segunda-feira, 4 de abril de 2016

Conta pessoal

Conta pessoal

Emmanuel


"Assim pois cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus." - Paulo (Romanos, 14.12.)
Se te propões à renovação com o Cristo, é imperioso suportes, pacientemente, as opiniões contraditórias em torno da diretriz diferente a que te afeiçoes.

Se algum erro te assinala o passado, muitos te acreditarão de pés chumbados à sombra que, há muito, lá desterraste do espírito; se expressas algum voto de melhoria íntima, não obstante as deficiências naturais que ainda te marquem o início no aprendizado evangélico, há quem te exija espetáculos de grandeza, de um instante para outro; se te dispões a trabalhar no auxílio aos semelhantes. de modo mais intenso, há quem veja desperdício em teus gestos de generosidade e beneficência; se nada mais podes dar ao necessitado além da migalha de tuas escassas reservas materiais, aparece quem te acuse de sovinice; se te corriges decididamente perante a verdade com o propósito de servi-la, há quem te interprete a espontaneidade por fanatismo; se te recolhes à gentileza e à serenidade, na execução da tarefa que o serviço do Senhor te atribui, surge quem te aponte por exemplar de pieguice ou indolência...

Apesar de todos os palpites antagônicos, acerca de teu esforço e conduta, entra no imo da própria alma, observa se a sinceridade te preside as resoluções e os atos, no foro da consciência e, se te reconheces, diante, do Senhor, fazendo o melhor que podes, guarda o coração tranquilo e prossegue, de esforço limpo e atitude reta, caminho adiante, na convicção de que "cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus".

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Palavras de Vida Eterna

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domingo, 3 de abril de 2016

O fenômeno da morte

O fenômeno da morte

Joanna de Ângelis



Presente e constante na existência humana, o fenômeno da morte constitui uma fatalidade da qual ninguém consegue eximir-se.

Ocorrendo a cada momento nas células, que também se renovam, ocasião chega em que a anóxia cerebral se encarrega de parar as funções do tronco encefálico, interrompendo a ocorrência biológica da vida física.

Todos os seres que nascem morrem, dando prosseguimento ao milagre da vida em outra dimensão, aquela de onde tudo procede.

O objetivo essencial da existência física, em consequência,  é a construção e a vivências dos valores éticos responsáveis pelo progresso incessante do Espírito até o momento em que alcança a plenitude.

Mesmo nos reinos vegetal e animal, o processo de nascimento e morte obedece à planificação do desenvolvimento evolutivo da essência divina presente em tudo e em toda parte como fundamental manifestação da vida.

Desde quando criado o ser, o deotropismo atrai-o com força dinâmica inescapável...

Ao atingir a fase do instinto, desenham-se-lhe no psiquismo, pelas experiências, os pródromos da razão, passo gigantesco no rumo da angelitude.

Fixar os valores que dignificam e elevam, que o libertam das heranças grosseiras da fase antropológica primitiva, torna-se-lhe, portanto, imposição inevitável que o arrasta no rumo da ascese, que se lhe constitui meta a ser conquistada.

Passo a passo, experiência após vivência, a ânsia de alcançar a paz e a sabedoria estimula-o ao prosseguimento, mesmo quando sob ações penosas do sofrimento, decorrente da desatenção e da rebeldia ante as leis que regem o universo.

Parte integrante do Cosmo, essa unidade minúscula que é o ser humano, à semelhança de uma miocropartícula que forma a unidade atômica, deve manter a sua constância sob o comando da consciência lúcida que reflete o estágio em que se encontra.

As ocorrências desastrosas por falta de discernimento, por teimosia dos instintos agressivos, retardam-lhe a marcha, sem dúvida, porém, não impedem que ocorram novas oportunidades vigorosas em provações ou expiações pungitivas que se encarregam de corrigir as anfractuosidades morais e os desvios comportamentais, impondo a conduta correta como a solução adequada para o equilíbrio e o bem-estar.

