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domingo, 30 de julho de 2023

Presunção

Presunção

Lourdes Catherine




Fatores limitantes:
Sou um militante espírita há longo tempo. No momento, estou bastante preocupado em saber quando as pessoas assimilarão o significado verdadeiro de minhas palestras, obras e ideais. Fico apreensivo sobre quem e quantos irão compreender o trabalho que realizo junto à Espiritualidade. Sinto que nem todos conseguem reconhecer os sacrifícios que faço para concretizar essa árdua tarefa. Isso me aborrece muito! Quando receberei a aprovação que tanto espero?

Expandindo nossos horizontes:

Algumas pessoas passam um tempo enorme examinando a impressão que causam seu comportamento, trabalho e palavras, e avaliando, sempre ansiosas, como o seu desempenho afetará os ouvintes ou companheiros de ideal.

Ninguém está excluído do processo de aprender e crescer espiritualmente, pois a Vida Primorosa conduz cada alma de acordo com suas necessidades e exigências interiores.

O homem aprende, reaprende ou desaprende infinitamente.

Quem quiser instruir-se, instruir-se-á. A aprendizagem ocorrerá através do meio mais adequado, conforme sua realidade pessoal e no momento apropriado, considerando sempre a receptividade e disposição íntima de cada um para captar a experiência.

O sono físico tem diversos graus de profundidade; de forma parecida também acontece com o sono espiritual. O grau de importância ou interesse que se dá às coisas corresponde ao nível de lucidez ou despertamento da criatura.

O que lhe chama atenção ou o que o atrai são suas aspirações interiores. De nada adianta abarrotar exaustivamente sua mente com episódios e narrativas, sem levar em conta sua intimidade evolutiva.

As coisas acontecem entre você e seu público, se assim poderíamos dizer. Há certos semblantes num auditório que sobressaem e certas almas que se destacam pela sua vibração.

Elas o tocam e você as toca; houve entre vocês perfeita sintonia. A alma é o reflexo da Vida Mais Alta, e o olhar o reflexo da própria alma.

Se você conseguir que apenas uma criatura assimile a mensagem cristã e desperte para o bem, isso já será suficiente e gratificante para que possa continuar com tudo aquilo que está realizando e desenvolvendo.

Há homens presunçosos que se acreditam geniais; a vaidade é uma paixão muito exigente.

Não se deve esperar, em hipótese alguma, admiração ou reconhecimento pelos feitos pessoais ou realizações coletivas.

Você pode, sim, se considerar um educador, mas deve averiguar o sentido desse vocábulo.

Derivado do latim, educare significa auxiliar, conduzir, possibilitar. É isso que o professor faz no processo de desenvolvimento das faculdades intelectuais e morais de seus discípulos, incentivando-os a cultivá-las e aprimorá-las, sem a presunção, no entanto, de que terá sido ele o realizador efetivo da aprendizagem.

Não são os sucessos e os resultados exteriores, nem a aceitabilidade social e religiosa que deve sensibilizá-lo, mas o aspecto interior de seus atos e ações.

Lembre-se de que aprovação também é uma forma de julgamento. Quando se aprova alguém, se faz dele um julgamento positivo e, a partir desse momento, ele passa a não ter mais descanso, buscando sempre um empenho maior e uma atuação impecável. A mesma flor que hoje você recolheu do jardim lhe sorri exuberante; amanhã, porém, estará sem viço e expirando. Tomemos cuidado com as aprovações; elas podem ser retiradas a qualquer momento.

É preciso que você considere o que quer realmente: que os outros se sintam bem e cresçam verdadeiramente, ou publicidade que o enquadre no rol de pessoas espiritualmente maravilhosas.

Os que têm grande pressa de ser entendidos são, na verdade, aqueles que ainda não perceberam o valor do seu próprio trabalho, e anseiam realizar-se contando com o afã de que todos os compreendam completamente.

Não deseje ser um centro das atenções, mas dê atenção à energia divina, que lhe dá força e segurança. O egocentrismo dispersa sua vitalidade e o afasta da realização de sua jornada interior.

As verônicas crescem com naturalidade nas margens dos lagos e rios. Entrelaçam-se entre as cercas feitas de arbustos ou de estacas de madeira e cobrem na primavera as campinas verdejantes com suas flores azul reluzentes.

Para florescer, elas jamais esperam a presença de alguém por perto para admirá-las ou apreciá-las.

