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sábado, 24 de fevereiro de 2024

Passe e Estudo

Passe e Estudo

Roque Jacintho



O passista deve ser amigo do estudo nobre.

Assenhoreando-se paulatinamente do patrimônio superior da Doutrina Espírita, não apenas alcança maior domínio da técnica e do mecanismo dos passes, mas ainda descortina meandros da natureza humana, habilitando-se a orientar os enfermos, tornando mais fecunda a terapêutica fluídica.

Outro detalhe do estudo.

A leitura e a permuta de noções de temas da Espiritualidade Superior sustentam, por si sós, a mente em planos altos, forrando o passista de uniões obsessivas, por mantê-lo unido às ondas mentais mais vibráteis e puras do Universo.

Além dessa simbiose com Espíritos iluminados, em decorrência de suas preferências novas, deve-se ter em consideração que a renovação de interesse produz um esquecimento lento e gradativo dos hábitos anteriores, trazendo-lhe a reforma de seu mundo moral e permite-lhe envergar as roupas do "homem novo" do Evangelho do Senhor.

Cabe um lembrete, porém.

Com referência ao estudo é sempre oportuno que se memorize a importância de selecionar as obras a serem estudadas ou simplesmente lidas. Nem tudo o que se publica é realmente digno de atenção ou de carinho, mesmo quando traga a informação de que são espíritas ou espiritualistas. Muitas delas são fontes de tóxicos mentais, ardilosas e improdutivas, retratando a clara advertência de Jesus de que entre o trigo nasceria o joio.

Vale, pois, reviver a advertência do Apóstolo da Gentilidade, que pondera: "Não ensinem outra doutrina, nem se deem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé". (1 Timóteo, 1:3 e 4) Um cuidado derradeiro.

A leitura selecionada nunca deve estar acima de nossa compreensão normal, a fim de que não nos demoremos improdutivamente em livros que, dignos e respeitáveis, nem sempre nos são inteligíveis, e que, estando além de nosso discernimento podem deslumbrar-nos pela sua complexidade, sem que nos iluminem interiormente. Não se condena e nem se proscreve sua leitura. Apenas deveremos fazê-la em menor intensidade, e em círculos coletivos de estudos, para aproveitarmos seus conceitos, devidamente aditados e explicados por companheiros de ideal que possuam mais experiência do que a nossa no campo que tais obras abordem.

Roque Jacintho do livro:
Passe e Passista

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sábado, 17 de junho de 2023

Passe e passista

Passe e passista

Roque Jacintho



Aceitamos sem rubores que estamos, todos, sujeitos a desequilíbrios momentâneos. Reconhecendo-nos o caminho do aperfeiçoamento, não queiramos revestir-nos com asas artificiais, que se derretem sob o calor das nossas paixões humanas.

Não é preciso muito para quedas.

Basta um segundo de revolta, um instante de rancor, uma ponta de inveja, laivos de ciúmes, milésimos de impiedade, julgamentos apressados ou levianos, um demorar da língua na calúnia, ou ensopá-la no caldo quente da maledicência - e eis-nos a braços com desajustes psíquicos e espirituais.

A ligação com a espiritualidade inferior, em alguns de nossos momentos, é tão intensa que se faz necessário que, embora passistas que somos, nos confiemos à fluidoterapia que nos chega por outros companheiros de ideal.

Recorrendo a companheiros dedicados ao mesmo setor assistencial, apenas faremos por realçar nossa confiança nessa medicação celeste.

Seria leviano, ou desconhecimento das Leis Espirituais, se nos julgássemos forrados de quaisquer influenciações, breves ou alongadas, à vista de nossa posição de passistas.

E haverá presunção, inimiga da humildade que deve caracterizar o passista, se este considerar que os seus orientadores Espirituais o conservarão afastado de desequilíbrios ou de circunstâncias que o convidem à queda moral e espiritual. Jamais deveremos olvidar que as tentações e as mistificações fazem parte do nosso quadro de aprendizado, testando-nos nas aquisições que estamos em vias de incorporar em nossa bagagem interior.

