sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A cólera

A cólera

Gebaldo José de Sousa 



Em cidade interiorana, havia um homem que não se irritava, não teimava e não discutia com ninguém. Sempre encontrava saída cordial, não feria a ninguém, nem se aborrecia com o próximo. Morava em modesta pensão, onde era admirado e querido. Seus companheiros combinaram-se entre eles para levá-lo à teima, à irritação ou à discussão. À noite, serviam saborosa sopa, de que o nosso amigo era apreciador. 

Numa delas, a garçonete chegou próximo à sua mesa, pela esquerda, e ele, prontamente, levou o próprio prato para aquele lado, para lhe facilitar a tarefa. 

Ela, ágil, serviu aos que estavam naquela mesa e dali partiu para outras direções. 

Ele, calmamente e em silêncio, esperava, quando ela outra vez se aproxima, agora pela direita. 

Volta ele a levar o prato para a direção da jovem, que, novamente, se distanciou, ignorando-o. Após servir aos demais, passa bem rente a ele, acintosamente, com a sopeira fumegante, exalando saboroso aroma, como quem concluiu a própria tarefa e retorna à cozinha. 

Nesse momento, não se ouvia qualquer ruído. Todos espreitavam discretamente, para ver-lhe a reação.

Educadamente, chama ele a garçonete, que se volta, fingindo impaciência: 

- O que o Senhor deseja? - Ao que ele responde, naturalmente: 

- A Senhorita não me serviu a sopa. - Novamente ela lhe retruca, agora, para provocá-lo, desmentindo-o: 

- Servi, sim senhor! 

Ele olha para ela, olha para o próprio prato vazio e limpo... 

Todos pensam: vai teimar ou brigar. Suspense e silêncio total. É quando ele a todos surpreende, ponderando, afavelmente: 

A Senhorita serviu sim; mas eu aceito mais! 

Não teimou, não se irritou, nem discutiu; e passou pelo teste; além de nos deixar bela lição de paciência! 

A cólera — filha do orgulho — leva-nos a cometer crimes, a desrespeitar o próximo e a nós mesmos, pois que envenena nosso organismo, levando-o às enfermidades. 

Quando nos irritamos: 

- despendemos mais energia do que aquela necessária para resolver o problema que nos trouxe a cólera; 
- afastamos aqueles que poderiam nos ajudar; pois temem aproximar-se e não serem compreendidos; 
- atraímos péssimas companhias espirituais, cuja presença nos agravará os males;  
- geramos antipatias, onde vamos. Estaremos sempre com a verdade? Convêm-nos indagar a nós mesmos; 
- revelamos falta de educação, de respeito ao próximo; 
- envenenamos nosso organismo com toxinas. É como se uma cobra se mordesse a si mesma; 
- agimos como suicidas indiretos, tal como aquele que fuma, que bebe, que se excede em qualquer hábito. 

A irritação se traduz em falta de cortesia, que afasta amigos, atrai antipatias e gera maus fluidos. 

"A cortesia é o primeiro passo da caridade. 

A gentileza é o princípio do amor. (...) 

As melhores oportunidades de cada dia no mundo pertencem àqueles que melhores se fazem para quantos lhes rodeiam os passos. 

E ninguém se faz melhor, arremessando pedras de irritação ou espinhos de amargura na senda dos companheiros."

Nosso estado de humor influencia benéfica  ou maleficamente nossa própria saúde e a daqueles que nos cercam, suportando-nos o mau humor, ou compartilhando de nossa alegria de viver. Quando nos irritamos, derramamos bílis em excesso no estômago, dificultando a digestão e envenenando todo o organismo. Quando alimentamos o hábito da cólera, inútil ingerir medicamentos. Há que se eliminar a causa. 

A cólera — esse torpedo mental — gera vítimas em graus diversos, além daqueles que as expressam e alimentam. Muitas delas pagam preço elevado pelos atos que cometem sob seu império, sob a forma de remorso, nos presídios, nos hospitais e nos túmulos, ou melhor, no Plano Espiritual. 

“Não farias explodir uma bomba dentro de casa, comprometendo a vida daqueles que mais amas. No entanto, por vezes, não vacilamos em detonar a dinamite da cólera”. 

