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sábado, 11 de março de 2023

Pedro em Visita

Pedro em Visita

Irmão X.

Conta-se que Simão Pedro, há tempos, conseguiu chegar ao Rio de Janeiro, perfeitamente materializado. Utilizando preciosos fluidos da natureza, nos bosques floridos que marginam Petrópolis, desceu dos subúrbios para o centro, com o objetivo de verificar as realizações cristãs, entre os novos discípulos do Evangelho.

Alpercatas de pobre, cabelos à nazarena, leve bastão a sustentar-lhe o corpo e singela túnica de estamenha, ia o apóstolo, de olhos vivos e doces, estranho aos automóveis e aos arranha-céus, na consoladora antevisão do encontro com os aprendizes do Senhor.

Achavam-se multiplicados, pensava. Trazia, mentalmente, o endereço de muitos, de conformidade com as rogativas que subiam da Terra para o Céu. Que lhe contariam, acerca dos ideais evangélicos no mundo? Não ignorava que o Planeta continuava sob o guante infernal da guerra, entretanto, sabia que os ensinamentos do Messias avançavam salvando almas.

Ante o frontispício de admirável organização católica-romana, deteve-se, emocionado.

Aproximou-se. Tocou a campainha. 

Pretendia avistar-se com os superiores da casa, a fim de trocarem ideias.

Um padre bem humorado atendeu:

- Quem é o senhor?

- Simão Pedro, para servi-lo.

O clérigo sorriu e anotou-lhe os desejos.

Findos alguns minutos, um dos diretores apareceu, em companhia de vários religiosos. 

Ouviram o visitante humilde, com inequívocos sinais de incredulidade e sarcasmo.

Não chegaram nem mesmo a considerar-lhe as palavras.

- Volte segunda-feira, com o atestado policial – declarou o orientador da instituição – e providenciarei seu ingresso no asilo.

Simão tentou explicar-se.

O eclesiástico, no entanto, foi claro:

- Não insista. Tenho mais o que fazer. Venha segunda-feira. O psiquiatra organizará sua ficha.

Sequioso de entendimento, pediu Pedro:

- Tenho sede. Permita-me entrar, por obséquio.

- Quê? Entrar? Não precisa disto para beber água. Na esquina próxima encontrará um café, e será atendido.

Em vista da porta repentinamente cerrada, o apóstolo, algo triste, cruzou várias ruas e estacionou junto de simpática vivenda.

Perguntou ao jardineiro pelo ministro da igreja reformada que a ocupava.

O robusto rapaz deu-se pressa em satisfazê-lo. Em momentos breves, trouxe consigo não só o pastor, mas também dois jovens presbíteros.

À primeira interrogação, o visitante respondeu, esperançado:

- Sou Pedro, o antigo pescador de Cafarnaum.

- Entreolharam-se os presentes, espantadiços.

- Debalde buscou o velho Cephas esclarecer os propósitos que alimentava. O ministro evangélico, ai invés de prestar-lhe atenção, pôs-se a ouvir os rapazes tagarelas.

- Penso que é portador da mania ambulatória – asseverou um deles – traz alpercatas e os pés não parecem muito distintos.

- Tenho ido pregar no hospício – informou o outro e conheço alguns casos de loucura circular.

O pastor dirigiu-se a Pedro e declarou, sem rebuços:

- Pode retirar-se. Aqui, não posso recebê-lo. Procure o culto no domingo pela manhã.

- Irmão, não me expulse assim... rogou Pedro, humilde.

- Nada posso prometer-lhe – revidou o ministro, seguro de si – a congregação está longe de construir o nosso hospital de alienados.

Vendo-se novamente sozinho, o ex-pescador Galileu varou largo trecho da via pública e parou à frente de nobre domicílio.

Bateu, acanhado.

Ao rapazelho que atendeu, lépido, indagou pelo diretor de importante organização espiritista que ali residia.

Decorridos alguns instantes, o dono da casa veio em pessoa, seguido de dois confrades.

À inquirição inicial, respondeu tímido:

- Sou Simão Pedro, o discípulo de Cafarnaum.

Os novos amigos permutaram expressivo olhar.

O missionário da Nova Revelação, que o apóstolo procurara, nominalmente, afirmou calmo:

- Obsessão evidente. Creio esteja ele atuado por argucioso perseguidor invisível.

- Um vidente faria aqui a necessária verificação, acentuou um dos companheiros.

