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quinta-feira, 11 de junho de 2026

A Vitória da Vida

A Vitória da Vida

Fernández Colavida


Imagem gerada por IA

Um dos mais intrigantes problemas humanos, tem sido a interpretação do homem sobre a vida, depois do fenômeno da morte biológica.

Saber se a vida se acaba quando sofre a transformação material, tem constituído um grande desafio para a inteligência.

Entre as múltiplas correntes do pensamento, se destacaram duas, ao longo dos séculos, em luta contínua para que uma delas predominasse, explicando qual é a realidade da vida. São teorias muito distintas.

De um lado, numa linha filosófica, se encontram Leucipo, Lucrécio e Demócrito que, com seu conceito atômico, vem tentando explicar que tudo quanto existe no campo da forma resulta do átomo, do movimento e do vazio. Quando algum destes elementos se desagrega ou sofre uma mudança no equilíbrio, se acaba a vida e o ser inteligente retorna ao nada.

Por outro lado, seguindo outra direção, se destacam Sócrates, Platão e Aristóteles, que estabeleceram a corrente idealista ou espiritualista, informando que há no Universo um primeiro-motor ou mundo das ideias de onde o ser procede e ao qual retorna quando ocorre a morte corporal. Quer dizer, que o homem está constituído pelo ser – o Espírito imortal – e pelo não ser – a matéria.

Os dois sistemas têm-se enfrentado através dos séculos, apoiados, em suas informações filosóficas e científicas, por uns e outros estudiosos que os desenvolveram em diversas escolas.

A verdade é que o nada não cria nada, posto que não tem existência real, e o homem, como afirmava Descartes, “penso, logo existo”, é uma realidade.

Por mais que se queira negar a indestrutibilidade do princípio espiritual que dirige a vida, todos os acontecimentos comprovam a precedência do psiquismo ao corpo ou da mente ao cérebro.

Em todos os povos primitivos tem-se encontrado vestígios da crença na imortalidade da alma, sem que esses grupos étnicos jamais mantivessem contato entre si.

Habitando distintos pontos do planeta, desenvolvendo sua própria cultura, neles se apresentam os mesmos cultos, não obstante as conquistas alcançadas, todas baseadas na certeza de um princípio criador, justo e sábio, que recebe, para julgar, aqueles que retornam da Terra depois da morte física.

À medida que desenrolavam o ciclo de civilização, estes povos penetraram nos mistérios do túmulo, tirando, dali, informações comprobatórias da sobrevivência do ser.

Tal documentação religiosa, da qual surgiram a ética e a filosofia, por seus pontos de perfeita identidade, assinala que os informes recebidos em toda a parte procedem da mesma origem, quer dizer, do mundo causal ou espiritual.

Por sua vez, as aparições espirituais que se têm apresentado nas diferentes épocas do processo antropológico e sociocultural, sempre têm afirmado que são as almas dos mortos, narrando, assim, suas venturas ou desgraças, como resultado natural da conduta anterior, quando estavam na Terra e, ao mesmo tempo, buscavam fazer conscientes os homens de seus deveres e responsabilidades morais perante a vida.

A mitologia de cada país é um oceano de feitos espirituais, no qual desembocam os rios do conhecimento que se confundem, por identidade de informações, com respeito à continuação da vida depois do desgaste carnal.

Não querendo nos referir aos conhecidos feitos da Antiguidade oriental, recordamos os celtas, os croatas, os germanos, os escandinavos, os bielo-russos, os eslavos, os itálicos e os gregos, que se comunicavam com as almas dos defuntos, ocorrendo o mesmo com os maias, os astecas, os incas, os tupis e guaranis das Américas, os índios, no geral, da América do Norte, os aborígenes da África, da Ásia, da Oceania, mediante rituais e cultos semelhantes...

Dizem que Marte, deus da guerra, apareceu a Numa Pompílio, que foi o segundo rei de Roma.

As Valquírias sempre surgiam nos campos de batalha para modificar o destino das guerras, ajudando os seus.

Os maias criam que haviam aprendido a conhecer as coisas por meio de seu deus Furacão, que lhes ensinava tudo.