Viver é automático, porém, bem viver, selecionando as questões que promovem os sentimentos e a inteligência em níveis mais elevados, para a conquista da sabedoria, deve ser o objetivo de máxima importância para todo viajante na indumentária carnal.

*

Sócrates, totalmente lúcido e decidido a demonstrar a sua grandeza moral em fidelidade a tudo quanto ensinou e viveu, recebeu a morte como um grande bem.

Instado a fugir por Críton, que houvera organizado um plano audacioso com os seus demais amigos, surpreendeu-se e o repreendeu, demonstrando que as leis, mesmo quando injustas, devem ser obedecidas, de modo que a sociedade aprenda a estabelecer códigos de nobreza.

Caso fugisse, evidenciaria que era realmente o que dele diziam os inimigos, especialmente aqueles que o levaram ao tribunal com infâmias grosseiras.

E sofismando a respeito da existência, qual fizeram antes os juízes, anuiu com tranquilidade à sentença infame, demonstrando que a existência física é uma experiência de iluminação e não uma pousada para o prazer infinito.

Buda, de igual maneira, despedindo-se dos discípulos que aguardavam mais informações, a fim de darem continuidade à divulgação dos seus pensamentos, informou que lhes legava o Dharma – a ordem universal imutável – e, serenamente abandonado por muitos que antes o assistiam, silenciou a voz e retornou à pátria da imortalidade.

Jesus é o exemplo máximo, porque no auge dos sofrimentos pôde pronunciar frases que assinalariam com vigor a sua despedida, desde o perdão aos crucificadores "que não sabiam o que estavam fazendo" (Lucas, 23:34), até entregar a mãezinha aos cuidados do discípulo amado e este ao seu carinho (João, 19:26-27), rompendo os laços da consanguinidade terrestre em favor da fraternidade universal.

Foi mais além, dialogando com o ladrão que lhe suplicava ajuda e socorrendo-o com a resposta da sublime esperança da sua entrada no reino dos Céus (Lucas, 23:43), assim que se desvencilhasse das asperezas dos erros, e se cumprisse tudo para quanto viera, num inolvidável silêncio após o "tudo consumado." (João, 19:30).

Logo mais, porém, retornava em júbilo na madrugada esplendente de sol e de beleza, confirmando a imortalidade e o triunfo da vida sobre contingência material, de modo que os amigos e quantos outros que o viram pudessem superar a injunção corpórea e voar nos rumos do Infinito.

Francisco de Assis, sofrido pela ingratidão de alguns dos melhores companheiros, ferido e maltratado, sem forças nem resistências orgânicas, exauriu-se lentamente, cantando sempre até o último hausto, a ponto de ser censurado por tanta alegria...

Todos aqueles que descobriram a imortalidade enfrentaram o fenômeno da consumpção dos tecidos orgânicos com estoicismo e naturalidade, alegrando-se com o término da tarefa terrestre abraçada, de modo a retornarem vitoriosos ao grande Lar de onde partiram no rumo do planeta terrestre.

*

Reflexiona diariamente a respeito da tua partida em direção à imortalidade, preparando-te, a fim de que não te fixes em interesses mesquinhos retentivos da retaguarda material.

Treina o pensamento em considerações constantes em torno da desencarnação, porquanto ela chegará, talvez, quando menos a esperes.

Se tiveres a felicidade de enfermar por longo prazo, diluindo os liames retentivos do corpo físico, isto será uma bênção.

Mas se fores convocado repentinamente, deixa-te conduzir com alegria, certo de que viverás.

Nada obstante, prepara-te conscientemente para enfrentar esse fenômeno terminal, agradecido ao corpo que te vem servindo de instrumento para a evolução, bem como a tudo quanto te ocorre na atual conjuntura evolutiva.