O outro, contudo, mostrando extensa intimidade com Richet, acrescentou, com algum pedantismo:

- Tipo inabitual. Bem provável possa ser aproveitado aos estudos de criptestesia.

Adiantando-se, Pedro implorou:

- Irmãos, tenho sede de comunhão fraterna em torno do Cristo, Nosso Senhor. Que me dizem do trabalho evangélico, na atualidade do mundo?

O principal do grupo afagou-lhe a destra que se movia suplicante e replicou: 

- Procure-me na sessão de sexta-feira, depois das vinte horas. Teremos doutrinação. A cousa vai melhorar, “meu velho”.

E, gentilmente, deu-lhe o endereço.

Fechou-se a porta e o trinco rodou, automático.

Quem contou a história, disse-nos ter visto o antigo discípulo da Galileia enxugar as lágrimas a lhe deslizarem copiosas do rosto e perguntar a esmo, fixando o céu tranquilo do crepúsculo:

- Senhor, onde estará pulsando o coração de teus aprendizes?!...

Em seguida, silencioso e taciturno, o velho pescador pôs-se de novo, a caminho, na direção do mar...

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Histórias e Anotações

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Viagens ao Espaço

Viagens ao Espaço

Irmão X.



Falas, entusiasticamente, em habitantes de outros mundos, como se não estivéssemos habituados à experiência espírita. 

Ante a evolução dos projéteis balísticos, referes-te às criaturas de Marte e Júpiter, Vênus e Saturno, com o êxtase de uma criança. E pensas em alterações e reviravoltas milagrosas, como se a tela moral do orbe pudesse modificar-se de momento.

Lembra-te, porém, de que a vida estua, vitoriosa, em toda à parte, e de que a própria gota d’água é um pequenino mundo, povoado por miríades de seres dos quais o microscópio nos proporciona ampla notícia.

Cada esfera quanto cada paisagem é habitada a seu modo. E todos nós, amigos desencarnados, formulamos votos para que o homem, nosso irmão, continue devassando pacificamente o espaço, surpreendendo novas características de vida no reino cósmico. Nota, entretanto, que há mais de um século os homens que “morreram” chamam, debalde, a atenção dos homens que “vão morrer”. E gritam que a vida continua para lá do sepulcro, que a matéria se gradua em outros estados diferentes daquele pelo qual é conhecida na Terra.

Convidados à verificação da verdade, sábios eminentes como Crookes, Myers, Morselli, Ochorowicz, Aksakof, Lodge, empenham a própria autoridade, trazendo a lume observações e declarações indiscutíveis. 

Médiuns consagrados ao bem colaboram na difusão dos novos conhecimentos. Home, Eusápia, Esperance, Piper, sem nos reportarmos às irmãs Fox, submetem-se a exigências constantes. 

Os espíritos são vistos, ouvidos, apalpados, fotografados e identificados, mas, porque os medianeiros permanecem naturalmente unidos à mensagem, como o violino ao musicista, o notável pesquisador constrói com tal sutileza a sua filosofia da dúvida, que a Doutrina Espírita estaria transfigurada simplesmente em vasto laboratório de intermináveis experimentos, não fosse a legião de bravos que lhe sustentam o estandarte de amor e luz, como autênticos vanguardeiros do progresso, junto da Humanidade.

Ainda assim, apesar de todos os empeços, avança a evidência do Mundo Espiritual.

Nos países mais cultos do Globo os fenômenos do Evangelho vão sendo revividos, imprimindo consequências morais por toda parte. Os assuntos da sobrevivência são reexaminados.

Outros médiuns chegam à sementeira das grandes revelações e o movimento prossegue, anunciando a continuação da vida no Além.

O problema, contudo, é tão fascinante que até mesmo os espíritos, privilegiados do entendimento, manuseiam-lhe os valores como quem lhe desconhece a grandeza. Permanecem na realidade fulgurante, à maneira do homem comum à frente do Sol. À força de recolher-lhe, gratuitamente, a vitalidade e o calor, se esquece de agradecer-lhe a presença.

Não precisa perguntar-nos, assim com esse ar de encantamento, se pode habilitar-se a uma excursão até Vênus ou Marte, em época próxima. Queiras ou não, farás, como nós já o fizemos, uma viagem muito pais importante. Mesmo que bebas soros de longevidade, com geleia real de contrapeso, conforme as usanças do século, apresentarás as tuas despedidas no momento adequado.

