quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Itens de auxílio

Itens de auxílio

André Luiz



Respeite os problemas alheios sem interferir neles, a menos que a sua cooperação seja solicitada.

Não pronuncie palavras que ofendam e depreciem.

Quanto possível, dê sempre alguma frase de consolo e esperança a quem sofre.

Não se faça estação de pessimismo ou desânimo.

Esqueça o mal que receba e nunca faça a cobrança do bem que tenha podido distribuir.

Não impulsione para frente qualquer questão desagradável.

O trabalho no desempenho do seu dever é o capital que lhe valoriza as orações.

Lembre-se da parcela de socorro que sempre devemos aos companheiros mais necessitados que nós mesmos.

Quando possível faça algo ou algo aprenda de útil para que o seu dia de hoje seja melhor que o dia de ontem.

Nunca se esqueça de que todas as vantagens ou benefícios que desfrutamos da vida são empréstimos de Deus.

André Luiz por Chico Xavier do livro:
Momentos de Ouro

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- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
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- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

Sede severos para convosco e indulgentes para com os outros (1º Homilia)

Sede severos para convosco e indulgentes para com os outros (1º Homilia)

François-Nicolas Madeleine


(Sociedade Espírita de Paris, 9 de janeiro de 1863 - Médium: Sr. D'Ambel)

Revista Espírita Abr. 1863

Allan Kardec

É a primeira vez que venho entreter-me convosco, meus caros filhos. Desejava escolher outro médium, mais simpático aos sentimentos que foram o móvel de toda a minha vida terrena e mais apto a me prestar um concurso religioso, mas já que há muito tempo Santo Agostinho tomou conta do médium cujas matérias cerebrais me teriam sido mais úteis, e para o qual me sentia arrastado, dirijo-me a vós por este, de quem se servia meu excelente condiscípulo Jobard, para me apresentar à vossa sociedade filosófica. Terei, pois, muita dificuldade em exprimir, hoje, o que vos quero dizer, primeiro em razão da dificuldade que experimento em manipular a matéria mediana, pois ainda não tenho o hábito desta propriedade de meu ser desencarnado, depois, porque devo fazer jorrarem minhas ideias de um cérebro que não as admite todas. Dito isto, vamos ao assunto.

Um corcunda espirituoso da antiguidade dizia que os homens de seu tempo carregavam um duplo alforje, em cuja parte traseira estavam os defeitos e imperfeições, enquanto que a dianteira recebia todos os defeitos alheios. É o que lembraria mais tarde o Evangelho, na alegoria da palha e da trave no olho. Meu Deus! meus filhos, já era tempo de que os sacos do alforje mudassem de lugar. Cabe aos espíritas sinceros operar essa modificação, levando à frente o saco que contém suas próprias imperfeições, a fim de que, tendo-as de contínuo sob os olhos, delas se corrijam, e o que contém os defeitos alheios do outro lado, a fim de não mais ligar a eles inveja e maledicência. Ah! Como será digno da doutrina que confessais, e que deve regenerar a Humanidade, ver seus adeptos sinceros e convictos agirem com essa caridade que proclamam e que lhes ordena não mais verem a palha que embaraça o olho de seu irmão, e, ao contrário, de se ocupar com ardor por desembaraçar-se da trave que os cega a eles próprios. Ah! meus caros filhos, essa trave é constituída pelo feixe de vossas tendências egoísticas, das vossas más inclinações e de vossas faltas acumuladas pelas quais tendes, até o presente, como todos os homens, professado uma tolerância paternal muito grande, ao passo que, na maior parte do tempo, só tendes intolerância e severidade para com as fraquezas do próximo. Eu queria tanto vos ver a todos libertos dessa enfermidade moral do resto dos homens, ó meus caros espíritas, que vos concito, com todas as minhas forças, a entrardes na via que vos indico. Bem sei que de vossas tendências veniais, muitas já se modificaram no sentido da verdade, mas vejo ainda tanta moleza e tanta indecisão em vós para o bem absoluto, que a distância que vos separa do rebanho dos pecadores endurecidos e dos materialistas não é tão grande que a torrente não possa vos arrastar ainda. Ah! Resta-vos uma rude etapa a percorrer para atingirdes a altura da santa e consoladora doutrina que os Espíritos meus irmãos vos revelam há vários anos.

Na vida militante da qual, graças sejam dadas ao Senhor, acabo de sair, vi tantas mentiras se afirmarem como verdades; tantos vícios se alçarem como virtudes, que me sinto feliz por haver deixado um meio onde quase sempre a hipocrisia revestia com seu manto as tristezas e as misérias morais que me rodearam. Não posso senão vos felicitar por ver que vossas fileiras não se abrem facilmente para os sectários dessa hipocrisia mentirosa.

