintos para a ética dos costumes, atenuando a belicosidade asselvajada, de forma que a cultura e a civilização se inscreveram nos painéis emocionais e mentais, aprimorando o caráter e o sentimento, embora na atualidade ainda vicejam alguns remanescentes da brutalidade e da sistemática vinculação com a hediondez.

Conhecendo a prevalência das manifestações primárias sobre a natureza espiritual do ser em evolução, o Criador generoso facultou que os Gênios do Bem e do Progresso insistentemente trabalhassem as faculdades da razão e da emoção humana, a fim de poder assimilar a Mensagem incomparável do Mestre, ao mesmo tempo dilatando-lhe a capacidade de comunicação entre os diferentes povos perdidos no labirinto dos seus complexos dialetos e idiomas que lhes dificultavam a aproximação e a transmissão dos conhecimentos.

Lentamente foram-se ampliando os horizontes da humanidade através das guerras, caminho único para aqueles padrões comportamentais do passado, nos quais predominavam a força e a dominação arbitrária.

Os burgos, aparentemente auto-suficientes, deram-se conta então da necessidade de cada qual buscar hegemonia sobre os demais, ao tempo em que se pudessem fortalecer contra os inimigos comuns, ampliando dessa forma as suas fortificações e passando a invadirem-se reciprocamente uns aos outros, estabelecendo mecanismos de defesa para sobreviver nos períodos de caos, assim inter-relacionando-se e adotando línguas que lhe facultassem a convivência.

Expandindo-se os territórios físicos do mundo terrestre, foram-se tornando conhecidos os povos, suas culturas e hábitos, mesmo que sob os clangores das guerras lamentáveis.

***

Nesse comenos, foi convocado à reencarnação o Espírito Alexandre Magno, da Macedônia, que nasceu no ano 356 a.C. a missão de difundir o pensamento e a língua grega, havendo sido discípulo de Aristóteles e admirador de Diógenes, de modo que os diferentes povos da Eurásia oportunamente pudessem compreender a mensagem de Jesus, que seria divulgada pelo Apóstolo Paulo, também nesse idioma.

Logo depois, reencarnando-se o mesmo Espírito como filho de Flávia Júlia, o futuro Júlio César iria submeter os diversos povos conhecidos a uma única hegemonia, levando-lhes o latim para, ao lado do grego, tornar-se idioma universal sob a inspiração da Divindade, com o mesmo fim de expandir no futuro, por todo o mundo, a mensagem da Boa Nova.

Preparado o solo dos corações, Jesus veio à Terra e tornou-se o divisor incomparável da História. A Sua proposta de amor, rica de sabedoria, rompeu a treva densa da ignorância, abrindo claridades dantes jamais alcançadas para a construção do Evangelho, isto porque o mundo conhecido quase todo se encontrava sob a dominação de Roma, de onde partiria a Revelação que os Apóstolos Pedro e Paulo deveriam difundir.

Paulo, fascinado pelos Seus ensinos, tendo nascido em Tarso, cidade grega, onde aprendeu o idioma de Atenas, mas submetida ao jugo romano, estudou o latim e, descendente de hebreus, falava o idioma de Israel, equipado, portanto, para o ministério ímpar da disseminação do Reino por toda a parte.

Posteriormente, após a decadência do Império romano, Carlos Magno foi chamado à liça e voltou a reunir parte do mundo fragmentado, de modo a criar as condições sociológicas e históricas para o advento do Espiritismo, que chegaria à Terra mais de mil anos depois.

As lutas sucederam-se na esteira dos tempos e a humanidade esfacelou-se em guerras contínuas, quando a França foi invadida pela Inglaterra, que trazia o peso da cultura anglo-saxônia e ameaçava a ancestral estrutura latina do país.

A Sabedoria Divina conduziu então à reencarnação Joana D’Arc, renascida em 1412 na pequenina Domremy, na França, a fim de reunir e reconduzir a vitórias o desestruturado exército francês, coroando o débil Carlos VII, em Reims e, mesmo tombando vitimada pela intolerância e pusilanimidade dos seus coevosdeixou o país em reequilíbrio, de forma que, no momento próprio, se pudesse concretizar a programação estabelecida para o futuro.

Cansada dos dias do terror, com os códigos dos direitos humanos firmados e os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade desfraldados, a velha Gália recebeu Napoleão Bonaparte, nascido em Ajácio, na Córsega, no ano de 1769 para reunir os Estados europeus, a fim de que Allan Kardec pudesse decodificar o pensamento de Jesus e atualizar o conhecimento espiritual à luz das conquistas da moderna ciência, assim como reconduzir a investigação de laboratório às causas que geram a vida, utilizando-se o então idioma da Cultura e da Diplomacia para logo alcançar as diferentes nações.

Instalados os postulados do Espiritismo no arcabouço cultural da humanidade, aos homens, em perfeita e lúcida comunhão com os Espíritos, cabe a tarefa de fazer resplandecer a Doutrina de Jesus Cristo, instaurando a Era da imortalidade em triunfo acima das convenções vigentes e do materialismo predominante nas Academias e na conduta de muitos que professam o Espiritualismo ancestral nas suas diversas vertentes.

***

A Onisciência Divina, que programou o Espírito para a glória solar, propicia-lhe, desde os primórdios da Criação, os recursos hábeis para a sua autoiluminação e o desenvolvimento dos valores adormecidos no imo, alcançando, patamar a patamar, os elevados níveis da sublimação e da plenitude.

Ninguém foge ao destino que lhe está reservado, que é a conquista da paz real e a vitória total sobre as paixões.

Passo a passo, vai se superando, mesmo que sob as injunções do sofrimento, quando se recusa aos nobres impositivos do amor, e elevando-se, sem cessar, no rumo da angelitude.

O improviso não faz parte dessas Leis Soberanas, encontrando-se delineados os objetivos existenciais e os recursos próprios para que se torne factível o encontro com as consciências pessoal e divina.

Ao ser humano cabe o dever de investir esforço e sacrifício incessantes, trabalhando a conquista das luzes do conhecimento e das bênçãos do sentimento, para apressar a própria felicidade.

Recordando-se de que Jesus comanda a barca terrestre e Deus administra o Universo, a marcha é inexorável no rumo da Grande Luz que a todos nos banha desde ontem.

Hofheim, Alemanha, 10 de maio de 2001.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Nascente de Bençãos

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