Gilgamesh, que escreveu o primeiro livro conhecido sobre a morte, dizia que adquiriu a sabedoria com as divindades que lhe apareciam frequentemente.

Manú recebeu de Brahma os que seriam, no futuro, os “mandamentos”, tal como ocorreu, mais tarde, a Moisés.

Zarathustra informava que ao se lhe apresentar o deus máximo, Ahura Mazda, ele se inspirou para elaborar o Zend Avesta.

Krishna, Buda, Hermes e Sócrates, em distintos períodos e povos, mantiveram, igualmente, um intercâmbio com seres espirituais que os inspiravam e conduziam, conforme eles mesmos declaravam.

Eliminado das mitologias e lendas, o fantástico e imaginário, que são exaltações dos acontecimentos reais, permanecem os fenômenos mediúnicos indiscutíveis, porque os mesmos seguem ocorrendo na atualidade, demonstrando a continuação da vida depois da vida, como única forma de ter sentido e lógica, a própria realidade intelectual do ser.

Sábios notáveis e céticos, estudando a mediunidade, depois de elaborar teorias diferentes e contínuas para negar a sobrevivência do Espírito, se viram forçados a submeter-se à linguagem dos fatos, crendo na imortalidade, por ser esta a única hipótese que tem resistido a todas as suspeitas e incredulidades.

A documentação é preciosa e muito ampla e é periodicamente reexaminada e aumentada com novos fatos e dados que a enriquecem mais e a melhoram.

Se a vida fosse destruída com a morte, ela não teria sentido em si mesma, nem finalidade, em razão de sua fragilidade e brevidade.

A demonstração mediúnica da imortalidade da alma proporciona valor ao homem, cujos horizontes se fazem mais amplos e distantes, assinalando-lhe possibilidades infinitas e realizações sem fim.

Desde então, os valores éticos se agigantam e o amor adquire uma dimensão ilimitada, unindo todos os seres sob a árvore da fraternidade, que impulsiona a busca da felicidade por meio do trabalho e da luta que sublimam.

A Terra já não é o ponto final, a morada única para o ser, e sim, uma escola para a aprendizagem e para a aquisição da experiência, as quais, juntas, trabalham em favor do aperfeiçoamento do Espírito.

A dor deixa de ser um castigo da Vida para transformar-se em inevitável efeito da opção pessoal de cada um, que escolhe tal ou qual caminho, de paz ou de violência, de esforço ou preguiça para crescer ou progredir.

O homem se faz consciente de que ele é o arquiteto de seu próprio destino e que sua marcha ascendente se fará sempre pelo esforço pessoal, sem privilégio algum, exceto o de ser possuidor do discernimento e da razão para fazer o que deve e lhe corresponde realizar.

Amparado por aqueles que se lhe anteciparam no retorno ao mundo de origem, avança confiante, olhando para a frente e para o Alto com a certeza do triunfo.

Nesse homem, crente e consciente da imortalidade da alma, cantam as melodias divinas do bem no ritmo de esperança por um futuro melhor para ele e para a Humanidade, de que torna parte no organismo social, como membro importante e muito significativo que é.

Fernández Colavida por Divaldo Franco do livro:
Rumo às Estrelas

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quinta-feira, 5 de março de 2026

Curas paranormais

Curas paranormais

Humberto Mariotti



Atualmente, intenta-se demonstrar que, geralmente, as curas paranormais, registradas continuamente, não passam de fenômenos de autossugestão, nos casos mais graves, ou heterossugestão.

Sem discutir as causas psicossomáticas de inumeráveis enfermidades, não se pode negar que esses fatos sempre sucederam, ao longo da História, e que hoje, ciências, tais como a Parapsicologia, a Psicobiofísica e o Espiritismo confirmam sua autenticidade e, às vezes, sem descartar as probabilidades da sugestão, em suas diversas modalidades, explicam os fatores que facilitam e respondem por esses acontecimentos.

Já era conhecido o conceito que estava escrito no santuário grego de Epidauro, na Antiguidade, há quase 500 anos a.C., que dizia: “Vem como homem saudável e sai melhor”.

Ali, como em outros templos, o deus Asclepios visitava os enfermos e lhes curava seus males.