Cumprem seu destino na Terra, fazendo espontaneamente o que devem fazer.

Na sua existência faça aquilo que há de melhor em você e entregue o produto de seu trabalho nas mãos d'Aquele que sabe o que fazer com esse resultado.

Lourdes Catherine por Francisco do Espírito Santo Neto
do livro: Conviver e melhorar

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Lourdes Catherine
Lourdes Catherine é uma amiga e benfeitora espiritual que se dedica à divulgação do Bem à luz do Evangelho redentor.

Pseudônimo de Catherine de Vertus, viveu no século XVII e pertenceu a uma família aristocrática da Bretanha (França). Em 1669, tornou-se noviça no convento de Port-Royal des Champs (vale de Chevreuse), a fim de compreender Deus, através do retiro junto à Natureza, e de reencontrá-Lo no santuário da própria alma. Ideal que se concretizou plenamente. Nunca pôde, no entanto, fazer os votos definitivos em razão da fragilidade de sua saúde, que a impedia de ir mais adiante com as regras daquela ordem religiosa.

Participou ativamente das "Petites-Écoles" fundadas pelos mestres de Port-Royal. Privou da amizade de várias personalidades religiosas, de pensadores e escritores famosos de Paris.

Dedicou-se não somente à religião, mas às letras e à arte com entusiasmo e grande empenho.

No século XIX, em sua mais recente encarnação, viveu em Bordeaux, onde se tornou espírita convicta, após assistir a uma palestra de Allan Kardec em 1861, por ocasião de sua visita de divulgação doutrinária àquela cidade, no sul da França. A partir desse encontro com o mestre de Lyon, prossegue, ininterruptamente, a tarefa de orientar as criaturas para Jesus, através do Espiritismo.

De Planos mais Altos, Lourdes Catherine continua entregando seu coração em favor daqueles que aspiram seguir em direção da Espiritualidade Superior e incentivando a fé cristã em todos os que trabalham para a edificação de um Mundo Melhor.

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- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

terça-feira, 6 de setembro de 2022

A dor do abandono

A dor do abandono

Lourdes Catherine



Fatores limitantes:  
Recentemente tomei conhecimento de que sou adotada. A divulgação desse fato causou em mim uma aflição pungente, a dor do abandono, que jamais tinha experimentado. Desde criança sempre fui muito curiosa; em várias circunstâncias cheguei a desconfiar de que algo não estava bem esclarecido quanto a meu nascimento. Minhas perguntas a meus pais eram frequentemente deixadas sem resposta. 

Essa revelação abrupta fez com que eu sofresse um enorme impacto emocional. Estou necessitando de uma orientação!

Como o Espiritismo vê a adoção de crianças?

Expandindo nossos horizontes:

Reconheço que sua alma foi ferida pela rudeza da vida terrena, e que amarga soledade lhe enche os olhos de pranto. A sua paz virá, no entanto, como consequência, quando você aceitar verdadeiramente que é, como todo ser humano, um espírito imortal em aprendizagem de amor neste planeta.

O Espiritismo não vê diferença entre um filho consanguíneo e um adotado.

Ambos são transitórios. Não importa por qual meio os filhos vieram, o fundamental são as aprendizagens que eles vivenciam ou o que assimilam durante sua permanência na família terrena.

Existe um receio dos pais de que a revelação a uma criança adotada dos fatos verídicos de seu nascimento possa ocasionar ressentimento, insegurança, traumas, enfim distúrbios emocionais e sociais. Esse temor é procedente, mas se o esclarecimento for feito em clima de naturalidade, de forma tranquila e amorosa, a criança aceitará pacificamente sua condição de filho adotivo.

Quando se trata do assunto adoção, deve-se responder a qualquer pergunta que o menor fizer. Um adiamento na resposta pode gerar desconfiança, estremecer o relacionamento familiar e até mesmo destruir os laços de afetividade.

Não minta à criança, não invente desculpas ou fantasias. Ela poderá fazer comparações entre as informações recebidas dos pais e as transmitidas por parentes próximos.

Ao deixarem de esclarecer esse fato importantíssimo da vida dela, estarão errando duas vezes: abalando a segurança e o apoio que ela espera receber; e deixando-a ao bel-prazer de qualquer pessoa leviana que venha a fazer tal revelação, por maledicência e sem nenhuma consideração. Como exemplos, um desentendimento escolar, uma briga na rua ou uma empregada menos avisada.