Muitos se justificam: é o meu temperamento! Ousamos discordar, afirmando que não é, não: é falta de educação mesmo!

“O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” assegura-nos:

 “O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; (...) a vos considerardes (...) tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social (...), que o menor paralelo vos irrita e aborrece.”

“Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso.”

“Em seu frenesi, o homem colérico a tudo se atira: à natureza bruta, aos objetos inanimados, quebrando-os porque lhe não obedecem. Ah! Se nesses momentos pudesse ele observar-se a sangue-frio, ou teria medo de si próprio, ou bem ridículo se acharia! Imagine ele por aí que impressão produzirá nos outros.” 

“Se ponderasse que a cólera a nada remedeia, que lhe altera a saúde e compromete até a vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. (...) torna infelizes todos que o cercam. Se tem coração, não lhe será motivo de remorso fazer que sofram os entes a quem mais ama? E que pesar moral se, num acesso de fúria, praticasse um ato que houvesse de deplorar toda a sua vida!” 

A cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede se faça muito Bem e pode levar à prática de muito mal.” 

Para os animais, há a vacina antirrábica, para nós, seres humanos, a vacina chama-se educação. 

Um dos primeiros passos para dominá-la é aprender a amar o próximo, pois a irritação demonstra falta de amor, de respeito ao semelhante, seja ele quem for “Longe de vós toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda a malícia.” Paulo: Efésios 4-31.

“A caridade é paciente; é branda e benfazeja;(...) não se agasta; nem se azeda com coisa alguma;(...). Paulo - 1 Cor. 13-4. 

“(...) Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” Tiago 1-19. 

Tanto o Velho quanto o Novo Testamento são fartos nas lições quanto à cólera, à ira — revelando-nos que o problema é antigo — mas em parte alguma há exaltação maior da virtude que a elimina, quanto na passagem em que Jesus assim se exprime, suavemente: 

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.” Jesus - Mateus 5.

Nem tão bela e resumida receita de paz, quanto nesta outra: 

“... não se ponha o Sol sobre a vossa ira...” Paulo: Efésios 4-26. 

Para nos educarmos, observemos a própria conduta; e analisemos nossas reações aos problemas, além de buscarmos as causas de nossas irritações e eliminá-las, uma a uma. Sem desculpismos e justificativas. 

“Contrariar-se alguém a propósito de bagatelas e a todos os instantes do dia será baratear os dons da vida, desperdiçando-os, de modo inconsequente, sem o mínimo proveito para si mesmo ou para os outros.” 

Nesse aprendizado, importa-nos corrigir o automatismo das reações desequilibradas, quando despendemos muita energia inutilmente, com a cólera. Direcionar as energias para a solução dos problemas, sem perda de tempo com irritações desnecessárias, é o melhor caminho. 

O Espírito André Luiz na mensagem “PACIFICAR”, apresenta belas sínteses, das quais destacamos algumas muito divulgadas e que têm modificado a conduta de muita gente: 
“Não grite. Converse. 
Não critique. Auxilie. 
Não acuse. Ampare. 
Não se irrite. Sorria.” 
Adotemos soluções práticas. O pneu furou? Troquemos o pneu, sem irritação inútil. Pneus furam mesmo. O gás se acaba. É da vida. Alguém nos agrediu? 

Aviemos a receita de Jesus: ofereçamos a outra face. Silêncio à injúria; ou resposta educada, às vezes até se desculpando por um mal não praticado. Não importa. O que vale é a Paz. O outro compreenderá um dia e aí se emenda. 

Para espíritos eternos, é sempre oportuno o aprendizado. O poeta Raimundo Correia, no soneto intitulado “MAL SECRETO”, expressa verdade incontestável: a cólera que espuma (...) no rosto se estampasse (...) quanta gente, talvez, que inveja agora nos causa, então piedade nos causasse!” 

Grande progresso faríamos nesta encarnação se, triunfando de nós mesmos, lográssemos vencer a ira, a cólera, por ninharias ou mesmo por grandes razões. Indispensável crescer e superar- se. 