Pitágoras, em sua Escola iniciática de Crotona, lograva libertar os homens dos problemas que afetavam sua saúde.

O deus Apolo, que também se fez notável em Delfos por suas curas, recebeu um templo, no século VIII a.C., pela gratidão de seus beneficiados.

Jesus foi, sem dúvida, quem alcançou os sucessos mais expressivos de que se tem notícia, nesta especialidade como em outras, pois, diante Dele, as mais diversas doenças físicas e psíquicas encontravam cura imediata, fosse através da imposição de suas mãos ou, simplesmente, à distância, por sua vontade.

O número daqueles cristãos primitivos que continuaram este trabalho, iniciado pelos apóstolos Pedro e Paulo, era muito grande, o que constituía um chamamento contundente para a divulgação que faziam da nascente Doutrina.

Em todos os séculos, homens, portadores de força parafísica, conseguiram mudar a disposição dos pacientes, restaurando-lhe a saúde debilitada.

Tem-se atribuído a milagres, como violação das leis naturais, os resultados dessas transformações orgânicas e psíquicas dos seres, afirmando-se que eram resultado da fé religiosa, responsável desses êxitos.

Indubitavelmente, qualquer tipo de fé, por si mesma, produz um campo vibratório de receptividade, que facilita a captação da energia retificadora que atua no organismo afetado.

A Mesmer, inicialmente lhe correspondeu a tarefa de demonstrar a existência de uma força fluídica que se comunica entre os seres, entre estes e os astros, e que também é irradiada por alguns metais como o imã, produzindo a recuperação dos órgãos deteriorados, por meio de um desconhecido mecanismo de revitalização.

Posteriormente, seguiram as experiências do marquês de Puységur, que conseguiu magnetizar pacientes, que se recuperaram de imediato, chegando a ponto de magnetizar um olmo, na aldeia de Soissous, para atender à tremenda demanda dos necessitados que não cessavam de buscar sua ajuda.

Mais tarde, o cirurgião inglês Jaime Braid conseguiu hipnotizar um empregado, que logo se recuperou de um mal-estar, fazendo, ele mesmo, seu correto diagnóstico, sem conhecer Medicina, iniciando-se o período que terminou com o descobrimento do inconsciente humano.

O mistério e o milagre lentamente foram desaparecendo, para dar lugar ao científico, ao lógico e ao natural.

Pode-se dizer que foi Paracelso quem iniciou a era da Psicologia com seu trabalho relativo à imaginação e seu poder, seja para a saúde ou para a enfermidade, na felicidade ou na desgraça.

Demonstrou que muitos casos impossíveis de se detectar e se curar pelo médico, eram factíveis de se curar pelo próprio enfermo ou por alguém que fosse persuasivo e de imaginação forte. Recebendo o nome, em linguagem moderna, de possuidor de força psíquica ou com capacidade de indução mental.

No entanto, um estudo mais profundo do poder da mente nos fenômenos humanos já era conhecido pelos hindus, pelos egípcios, pelos chineses e outros povos da Antiguidade, que tinham em seus sacerdotes-médicos, não somente místicos, como conhecedores da psicologia humana, aplicando os métodos de cura de acordo com o comportamento emocional dos pacientes.

Aristóteles, por exemplo, chegou a aplicar a técnica da Psicologia em grupo, para atender àqueles que a buscavam, explicando-lhes o valor da enteléquia – que quer dizer força formativa – e sua utilização na vida, por meio da catarse ou purgação, que separa o mal do bem, produzindo a cura.

Até que Freud e Jung criassem os métodos psicanalíticos contemporâneos, toda uma plêiade de cientistas esteve empenhada na solução dos males que afligem a vida, estudando a psique e seu poder em relação à saúde e à própria vida.

De Descartes a Leibniz, de Spinoza e Locke a Hume, e destes a Charcot, na Universidade de Paris, os métodos e investigações filosóficas se transformaram em feitos científicos de laboratório, convincentes, abrindo espaços para a detecção das faculdades paranormais do homem.

Para que se conseguisse esse passo decisivo no estudo e na compreensão da natureza humana, a Física contribuiu muito, especialmente a Nuclear, para desmascarar a matéria, que, então, reinava soberana por toda a parte, transformando o ser em uma massa que se consumia ante a morte...