Seja o pai, seja a mãe, quem for questionado deve responder.

Os pais não devem fazer “jogo de empurra” entre si, quando forem inquiridos. Cabe -lhes, sim, aclarar o assunto sem nenhuma inibição, de forma simples e objetiva, nunca envolvendo as respostas em reservas ou restrições. Mas explicar apenas o que foi perguntado, sem antecipar nada, evitando com isso excitar a curiosidade infantil. Ela despertará naturalmente, conforme suas necessidades interiores.

Uma orientação satisfatória se constituirá de:
  • Uso de termos compreensíveis, para que a criança possa entender com facilidade;
  • Não insistência quando o menor não demonstrar interesse por um determinado assunto;
  • Utilização de respostas curtas e precisas, ou seja, sem explicações prolongadas;
  • Aproveitamento de ocasiões propícias, quando os filhos perguntam espontaneamente;
  • Sentimento brando e atencioso, caso surjam novas indagações em outras circunstâncias.
A Ordem Divina é amor e sabedoria. Nada acontece sem uma razão justa. Não importa o que você fez ontem, o importante é o que está fazendo agora. Na Terra, o tempo e o espaço são diretrizes que tecem o mundo das ilusões. Se você não tiver total aceitação do seu passado e do seu presente, não terá uma verdadeira paz interior. Só se alcança a felicidade quando se vive no presente. Reconcilie-se com seu passado e planeje realizações para o futuro.

A “garoa do desabrigo” cai sobre sua alma, e uma sensação de mal-estar envolve todo o seu ser. Aceite, porém, o que não pode ser modificado; isso lhe trará tranquilidade íntima; a ansiedade desaparecerá e você poderá entender melhor os fatos de sua caminhada. Perceba que tudo está certo do jeito que está; confie, Deus está no leme de toda existência humana.

As Leis Divinas reúnem as pessoas para que se conheçam melhor, se harmonizem, dissolvendo antigos problemas e retomando lições inacabadas.

Essa situação constrangedora que ora está vivendo objetiva unicamente o seu bem-estar e felicidade. As dores estão apenas motivando seu aprendizado. Vença seus desafios e se torne cada vez mais segura e forte. Os filhos adotivos, em muitas ocasiões, não notam que a adoção, ao contrário do que imaginam, é um testemunho expressivo de amor: eles foram escolhidos livre e espontaneamente por seus pais afins. Por isso, agradeça sempre a Deus por essa oportunidade de crescimento ter recaído em você.

Tome a Natureza como exemplo. Nela estão as mãos invisíveis do Criador agindo em toda parte.

Certas aves têm uma tendência para adotar ninhos e ovos de outros pássaros. O instinto de alimentar leva a fêmea adulta a não fazer distinção entre seus filhotes e os adotados, quando deposita comida nos bicos escancarados.

Diversos animais amamentam a ninhada, deitando-se de lado para acomodar as pequenas crias e dispensando cuidados não apenas aos próprios filhos mas também aos órfãos que por ali se encontram.

Na linguagem das flores, os cravos amarelos significam desprezo e abandono.

Segundo a lenda grega, quando Adônis desprezou Vênus, ela chorou compulsivamente pelos bosques e florestas; os cravos brotaram onde suas lágrimas caíram.

Não guarde junto a seu coração um ramalhete de cravos amarelos.

Acenda sua luz interior, semeia em seu coração os valores do bem. Não se esqueça: toda vida é sagrada e todos somos filhos amados de Deus, vivendo temporariamente na Terra.

Lourdes Catherine por Francisco do Espírito Santo Neto
do livro: Conviver e melhorar

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Lourdes Catherine
Lourdes Catherine é uma amiga e benfeitora espiritual que se dedica à divulgação do Bem à luz do Evangelho redentor.

Pseudônimo de Catherine de Vertus, viveu no século XVII e pertenceu a uma família aristocrática da Bretanha (França). Em 1669, tornou-se noviça no convento de Port-Royal des Champs (vale de Chevreuse), a fim de compreender Deus, através do retiro junto à Natureza, e de reencontrá-Lo no santuário da própria alma. Ideal que se concretizou plenamente. Nunca pôde, no entanto, fazer os votos definitivos em razão da fragilidade de sua saúde, que a impedia de ir mais adiante com as regras daquela ordem religiosa.