Creias ou não creias, conhecerás cidades prodigiosas e ninhos abismais, superlotados de gente que sente e pensa como tu. Não precisarás, para isso, tripular um foguete em velocidade. Virás mesmo na barca do velho Caronte.

Nem alarme, nem propaganda. Para os homens, nossos irmãos na Terra, estarás em silencio.

Mas teus olhos verdadeiros mostrar-se-ão percucientes por trás da fronte marmórea e a tua voz se levantará, renovada, por cima da boca hirta. Tão logo comece a romagem, dirão no mundo que estás morto.

Pensa nisso para acostumar-te, desde agora, às dificuldades com que te haverás, depois, para seres recebido entre os homens.

De qualquer modo, porém, encontrarás na Doutrina Espírita todos os recursos necessários à grande preparação. Se respeitada, ela te será precioso passaporte, laboriosamente adquirido, para que te dirijas, tranquilo, aos domínios maravilhosos que desejas conhecer. E essa circunstância; no caso, é a mais expressiva de todas, porque, se podes chegar hoje, em carne e osso, a planetas diversos do nosso, a fim de observares o que é dos outros para morreres em seguida, amanhã desembarcarás nos planos da Vida Maior, em espírito e verdade, para receberes o que te pertence.

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Histórias e Anotações

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Petições

Petições

Irmão X.



Diante da Benfeitora desencarnada, que atendia por intermédio do médium, em plena reunião de atividades espirituais, exclamou à senhora, súplice:

- Irmã Corina, sou Angélica de Seixas... Ainda não sou espírita, mas venho até aqui em grandes necessidades. Ampare-me, por amor de Deus!...

- Diga, filha – respondeu a entidade benevolente.

A visitante prosseguiu, quase em lágrimas:

- Tanto e tamanhos são os meus problemas, que fiz uma lista de minhas petições. Posso lê-la?

- Como não?

E dona Angélica, desdobrando larga folha de papel, passou a falar, atenta às notas escritas.

- Eis o que desejo:
  • Cura de minha velha nevralgia.
  • Remédio para meus olhos.
  • Liquidação da angústia que me persegue.
  • Esquecimento da tristeza e do tédio que me acompanham.
  • Medicação para a insônia.
  • Sossego íntimo.
  • Dizem que sofro de obsessão e quero livrar-me.
  • Desaparecimento dos vultos e das vozes que me atormentam.
  • Recuperação do meu esposo, atacado de hepatite.
  • Restabelecimento do meu filho Damião, internado em repouso.
  • Casamento feliz para minha filha Ariléia.
  • Melhoria do temperamento de meu filho Avelino, que já consumiu dois automóveis, em menos de dois meses.
  • Solução dos papeis relativos ao recebimento da herança que nos foi legada por meu tio João de Seixas, que morreu no ano passado.
  • Calma e revigoramento para meu futuro genro, que anda extremamente nervoso desde a noite em que se embriagou, quebrando o braço numa queda de lambreta.
  • Bênçãos para a nossa fazenda, onde o gado, há muito tempo, está doente e mofino, sem que o veterinário descubra a causa.
  • Paciência e harmonia para as minhas quatro empregadas, que vivem reclamando contra mim.
  • Mudança pacífica do vizinho da esquerda, cuja casa é uma fábrica de barulhos constante.
  • Compradores corretos para os seis apartamentos que acabamos de construir.
  • Concessão de cinco telefones.
  • Encontro do meu anel de brilhantes, perdido há dois meses.
  • Despacho favorável num processo de despejo que movi contra dois inquilinos relapsos.

Dona Angélica terminou em pranto, mas a venerada Corina, compreendendo-lhe o desajuste psíquico, abraçou-a com afeto e ponderou gentil:

- Sim, minha irmã, confiemos na Divina Providência.

Examinaremos todas as solicitações formuladas; no entanto, é preciso começar pelo tratamento adequado de sua própria saúde. Rogo-lhe apenas vir à nossa instituição durante meia hora por semana, a fim de que lhe seja administrado o tratamento magnético necessário, em nossos minutos consagrados à prece.

Ante a pausa que se fizera natural, tornou a Benfeitora com a ternura de quem afaga um doente:

- Poderemos aguardá-la, amanhã?

Dona Angélica, entretanto, abanou a cabeça, em sinal negativo, e alegou a multiplicidade dos compromissos que a reteriam no lar.

Tropeços, dificuldades, trabalhos, obrigações...

