quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Serviço de investigação

Serviço de investigação

Irmão X.



O investigador policial, a propósito de problemas intrincados, é sempre uma pessoa que deve educar os olhos para identificar o mal. Nos crimes obscuros, nos furtos misteriosos, põe-se a campo, em busca dos verdadeiros culpados. Às vezes, socorre-se da injustiça, até que o delinquente apareça à luz meridiana, confessando a própria falta. Seus esforços quase sempre são louváveis; entretanto, como a justiça do mundo, em muitas ocasiões, é simbolizada por uma deusa cega, a ternura fraternal não é característica de suas funções. É lógico reconhecer que a sociedade humana não lhe dispensa o concurso. O “homem-lobo” ainda predomina entre as criaturas, depredando e assaltando, arruinando e destruindo. Compreendemos, desse modo, quanto é imprescindível a fiscalização no instituto da ordem social. O investigador, porém, a título de exercer fielmente a missão que se lhe conferiu, timbra em afastar-se da piedade. É preciso arrancar confissões, corrigir o mal, retificar o desvio e apagar, de vez, a possibilidade de novos crimes. São atribuições ingratas, mas naturais e humanas, em face dos desequilíbrios provocados pela perversidade deliberada. Em sã consciência, o profissional da segurança pública não pode ser criticado, desde que não procure estancar o sangue, derramando mais sangue, nem reprimir a violência impulsiva com a violência organizada. O médico também faz amputações difíceis e dolorosas e aplica o ferro candente a feridas de mau caráter. E as chagas sociais exigem ânimo forte dos cirurgiões da polícia técnica. Não se pode curar os golpes fundos da maldade voluntária com perfume de rosas sem espinhos. Muita vez, é indispensável cortar e ferir, isolar e cauterizar.

Esse é um setor de benemerência da criminologia. Referimo-nos a minúcias psicológicas do investigador, para demonstrar a elevação de sua tarefa na zona que lhe é própria, valendo-nos, ainda, do ensinamento para algumas observações, no serviço da espiritualidade superior.

Quantas vezes os companheiros de luta improvisam investigações, a pretexto de caridade? Reúnem-se, forçadamente, em torno de médiuns, como detetives arguciosos, procurando a pretensa maldade. Não lhes criticamos a observação construtiva, mas lastimamos as péssimas condições de espírito com que recorrem à experimentação.

Não seria mais útil o adiamento da tentativa? e não será mais prudente, no capítulo das gentilezas, que os amigos da doutrina e os médiuns de boa intenção se abstenham de colaborar nesses intentos prematuros?

É um erro procurar os desencarnados esclarecidos à luz da Revelação Divina, mantendo no coração propósitos apenas compreensíveis nos investigadores policiais, que se valem deles, obrigatoriamente, no trato com os criminosos contumazes.

Todos os que organizam sessões mediúnicas, com o objetivo de satisfazer aos catadores de delinquentes, não se acautelam contra os perigos a que se conduzem, porque no plano invisível existem também entidades perversas, que não perdem ensejo de participar de condenáveis aventuras; e o trabalho dos Espíritos Superiores, nessas ocasiões, resume-se, quase, a preservar os pesquisadores tirânicos da influência de perigosos malfeitores desencarnados, que respondem às preocupações de ordem inferior que os assaltam.

A reunião mediúnica é também uma visita das almas encarnadas ao plano espiritual. Elevam-se os companheiros terrestres, através do pensamento, para que nos encontremos em “algum lugar”. Se o cooperador humano conta com excelentes relações na esfera invisível, delas recebendo contribuições efetivas de socorro e iluminação, como submeter os seus benfeitores distantes à investigação de pessoas, respeitáveis embora pelo trabalho que realizam na Terra, mas absolutamente despreparadas quanto às responsabilidades do espírito? Entregaria o homem de bem, ao primeiro desconhecido que lhe visitasse a casa, as intimidades do santuário doméstico, a pretexto de exemplificar a caridade evangélica? Como esquecer comezinhos deveres de segurança do bem, se o próprio Cristo recomendou aos seguidores que não lançassem pérolas a esmo?

É possível que muitos amigos nossos, ainda encarnados, obedecendo a impulsos de excessiva afetividade, atirem a qualquer aventureiro adornado de títulos exteriores as joias da confiança e do otimismo que lhes foram doadas pelas inteligências que habitam o Plano Divino. Mas nós outros, de olhos abertos e vigilantes, diante do campo infinito da Vida, não podemos fazer o mesmo.

A caridade é a virtude sublime que salva, aprimora, enaltece e aperfeiçoa, mas a imprudência, dissimulada por palavras lisonjeiras, não lhe pode arrebatar a auréola fulgurante.