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Dedicou-se não somente à religião, mas às letras e à arte com entusiasmo e grande empenho.

No século XIX, em sua mais recente encarnação, viveu em Bordeaux, onde se tornou espírita convicta, após assistir a uma palestra de Allan Kardec em 1861, por ocasião de sua visita de divulgação doutrinária àquela cidade, no sul da França. A partir desse encontro com o mestre de Lyon, prossegue, ininterruptamente, a tarefa de orientar as criaturas para Jesus, através do Espiritismo.

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sexta-feira, 15 de julho de 2022

O voo de Ícaro

O voo de Ícaro

Lourdes Catherine



Fatores Limitantes: 

Há tempos me dedico ao exercício da psicografia. No momento, apesar de todo o meu empenho, minha mediunidade não recebe a atenção desejada. Estou num vazio enorme, que varre minha esperança, turva meu ideal e me induz à desilusão.

Observo médiuns notáveis que, desde cedo, encaminharam suas páginas mediúnicas à publicação; outros, menos experientes, lançam livros imprudentemente. Espero há anos a alegria de ver minhas mensagens difundidas, e isso não acontece. Estou desencantado. Será que minha produção mediúnica nunca merecerá ser divulgada? Devo abdicar da psicografia e canalizar meus recursos espirituais para outra área de ação?

Expandindo nossos horizontes:

O mito grego de Dédalo e Ícaro ilustra o caminho em busca da realidade.

É típico de todos os seres humanos o uso das asas da imaginação. No entanto, quando se voa muito alto e se ultrapassa os limites do bom senso, se cai com facilidade na frustração ou no desencanto de viver.

A princípio, Ícaro achou ousado o plano de Dédalo, seu pai, genial escultor-arquiteto. Mas depois, a seu lado, começou a procurar um meio de construir as asas que os salvariam do Labirinto de Cnossos. Primeiro, reuniram penas de aves e as selecionaram de acordo com o tamanho. Em seguida, amarraram-nas com fios de linho e as fixaram firmemente com cera, umas às outras. Antes de partirem, Dédalo recomenda ao filho muito cuidado.

Pede que ele voe em altitude mediana, para não molhar as asas no oceano nem derretê-las ao contato com os raios solares. No entanto, Ícaro, encantado com as nuvens, os céus, os pássaros e o firmamento majestoso, perde completamente a noção do perigo.

Voa demasiadamente alto, e o calor do sol lhe queima as asas, dissolvendo a cera que unia as penas. Assim, ele é lançado nos abismos dos mares.

O pai, que ia à frente, mostrando o caminho e aproveitando o vento favorável, quando olha para trás não encontra mais o filho. Vê apenas duas asas brancas ao léu, flutuando na imensidão azul das águas.

Não compare as faculdades alheias com seus talentos ou predisposições inatas.

A raiz de suas decepções é a necessidade absurda de como você e os outros deveriam ser, e de como deveriam tratá-lo. Leve em consideração seu mundo interior e se livre dessas falsas necessidades. Sua essência espiritual lhe fornece tudo o que precisa para cumprir a missão que lhe foi destinada.

publicação de suas páginas mediúnicas, por si só, não tem condições de satisfazê-lo intimamente, mas sim o desenvolvimento de seu centro espiritual.

Como fonte de toda a vida interior, ele impulsiona sua atividade medianímica, gerando sua realização e satisfação pessoal.

Somos cegos e surdos acima ou abaixo de certos padrões vibracionais delimitados pela natureza humana, assim como temos os olhos e os ouvidos fechados para determinados fenômenos que ocorrem nas dimensões invisíveis, por não sermos dotados de aptidões específicas para detectá-los.

As pessoas costumam colocar suas expectativas num nível excessivo de aspiração, propondo em seus projetos de vida um anseio desproporcional ou superior a suas habilidades.

Muitas das metas que estabelecemos baseiam-se em necessidades equivocadas e, por isso, jamais se concretizarão.

Ícaro é o protótipo das pessoas que ultrapassam os níveis de possibilidade interior. Não aceitam a própria fragilidade de seu potencial e cedem ao ditador interno, que as constrange a agir acima de suas possibilidades. Esse déspota interior representa uma autoimagem falsa, construída sobre qualidades que você ainda não possui.