A abnegada interlocutora, porém, observou, prestimosa:

- Bem, a irmã não pode vir ao nosso encontro; contudo, não nos será difícil prestar-lhe a devida cooperação em sua própria casa.

Bastará que se mantenha em recolhimento, por vinte minutos, de sete em sete dias, no horário e local a combinar.

Logo após, com assentimento da interessada, marcou-se a primeira etapa socorrista para a noite seguinte, e lá fomos, alguns companheiros em equipe de assistência, para a tarefa a realizar-se; no entanto, a irmã Corina esperou, debalde, no aposento indicado aos breves momentos de silêncio e oração Dona Angélica de Seixas não conseguiu atender-nos, por estar mentalmente ocupada, em meio de alegres amigas, numa longa e agitada sessão de pif-paf.

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

A Receita Oportuna

A Receita Oportuna

Irmão X.


Irmão X. e Chico Xavier

Anacleto, o alegre orientador de uma reunião evangélica, recebeu a visita da Dona Clotilde Serra, que se banhava nas irradiações da fé, plenamente rejuvenescida em seus ideais novos e, ouvindo-lhe a palavra amiga, quanto à provável admissão dela nos serviços do bem, aconselhou, bondoso:

- Irmã Clotilde, comece a tarefa nas obras simples da oração.

Encontrará precioso acesso à luz espiritual. Abrindo nossas almas às correntes sublimes que dimanam da prece, surgem para nós oportunidades mil de alegria e paz, sob a inspiração do Cristo.

A companheira reconhecida agradeceu e partiu, entusiasta; mas, depois de um mês, informava a amigo invisível:

- Infelizmente, não pude atender à sugestão. Iniciando o trabalho, fui ferida pelo sarcasmo de muitos. Fui severamente criticada e muita gente considerou-me hipócrita...

-o-

-Minha amiga – obtemperou o benfeitor paciente – por que não ensaia a visitação dos enfermos? Há grande vantagem na sementeira de amizade e simpatia.

A consulente ausentou-se conformada, entretanto, alegava, depois de alguns dias:

- Irmão Anacleto, não consegui obedecer-lhe a orientação.

Junto aos doentes, recolhi chagas sem número. Não faltou quem me interpretasse por bajuladora na pista de legados e remunerações...

- Não esmoreça! – observou o instrutor – o trabalho útil é o nosso caminho para a luz. Auxilie as crianças! Há tanta promessa desamparada no reino infantil!... Jesus lhe abençoará o devotamento.

Dona Clotilde saiu encorajada, contudo, quando correram dois meses sobre a nova experiência, regressou clamando desalentada:

- Irmão, não me foi possível seguir adiante... Tentando socorrer os meninos abandonados, não faltou quem me designasse por sanguessuga da caridade e alguns vizinhos chegaram a caluniar-me, afirmando, de público, que meu apego Às criancinhas significava a reparação de crimes que não cometi...

Anotando as grossas lágrimas que lhe rolavam das faces, Anacleto afagou-a e ponderou, calmo:

- Não se entristeça! Volte-se para as nossas irmãs desventuradas.

Ampare, sem alarde, as mulheres infelizes que a necessidade arrastou aos despenhadeiros de ilusão!... Quem sabe? Talvez encontre uma lavoura preciosa de amor.

A sensível senhora ausentou-se, consolada, mas quando duas semanas se escoaram sobre o novo trabalho, tornou à reunião, choramingando:

- Anacleto, não posso! Não posso!... a maldade, desta vez, foi excessivamente rude comigo... Imagine que, em me derramando no socorro fraternal, fui nomeada por mulher indigna do nome que me gabo de sustentar!...

- Doem-me fundamente semelhantes insultos!...

-o-

Registrando-lhe os soluços convulsivos, o prestimoso orientador sugeriu, compadecidamente:

- Clotilde, tente a mediunidade no auxílio ao próximo. 

enfermidade e a ignorância campeiam em quase todos os setores da luta humana. Faça alguma cousa. A grande questão é começar. Não dê entrada ao desânimo! Sigamos na vanguarda luminosa do bem!

Mais vale uma candeia brilhante palidamente sobre o óleo da boa vontade que um milhão de comovedores discursos contra domínio das trevas!...

-o-

Retirou-se a irmã tranquilizada e confiante, mas, após o transcurso de algumas semanas, voltou a grupo e reclamou:

- Ah! Que tarefa ingrata nos impõe o ministério mediúnico! 

médium é um joguete desventurado entre a curiosidade e a suspeição! Por mais se esforce não encontra a segurança do apoio e da fé naqueles que o rodeiam, e acaba sempre qual me sinto, sucumbindo de dor entre a desconfiança e a malícia de quase todos os companheiros... Anacleto, Anacleto! Que será de mim?

