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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Reencarnação – Lei de Justiça

Reencarnação – Lei de Justiça

Túlio Tupinambá (Indalício Mendes)
Revista Reformador - Março 1963



A Humanidade vai, a pouco e pouco, aprendendo as verdades relacionadas com a reencarnação. As barreiras levantadas contra ela, principalmente nos países europeus, estão sendo desfeitas e dia virá em que todos compreenderão a necessidade de um melhor policiamento de suas existências, a fim de que o seu futuro espiritual não seja afetado profundamente, em obediência à Lei do Carma.

Grandes e numerosas têm sido as provas da reencarnação, mas os Tomés de todos os tempos não aceitam a lógica nem o raciocínio. Querem ver, pôr o dedo no caroço, para terem a sensação de que se trata mesmo de caroço...

Quem quer que examine a opinião de eminentes vultos da Humanidade, encontrará o ponto de vista da reencarnação explícita ou implicitamente exposto em suas ideias. Por exemplo: Baruch Spinoza, o filósofo do panteísmo, não temeu afirmar que temos em nossa experiência a percepção de que somos eternos. Para o espírito não é sensível só o que ele compreende mas o que ele recorda... Entretanto, ainda que não nos lembremos de que existimos antes do corpo, percebemos, contudo, de que o nosso espírito é eterno, de tal sorte distante que leva a essência do corpo a ficar sob a categoria de eternidade e isto quer dizer que a sua existência, não pode ser definida pelo tempo nem interpretada pela duração.” (“Ética”).

Outro grande vulto das letras e da filosofia - François Marie Arouet, o imortal Voltaire, fez, a respeito da reencarnação, a seguinte e muito interessante observação: “É muito menos surpreendente nascer duas vezes do que nascer uma vez só. Tudo na Natureza é ressureição.

Todos sabemos que Voltaire foi adversário tenaz da Igreja, que o acusou de impiedade e ateísmo. Voltaire, entretanto, nunca foi uma coisa nem outra. Recusou apenas aceitar o Deus antropomórfico que a Igreja apresenta ao mundo. Não acreditou jamais que o homem seja a imagem de Deus, porque isto, a seu ver, importava numa diminuição do Pai, até mesmo num sacrilégio.

“Há povos ateus”, assevera Bayle em suas “Pensées Sur les Comètes”, e continua: "Os cafres, hotentotes, tupinambás e muitas outras pequenas nações não têm Deus." “É possível - acrescenta Voltaire. Mas isso não quer dizer que neguem Deus: não o negam nem o afirmam, porque nunca ouviram falar em tal. Dizei-lhes que Deus existe, e crê-lo-ão facilmente. Dizei-lhes que tudo se faz pela natureza das coisas, e crê-lo-ão da mesma forma. Pretender que sejam ateus é o mesmo que pretender que sejam anticartesistas: não são nem contra nem a favor de Descartes. São verdadeiras crianças. Uma criança não é ateia nem teísta: não é nada.”

Mas, não saiamos do objetivo deste artigo. Outro filósofo, David Hume, também autorizado historiador, confessou acreditar na reencarnação: “A alma, se imortal existiu antes do nosso nascimento. O que é incorruptível é ingerável.” Mas, como era muito comum no passado, quando a ideia de reencarnação se confundia com a de metempsicose, David Hume, embora falando nesta, claramente se vê que fazia referência àquela: “A metempsicose é o único sistema de imortalidade que a filosofia pode aceitar.”

Aqueles que não se demoram um pouco mais no estudo dos problemas do espírito, muitas vezes confundem a reencarnação com a transmigração e a metempsicose. Compreende-se, pela leitura do que escreveram, que querem referir-se à reencarnação.