É razoável que os estudantes do Espiritismo evangélico não desprezem a análise construtiva. É impossível viver às cegas num terreno tão claro, onde a liberdade para discernir, como deusa da razão vitoriosa, não permite a soberania das trevas interiores. Mas que ninguém converta ambiente de legítima fraternidade em gabinetes policiais, onde os Espíritos Elevados devem comparecer como delinquentes submissos. Procure-se a companhia desses Benfeitores, tendo o espírito de alegria, serenidade e amor, com que se buscam as afeições generosas e dignas da Terra. Os que não puderem proceder assim, adiem o cometimento, ainda que estejam diante da insistência apressada dos melhores amigos, porque o pensamento do homem, onde quer que se encontre, emite raios de atração, buscando receptores adequados, e quem se reúne, procurando malfeitores e criminosos, há de encontrá-los, tanto aí como aqui.

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Lázaro Redivivo

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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O propósito supremo

O propósito supremo

Léon Denis



Homem, meu irmão, tenha fé em seu destino, porque ele é grande. Você nasceu com faculdades inatas, aspirações infinitas, e a eternidade lhe é dada para desenvolver uns e satisfazer os outros. Crescer vida a vida, esclarecer-se pelo estudo, purificar-se pela dor, adquirir uma ciência sempre mais vasta, qualidades cada vez mais nobres; eis o que lhe está reservado. Deus tem feito ainda mais por você. Deu os meios de colaborar em Sua obra; de participar na lei do progresso sem limites, abrindo novas vias aos seus semelhantes, elevando seus irmãos, atraindo-os a você, iniciando-os nos esplendores do verdadeiro e do belo, às sublimes harmonias do universo. Não é isso criar, transformar almas e mundos? E esse trabalho imenso, fértil em caráteres, não é preferível a um repouso morno e estéril? Colaborar com Deus! Realizar em tudo e por tudo o bem e a justiça! Que pode ser maior, mais digno ao seu espírito imortal! Eleve então seu olhar e abrace as vastas perspectivas de seu porvir. Ponha nesse espetáculo a energia necessária para afrontar os ventos e as tempestades do mundo.

Marche, valente, lutador, suba a rampa que conduz aos cumes que chamamos virtude, dever, sacrifício. Não se detenha no caminho para colher floretes ou mato, para brincar com seixos dourados. Para frente, sempre em frente! 

Vê você nos céus esplêndidos esses astros flamejantes, esses sóis inumeráveis arrastando, em suas evoluções prodigiosas, brilhantes cortejos de planetas? Quantos séculos acumulados não foram necessários para os formar! Quantos séculos não serão precisos para os dissolver! Bem! Um dia virá em que todos esses fogos estarão extintos, onde esses mundos gigantescos se esvanecerão para dar lugar a novos globos, a outras famílias de astros emergentes das profundezas. Nada daquilo que vê hoje existirá mais.

O vento dos espaços terá para sempre varrido a poeira, esses mundos usados; mas você, você viverá sempre, prosseguindo sua marcha eterna no seio de uma criação incessantemente renovada. Que serão então para tua alma purificada, engrandecida, as sombras e os cuidados do presente? Acidentes efêmeros de nosso curso, não deixarão, no fundo de nossa memória, mais do que tristes ou doces lembranças. Diante dos horizontes infinitos da imortalidade, os males do presente, as provas sofridas, serão como uma nuvem fugitiva no meio de um céu sereno.

Meça então, em seu justo valor, as coisas da Terra. Não as desdenhe, sem dúvida, porque são necessárias ao progresso, e sua missão é de contribuir para o seu aperfeiçoamento pelo aperfeiçoamento de si mesmo; mas não ligue sua alma exclusivamente nisso, antes de tudo, procure os ensinamentos que trazem. Por eles, você compreenderá que os objetivos da vida não são os gozos, nem a felicidade, mas, acima de tudo, uma forma de trabalho, de estudo e de cumprimento do dever, o desenvolvimento da alma, da personalidade que você reconhecerá além da tumba, tal qual a tem estado talhando, você mesmo, no curso de sua existência terrestre.

Léon Denis do livro:
O porquê da Vida


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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Violência

Violência

Hilário Silva



Não se queixe da vida.

Trabalhe e conserve bondade e paciência para com todos!

Um homem irritado visitava extenso pomar, descarregando o próprio azedume nas árvores, sacudindo-as intempestivamente.

Muitos troncos amigos aceitaram a injúria com serenidade. Uma jaqueira, porém, ao ser rudemente agitada, sem querer, deixou cair um de seus frutos sobre a cabeça do agressor, causando-lhe o hematoma que lhe precedeu a morte.

Hilário Silva por Chico Xavier do livro:
Aulas da Vida

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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Defesa

Defesa 

Emmanuel


Se a provocação te busca,
Não desamines, Segue...

O dever a cumprir

É refúgio a guardar-te.

No calor do serviço

A sombra se desfaz.

O buril contra a pedra

É a força que a promove.

A dor aproveitada

É sempre amparo oculto.

Sofre com paciência,

Deus te oferta o melhor.
Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Deus Sempre

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