Gebaldo José de Souza
Fonte: Revista Informação / Abril 2002
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
  1. Emmanuel/Francisco C. Xavier. ESCRÍNIO DE LUZ. 2 ed. Matão: Casa Ed. O Clarim, 1982; 
  2. Emmanuel, Francisco C. Xavier. ENCONTRO MARCADO. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978; 
  3. KARDEC, Allan. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. 82 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1981. Cap. 9; 
  4. BÍBLIA SAGRADA, trad. de João Ferreira de Almeida, Soc. Bíblica do Brasil, Brasília (DF), 1969; 
  5. André Luiz/Francisco C. Xavier. ENTRE A TERRA E O CÉU. 6 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978;
  6. André Luiz/Francisco C. Xavier. RESPOSTAS DA VIDA. 9 ed. São Paulo: IDEAL, 1980, Cap. 27.
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Revista Informação / Abril 2002

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Semeadores

Semeadores

Emmanuel


“Eis que o semeador saiu a semear.” - Jesus (Mateus, 13:3)
Todo ensinamento do Divino Mestre é profundo e sublime na menor expressão. Quando se dispõe a contar a parábola do semeador, começa com ensinamento de Inestimável importância que vale relembrar.

Não nos fala que o semeador deva agir, através do contrato com terceiras pessoas, e sim que ele mesmo saiu a semear.

Transferindo a imagem para o solo do espírito, em que tantos imperativos de renovação convidam os obreiros da boa vontade à santificante lavoura da elevação, somos levados a reconhecer que o servidor do Evangelho é compelido a sair de si próprio, a fim de beneficiar corações alheios.

É necessário desintegrar o velho cárcere do "ponto de vista" para nos devotarmos ao serviço do próximo.

Aprendendo a ciência de nos retirarmos da escura cadeia do "eu", excursionaremos através do grande continente denominado "interesse geral". E, na infinita extensão dele, encontraremos a "terra das almas", sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir a benefício de todos.

Foi nesse roteiro que o Divino Semeador pautou o ministério da luz, iniciando a celeste missão do auxílio entre humildes tratadores de animais e continuando-a através dos amigos de Nazaré e dos doutores de Jerusalém, dos fariseus palavrosos e dos pescadores simples, dos justos e dos injustos, ricos e pobres, doentes do corpo e da alma, velhos e jovens, mulheres e crianças...

Segundo observamos, o semeador do Céu ausentou-se da grandeza a que se acolhe e veio até nós, espalhando as claridades da Revelação e aumentando-nos a visão e o discernimento. Humilhou-se para que nos exaltássemos e confundiu-se com a sombra a fim de que a nossa luz pudesse brilhar, embora lhe fosse fácil fazer-se substituído por milhões de mensageiros, se desejasse.

Afastemo-nos, pois, das nossas inibições e aprendamos com o Cristo a “sair para semear.”

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Fonte Viva

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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Problemas Existenciais

Problemas Existenciais

Joanna de Ângelis



O inter-relacionamento pessoal nos tempos modernos constitui um grande desafio para a criatura humana, que se vê empurrada para o individualismo, em razão dos muitos problemas e conflitos que lhe são impostos.

Graças à Internet e às facilidades de comunicação via satélite, à comodidade de manter convivência com outras pessoas sem sair do lar, de terem simplificadas as atividades de compras, vendas e recreações virtuais, em razão do receio pela violência urbana e pela criminalidade que se expandem em todas as direções, o refúgio doméstico abre as portas para um sem número de ações que preservam as conveniências pessoais e diminuem os riscos que ameaçam o indivíduo.

Não obstante, a necessidade do convívio mais próximo, do contato físico e enriquecedor, permitem que pessoas sensíveis afeiçoem-se umas às outras sem o encontro direto, o que também apresenta graves perigos para os relacionamentos, em razão da presença de criminosos e desajustados nesses veículos, que deles se utilizam para ficarem navegando em busca de pessoas ingênuas e tímidas, despreparadas para esse tipo de companheirismo.

Ademais, a venda desonesta de produtos de todo tipo, a possibilidade de enriquecimento ilícito e aventureiro, a facilidade de exibir paixões soezes que expõem a pornografia e o erotismo através dos macabros mecanismos da obscenidade e do horror, atraem desprevenidos e insensatos às suas armadilhas, tornando esses instrumentos portadores de graves e imprevisíveis riscos para todos aqueles que os utilizam, sem o discernimento necessário para os enfrentamentos.