-o-

Desta vez, porém, o mentor recolheu-se ao silêncio com visível tristeza e porque tardasse a resposta à servidora complicada inquiriu ansiosa:

- Que fazer, meu amigo? Como proceder? Auxilia-me com uma receita oportuna!...

Anacleto, contudo, razoavelmente desencantado, mas, ainda otimista, respondeu sereno:

- Irmã Clotilde, compreendo agora o seu caso com mais clareza!

O seu problema, por enquanto, é de medicina. Procure um especialista em moléstias de pele, com a presteza possível, e provavelmente, muito em breve poderá recomeçar...

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Histórias e Anotações

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domingo, 31 de março de 2019

Kardec, Obrigado

Kardec, Obrigado

Irmão X.



Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, viveu entre 03/10/1804 e 31/03/1869.

Kardec, enquanto recebes as homenagens do mundo, pedimos vênia para associar nosso preito singelo de amor aos cânticos de reconhecimento que te exaltam a obra gigantesca nos domínios da libertação espiritual.

Não nos referimos aqui ao professor emérito que foste, mas ao discípulo de Jesus que possibilitou o levantamento das bases do Espiritismo Cristão, cuja estrutura desafia a passagem do tempo.

Falem outros dos títulos de cultura que te exornavam a personalidade, do prestígio que desfrutavas na esfera da inteligência, do brilho de tua presença nos fastos sociais, da glória que te ilustrava o nome, de vez que todas as referências à tua dignidade pessoal nunca dirão integralmente o exato valor de teus créditos humanos.

Reportar-nos-emos ao amigo fiel do Cristo e da Humanidade, em agradecimento pela coragem e abnegação com que te esqueceste para entregar ao mundo a mensagem da Espiritualidade Superior. E, rememorando o clima de inquietações e dificuldades em que, a fim de reacender a luz do Evangelho, superaste injúria e sarcasmo, perseguição e calúnia, desejamos expressar-te o carinho e a gratidão de quantos edificaste para a fé na imortalidade e na sabedoria da
vida.

O Senhor te engrandeça por todos aqueles que emancipaste das trevas e te faça bendito pelos que se renovaram perante o destino à força de teu verbo e de teu exemplo!...

Diante de ti, enfileiram-se, agradecidos e reverentes, os que arrebataste à loucura e ao suicídio com o facho da esperança; os que arrancaste ao labirinto da obsessão com o esclarecimento salvador; os pais desditosos que se viram atormentados por filhos insensíveis e delinquentes, e os filhos agoniados que se encontraram na vala da frustração e do abandono pela irresponsabilidade dos pais em desequilíbrio e que foram reajustados por teus ensinamentos, em torno da reencarnação; os que renasceram em dolorosos conflitos da alma e se reconheceram, por isso, esmagados de angústia nas brenhas da provação, e os quais livraste da demência, apontando-lhes as vidas sucessivas; os que se acharam arrasados de pranto, tateando a lousa na procura dos entes queridos que a morte lhes furtou dos braços ansiosos, e aos quais abriste os horizontes da sobrevivência, insuflando-lhes renovação e paz, na contemplação do futuro; os que soergueste do chão pantanoso do tédio e do desalento, conferindo-lhes, de novo, o anseio de trabalhar e a alegria de viver; os que aprenderam contigo o perdão das ofensas e abençoaram, em prece, aqueles mesmos companheiros da Humanidade que lhes apunhalaram o espírito, a golpes de insulto e de ingratidão; os que te ouviram a palavra fraterna e aceitaram com humildade a injúria e a dor por instrumento de redenção; e os que desencarnaram incompreendidos ou acusados sem crime, abraçando-te as páginas consoladoras que molharam com as próprias lágrimas...

Todos nós, os que levantaste do pó da inutilidade ou do fel do desencanto para as bênçãos da vida, estamos também diante de ti!...

E, identificando-nos na condição dos teus mais apagados admiradores e com os últimos dos teus mais pobres amigos, comovidamente, em tua festa, nós te rogamos permissão para dizer:

“Kardec, obrigado!... Muito obrigado!”...
(Página recebida por Chico Xavier, em homenagem ao aniversário de Allan Kardec)
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