Outros filósofos eminentes, como FichteLessing, Schlegel e Herder foram indiscutivelmente reencarnacionistas. Se não se aprofundaram mais no estudo do problema, dever-se-á talvez a que o ambiente filosófico da época não comportava o debate profundo sobre semelhante assunto, tanto a mais que o Catolicismo e o Protestantismo criavam, como criam ainda, todos os obstáculos imagináveis à difusão dessa manifesta verdade. E o fazem de maneira paradoxal, porque nada mais evidencia a imortalidade da alma do que a reencarnação. Se a alma é eterna, logicamente a reencarnação é um fato. Se a reencarnação é um fato, como aceitamos que o é, logicamente a alma é eterna. Dizemos alma quando melhor fora dizermos espírito, porque, para nós, kardequistas, espirito é a alma desencarnada; alma é o espírito encarnado.

Em “Destino do Homem”, o célebre filósofo Fichte desenvolve comentários favoráveis à reencarnação, Schlegel descreveu a Natureza como - a “escada da reencarnação”.

Vejamos outro nome de escol: Benjamim Franklin, que foi o primeiro grande filósofo das Américas. Disse ele, com aquela franqueza bem-humorada constante de seus trabalhos: “Deste modo, achando que eu existo no mundo, acredito que, de uma maneira ou de outra, sempre existi. E, com todas as inconveniências decorrentes da vida humana, não farei objeção a que volte aqui em uma nova edição de mim, desejando, contudo, que seja feita antes uma revisão correta da edição anterior.”

O grande poeta Walt Whitman também acreditava na reencarnação. Escreveu: “E a você, Vida, eu considero como a soma de inúmeras mortes (Não tenho dúvida de que já morri antes, dez mil vezes)."

O chamado “pai da antropologia moderna”. Dr. E. B. Tylor, admite aceitar o princípio reencarnacionista, neste trecho: “Parece-me que a ideia original de transmigração é honesta e razoável, porque as almas dos seres humanos renascem em novos corpos humanos.”

A. J. Anderson escreveu um artigo sob o título “Proofs of Reincarnation” (Provas da Reencarnação), em que cita uma passagem referente a Napoleão Bonaparte, o Corso: “Napoleão foi um exemplo. Homem, nascido na mais humilde e condição de vida, elevou-se até dominar impérios e destronar reis com uma simples palavra. Erguer-se da obscuridade aos pináculos do poder humano. Um homem que, nas estranhas e anormais condições em, que se encontrou várias vezes, gritou para os seus marechais: “Eu sou Carlos Magno. Vocês sabem quem sou eu? Sou Carlos Magno.”

Os exemplos são numerosíssimos. Estamos apenas mencionando alguns nomes de relevo na vida dos povos. A reencarnação se manifesta em todas as camadas sociais, porém os incrédulos, se sorriem quando os testemunhos são de pessoas de projeção, que não fariam se fossem citadas criaturas humildes, do seio do povo? Mas, continuemos.

O professor Thomas H. Huxley, um dos maiores biólogos e pensadores do século dezenove, admitiu a razoabilidade da reencarnação, nestas palavras; “Conforme a doutrina da evolução, a da transmigração tem raízes no mundo da realidade e pode reivindicar igual apoio com o grande argumento que a analogia é capaz de fornecer.”

Poderíamos citar nomes como Ghandi, Tagore e outros. É preferível, entretanto, apresentar somente a opinião de ocidentais, pois os orientais já se acham perfeitamente integrados na ideia da reencarnação.

Convém repetirmos que frequentemente há confusão entre os termos “transmigração” e “reencarnação”. Quando dizem “transmigração", querem referir-se à “reencarnação”. O mesmo acontece, às vezes, acerca da palavra “metempsicose”. Por isso, onde se lê “transmigração”, leia-se, porque o próprio sentido das frases o indica, “reencarnação”.

Sir H. Ridder Haggard, famoso novelista inglês, em sua autobiografia "The Days of my Life”, no capítulo destinado à religião, escreveu: “Compreendo o Juízo Final, depois de muitas vidas de crescimento para o bem eu para o mal - e, na verdade, a fé que eu sigo o afirma.”

Ridder Haggard ergueu sua voz contra a revoltante crença de que o nosso futuro eterno depende apenas do que fizemos numa única vida.

