terça-feira, 7 de março de 2023

Incompreensão

Incompreensão

Emmanuel


Tema: Nossa posição diante dos outros


Referindo-nos, comumente, à incompreensão, qual se fosse uma praga inextirpável de nossa plantação afetiva.

E deixamos que ela cresça, isolando-nos daqueles com quem fomos chamados a conviver.

Quantas vezes percorremos largos trechos da existência ao modo de viajores abandonados, alegando-a como sendo o motivo da solidão que nos suplicia! 

No entanto, se revisarmos o íntimo da alma, aí surpreenderemos a lógica e a justiça, induzindo-nos ao reexame de todos os problemas desta natureza, ainda mesmo os mais intricados; sobretudo, se já aceitamos Jesus por Mestre, perceberemos, de imediato, o apelo da vida a que assumamos nosso lugar, no quadro das obrigações que a fraternidade nos traça ao caminho, compreendendo, por fim que se os outros não nos compreendem, permitindo que a incompreensão nos alcance, nós podemos compreende-los, iniciando a jornada de esforço para o reencontro da harmonia entre nós.

Para isso, é necessário que o nosso espírito se deixe comandar pelo amor, cabendo-nos aproveitar todas as circunstâncias para levar aos companheiros, vitimados pela tentação do desacordo, as nossas melhores demonstrações de simpatia e cooperação, embora sem violentar condições e situações.

Esqueçamos quaisquer justificativas para ressentimentos e promovamos todos os reajustes possíveis, entre nós e os outros, a fim de que a estrada se enriqueça de mais amplo serviço e de mais sólido entendimento.

Se Jesus tomasse em conta as incompreensões da Humanidade, as nações do Planeta não estariam, ainda hoje, muito longe dos princípios de violência que regem a selva.

E toda vez que a incompreensão nos ameace o trabalho, recordemos que se ele, o Mestre e Senhor nos exortou a amar os próprios inimigos, decerto espera que venhamos a amar, valorizar, abençoar e entender os nossos amigos cada vez mais.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Encontro Marcado

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

segunda-feira, 6 de março de 2023

Interdependência

Interdependência 

Bezerra de Menezes


Realmente, achamo-nos todos no campo da fé viva para trabalhar.

E servir, sem esquecer-nos para alcançar semelhante realização, é praticamente impossível.

*

De quando a quando, pelo menos, ser-nos-á justo analisar a extensão e a qualidade de nossas tarefas, de modo a verificar-lhes o rendimento no bem.

Permaneceis conosco, não à maneira de cooperadores cativos, dependentes de nossas orientações.

Conquanto, a diferença de plano, cada um de nós, se detém na posição que lhe é própria, em matéria de encargos recebidos.

*

Esse recolheu a missão de planear o ensino e concretiza-lo: aquele se encontra compromissado em administrar; aquele outro ainda se vê compelido a zelar por essa ou aquela faixa de ação, para faze-lo produzir determinados valores no bem geral.

Temos irmãos que se acharam trazidos a mandatos complexos na direção direta ou indireta de pequenas ou grandes comunidades; outros solicitaram e obtiveram da Vida Espiritual a felicidade de se reencarnarem nos postos de sacrifício, com o objetivo de se desvelarem no reajuste de alguém que lhes toma o convívio, sob os nomes de pai ou esposo, filho ou irmão; e outros muitos, ainda, por vezes, encontram em pleno anonimato, a condição de renúncia de que se reconheceram, um dia, necessitados, para a realização de encargos no autoaperfeiçoamento.

*

Estejamos na certeza de que todos somos peças interdependentes nas engrenagens da vida. E as engrenagens a que nos referimos reclamam de cada um de nós fidelidade e disciplina, de maneira a que não venhamos a olvidar aquela área da existência, em que todos os dias surpreendem os desígnios do Senhor a nosso respeito, área que nomeamos com a palavra “dever”.

*

Aceitemo-nos como somos, trabalhando para melhorar-nos cada vez mais e aceitemos as atividades em que fomos necessariamente situados para que a rebeldia não se nos intrometa nas obrigações do cotidiano, fantasiada de liberdade.

*

Somos herdeiros e depositários da fé que precisa expressar-se no bem geral.

Caridade, entendimento, solidariedade, amparo, sacrifício, constituem frutos que nos compete espalhar onde estivermos.

*

Abençoemos aqueles que se nos façam instrumentos de prova; os que nos visitem o coração, à maneira do esmeril que o abrilhanta ou reajusta; os companheiros que se transformam em problemas que nos levam a conhecer o trabalho em suas mais íntimas nuances; e, sobretudo no lar, agradecemos a oportunidade de nos devotarmos em auxílio a outrem, às vezes, até mesmo com o desinteresse compulsório dos nossos sonhos mais ínfimos, a fim de que nos mantenhamos matriculados na escola do amor verdadeiro que inclui todos os sacrifícios para que a felicidade consiga viver com aqueles que mais amamos, erguendo-se-nos, por fim, na existência, em pão espiritual de cada dia.