Mensagem recebida na tarde de 02/06/2014,
na residência de Dominique e Armandine Chéron,
em Vitry-sur-Seine, França.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Tesouros Libertadores

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sábado, 2 de abril de 2016

Doações

Doações 

Meimei



Não digas possa existir alguém sem necessidade de ti.

Precisamos dos outros, tanto quanto outros se valem de nós.

Os doentes te pedem amparo e companhia.

Os fracos te requisitam apoio.

Os tristes procuram em tua presença essa ou aquela migalha de alegria.

Os injuriados te esmolam simpatia e defesa.

Os infelizes contam com a força de tua proteção e consolo.

Os companheiros abastados aguardam inspiração de tua influência.

As vítimas da penúria te rogam assistência e socorro.

Os agressores te solicitam desculpa e esquecimento.

Os amigos te reclamam solidariedade.

Os adversários te requisitam entendimento.

As crianças te pedem segurança e carinho.

Com todos aqueles aos quais possas doar algo do que tenhas ou algo do que sejas, para que as tuas dádivas não se percam na esterilidade da incompreensão, não te esqueças de envolvê-las em teu amor na embalagem da paciência.

Meimei por Chico Xavier do livro:
Palavras do Coração

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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Aprendizes do desprendimento

Aprendizes do desprendimento

Chico Xavier, à sombra do abacateiro


17/04/1982.

No dia 17 de abril passado, O Evangelho Segundo o Espiritismo ofertou-nos o item 12, do Cap. XVI - “Não se pode servir a Deus e a Mamom”, a meditação no culto do Abacateiro.

Após a prece inicial, o Prof Thomaz, convidado a palavra, discorreu sobre a interessante experiência que um grupo universitário vem realizando ultimamente em Uberaba. Então desenvolvendo um projeto denominado “Céu Aberto”, que atende as necessidades artísticas dos jovens... E ele faz um paralelo, dizendo que, pelo trabalho, carecemos de manter o nosso “céu aberto”, ou seja: atentar para o imperativo do progresso espiritual.

Ariston Santana Teles, nosso amigo de sobradinho, D.F., lembrou o 8º Centenário de nascimento de Francisco de Assis. Contou que certa feita, quando estava o inolvidável “poverello” a regar a as plantas, um irmão, aproximando-se, indagou-lhe: “Frei Francisco, se nesse momento o senhor soubesse que iria morrer hoje mesmo, o que o senhor faria?” - “Eu continuaria regando minhas plantas...” – respondeu Francisco de Assis.

Também convidado a falar, lembrou os 125 anos de Doutrina Espírita, ressaltando a importância de “O Livro dos Espíritos”, lançando em Paris, França, no dia 18 de abril de 1857.

D. Terezinha Pousa falou também que o dia 18 e considerado o “Dia do Livro” e que este ano, ainda no dia 18 de abril comemora-se o Centenário de Monteiro Lobato.

Márcia, minha esposa, tece considerações em torno do extraordinário livro do Dr. George Ritchie, “Voltar do Amanhã”, uma experiência incrível de “morte clínica”.

Vários outros amigos também foram chamados a colaborar na interpretação do texto evangélico, todos buscando conotações com a problemática dos bens terrenos, do desapego das posses materiais.

Chico ouvia os apontamentos com muita atenção, alias, como sempre. Ele aparentava estar 
cansado, pois a reunião da sexta feira terminara as 06:00 horas do sábado.

Antes da reunião, no abacateiro, alguém comentou com ele que o local estava muito acanhado, sem o mínimo conforto para os visitantes... Ao que ele respondeu: “Quando eu desencarnar os companheiros da Doutrina Espírita podem fazer palácios por aqui, mas enquanto eu estiver... O símbolo da doutrina é o serviço”...