O célebre industrial Henry Ford foi positivo ao declarar:

“Adotei a teoria da reencarnação quando tinha 26 anos”, acrescentando: “Um trabalho banal não me dá completa satisfação. Todo trabalho será fútil se não pudermos utilizar a experiência, que recolhermos numa vida futura. Quando descobri o que era a reencarnação, isso foi para mim como se descobrisse um plano Universal. Compreendi que havia uma oportunidade para trabalhar por minhas ideias. O tempo não é demasiadamente limitado. Eu não era mais um escravo do relógio. Havia tempo bastante para planejar e criar.

“A descoberta da reencarnação pôs o meu espírito em sossego. Senti-me firme. A ordem e o progresso se achavam presentes no mistério da vida. Nunca mais procurei em outros lugares solução para o enigma da vida.

“Se vocês conservarem a lembrança desta conversa, escrevam-na para deixar tranquilo o espírito dos homens. Desejo transmitir a todos a calma que a visão ampla da vida nos traz.

“Todos nós guardamos, embora debilmente, a lembrança de passadas existências. E frequentemente sentimos que testemunhamos uma cena, ou a vivemos, em dado momento de alguma existência anterior. Mas isso não é essencial. A essência, o fundamento, o resultado das experiências, são experiências, são aquisições valiosas e permanecem conosco.”

Quem quer que se dê ao trabalho de verificar, encontrará no Velho e no Novo Testamentos numerosas citações em favor da reencarnação, que é lei de justiça e de progresso. Aceitem-na ou não, ela se fará sentir pelos séculos afora, porque é parte inseparável do “mecanismo” da evolução humana.

Túlio Tupinambá (Indalício Mendes)
Revista Reformador (FEB) Marco de 1963
Nota: Túlio Tupinambá foi um pseudônimo utilizado por Indalício Mendes, como recurso editorial da FEB, para que ele pudesse publicar mais títulos em um mesmo número da revista.
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Revista Reformador Mar. 1963.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Responsabilidade solidária

Responsabilidade solidária

Túlio Tupinambá (Indalício Mendes)

As dores que dominam a humanidade nascem de cada um de nós, dos erros que praticamos, das omissões em que incorremos, da desatenção que pomos em tudo o que não nos interessa frontalmente. Por isso é que, entra ano, sai ano, temos a impressão de que a Terra piora, os homens se tornam mais frios e calculistas, mais interesseiros e egoístas.

Na realidade, porém, o número dos que confiam em Deus e dão alguma coisa de si, do seu esforço, para a melhoria do mundo tem crescido, ainda que nem todos disso se apercebam.

Dizemo-lo pelo desenvolvimento que o Espiritismo Cristão vem registrando, principalmente neste campo de observação mais ao alcance da nossa análise. Acontece que hoje se faz às escâncaras o que, em outros tempos, era feito ocultamente.

Agora; o despudor é maior, graças à influência mais forte e decisiva dos meios de comunicação que divulgam depressa e amplamente ideias tidas como importantes alterando negativamente, às vezes, os costumes e impondo hábitos de desbragada liberdade ao homem, à mulher, aos jovens e crianças em geral. Teorias anticristãs exaltadas por corifeus do materialismo, invadiram todos os países ocidentais, propugnando o abandono da educação moral, a pretexto de resguardar a criatura humana da compressão psicológica; notem que tudo isso sucede preponderantemente nesses países, ditos cristãos.

O “berço”, a “educação de berço” como se dizia em outros tempos, tem sido abandonada em muitos lares, porque os pais nem sempre se capacitam das responsabilidades que assumem ao contraírem casamento. Há propaganda contra o casamento tradicional no cinema, no teatro; na televisão e no rádio.

Defende-se o adultério e as aberrações sexuais. A procriação é encarada quase que como um erro clamoroso e são estimulados abusos que rebaixam a espécie humana, das quais resultam consequências tristes, dramáticas, dolorosas, fáceis de imaginar. Homens e mulheres procedem como animais, irmãos irracionais que, fiéis às leis da Natureza são, nesse particular, superiores às criaturas humanas degeneradas pelo vício.