Muitas vezes, as asas de cera não são percebidas logo e de forma clara; porém, quando notadas tardiamente, com certeza já se haviam instalados os sentimentos de fracasso, frustração e vergonha.

Essas necessidades criadas artificialmente se revestem de uma aparente sensação de glória ou triunfo, nascidas só para compensar a vaidade e o orgulho, mas nunca conseguem atender ao verdadeiro coroamento da vida interior. Quanto mais a pessoa se exaltar com falsas qualidades e prerrogativas, mais se sentirá inferiorizada e rebaixada com seus feitos improcedentes e obras injustificáveis.

O voo de Ícaro resulta em uma busca de enganosas realizações. Ao vencer as alturas, ele presumiu que tinha consolidado sua idealização efêmera, mas foi surpreendido pelos raios solares, que desmancharam a cera da ilusão. Como estavam ainda adormecidas suas reais potencialidades latentes, perdeu a sensatez e o equilíbrio, destroçando a si mesmo. Voou alto demais.

O sentido dessa história mística é claríssimo: o sol - estrela provedora da vida na matéria - representa as leis da natureza obedecendo à Divina Providência. Esse “astro-rei” (lei natural) guia os homens em sua marcha evolutiva e corrige suas incoerências; por isso, queima-lhes as asas idealizadas, conclamando-os os ao equilíbrio e ao bom senso, e utilizando, sempre que preciso, da decepção ou da desilusão.

O homem só se liberta através do próprio trabalho interior. Nenhuma tarefa é maior ou melhor que outra. Somente aquele que descobriu o seu dever na Terra é que pode ser libertado da cruz da causa e efeito, à qual a ignorância de si mesmo o pregou.

Lourdes Catherine por Francisco do Espírito Santo Neto
do livro: Conviver e melhorar

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Lourdes Catherine
Lourdes Catherine é uma amiga e benfeitora espiritual que se dedica à divulgação do Bem à luz do Evangelho redentor.

Pseudônimo de Catherine de Vertus, viveu no século XVII e pertenceu a uma família aristocrática da Bretanha (França). Em 1669, tornou-se noviça no convento de Port-Royal des Champs (vale de Chevreuse), a fim de compreender Deus, através do retiro junto à Natureza, e de reencontrá-Lo no santuário da própria alma. Ideal que se concretizou plenamente. Nunca pôde, no entanto, fazer os votos definitivos em razão da fragilidade de sua saúde, que a impedia de ir mais adiante com as regras daquela ordem religiosa.

Participou ativamente das "Petites-Écoles" fundadas pelos mestres de Port-Royal. Privou da amizade de várias personalidades religiosas, de pensadores e escritores famosos de Paris.

Dedicou-se não somente à religião, mas às letras e à arte com entusiasmo e grande empenho.

No século XIX, em sua mais recente encarnação, viveu em Bordeaux, onde se tornou espírita convicta, após assistir a uma palestra de Allan Kardec em 1861, por ocasião de sua visita de divulgação doutrinária àquela cidade, no sul da França. A partir desse encontro com o mestre de Lyon, prossegue, ininterruptamente, a tarefa de orientar as criaturas para Jesus, através do Espiritismo.

De Planos mais Altos, Lourdes Catherine continua entregando seu coração em favor daqueles que aspiram seguir em direção da Espiritualidade Superior e incentivando a fé cristã em todos os que trabalham para a edificação de um Mundo Melhor.

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Declaração de Origem

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terça-feira, 28 de junho de 2022

O calcanhar de Aquiles

O calcanhar de Aquiles

Lourdes Catherine


Escultura: O Calcanhar de Aquiles
(Ilha de Corfu / Mar Jônico - Albânia)

Fatores limitantes:
Estou sofrendo, há anos, de pequenos inchaços nas articulações dos dedos. Sou uma pessoa constantemente acometida por alguma enfermidade. Ora uma indigestão, ora uma enxaqueca, ora uma dor reumática. Na verdade, raramente estou bem. Eu era uma mulher gentil e alegre; hoje, costumo perder o controle por qualquer coisa. Quanto mais tensa ou nervosa, mais se agravam meus problemas de saúde. Essas doenças são provações relacionadas a vidas passadas ou será que estou sendo vítima de mandingas ou feitiçarias?

Expandindo nossos horizontes:

Doença é o produto final de um distúrbio profundo, ou mesmo estágio derradeiro de forças intrínsecas, desde há muito em atividade, que se corporificam no veículo físico.