Agora ele se preparava para comentar o “Evangelho”, convidado também pelo Senhor Weaker Batista. Fez um apanhado do que todos nós havíamos falado e foi além... Vejamos:

“Não tenho mesmo nem condições físicas para falar, mas o nosso Emmanuel, aqui presente, me pede para dizer alguma coisa. (...) Temos o precursor do “céu aberto” em Jesus Cristo, que ensinou nas praças públicas e deixou o “Sermão da Montanha” em pleno ar livre, falando milhares de pessoas de todas as condições, ensinando o amor, a misericórdia, a brandura, a paz. O “Sermão da Montanha” representa para muitos dos estudiosos do progresso humano, o maior documento da humanidade. Jesus nos ensinou, sobretudo, a despertar o nosso coração para o amor, e Allan Kardec prosseguiu nessa tarefa doando-nos “O Livro dos Espíritos,” que contém os ensinamentos do amor...”

“Jesus ensinou em barcos emprestados, ensinou em bancos públicos, nas praças em que comparecia, nos montes, nos lares de companheiros... O Evangelho nos relata que muitas vezes Ele ensinou na casa de Pedro, isto é, na casa de Pedro, por empréstimo... A única propriedade do Cristo foi a cruz — a Cruz do Cristo foi a única propriedade de que Ele foi o único dono. Não se fala de uma casa do Cristo, de um território do Cristo, mas a cruz do Cristo é muito recordada (Uma de nossas irmãs convidada a falar. D Marilene Paranhos da Silva, havia contado um episódio de Irmão X sobre três cruzes...).”

“Todos carregamos a cruz que é nossa. Cruzes inventadas com as nossas preocupações excessivas sobre a vida material. Nenhum de nós por enquanto, soube se acomodar com o necessário...libertação de Francisco de Assis que pode, com muita grandeza, ser pequenino. E o esforço a que estamos sendo convidados. Temos a preocupação com pão do mês, quando Jesus ensinou: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje...” Acumulamos sem saber se vamos viver até amanhã... desprendimento pessoal um pouco maior. Peçamos a Deus para não estar guardando sobras desnecessárias, pois representa falta na casa do vizinho. Por que havemos de ajuntar tanta coisa de que nos vamos cansar brevemente? Tanta coisa que vai simplesmente definir conflitos, dissensões de famílias... quando nós podemos ter apenas uma casa confortável para nós e para nossa família?!”

“São preocupações que precisamos deixar.”

“Fazemos regime para emagrecer. Compramos livros, vamos aos especialistas. E natural; precisamos de saúde, de corpo mais livre. Fazemos ginástica para ter elegância física. Por que não podemos fazer um pouco de regime de desprendimento? Às vezes, o pão apodrece dentro da nossa casa. Um campeão de futebol treina todo o dia, treina sem parar. É muito importante isto. O futebol é um tema de aproximação entre nós neste mundo. Mas se não podemos ser campeões do desprendimento, porque é que não podemos ser aprendizes do desprendimento?"

Temos de liberar muita coisa que está sobrando, inclusive até mesmo tempo. Temos muito tempo para visitar um doente, para ajudar alguém a compreender determinado trecho de leitura...”

“Falando de mim, não interpretando neste momento o pensamento de Emmanuel, também 
tenho muitos erros, desperdiço muita coisa.”

“Precisamos desprender enquanto é tempo, porque num futuro breve ou remoto, teremos que deixar tudo... deixar tudo de roldão, porque a desencarnação não espera ninguém.

Vamos pedir a Deus que nos dê compreensão. E muito mais difícil ser-se sofisticados, no entanto, hoje, sofisticado é quase que moda. “Eu preciso de 'Status' — dizemos. Isso é modo de estabelecer diferença de padrão. (...)”

“É o que o nosso Emmanuel nos pede para dizer.”

Enquanto refletíamos sobre ó que acabáramos de ouvir, o nosso irmão Eurípedes era convidado à prece final.

Chico Xavier à sombra do Abacateiro
De Chico Xavier e Carlos A. Baccelli
Nota: O Título "Paciência", foi criado por nós, para esta publicação, o título original do capítulo no livro é:  17 DE ABRIL DE 1982. - RDB
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