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quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Comportamento

Comportamento

Miramez

"Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: verdadeiramente és também um deles, porque o teu modo de faiar o denuncia". - Mateus — Cap. 26, v. 73 

O talhe de vida de um médium não deve fugir da decência, de sorte a alcançar outras qualidades reunidas e ensinadas pelo Evangelho, porque o seu modo de ser o denuncia, sem que ele possa empanar o que verdadeiramente é.

A Doutrina Espírita poderá ser muito dignificada pelos seus seguidores, desde que esses observem os preceitos estruturados por ela e alarguem o poder de vontade na área da vivência. Certamente que depende de muito esforço.

Reencarnar é crucificar-se no lenho do corpo, como escola de regeneração. Mesmo sendo um patíbulo de agressões múltiplas, existem milhões de almas esperando a sua vez. E quando nos encontramos na arena da Terra, devemos envidar todos os nossos esforços na assimilação do melhor remédio da vida — o Amor. O comportamento cristão é a meta. 0 espírito na carne é uma mensagem de Cristo, é uma carta aberta de Deus. Como lemos os outros, alguém está nos lendo. E nos paralelos dessa carta, escrevemos o que somos, denunciando-nos a nós mesmos. Se faltar a vigilância, é certo que não poderemos dar mais do que temos. No entanto, o esforçarmo-nos está nas nossas mãos.

Operemos neste sentido, que Deus e Cristo farão o resto por nós. Revistamo-nos, pois, com o manto espiritual, conscientizados de que a nossa defesa parte de Deus, amplia-se em Jesus por nosso próprio intermédio. Se a calúnia nos visitar por invigilância dos outros, não façamos o mesmo. O revide nos nivela ao agressor, deixando-nos sem condições de ajudar.

A mediunidade é um instrumento, senão uma luz que nos clareia a todos, quando a inteligência se irmana com o coração, para usá-la em favor do bem comum, sem exigências de forma alguma. A mente disciplinada favorece o intercâmbio das almas afins. Todos nós, encarnados e desencarnados, somos médiuns por natureza divina e humana. O modo pelo qual nos comportamos é que marca o grau das faculdades que possuímos.

O Cristo criou uma escola educativa, dando como exemplo a sua própria vida e tendo como seus primeiros alunos os doze discípulos. Allan Kardec fez reviver o Cristianismo nos conceitos da codificação, vendo na mediunidade uma fonte inesgotável para grandes revelações e nos médiuns, novos discípulos do Mestre, desde que revivessem o Evangelho no passar de cada dia.

Essa operação gasta igualmente tempo. E esse tempo nos promete uma reestruturação nos códigos das outras filosofias religiosas, para que todos possamos nos irmanarmos pela convivência da própria luz. O comportamento do médium denuncia com quem ele anda. A sua boca revela as suas próprias companhias, e as suas vibrações despertam nos outros os impulsos que as alimentam. Temos, na Doutrina dos Espíritos, uma das universidades educacionais e nos seus profitentes os chamados e escolhidos para o aprendizado. Se nos primeiros momentos da concepção começa o calvário da alma, exigindo dela esforço e fé, o ingresso dela nas hostes educativas de Jesus, conscientizada, exige esforço dobrado. E guerra sobre guerra, é luta sobre luta, porque a ascensão custa suor e dor.

Tratamos aqui do médium espírita, a quem foi dado muito e é pedido mais. Comparamos o sensitivo da Doutrina dos Espíritos à samaritana, que antes tomava água do mundo e tornava a ter sede. Todavia, quando se encontrou com o Mestre, pelas vias do Espiritismo, saciou a sua sede para sempre e, ainda mais, tornou-se um poço inesgotável. Tendo todos os meios de comprovações pelos métodos indutivos dos místicos e dos santos, a intuição pura rasga os véus tecidos pela ignorância e faz com que a alma beba os conhecimentos do Suprimento Maior. Não obstante, essas vias de acesso ao esplendor mediúnico requerem demasiada tolerância, caridade, trabalho e fé, que levam o espírito a sentir e a praticar o verdadeiro amor, na dimensão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mudar a vida que sustentamos com milhares de enganos, sabemos que não é fácil. Porém, se fosse impossível, não falaríamos disso. Eis o exemplo de Paulo de Tarso, depois do caminho de Damasco. Jesus não procurou almas perfeitamente sadias de corpo e de espírito. Ele escolheu a todos, mas somente chama aqueles dispostos a segui-LO, porque sabe, por conhecer as leis, que toda cura obedece à gradatividade. Depois que já estivermos dominando a nós mesmos na esfera do bem, como médiuns do amor, vamos sentir a felicidade de ouvir, aceitando o que o apóstolo Pedro ouviu, negando.

"Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: verdadeiramente és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia ". 
Miramez por João Nunes Maia do livro:
Médiuns

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sábado, 23 de novembro de 2024

Iniciação

Iniciação

Miramez



"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros". (João - 13:35)

Quem não pode servir desconhece a iniciação cristã. A mediunidade é uma ferramenta de trabalho do Bem, desde quando ela é submetida a uma certa disciplina. O dever primeiro do sensitivo é frequentar a escola do Evangelho, assimilar seus conceitos e disseminar a Boa Nova de Jesus Cristo, pelo exemplo a que o dia a dia convida.