O astrônomo e físico inglês Arthur Eddington foi quem deu o primeiro grande passo para isso, afirmando, depois de demoradas investigações: “A matéria do mundo é a matéria do espírito”.

Pode-se deduzir, portanto, que o visível é a materialização do invisível, que é o único real.

Albert Einstein, o insigne físico e matemático, adotou uma atitude científica equivalente, da crença em Deus, quando disse que Ele é “independente do Universo”.

O eminente Planck concluiu, tranquilamente, que “há, por detrás da força do Universo, um espírito inteligente e consciente. Tal espírito é o fundamento primitivo de toda a matéria”.

Por sua vez, Sir James Jeans, que reúne, em sua formação cultural, o conhecimento da matemática astronômica e da física, acrescentou que “O Universo, ao invés de ser uma grande máquina, se parece mais com um grande pensamento”.

É sabido que a energia não se perde, mas sim, se transforma, da mesma maneira que a massa se converte em energia, energia que era antes, em seu estado inicial, primitivo.

Estes conhecimentos facilitaram o estudo e a discussão das forças paranormais do homem, comprovando-se sua realidade.

Vivendo em um Universo de ondas e mentes, de raios e vibrações, há um intercâmbio natural, inevitável, consciente ou não, entre todas estas radiações da energia em seus diferentes graus.

A inteligência, introduzindo-se como uma sonda no inconsciente humano, encontrou, nos arquivos da personalidade, respostas para mil feitos; da mesma forma, comprovou que indivíduos bem dotados exteriorizam vibrações de forças que estão latentes, interferindo na estrutura da matéria, inclusive, materializando formas por meio da emanação do ectoplasma.

Superada a hipótese de fraude, foram tais as condições em que os fenômenos se produziam, o que se confirma a disposição humana, para produzi-los, que quando são bem dirigidos podem influir na área da saúde.

Assim surgiram as técnicas denominadas fluidoterapêuticas, que são transferências da irradiação da “Força Od”, como a denominava o barão Reichenbach, que foi o primeiro que estudou, com critério científico, essa aura ou corpo astral, que se pode transmitir de uma a outra pessoa e, em determinados momentos, tornar-se visível, sendo detectada pela câmara Kirlian.

Sendo o pensamento uma energia, quando está bem dirigida, esta intervém no campo vibratório que a capta, produzindo uma troca de forças nesse organismo.

Além do mais, como o Espírito é uma energia específica e a morte não o destrói, é natural que, por amor ou ódio, simpatia ou antipatia, no intercâmbio mediúnico, ajude ou perturbe aqueles que ficaram na Terra.

Preservador do conhecimento adquirido nas sucessivas reencarnações, pode contribuir com seu potencial energético para o bem ou para o mal das criaturas com as quais tenha afinidade ou repulsa.

Assim é que, atraídos pelo carinho e pelo desejo do bem, os Espíritos Superiores retornam à convivência humana para ajudar, utilizando, não poucas vezes, a mediunidade para o trabalho das curas paranormais.

Não há por que duvidar dessa intervenção, considerando que a vida é um fluxo contínuo, onde o ser espiritual se veste e se despe da carne, sem deixar de ser ele mesmo, progredindo sempre.

Temos, então, que considerar, no capítulo das curas das enfermidades, aquelas que são produzidas por indivíduos portadores de forças parapsicológicas e por aqueles outros que, possuidores de mediunidade, oferecem, aos Espíritos desencarnados, o material para que possam aplicar seus recursos energéticos por intermédio deles, na condição de dínamos que transformam, em fluidos específicos, as irradiações que captam e transmitem, dirigidos em seus estados de transe.

Dessa forma, esses médiuns são instrumentos do bem para a solidariedade e para a caridade, que devem constituir o ponto de interação entre os homens, ajudando-se reciprocamente e trabalhando todos em favor de uma sociedade mais tranquila e, em consequência, mais saudável.