Meus amigos, jamais vos deixeis prender pelas palavras douradas. Vede e sondai os atos antes de abrir vossas fileiras aos que solicitam essa honra, porque muitos falsos irmãos procurarão misturar-se convosco, a fim de levar a perturbação e sutilmente semear a divisão. Minha consciência ordena-me vos esclareça, e o faço com toda a sinceridade de meu coração, sem me preocupar com ninguém. Estais advertidos. Doravante, agi coerentemente.

Para terminar como comecei, peço-vos encarecidamente, meus bem-amados filhos, que vos ocupeis seriamente convosco; que expilais de vossos corações todos os germes impuros que ainda podem estar a eles vinculados; que vos reformeis pouco a pouco, mas sem interrupção, segundo a sã moral espírita; que sejais, enfim, tão severos para convosco quanto deveis ser indulgentes para com as fraquezas dos vossos irmãos.

Se esta primeira homilia deixa algo a desejar, quanto à forma, não a atribuais senão à minha inexperiência da mediunidade. Farei melhor, na primeira vez que me for permitido comunicar-me em vosso meio, onde agradeço ao meu amigo Jobard por me haver apadrinhado.

Adeus, meus filhos, eu vos abençoo.

François-Nicolas Madeleine

Revista Espírita Abr. 1863
Allan Kardec

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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Ao encontro da Paz

Ao encontro da Paz

Dias da Cruz



Não te escravizes às farpas magnéticas do nervosismo!

Comum ouvir-se a declaração: — Quando leio o Evangelho não consigo concentrar-me na leitura!

No entanto, Cristo é o leme nas tempestades emocionais, o ponto de segurança em toda crise da alma.

Para espíritos enfermos não vale tão só a necessária assistência ao corpo.

Indubitavelmente, a terapêutica tem lugar certo na indicação exata.

Respeita, pois, os notáveis avanços da medicina moderna em todas as nuanças de suas conquistas científicas; contudo, valoriza a farmácia espiritual que te enriquece as mãos.

Não dispenses o auxílio medicamentoso no momento devido, mas não permitas que xaropes e comprimidos te subjuguem a existência.

Antes prevenir que remediar.

Não cultives sintomas de perturbações ou doenças.

Deixa que a oração te regenere todas as forças.

Recorre ao passe curativo que asserena e restaura.

Sedativos aliviam, mas não reajustam. A prece, em razão disso, será sempre calmante eficaz.

Diversões auxiliam, mas não curam; entretanto, a reunião de estudos espíritas é valiosa psicoterapia aplicada em conjunto.

O copo d'água fluida, gratuito e simples, é mais prático de ser usado que a injeção intravenosa.

O culto do Evangelho no lar substitui, muitas vezes, com vantagem, a mais laboriosa sessão de psicanálise.

Perdão e esquecimento de todo mal avantajam-se indiscutivelmente ao relaxe por barbitúricos.

Intimação à própria vontade, para entregar-se ao bem, em muitos casos supera o choque insulínico quanto ao efeito benéfico.

Serviço desinteressado aos semelhantes é a melhor terapia ocupacional.

Disciplina no prato, frequentemente, ainda é a receita ideal para perder peso.

Estudo edificante costuma remover a necessidade das internações de repouso.

Em muitas ocasiões, trabalho maciço é pronto-socorro à extinção da insônia.

No labirinto de temores difusos, evita o bloqueio dos próprios pensamentos. Abre o coração à fraternidade.

Comunica-te com alguém e ora convictamente, A fé raciocinada é o primeiro recurso no rumo de toda restauração, mas, quase sempre, é procurada em último lugar.

Ainda assim, controlar a mente, sustentando-se em atitude rígida, não basta por si só; carecemos de pensar no bem, fazendo o bem, para manter a própria harmonia.

É interessante lembrar que Jesus nunca esteve enfermo. Isso nos induz a verificar que ninguém jamais adoece por raciocinar, sentir e agir com o Evangelho, em espírito e verdade.

Dias da Cruz por Waldo Vieira do livro:
Seareiros de Volta

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terça-feira, 5 de agosto de 2025

A falência do materialismo

A falência do materialismo

Vianna de Carvalho



A Europa, culta e supercivilizada, ressalvadas as naturais exceções, tentando preservar os valores do materialismo, graças ao qual reúne o conforto às utopias físicas, entroniza o “bezerro de ouro”, numa volúpia assustadora.

Os valores éticos cederam lugar à prepotência, de um lado, e ao anarquismo, de outro, por falta de estruturas morais para auxiliar o homem nos seus compreensíveis momentos de angústia.

As crises que nesta hora assolam a Terra são exatamente de reais valores, que se fazem escassos, substituídos que vêm sendo, por aparentes prevalências de dominações externas, que sobrevivem mediante pressões de vária ordem, quer de natureza política, econômica, social ou de força, mudando as estruturas do comportamento da criatura, que ora tresvaria.