Além disso, a facilidade de adquirir cultura e penetrar em museus, bibliotecas e universidades, de intercâmbio com outros grupos espalhados por todo o mundo, afasta inexoravelmente as pessoas da comunicação doméstica, gerando irritabilidade quando os fenômenos normais do lar parecem impedir o isolamento, a fuga para o espairecimento, a necessidade da visita e do convívio virtual.

É inestimável o valor desses modernos instrumentos de comunicação individual e de massa que, por outro lado, trabalham uma sociedade global, sem as diferenças que compõem a harmonia, encarregada de apresentar programas que situam todos no mesmo nível de comportamento, ao tempo em que a divulgação rápida das tragédias e crimes, dos escândalos e destruições, dão a falsa ideia que a vida perdeu o seu significado e que todos se encontram sob a espada do destino implacável, ameaçando cair e ceifar todas as vidas.

As informações são sempre rápidas e devoradoras, porque outras aguardam oportunidade, quase nunca sendo aprofundados os temas apresentados nas televisões e Internet, ou quando aparecem neste último veículo, fazem-se tão complexos e volumosos, que somente raros aplicam-se a investigá-los.

Como consequência, empalidecem as esperanças de uma sociedade mais fraternal e de uma convivência humana mais responsável.

As pessoas evitam-se na presença uma das outras, para se buscarem através dos veículos frios e insensíveis de comunicação artificial.

***

Vives momentos difíceis nos teus relacionamentos domésticos.

A irritação toma conta da tua conduta e sentes que as afeições, que antes te exornavam o Espírito, não passam de cansaço e aborrecimento.

As pessoas se te parecem estranhas ou desagradáveis, egoístas ou indiferentes aos teus problemas. A falta de conversação harmônica, em razão da bulha no lar, produzida pela televisão e pelo rádio, convocando cada membro da família a um interesse pessoal distante do coletivo, tem sido responsável pela tua fuga para o pessimismo e o desinteresse de trocar opiniões, discutir temas edificantes e conviver agradavelmente.

Questões de pequena monta, que um pouco de atenção e de diálogo franco poderiam resolver, avolumam-se e se tornam motivo de afastamento dentro de casa, produzindo muralhas entre as pessoas.

Desamados, os filhos procuram convivências mais compatíveis com a sua necessidade de afirmação, quase sempre tombando em mãos violentas ou criminosas, que os levam ao álcool, ao tabaco, às drogas, ao sexo irresponsável...

A família se destrói e é acusada de irresponsável, como se fosse uma instituição que a si mesma se constrói, e não o resultado do grupamento de pessoas que a formam.

O que antes era decidido no lar, no conselho familiar, agora é transferido para profissionais especializados, encarregados de dirimir problemas e estudar dificuldades, sem um conhecimento profundo de cada caso, exceto pelo que lhe é relatado com a quota de emoção e de paixão do narrador, igualmente preocupados com os próprios problemas e com os lucros que lhe podem resultar do trabalho a que se dedicam.

A sabedoria da convivência doméstica foi substituída pela argúcia e habilidade de outras pessoas que se transformam em conselheiras das causas alheias, que sempre procuram fórmulas fáceis ou soluções apressadas, sugerindo, não poucas vezes, condutas extemporâneas, que deixam dilacerados os sentimentos dos seus companheiros ou familiares.

Torna-se urgente e necessário o retorno ao ninho doméstico em condições vivas e emocionais, sem o patrulhamento dos modernos instrumentos da telecomunicação, muito preciosos, porém com os limites e perigos de que se revestem.

Nada mais positivo do que o contato direto, pessoal, rico de emoções, que muitas vezes também se transforma em problema e perigo nas relações. No entanto, o afastamento das pessoas, uma das outras, a busca romântica e sonhadora de seres especiais, angélicos ou nobres, tem gerado dramas existenciais muito graves para os indivíduos, assim como para a sociedade como um todo.

Convive pessoalmente com as demais criaturas, sentindo-as de perto, inter-relacionando-te com estima e confiança, oferecendo crédito de bondade para com elas.

Necessitas de amigos próximos, fisicamente presentes, que te conheçam e a quem conheças. Eles também necessitam de ti.