Humberto Mariotti por Divaldo Franco do livro:
Rumo às Estrelas

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Nasceu Humberto Mariotti em Zárate, província de Buenos Aires, Argentina, em 11 de junho de 1905. Desde sua infância, que transcorreu em contato com a natureza, rodeou-se de um mundo de fantasia, que transcendia a realidade de sua vida cotidiana. Cresceu amando e contemplando o rio Paraná e as aprazíveis barrancas que cercavam os bairros zaratenhos.
Efetuou estudos secundários e veterinária em Buenos Aires, porém sua vocação literária e seus anseios de conhecer e penetrar no mundo metafísico, fizeram-no abandoná-los para dedicar-se, por completo, ao estudo da Doutrina Espírita, que conheceu através da leitura de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, emprestado por um amigo da família.
Em 22 de dezembro de 1937, casou-se com uma jovem militante da Juventude Espírita dessa época: Ana Huici. Constituíram um lar, que foi testemunha de múltiplas reuniões espíritas, de onde vieram à luz importantes congressos e encontros nacionais e internacionais. Nesse ambiente, nasceu e cresceu sua filha Hebe Iris que teve, em sua época, ativa militância espírita.
Suas primeiras atividades societárias foram realizadas na “Sociedad Camilo Flammarion” de Buenos Aires, para, depois, na “Sociedad Victor Hugo”, também de Buenos Aires, dedicar-se plenamente na difusão do Espiritismo.
Foi, em várias oportunidades, Presidente da “Confederación Espiritista Argentina” e, no ano de 1934, viajou a Barcelona, Espanha, para assistir, junto com Manuel S. Porteiro, ao “Congreso Internacional de Espiritismo”, em representação da CEA.
Exerceu o cargo de Diretor das revistas La Idea e “Prédica”; fundou junto com Josefina A. de Rínaldini, o “Ateneo Espírita de Artes y Letras”, da CEA; foi membro ativo da “Confederación Espírita Panamericana” e do “Congreso Internacional para el Estudio de la Reencarnación.”
Sua palavra ardente e conhecedora dos princípios da Doutrina Espírita foi ouvida durante anos em nosso território e em distintos países do continente americano.
No gênero poético, publicou, entre outros:
Canciones Escritas en una Vida Anterior (1957)
Canciones que Vienen del Alba (1969)
Los Asombros Terrestres (1967)
Pájaros del Arco Iris (Prêmio do Fundo Nacional de Artes, 1968)
Tecnología Incesante (1977)
Los Angeles Olvidados (1980)
A profunda convicção que Mariotti possuía sobre a existência de um mundo transcendental está demonstrada em todos estes ensaios realizados sobre a filosofia espírita:
Dialéctica y Metapsíquica (1940)
Dialéctica y Metapsíquica (em Português, 1951)
Parapsicología y Materialismo Histórico (1963)
Los Ideales Espíritas en la Sociedad Moderna (suplemento livro de “La Idea”, 1965)
El Hombre y la Sociedad en una Nueva Civilización (em Português, 1967)
El Espíritu, la Ley y la Historia (1968)
Marietta y la Muerte de Dios (suplemento livro de “La Idea”. 1970)
Pancho Sierra y el Porvenir de la Medicina (1972)
Significación Existencial del Acto poético (1978)
Victor Hugo, El Poeta del Más Allá (1979)
Foi colaborador dos diários La Nación e La Prensa de Buenos Aires, e do diário “Córdoba”, de Córdoba, entre outros.
Desencarnou em 17 de maio de 1982.

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Fantasias e realidade

Fantasias e realidade

Antonio Ugarte


Periodicamente, se generalizam conceitos e informações que fascinam as criaturas, mais pela extravagância de suas propostas que por sua realidade.

Tomam corpo e, progredindo, formam correntes que disputam superioridade.

No princípio, são rechaçados, recebidos com suspeita e considerados reprováveis.

A algumas pessoas de comportamento maleável ou tendentes à fantasia, conseguem impressionar com facilidade, encontrando, nelas, defensores, adeptos fervorosos.

Com o passar do tempo, por serem muito comentadas, propagam-se, emitindo cores de verdade que se transmitem com celeridade, pese à falta de estrutura que não resiste a uma investigação séria ou porque não se sustentam em bases seguras.