Filhos, entendemos as vossas dificuldades que são também nossas e reconhecemos a inquietação com que muitos de vós outros nos bateis às portas do coração suplicando esperança e consolação.

Crede!

Não somos insensíveis aos vossos rogos, mas, porque também nos achamos lutando e trabalhando convosco no mesmo nível, convidamos a nós mesmos, para compartilharmos a mesma requisição de auxílio e força ao Senhor Jesus, a fim de que nos reunamos na mesma faixa de confiança redentora e produtiva, servindo e amando com a certeza de que se nos amarmos realmente. Uns aos outros, seguiremos adiante, superando todos os obstáculos, para o encontro sublime da União com Deus.

De mensagem recebida em 16.09.1972.

Bezerra de Menezes por Chico Xavier do livro:
Bezerra, Chico e você

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domingo, 5 de março de 2023

Palavras aos enfermos

 Palavras aos enfermos

Neio Lúcio / Ramiro Gama



Os doentes eram tantos em Pedro Leopoldo, noite a noite, que o Espírito de Neio Lúcio, compadecendo-se dos sofredores, endereçou-lhes a mensagem que transcrevemos abaixo:

“Palavras aos Enfermos”  (*)

Toda enfermidade do corpo é processo educativo para a alma. 

Receber, porém, a visitação benéfica entre manifestações de revolta é o mesmo que recusar as vantagens da lição, rasgando o livro que no-la transmite.

A dor física, pacientemente suportada, é golpe de buril divino, realizando o aperfeiçoamento espiritual.

Tenho encontrado companheiros a irradiarem sublime luz do peito, como se guardassem lâmpadas acesas dentro do tórax.

Em maior parte, são irmãos que aceitaram, com serenidade, as dores longas que a Providência lhes endereçou, a benefício deles mesmos.

Em compensação, tenho sido defrontado por grande número de ex-tuberculosos e ex-leprosos, em lamentável posição de desequilíbrio, afundados muitos deles em charcos de treva, porque a moléstia lhes constituiu tão somente motivo à insubmissão.

O doente desesperado é sempre digno de piedade, porque não existe sofrimento sem finalidade de purificação e elevação.

A enfermidade ligeira é aviso.

A queda violenta das forças é advertência.

A doença prolongada é sempre renovação de caminho para o bem.

A moléstia incurável no corpo é reajustamento da alma eterna.

Todos os padecimentos da carne se convertem, com o tempo, em claridade interior, quando o enfermo sabe manter a paciência, aceitando o trabalho regenerativo por bênção da Infinita Bondade.

Quem sustenta a calma e a fé, nos dias de aflição, encontrará a paz com brevidade e segurança, porque a dor, em todas as ocasiões, é a serva bendita de Deus, que nos procura, em nome dele a fim de levar a efeito, dentro de nós, o serviço da perfeição que ainda não sabemos realizar.

Neio Lúcio

Cremos que a leitura desta página nos oferece confortadores pensamentos de paz, consolação, disciplina e esperança.

(*) Nota: A mensagem acima, intitulada: Palavra aos enfermos, faz parte do livro Senda para Deus e recebe o título de Assistência as enfermos

Ramiro Gama do livro:
Lindos casos de Chico Xavier

 

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sábado, 4 de março de 2023

Separação

Separação

Emmanuel


“Todavia, digo-vos a verdade: a vós convém que eu vá.” - Jesus (João 16:7)

Semelhante declaração do Mestre ressoa em nossas fibras mais íntimas.

Ninguém sabia amar tanto quanto Ele, contudo, era o primeiro a reconhecer a conveniência da partida, em favor dos companheiros.

Que teria acontecido se Jesus teimasse em permanecer?

Provavelmente, as multidões terrestres teriam acentuado as tendências egoísticas, consolidando-as.

Porque o Divino Amigo havia buscado Lázaro no sepulcro, ninguém mais se resignaria à separação pela morte. Por se haverem limpado alguns leprosos ninguém aceitaria, de futuro, a cooperação proveitosa das moléstias físicas. O resultado lógico seria a perturbação geral no mecanismo evolutivo.

O Mestre precisava ausentar-se para que o esforço de cada um se fizesse visível no plano divino da obra mundial. De outro modo, seria perpetuar a indolência de uns e o egoísmo de outros.

Sob diferentes aspectos, repete-se, diariamente, a grande hora da família evangélica em nossos agrupamentos afins.

Quantas vezes surgirá a viuvez, a orfandade, o sofrimento da distância, a perplexidade e a dor por elevada conveniência ao bem comum?

Recordai a presente passagem do Evangelho, quando a separação vos faça chorar, porque se a morte do corpo é renovação para quem parte é também vida nova para os que ficam.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Pão Nosso

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