As coletividades, cansadas das colocações espiritualistas incapazes de enfrentar o utilitarismo, e que se apresentam falidas nas bases, em face dos comportamentos de que dão mostras os que se encontram vinculados a tais doutrinas, deram as costas a quaisquer possibilidades de um exame imparcial sobre a realidade imortal do ser, temendo a repetição dos erros calamitosos de que se fizeram vítimas, quer no passado mais remoto, quanto no mais próximo.

Exaltando as necessidades de uma vida descomprometida, breve, pela sua maneira de considerar, apenas, a vestidura biológica, subverteram a ordem das coisas, entregando-se ao egoísmo com exacerbação das sensações mais grosseiras, em que se exaurem e desconcertam.

Como consequência primeira, a dissolução da família atinge estado jamais igualado, em que pais se apresentam como impedimentos e desagrados para filhos irresponsáveis, ávidos de prazeres; e em que os filhos constituem carga pesada e desconcertante para pais atormentados e sequiosos de aproveitamento do tempo, tendo em vista as próprias dissipações...

A indiferença pela educação, no lar, gera o abismo entre genitores e prole, que aguardam com ansiedade o momento de libertarem-se uns dos outros, vivendo cada um a sua própria vida, até que a dor, silenciosa e pertinaz, fale-lhes ao coração empedernido sobre a excelência da afetividade e a bênção do amor, que malbarataram e de que ora sofrem inqualificável carência.

Em tal comportamento humano e social, a criatura destrói os sentimentos mais profundos e os substitui por infelizes jogos de interesses, nos quais o próximo significa o que vale em prazer, o que oferece como lucro.

As uniões são rápidas e frustrantes; as amizades fugazes e inconsequentes; as ambições utópicas e materiais.

Como efeito seguinte, cada qual faz-se mais exigente e áspero para com o outro, e mais tolerante para consigo mesmo, dando origem a comportamentos agressivos, violentos, com ou sem pretexto, atribuindo-se merecimentos e direitos que a ninguém outorga.

As atitudes tornam-se extravagantes, e o exibicionismo de toda ordem substitui a discrição, a autoridade moral, o equilíbrio; o escândalo assume proporções de cidadania até o ponto de não mais chocar, e o desinteresse pela vida, como patrimônio de que todos se fazem beneficiários e de que terão que dar conta, transforma-se em manifestação de superioridade de quem assim age.

Por fim, indivíduos e comunidades neurotizam-se, resolvendo pela violência tudo quanto os incomoda, sem se preocuparem, ao menos, por tentativas de diálogo e de entendimento.

Traições, sequestros, chantagens, roubos, suicídios e homicídios cruéis dão-se as mãos e tomam conta das megalópolis terrenas, ganhando manchetes sensacionalistas, que os promovem, adentrando-se pelos lares, através das comunicações de toda classe, atemorizando a uns, enquanto a outros exaltando.

Bandidos tomam-se heróis, imitados por longa faixa da juventude aturdida, e crimes aparvalhantes são comemorados por chefes de Estados, igualmente alucinados, vítimas, em potencial, de grupos outros que lhes são contrários...

...A guerra, então, parece inevitável, desde que, belicoso, o homem está guerreando a si mesmo e ao seu irmão, no lar, no trabalho, na rua, e as comunidades mais fortes, na larga exploração das mais fracas, perdem o pudor e justificam os seus atos, que são defendidos por outros tantos semelhantes.

São os frutos, amargos uns e podres outros, do materialismo ateu, da falência da verdadeira cultura, que se desviou da rota da sabedoria, para transformar-se em intelectualismo vaidoso e tecnicismo utilitarista, mercantilizado.

O homem moderno tem medo. Porque teme, agride, enclausurado no “eu”. Cansado das utopias que elege, procura evasões que o levam a corredores escuros e sem saídas.

Apesar de tudo isto, nas sombras que se adensam sobre a Humanidade luz a compassiva promessa de Jesus a respeito do futuro, fulgurando na imortalidade em triunfo, de que ninguém se exime, e que, a pouco e pouco, fortalece os pilotis da crença espiritual cambaleante, soerguendo o edifício da civilização e lançando as seguras diretrizes para o reequilíbrio da criatura ante si mesma, o seu próximo, a vida e Deus.

Essa ingente e colossal tarefa, quase não percebida pelos que estão anestesiados na ilusão do momento, cabe ao Espiritismo, que apresenta as características do Consolador e cumpre as determinações sancionadas por Jesus.

Pouco importa a dimensão da faina que todos devemos desenvolver. Desde a mais modesta à mais expressiva, a tarefa de esclarecer os homens e orientá-los, sem medo nem tergiversações, é emergente, dando prosseguimento ao ministério iniciado, por Allan Kardec, que se propagará como centelha crepitante em combustível que a aguarda, para dar-se o grande amanhecer moral e espiritual para onde marchamos, nosso futuro próximo e libertador.

Vianna de Carvalho por Divaldo Franco do livro:
Reflexões Espíritas

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