Por suas características estranhas, oferecem campo a devaneios mentais, mesclando-se com ocorrências reais e convertendo-se em verdadeiro pandemônio cultural que passa, com seus argumentos confusos, a uma situação pseudocientífica.

No futuro, se apresentarão com cidadania intelectual e confundirão os indivíduos inadvertidos, não acostumados a raciocínios mais profundos.

Nem sequer os mesmos acontecimentos verdadeiros se viram livres de tais aficionados à fantasia que, sem capacidade para um exame do fato com o cuidado do rigor, tomam-no em conta, adotam-no e, com essa disposição exagerada, desvalorizam para os homens de ciência e de bom senso aquilo que lhes agradaria divulgar.

Sem discutir a legitimidade ou não dos objetos voadores não identificados – OVNIS – tal questão, muito delicada pelas circunstâncias de que se reveste, tem suscitado desprezo e constantes dúvidas, como resultado de afirmações absurdas que correm pelo mundo, produzindo histeria nas pessoas nervosas, alucinação nos indivíduos sugestionáveis e descrédito nas personalidades que investigam e esperam a comprovação mediante os fatos.

O Espiritismo, em seu aspecto de Ciência do ser imortal, sempre impõe uma conduta compatível com sua estrutura doutrinária: deixar, à investigação científica, a palavra, quando se trate de questões que lhe digam respeito de acatar essas conclusões, até que outras melhores ou mais bem fundamentadas venham substituí-las.

Não opina, exceto quando pode demonstrá-lo por meio da experiência de laboratório, ainda que este seja o mediúnico.

De outra forma, o Espiritismo não tem pressa para incorporar em seu campo de informações, novidades ou incoerências que possam ser consideradas complementos ou desdobramentos de suas teses, ou bem, atualização de seus ensinamentos, em forma de conivência com tudo o que necessita comprovação e resistência ao tempo em suas conquistas contínuas.

Vive-se um momento cultural na Terra, no qual, surgem e desaparecem novidades, diante do claro sol do conhecimento científico.

Mitos, ídolos e superstições, aparentemente bem estruturados, são destroçados a cada instante, no esforço que o homem realiza para equilibrar-se e sustentar-se em realidades que não lhe defraudem.

Por isto, é factível uma postura de observação tranquila por parte do adepto do Espiritismo com respeito a informações e narrações rotuladas de verdadeiras por aqueles que se apresentam como testemunhas das mesmas.

Não que se deva duvidar de todas as criaturas, mas é necessário ter um critério de avaliação razoável com respeito a tudo, sem os arroubos da emoção.

Os bólidos, as reações atmosféricas, os artefatos fabricados pelos homens aumentam, cada dia mais, em nossos espaços siderais, produzindo efeitos luminosos que dão impressões muito equivocadas a quem os veem, sem o indispensável conhecimento para analisá-los convenientemente.

É ponto definido, na Doutrina Espírita, a crença nos mundos habitados que, pouco a pouco, os astrônomos confirmam, partindo de premissas para os resultados de concepções matemáticas, e destas para os exames de radiofotografias e materiais obtidos fora da Terra, porém que Allan Kardec recebeu por intermédio das comunicações mediúnicas dos seres que afirmavam viver em outros planetas.

Certamente, em cada lugar onde a vida se apresenta, há condições que propiciam sua aparição e, por sua vez, ali se caracteriza pelos fatores que lhe dão origem. Quer dizer que, em cada mundo, a vida dispõe de requisitos próprios ao seu habitat, diferindo daqueles que são conhecidos entre os terráqueos. Além disso, quando nos referimos à vida, especialmente à inteligente, não nos comprometemos com aquela de natureza somente corporal, com as características humanas, conforme nosso padrão conhecido.

Por sua vez, tampouco nos permitimos divagações imaginativas, que facultem concepções estranhas e absurdas para preencher o vazio de nosso desconhecimento.

Aceitamos o lógico, compreendemo-lo e aguardamos a oportunidade de aprofundar em conhecimento e indagações.

Este é um comportamento razoável, filosoficamente, e científico, experimentalmente.