Estejamos longe, pois, de sentirmo-nos diminuídos ou indignos da tarefa que abraçamos nesse setor de trabalhos que o Cristianismo-Redivivo nos abre à frente, apenas porque titubeamos. É justo que nos amparemos mutuamente, no curso de nossas lições, a fim de recompor-nos por amor ao serviço, sempre que necessário.

Roque Jacintho do livro:
Passe e Passista

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quinta-feira, 25 de março de 2021

Passe Diferente

Passe Diferente

Roque Jacintho



Indispensável estudar o Espiritismo. A Doutrina Espírita, síntese da Religião, é sagrado binômio de evolução psíquica, cuja dinâmica poderemos conceituar como: Jesus iluminando o coração e Kardec ilustrando o raciocínio.

Vez por outra, porém, repontam teorias de arribação.

No campo do passe, a exemplo, muitos corações já foram assaltados por inusitadas e alienígenas informações, estranhas à simplicidade profunda da Doutrina Espírita.

Produzem estas inquietudes:

- Na doação de energias aos que sofrem, na operação de substituir a molécula malsã por uma sã, estaríamos operando com o passe magnético ou espiritual? Que categoria de passes serviria a este ou àquele enfermo? Quem transmite passe ao adulto, poderá fazê-lo à criança?


O impasse poderá levar-nos a titubear.


Em verdade, contudo, no Espiritismo sempre foi muito claro que a transfusão ocorrida num passe é sempre de natureza fluídica. E o fluido é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, os quais são simples transformações dele" (1).

A ação magnética ou espiritual provém de uma só fonte.

Há, no mundo, reprisamos, um único elemento primitivo, o fluido universal, sendo todos os corpos, todas as formas vivas ou inanimadas, todas as manifestações de vida, mera variedade de condensação ou coesão da mesma energia.

A própria Ciência, hoje energética, consagra a unidade.

No considerar o tema, em "A Gênese", Kardec desce a detalhes, esclarecendo que a ação do passe pode produzir-se de muitas maneiras. Alinha as três fundamentais:
  • Pelo próprio fluido do passista;
  • Pela atuação direta de um Espírito, sem o concurso do passista (beneficiando todos os necessitados, independentemente de sua crença religiosa, de seu grau evolutivo, inclusive sem o conhecimento e o reconhecimento dos beneficiários);
  • Pelos fluidos que os Espíritos derramam sobre o passista, imprimindo ao fluido natural do passista qualidades de que ele carece.
Na falta do termo passista, tão comum na atualidade espírita brasileira, Kardec os denominava magnetizadores, a fim de diferenciá-los dos médiuns de cura. A mediunidade de cura é "o dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação" (2).

Hoje, os magnetizadores são chamados passistas. 

Observemos, ainda, que a participação de um Espírito, na doação do passe, não se reconhece pela sua manifestação ostensiva, isto é, pela precipitação do fenômeno de incorporação ou de psicofonia ou de efeito físico. A participação é esse "derramar de fluidos, imprimindo ao fluido natural do passista as qualidades de que ele carece".

Ainda em "O Livro dos Médiuns" (3), Kardec formula nove questões, cujas respostas aclaram definitivamente o tema. Dentre elas, destacamos apenas uma:
Entretanto, o médium é um intermediário entre os Espíritos e o homem; ora, o magnetizador, haurindo em si mesmo a força de que se utiliza, não parece que seja intermediário de nenhuma potência estranha.
R. É um erro; a força magnética reside, sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela ação dos Espíritos que ele chama em seu auxílio. Se magnetizas com o propósito de curar, por exemplo, e invocas um bom Espírito que se interessa por ti e pelo teu doente, ele aumenta a tua força e a tua vontade, dirige o teu fluido e lhe dá as qualidades necessárias.
A clareza, aí, é gritante!


O passe é sempre o passe.

