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sábado, 3 de fevereiro de 2024

Ao encontro do mestre

Ao encontro do mestre

Agostinho

Meu caro Atila,

A senda do discípulo do Senhor está aberta.

Na retaguarda, é o pretérito de sombras.

À esquerda, surge o território incendiado das paixões.

À direita, aparece o gelado desfiladeiro da indiferença.

Nossa única porta de ação construtiva é a da frente.

Através dela é preciso marchar, amealhando amor e sabedoria ao preço de renunciação e serviço constantes.

Não te atemorizem, pois, os golpes da sombra.

Refletir a luz do Cristo, em nós, na antiga arena da luta humana, é o nosso objetivo essencial.

Dilatemos, acima de tudo, a nossa capacidade receptiva, assimilando as forças superconscientes que fluem de cima para a regeneração do conteúdo de nossa individualidade.

Comunhão integral com Jesus é a nossa meta.

Para alcançá-la, tudo o que não seja Amor, em suas manifestações, deve ser esquecido.

Não te detenhas. Avança, por dentro do próprio coração, entendendo a excelsitude do sacrifício.

Na estrada que trilhamos, milhares de companheiros amontoam recursos de ouro e pedra para a aquisição de dor e arrependimento.

Outros continuam povoando os celeiros do tempo, com os monstros da insensatez.

Que a voz do Mestre vibre total na acústica de nossa alma, a fim de que os desvarios da ilusão não nos aniquilem a sagrada oportunidade de escalar o monte redentor. Ofereçamos a claridade de prece a todos os que desçam provisoriamente no escuro castelo das horas perdidas.

E adiantemo-nos, não no carro da evidência pessoal, mas no laborioso esforço da purificação, convictos de que em nosso reajustamento com Jesus permanece o soerguimento do mundo.

Quando a alma abriga, enfim, o Divino Hóspede, profunda transformação se opera no sistema espiritual de cada um.

Os olhos jazem incapacitados para a descoberta do mal.

Os ouvidos permanecem atentos às mensagens de sabedoria.

Os pensamentos se concentram invariavelmente no bem.

A palavra tece harmonia e felicidade em todos os recantos.

As mãos agem, incessantemente, sob a inspiração de ordem superior.

O coração, sobretudo, irradia bênçãos de compreensão e fraternidade, onde quer que se encontre, por estrela consciente a resplandecer nas teias da carne, e o império do Amor se estabelece no destino, consolidando a obra de sublimação eterna.

Sigamos, pois, pelo calvário da ressurreição sem desfalecer.

Na ordem material da Terra, vemos constantemente o homem a esperar pelo mundo, quando em verdade, o mundo vive esperando pelo homem, observando ainda que a alma aguarda Jesus, ao passo que o Senhor, de braços compassivos, aguarda a nossa alma, cheio de magnanimidade e esperança.

Movimentemo-nos, pois, à procura do Mestre e o Mestre virá, tolerante e sublime, ao nosso encontro.

Agostinho por Chico Xavier do livro:
Sentinelas da Luz

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Servir em Silêncio

Servir em Silêncio

Agostinho



O discípulo do Senhor não é chamado tão somente ao curso verbal.

Aprendizado e aplicação constituem a realização.

Não te prendas, desse modo, à indagação que perde o valor do tempo.

Pensa e age ao padrão de idealismo redentor que abraçaste.

As sementes divinas devem frutificar em nossos próprios caminhos, através do esforço perseverante.

Na fase evolutiva que nos é própria, vemos aqueles que possuem a vida e os que são possuídos por ela.

Os primeiros aproveitam o dia, enriquecendo-se de valores permanentes, no rumo das aquisições eternas.

Os segundos são aproveitados pelas forças que orientam as horas, no jogo das circunstâncias fatais.

Uns criam luz e sabedoria.

Outros descansam e sofrem os conflitos da sombra.

Governando com as diretrizes superiores, convertem-se na instrumentalidade dos Celestes Desígnios.

Submetendo-se às causas de ordem inferior, perseguem a ociosidade, ainda mesmo quando o regalo inútil se lhes apresente aos olhos mortais com rotulagem fascinante.

Necessário se faz marcharmos, com desassombro e serenidade, dilatando a capacidade receptiva, à frente da Majestade Criadora.

O fenômeno nos círculos físicos e espirituais não têm outro objetivo senão acordar a mente para a revelação do Mais Alto.

Provar a divindade em nós - herdeiros da Grandeza Universal - é muito mais que positivar a sobrevivência, além da morte.

Guardar a bondade e o entendimento na direção do Amor Supremo vale mais que o poder de demonstrar a existência dos anjos.

O Reino do Senhor começará no indivíduo ou jamais se estabelecerá na Terra, porque Deus visita o homem e educa-o através do próprio homem.

O processo de autoaprimoramento, na sublimação do raciocínio e do sentimento transforma-nos em servos da Lei Soberana e Compassiva, constituindo, em nossa esfera de edificações presentes, o ministério maior.

Espiritualizemo-nos, portanto, no caminho da perfeição e prossigamos com Jesus.

Não importa a incompreensão.

Cada criatura vê o horizonte que os próprios olhos podem abranger.

Quem ama não discute.

Serve em silêncio, semeia o bem à distância da preocupação de recompensa e segue adiante.

O trabalho cristão é a nossa alavanca renovadora.

Busquemos a Ciência, realizando a santidade.

Os dias escoam-se apressados.

As formas refundem-se, incessantemente.

A morte que modifica e seleciona, pune e corrige, atinge os próprios mundos.

Detendo o Tesouro do Conhecimento Divino, elevemos nosso coração aos santuários eternos.

Responsáveis pelas dívidas que criamos no passado, com a falsa aplicação das bênçãos recebidas, somos também candidatos à riqueza imperecível do futuro.

Situados entre os séculos que se foram e os milênios que virão, temos um diamante sublime a lapidar para o Supremo Senhor – nosso próprio coração, que dorme ainda no berço de aspirações primárias, bafejado pelos raios de luz celestes.

Aperfeiçoemos o caminho, aperfeiçoando-nos.

Trabalha e auxilia sempre, auxiliando a ti mesmo.

Unamo-nos espiritualmente, em derredor do Cristo.

Gravitemos, felizes, em torno d’Ele.

O sol comunica-se com o verme, a milhões de quilômetros. O Mestre sustentar-nos-á, igualmente, nas profundezas de nossa humildade, abençoando-nos os propósitos de ascensão, com a luz do Seu Inextinguível Amor.

Agostinho por Chico Xavier do livro:
Doutrina e Aplicação

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Conhecimento de si mesmo

Conhecimento de si mesmo

Santo Agostinho


O Livro dos Espíritos - Capítulo XII 

- Da perfeição moral

919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

"Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo."

919 - a) — Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?

"Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo-de-guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: ‘Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?"

"Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado."

"O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhoso julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida."

"Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a ideia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma. Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar. Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos."

Santo Agostinho

Muitas faltas que cometemos nos passam despercebidas. Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogássemos mais amiúde a nossa consciência, veríamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por não perscrutarmos a natureza e o móvel dos nossos atos. A forma interrogativa tem alguma coisa de mais preciso do que qualquer máxima, que muitas vezes deixamos de aplicar a nós mesmos. Aquela exige respostas categóricas, por um sim ou um não, que não abrem lugar para qualquer alternativa e que não outros tantos argumentos pessoais. E, pela soma que derem as respostas, poderemos computar a soma de bem ou de mal que existe em nós.

O Livro dos Espíritos - Capítulo XII - Da perfeição moral / Conhecimento de si mesmo / Santo Agostinho (Allan Kardec)

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