O médium que não estuda adormece nos braços da ignorância e perde o caminho da verdade e da vida, até que o tempo, pela explosão da dor, o acorde. Se já trouxestes, ao nascer, a faculdade grandiosa de servir como instrumento para que os espíritos possam falar aos homens das verdades eternas e soberanas, eis a vossa oportunidade de ajudar, de emprestar a vós mesmos, de sorte que inteligências invisíveis falem aos que sofrem, aos encarcerados nas cadeias e nos vícios, aos desesperados, aos familiares aflitos, aos jovens sem rumo, aos velhos cansados, aos homens de negócios, aos ricos e pobres, grandes e pequenos.

A vossa meta já se encontra definida. Nascestes para servir. E se porventura alguns medianeiros, influenciados pela vaidade, quiserem que os outros reconheçam neles a marca de servidores da coletividade, fazei o que o Cristo aconselha aos Seus discípulos, que João anota no capítulo acima referido: amai-vos uns aos outros, como Ele nos amou. Se o pedido constitui peso para a vossa conduta em formação, pelo menos esforçai-vos em amar, mas começai exercitando outras virtudes mais leves até chegar a este dom maior por excelência, que configura a presença de Deus nos corações dos iniciados na verdadeira caridade.

A mediunidade na Terra iluminou-se com a fala do Mestre. Ele orientou a humanidade, e principalmente os médiuns, de maneira a usar as faculdades a serviço da fraternidade na comunidade a que pertencem. Isolou o comércio dos dons espirituais, proclamando aos seus discípulos: "Dai de graça o que de graça recebestes". E para tirar o medo dos iniciantes do Evangelho de passar necessidades das coisas, acrescenta: "Os lírios dos campos não fiam nem tecem e vestem-se com mais brilho do que os reis; as aves dos céus não plantam nem colhem, no entanto são sempre supridas pela natureza". Todavia, valorizou o trabalho, dizendo: "Todo trabalhador é digno do seu salário". Depois ensinou aos fariseus que deveríamos "Dar a César o que era de César, e a Deus o que era de Deus", mostrando, assim, as linhas de operação mediúnica dos candidatos à verdade, as paralelas das duas operações, as duas metas da própria vida: a física e a espiritual.

Não penseis, meus filhos, que uma iniciação nas hostes do Cristianismo se faz de um dia para outro. Gasta-se tempo e contínuos esforços, sacrifícios inúmeros e subidas, sem precedentes, cuja soma significa muita dor. A Doutrina Espírita não faz médiuns, mas traça para eles caminhos, nos quais poderão ir se libertando dos laços milenários do ódio, ganhando e fazendo ganhar o amor; das presas da inércia, ganhando e conquistando o trabalho; da atmosfera do egoísmo, ilustrando a inteligência e os sentimentos no completo domínio dos impulsos inferiores, sempre abraçando a caridade, como sendo a porta central, por onde o sol de Deus banha o coração. E como o Senhor sabe planejar as coisas e envolvê-las nas belezas imortais, a nos fazer compreender que não pode existir Espiritismo sem a própria mediunidade, ela é um canal por onde transitam as conversações de um mundo com o outro, instrumento imprescindível à sustentação dos seus conceitos. Ela é o aconchego, que a esperança da vida futura faz presente com mais clareza. Abençoemos, pois, essa faculdade, cujas raízes se encravam no complexo humano, a esplender nos sentidos psicossomáticos das criaturas.

A Doutrina Espírita empenhou-se na educação da mediunidade, servindo-se dela para a sua própria expansão. E o ser humano dotado de faculdades mediúnicas, que se entregou à iniciação Espírita, deve trilhar pelos caminhos indicados por ela, que convergem totalmente para o cristianismo nascente, mostrando os meios e fazendo ambiente para os médiuns se renovarem a si mesmos. Antes de fazer parte de uma reunião a serviço desta própria mediunidade, lembrai-vos de perdoar as ofensas. Antes de falar algo como incentivo à caridade, fazei-a. Antes de estimular a vivência do amor, amai os vossos semelhantes.

Se a lei nos diz que os semelhantes atraem os semelhantes, assemelhemo-nos a Cristo ou, pelo menos, esforcemo-nos para ser Seus discípulos. Neste ingente trabalho, os agentes invisíveis do Mestre encontrarão em nós as qualidades indispensáveis para o serviço de Deus, servindo a Cristo, em favor da humanidade.

Médiuns de todos os sistemas doutrinários! Se quereis ser conhecidos como discípulos de Jesus Cristo, observai essa conduta que não pode ser esquecida. Ei-la:

"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros".