Que os seres de outras dimensões, de outros Orbes se comunicam com os homens, não há dúvida. Que eles já estiveram na Terra, algumas vezes, quiçá construindo algum tipo de civilização, demonstram-no os monumentos arqueológicos; os monolitos de lava vulcânica trabalhada; os sinais de substâncias radioativas em regiões onde elas não existem e que, até ali, foram levadas; os desenhos em cavernas que fazem recordar os trajes espaciais, e antigas lendas, inclusive bíblicas, “dos anjos que desceram dos céus” para conviver com as criaturas humanas...

Da mesma forma que o homem intenta descobrir se há vida inteligente em outras Esferas, partindo do princípio da evolução universal e da possibilidade de que ela exista em outros mundos, aqueles mais evoluídos já conseguiram as conquistas que, somente agora, se ensaiam na cultura e tecnologia terrestres.

Partindo destes raciocínios, não nos podemos permitir os sonhos daqueles que afirmam haver viajado, com o corpo físico, nos OVNIS; que estiveram em outros planetas e ali foram adestrados para trazer avisos e comunicações estrambóticas; que contatam com esquadrilhas que aterrissam a cada momento; que com eles mantêm comunicação mental contínua; que conhecem seres extraterrestres corporificados como homens, observando-os, estudando-os e etc...

Uma atitude de equilíbrio é sempre a posição ideal.

Nem o ceticismo prejudicial, por sistema ou por acomodação cultural, como tampouco a crença ingênua por adesão fantasiosa.

O conhecimento libera o homem da ignorância, estruturando-o emocional e psiquicamente, proporcionando-lhe valores éticos para uma existência digna.

Por isso, uma crença que não resista ao questionamento da ciência, é errônea, mantendo-se por pouco tempo, já que, por falta de fundamentos, se desmorona por si mesma.

A razão é a condutora do pensamento que se deve apoiar na ciência para conquistar e conduzir a existência humana a seu verdadeiro desiderato, sem comprometer-se com teorias absurdas e concepções fantasiosas, imaginativas.

Antonio Ugarte por Divaldo Franco do livro:
Rumo às Estrelas

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ANTONIO UGARTE: Personalidade definida e serena. Bondoso, tolerante, modesto, “foi um homem bom”. Sempre evitou deixar mostras imediatas de suas qualidades intelectuais, mas não de suas qualidades morais, pois estas se manifestava por si em cada uma de suas atuações.

Em 1º de abril de 1880, funda, junto com sua esposa Rosa Basset, a Sociedade “Congregación Fraternal para la práctica de la Caridad”, que logo se transformaria em “La Fraternidad”, nome com que, até hoje, continua. Funda a revista, com o mesmo nome: sua orientação era para a propaganda do Espiritismo e a exibição dos fenômenos que se produzia.

Muitos de seus escritos que figuravam nas revistas espíritas da época apareciam assinados com pseudônimos, sempre substituídos ou com iniciais.

Não gostava de figurar nos grandes acontecimentos que ocorreram nas etapas de fim de século e princípio deste, apesar de se saber que o organizador, o que impulsionava vontades era ele.

Inimigo da espetaculosidade, dotado da modéstia dos grandes... exemplo para quem queira buscar, na história, modelo de conduta, modelo de ação, modelo de virtudes morais.

Em 1890, lança o projeto de fundação de uma Central Espírita, conforme foi aconselhada pelo Mestre Kardec. Em fins de 1899, retoma essa ideia e consegue formar uma Comissão integrada por Ovidio Ribaudi, Rodrígues Freire, Canter, Cosme Mariño e ele.

Em 14 de junho de 1900, é fundada a CONFEDERACIÓN ESPIRITISTA ARGENTINA, sendo seu presidente, Cosme Mariño e seu 1º Vice-presidente, Antonio Ugarte.

Eleito Presidente em 10 de julho de 1904.

Eleito Presidente em 6 de janeiro de 1907.

Desencarna em 2 de abril de 1918, este OBREIRO DA VERDADE.

Teve uma filha, María Luísa, ativa colaboradora, como sua esposa.

(Dados extraídos da revista La Idea, número 313 - junho/1950 e do suplemento livro da Idea: Perfil de um arquétipo: Antonio Ugarte, autor César Bogo.)

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