Gestos, postura física, ginásticas rítmicas, rituais na operação do passe, são meros hábitos alimentados pelos passistas ou pelos que os instruíram. Originam-se da superstição que "pode emprestar virtudes quaisquer a certas palavras (ou atos) e somente Espíritos ignorantes ou mentirosos podem alimentar semelhantes ideias, prescrevendo fórmulas" (4). O parêntese é nosso.

Uma classificação de passes, para atender este ou aquele enfermo, físico ou espiritual, só seria possível se conhecêssemos e pudéssemos manipular a "química dos fluidos". Quem, porém, entre nós, se aventuraria a afirmar conhecer a natureza intrínseca dos fluidos, a ponto de combiná-los, alterá-los, transubstanciá-los, se deles só sabemos que existem por seus efeitos?

Serão bons ou maus, de acordo com nossos pensamentos.

Nenhum de nós, todavia, vai além dessa noção rudimentar, embora preciosa. Não que estejamos proibidos de pesquisar. Ocorre que estamos impedidos, nesse campo, pelas atuais limitações de nossos sentidos e por falta de aparelhagem apropriada para suprir-nos as deficiências da espécie.

Salvo fantasias primárias, de extremo mau gosto, nunca deveremos repletar esse belo departamento do Espiritismo com afirmações apressadas, levianas até, querendo criar escolas à parte, tão somente pelo prazer de passear nossa vaidade entre os homens.

Sendo a essência da constituição infantil exatamente a mesma da do homem adulto, todo argumento que se articule para justificar a existência de "passistas infantis" é um artificialismo próprio de quem ignora ou faz ignorar as leis espirituais que Kardec examinou e reexaminou, no contexto da Codificação.

A mãe, acariciando o filho, transmite-lhe fluidos, da mesma forma que ao acariciar o companheiro de sua caminhada terrena.

Poderemos ter preferência pelas crianças, num atendimento de tendências pessoais; nunca, porém, porque os fluidos que se destinam à infância sejam, fundamentalmente, diversos dos que se canalizam para o adulto.


O passista não possui poderes mágicos.


Se algumas vezes, por intuição do Espírito que nos orienta no passe, somos informados do órgão enfermo, não se faz necessário que saiamos da simples imposição da mão. No centro do cérebro localiza-se a glândula chamada epífise, o leme da alma, que reabastece e mantém o equilíbrio fluídico de todos os departamentos do organismo. Envolvê-la nas radiações fluídicas equivale a aplicar uma injeção, cujo líquido circulará por todo o corpo, através das correntes sanguínea, até atuar sobre a parte desequilibrada.

O efeito salutar do passe - é desnecessário encarecer, por muito conhecido de todos fica sempre na dependência do quadro espiritual do assistido. Ele, o assistido, é quem determina, não raro contra a boa vontade do agente transmissor, a renovação ou a repulsão dos fluidos.


É uma questão de afinidade.


Jesus, definindo tal dependência e alertando-nos de que a regeneração física ou psíquica da criatura é obra dela mesma, embora com o amparo de outros, diante de cada cura operada enunciava com clareza e convicção:

- A tua fé te salvou.

Não era uma afirmação convencional de humildade.

Sabia o Mestre, esclarece-nos o Espiritismo, que sem um campo propício para restabelecer-se, criado pela mente do enfermo, nenhuma regeneração se opera.

Vale, sempre, reler Kardec.

Não deveremos tornar obscuros princípios claros.

A beleza da Doutrina reside no seu retorno à verdade do Evangelho, desvestindo-se das alfaias humanas e rompendo com os elos que nos escravizavam ao primarismo espiritual milenar.

Toleremos as teorias diferentes, mas não vivamos com elas.

Roque Jacintho do livro:
Passe e Passista
Bibliografia:
  1. "A Gênese", de Allan Kardec, cap. XIV, item 31. 
  2. "O Livro dos Médiuns", Allan Kardec, questão 175. 
  3. 'Idem, ibidem questão 176. 
  4. Idem, Ibidem, questão 176, item 9. 
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