Trata-se de um intercâmbio vigoroso e humano, espiritual e atuante.

***

Diante dos problemas existenciais que te assaltam, recolhe-te à meditação, busca o Evangelho e reflete nas suas lições, tomando as atitudes que não perturbem o teu próximo e nem a ti mesmo aflijam.

Quando se ora e se procura a melhor resposta, ela sempre chega, emergindo do inconsciente, inspirada pelos Bons Espíritos ou resultante dos sentimentos bons que a elaboram.

Não te transfiras de um para outro problema, sem os resolver
com serenidade, evitando ouvir todas as pessoas que se te acercam e a quem pedes conselhos e orientações.

Se não conhecerem a profundidade dos teus desafios existenciais, menos identificações possuem aqueles que não estão envolvidos.

Assim, aprende a pensar antes de agir, para que o faças corretamente. E se buscares a ajuda de um profissional nessa área, reflexiona em torno da sua opinião e diretriz, evitando seguir a sua orientação apenas porque se trata de uma pessoa que reconheces como capacitada.

Em qualquer situação, busca Jesus e Sua inspiração, e não te faltarão os recursos para tornar mais amena e feliz a tua existência.

Paris, França, 8 de junho de 2001.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Nascente de Bençãos

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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Educação

Educação

Emmanuel



Disse-nos o Cristo: "brilhe vossa luz ..." (Mateus 5:16)

E ele mesmo, o Mestre Divino, é a nossa divina luz na evolução planetária.

Admitia-se antigamente que a recomendação do Senhor fosse mero aviso de essência mística, conclamando profitentes do Culto externo da escola religiosa a suposto relevo individual, depois da morte, na imaginária corte celeste.

Hoje, no entanto, reconhecemos que a lição de Jesus deve ser aplicada em todas as condições, todos os dias.

A própria ciência terrena atual reconhece a presença da luz em toda parte.

O corpo humano, devidamente estudado, revelou-se, não mais como matéria coesa, senão espécie de veículo energético, estruturado em partículas infinitesimais que se atraem e se repelem, reciprocamente, com o efeito de microscópicas explosões de luz.

A Química, a Física e a Astronomia demonstram que o homem terrestre mora num reino entrecortado de raios.

Na intimidade desse glorioso império da energia, temos os raios mentais condicionando os elementos em que a vida se expressa.

O pensamento é força criativa, a exteriorizar-se, da criatura que o gera, por intermédio de ondas sutis, em circuitos de ação e reação no tempo, sendo tão mensurável como o fotônio que, arrojado pelo fulcro luminescente que o produz, percorre o espaço com Velocidade determinada, sustentando o hausto fulgurante da Criação.

A mente humana é um espelho de luz, emitindo raios e assimilando-os, repetimos.

Esse espelho, entretanto, jaz mais ou menos prisioneiro nas sombras espessas da ignorância, à maneira de pedra valiosa incrustada no cascalho da furna ou nas anfractuosidades do precipício. Para que retrate a irradiação celeste e lance de si mesmo o próprio brilho, é indispensável se desentrance das trevas, à custa do esmeril do trabalho.

Reparamos, assim, a necessidade imprescritível da educação para todos os seres.

Lembremo-nos de que o Eterno Benfeitor, em sua lição verbal, fixou na forma imperativa a advertência a que nos referimos:

“Brilhe vossa luz.”

Isso quer dizer que o potencial de luz do nosso espírito deve fulgir em sua grandeza plena.

E semelhante feito somente poderá ser atingido pela educação que nos propicie o justo burilamento.

Mas a educação, com o cultivo da inteligência e com o aperfeiçoamento do campo íntimo, em exaltação de conhecimento e bondade, saber e virtude, não será conseguida tão-só à força de instrução, que se imponha de fora para dentro, mas sim com a consciente adesão da vontade que, em se consagrando ao bem por si própria, sem constrangimento de qualquer natureza, pode libertar e polir o coração, nele plasmando a face cristalina da alma, capaz de refletir a Vida Gloriosa e transformar, consequentemente, o cérebro em preciosa usina de energia superior, projetando reflexos de beleza e sublimação.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Pensamento e Vida

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