Somos vaidosos, por aceitarmos que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Não devemos interpretar ao pé da letra o que é de caráter implicitamente simbólico, como, por exemplo, que Deus nos fez à Sua imagem e semelhança, conforme diz o “Gênesis”1:26: “Disse também Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” e (v. 27) criou, pois, Deus, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Mas na Bíblia está, outrossim, que Deus, depois de haver formado o homem do pó da terra, compreendendo que não seria bom que o homem estivesse só, adormeceu-o e... eis o trecho: “Disse, mais Deus Jeová.: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que lhe seja idônea. (...) Fez Deus Jeová cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; então tomou uma das costelas do homem e fechou a carne no lugar dela. Da costela que Deus Jeová tinha tomado do homem formou a mulher, e a trouxe ao homem. (...) Portanto, deixa o homem a seu pai e a sua mãe, e se une a sua mulher; e são uma só carne.” (2:18. 21, 22 e 24).

Apreciamos e respeitemos o que está na Bíblia, sem, contudo, deixar de exercer o discernimento que Deus nos deu. Mas, se Deus disse “Façamos” e “nossa semelhança”. então, amigos, dar-se-á o caso de não haver estado Ele só, quando operou essas criações? Quem seria o seu acompanhante, ajudante, assistente, assessor ou que melhor nome tenha? Chi lo sa? É natural que estranhemos, pois, lá por volta dos séculos IV e V um poeta cristão, de nacionalidade espanhola - Aurélio Clement Prudêncio -, apresentou uma teoria imaginosa, como tantas outras que andam por aí, segundo a qual o Diabo fizera crer aos outros anjos que ele era o autor e criador de si mesmo e que não devia por isso a Deus a sua existência. O Diabo também se gabava de haver sido o criador da matéria extraindo-a do seu próprio corpo.

Não há dúvida de que o Diabo, Satã, Demônio ou outro qualquer nome, foi uma das invenções mais célebres da história da humanidade. Tem servido para muita coisa, uma das principais a chamada “política do campanário”. Com o que se gastou com esse mito e suas terríveis proezas poder-se-ia ter acabado com a fome e a miséria na Terra. Mas os “teólogos” da antiguidade precisavam de alguma coisa que assustasse as criaturas humanas e as tornassem, pelo medo, submissas e manobráveis aos planos dos que mandavam e desmandavam, ao sabor de interesses que variavam entre o desejo de reprimir o mal com a aplicação do mal e o de encontrar uma solução cômoda, transferindo para o Diabo, um mito, a responsabilidade dos vícios e erros humanos.

 *

Ora, “Satanás, Diabo, Demônio, são nomes alegóricos pelos quais se designa o conjunto dos maus espíritos empenhados na perda do homem”. Não se trata, pois, de um espírito especial, “mas a síntese dos piores Espíritos que perseguiam os homens, desviando-os do caminho de Deus. Desviavam-nos porque os maus Espíritos sempre se aproveitam das falhas de caráter, vícios, e defeitos morais dos homens para induzi-los à prática de ações prejudiciais ao Bem.

No fundo, na encenação alegórica apresentada pela Bíblia, há a verdade oculta pelo véu da letra. O homem, uma vez formado e em condições de exercer o livre-arbítrio que lhe é dado com oportunidade, passa a ser responsável por seus atos. Instruído sobre a conveniência de seguir o caminho reto, quando falha, torna-se responsável por sua falta. De acordo com a Lei, que o pune na proporção da gravidade da infração cometida, sofre.

Quanto mais reincide, mais padece. De nada adiantará gritar contra a dor, se não tomar a resolução de mudar seu comportamento. Foi isto que Jesus veio esclarecer e esclarece com extraordinária lucidez em seu Evangelho. Ele não veio modificar a lei transmitida através de Moisés, veio cumpri-la dando-lhe correta interpretação. Porque o Diabo é um símbolo apenas.