Miramez por João Nunes Maia do livro:
Médiuns

Nota: Os destaques são do autor espiritual. (RDB)

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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Os talentos

Os talentos

Miramez


A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada um segundo a sua própria capacidade, e então partiu. (Mateus — 24:15)

Médiuns! Eis no corpo desta mensagem o que poderá suceder com as vossas faculdades, se o uso não for dirigido pelo bom senso. Sem dúvida, deveis conhecer a parábola dos talentos. Aquele a quem o Senhor confiou cinco talentos teve a audácia luminosa de multiplicá-los, fazendo o mesmo o que recebeu dois. E o trabalhador de posse de um era o que tinha menos qualidades, e o temor não deixou que ele participasse do progresso, anulando suas possibilidades de trabalho.

Partindo desta parábola, poderemos analisar as condições dos chamados médiuns no campo doutrinário do Espiritismo. Mateus anotou, inspirado na mais alta disciplina espiritual, o que serve a nós, encarnados e desencarnados, que trabalhamos na Terra. Os dons mediúnicos são os talentos correspondentes às nossas responsabilidades perante o próprio Cristo. A cada um ele deu, segundo as suas próprias condições espirituais, por justiça. 

É bom que lembremos que Deus não coloca fardos pesados em ombros frágeis. O que recebeu cinco tinha condições, pelo labor da sua própria vida, enriquecida pela maturidade de exercitar a dádiva, dando o dobro do rendimento. Igualmente o que ganhou dois. Todavia, o inexperiente, recebendo um talento, guardou-o consigo, temendo perder, na transação espiritual, o tesouro que lhe foi confiado, de sorte que nada produziu, confirmando, então, o que o Mestre antecipa na anotação do apóstolo, ao terminar sua fala: "Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas o que não tem, até o que tem lhe será tirado". 

O médium é um instrumento, de onde poderão ser tirados acordes da mais alta significação, desde que ele se afine em toda a sua estrutura. Conforme o tipo de melodia ampliada por ele, certamente inspira milhares de outras, multiplicando até o infinito suas qualidades, sem dar tempo às sombras, sem se acomodar com o que já fez. A esse tipo de medianeiro será dado mais. No entanto, aquele que a inércia fez adormecer por inúmeras conveniências e, ainda mais por crime de ter pouco em relação a outros, até mesmo o que já tinha lhe será tirado, porque a sua própria disposição negativa entorpece o que já era seu. 

O médium incorporado nas hostes doutrinárias de Jesus Cristo destrona do seu próprio eu o egoísmo, que cede lugar à bondade, e hospitalidade, enfim, ao amor, em suas múltiplas expressões, colocando o Cristo como centro de todas as vidas humanas, com todas as possibilidades que poderemos imaginar e, ainda mais, ultrapassando as nossas deduções racionais. É bom que lembremos que a nossa conversa não tem exigências, desconhece opressões. Nós olhamos para o estudante do Espiritismo Cristão como se fosse aquele mesmo discípulo estuante e vigoroso do Cristianismo nascente. Portanto, as propostas são cabíveis, como fardos, a quem está acostumado a transportar pesos de desilusões humanas. Revigoremos, pois, com mais um pouco de esforço, reformando-nos interiormente, para que o Cristo apareça como sol, na fecundação das nossas vidas, e Médico das nossas almas. 

Médiuns! A afetividade promana de corações amadurecidos nos amanhos da existência. Por que não incorporarmos essa qualidade em nós, mostrando que participamos do banquete do Senhor, quando reparte o pão para todos os discípulos? A cordialidade é produto do tempo em que Jesus passa a dominar. Por que não deixar transparecer essa luz de nós para os outros? A cortesia é talento divino a nosso favor. Por que não a multiplicarmos a cada hora, a cada dia, a cada minuto? Tudo isto é lastro doutrinário do Espiritismo, senão do Cristo em nós, que assegura o equilíbrio de todos os intermediários do bem na Terra e no Céu, da vida e pela vida. 

Companheiro de jornada terrena: se já recebestes alguns talentos de Deus que vos conferem a faculdade de servir, não interrompais o exercício deste tesouro em benefício da coletividade. Abri as portas da multiplicação. Vigiai a vossa palavra, desde a formação das ideias até os sons imprimidos nelas, para que a mensagem não saia das linhas do amor. Se aflorou na vossa sensibilidade um só dom com evidência, não o enterreis no esquecimento por ciúme de outros com mais possibilidades. Avançai com o que tendes, que vos será dado muitas vezes mais, no reino da consciência. É bom que os que muito receberam não deixem a ferrugem da vaidade estragar a maior importância dos seus tesouros, e que a humildade afrouxe todos os laços dados pela ignorância, de maneira a passar pelos fios da vida. Sede fortes nos tormentos, esperando que, no amanhã, as tempestades vos deixem sentir a luz com mais limpidez, assegurando-vos a certeza de que somente o bem está enraizado na eternidade. Perdoai as ofensas, se porventura vierem ao vosso encontro. Elas, no fundo, ampliam, se souberdes recebê-las, a vossa autoeducação. A mediunidade é um dom universal no rebanho de Jesus, que está sendo educada pelas mãos sábias do Divino Mestre. 

Médiuns! Não importa os talentos que recebestes. Multiplicai-os em favor do próximo, que o próximo fará o mesmo.

"A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada um segundo a sua própria capacidade, e então partiu."

Miramez por João Nunes Maia do livro:
Médiuns

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