Eis por que devemos ter cuidado até com o que pensamos, porque o pensamento tanto pode exercer influência favorável, positiva, como desfavorável, negativa, contra e a nosso favor, contra e a favor de terceiros. O mal que podemos causar a outras pessoas quando emitimos pensamentos de inveja, ódio, despeito, antipatia, etc., recai sobre nós, aumenta o nosso débito cármico. O Evangelho de Jesus veio para que a humanidade pudesse ter mais operantes elementos de auto educação moral e, igualmente, para, colaborar na educação e reeducação de seus semelhantes. Desde que nos eduquemos para o bem, higienizando as ideias que emitimos, as palavras que proferimos e os atos que praticamos, impediremos a poluição da nossa mente e da mente daqueles que recebem nossas vibrações.

Ajudando-nos a melhorar, também contribuiremos para melhorar o ambiente em que estamos e, concomitantemente, colaboraremos para ajudar a humanidade a melhorar também. A felicidade do mundo não é conquista fácil e a curto prazo. Pelo contrário. Mas, se cada qual, a despeito das dificuldades e até dos insucessos, não desistir de procurar realizar o bem, mesmo quando o mal aparente ou não seja o resultado provisório dos seus esforços, plantará semente benéfica, cujos frutos surgirão fatalmente, mais cedo, ou mais tarde.

Os que acreditam na existência real do Diabo e os que possam acreditar na fantasia de ele ter sido o criador de si mesmo, poderão admitir, talvez, que tenha sido ele o “outro” que estaria com Deus quando o homem foi criado? Quantos absurdos juntos! Mais ainda: se o Diabo foi o criador de si mesmo é porque já existia quando se criou... E caímos ainda mais na confusão de palavras, tentando dar nexo a esse contra senso.

Pensemos no que temos a modificar em nós, ao mesmo tempo procurando consolidar as virtudes, se é que já possuímos alguma. O mal do mundo é derivado do mal dos homens, que ainda persistem em não reconhecer a realidade de uma Inteligência Prodigiosa - DEUS, que dirige os mundos e a vida. Mas porque Deus? - perguntarão os céticos. Porque foi esse o nome que se convencionou dar a essa Inteligência Superior que excede a qualquer definição humana. Como pode o inferior negar o superior, o finito contestar o infinito, o mal sobrepujar o bem? Tudo é questão simples de lógica mais elementar. Deus não deixará de existir só porque os materialistas O negam, apegados ao ateísmo tolo de quem contesta o que está além da sua capacidade de julgar. Mas, como todos estamos sujeitos a reencarnações progressivas, nós e os que negam a Deus, dia virá em que os contestadores compreenderão o que hoje recusam aceitar, com empáfia ridícula, pois estamos todos subordinados ao mecanismo psicovibratório da Lei de Causa e Efeito, que registra, aceita e devolve a cada um os sentimentos experimentados e externados no curso de sua existência. Os sentimentos, que são forças vibratórias que saem de nós, voltam para nós, beneficiando-nos ou castigando-nos conforme sua natureza.

Tudo quanto de mais secreto queiramos saber de Deus poderá ser, um dia, do nosso conhecimento, quando nos encontrarmos suficientemente evoluídos para suportar o impacto de tão transcendentais  revelações.

Não nos esqueçamos, entretanto, de que somos responsáveis na situação atual do mundo, por nosso passado espiritual ou por nosso presente delituoso. E há somente um caminho de alívio até que seja eliminado o peso dessa imensa cumplicidade: praticar o bem, exercitar sem esmorecimento a fraternidade, fazendo pelos outros pelo menos o que desejamos que os outros nos façam. Fora daí nada conseguiremos, a não ser sobrecarregar o fardo que carregamos, multiplicando nossas preocupações e nossos sofrimentos, porque estamos num mundo em que tudo tem de ser solidário. Busquemos o melhor, sendo solidários com o bem.

Túlio Tupinambá (Indalício Mendes)
Revista Reformador (FEB) Dezembro 1976
Nota: Túlio Tupinambá foi um pseudônimo utilizado por Indalício Mendes, como recurso editorial da FEB, para que ele pudesse publicar mais títulos em um mesmo número da revista.
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Foto da publicação original da
Revista Reformador Dez. 1976.