A vida é energia. Sua saúde física, seus pequenos ou grandes gestos, seu tom de voz, seu comportamento, suas relações com os outros, tudo isso são fenômenos energéticos. Embora a enfermidade pareça tão cruel, não deverá ser analisada como tal; mas, se interpretada de forma correta, a guiará à supressão de crenças, pensamentos e atitudes incoerentes - autêntica origem de suas doenças.

Na mitológica Grécia, Tétis, filha de um deus, desposa um mortal, o rei Peleu, nascendo dessa união Aquiles. Tétis, no entanto, recusa-se a aceitar que a criança nascida de seu ventre não possa ter uma vida infinita, e busca um meio de torná-la imortal.

Com um manto, procura abafar o choro do filho recém-nascido e o conduz a uma clareira onde resplandece um fogo prateado, que surgia do nada. A mãe, meio amedrontada, retira o pequenino Aquiles de entre os panos e o mergulha nas chamas incandescentes e pálidas. Ele grita de dor, mas ainda não pode pedir socorro. Durante várias noites, Tétis expõe a bela criança às labaredas alvas e solitárias, curando logo em seguida suas queimaduras com ambrosia - manjar dos deuses do Olimpo.

A deusa sabe que só assim o filho conquistará a imortalidade; ela sofre, mas entende que pouco a pouco vai tornando Aquiles imune às doenças e à morte.

Na noite em que Tétis completaria sua tarefa, Peleu arranca-lhe a criança dos braços. Acredita que sua mulher seja uma criminosa desalmada.

Apesar das súplicas, por meio das quais ela tenta explicar suas razões, ele se mantém completamente surdo. Demonstrando estranheza e incompreensão, enfurecido, foge com o filho.

Naquela noite, Tétis tornaria Aquiles invulnerável por completo. Infelizmente, ela não se lembrou de proteger-lhe o calcanhar, por onde sempre o segurava. Por ironia do destino, no cerco de Tróia, Aquiles, já moço, foi mortalmente atingido por uma flecha envenenada... no calcanhar.

Condói-me ver a penúria de sua alma. Mas compreenda que as enfermidades são corretivos que destacam ensinos inadiáveis que, de outra forma, não aprenderia tão facilmente. Elas jamais deixarão de existir até que essas lições sejam totalmente assimiladas.

Seu “calcanhar de Aquiles” são seus pontos vulneráveis - áreas de seu psiquismo suscetíveis ao desequilíbrio, bloqueadores do desenvolvimento de sua paz interior.

Portanto, investigue calmamente seus comportamentos autodestrutivos.

Apenas poderá alterá-los dia após dia, pois à medida que você se tornar consciente de como eles agem em seu corpo físico é que começará a transformá-los, ou seja, libertar-se de suas cruzes e lágrimas.

O rei Peleu, que era mortal, é o símbolo dos seres incapazes de ir além da visão material das enfermidades. Ocupam-se dos efeitos, não das causas.

O conhecimento que você adquire ao longo das experiências terrenas serve para desenvolver suas virtudes inerentes e extinguir tudo o que há em você de deficiente.

Dessa forma, ele lhe proporcionará o controle pleno da vida.

A doença seria evitável se você pudesse perceber os erros que está perpetuando.

Podem ser desta ou de outras existências. Problemas de saúde não são punições, mas atitudes negativas que você não modifica e que atraem sempre novos problemas.

O que acontece é que a criatura envenena os ares, tisna os lagos, polui os oceanos e depois culpa a Natureza. Se você corrigir seus erros através dos recursos mentais e espirituais que possui, não precisará passar pelas severas lições da insanidade.

Poucos seres humanos transitaram pela Terra isentos, desde o nascimento, da enfermidade. Temos como exemplo o Cristo, consciência liberta, vivendo a plenitude do amor. Os níveis superiores da vida não são atingidos pelos elementos venenosos que geram as moléstias.

O sintoma de sua patologia é uma espécie de orientador que a ajudará a tornar cada vez mais consciência de si própria. Esse sinal quer dizer-lhe coisas importantes; preste atenção no que ele lhe transmite, é um companheiro que de fato a conhece a fundo.

Pensamentos obscuros, destrutivos, mal-intencionados, mantidos constantemente, fazem seu corpo adoecer, ou mesmo, repercutem em todo o seu cosmo orgânico.

As toxinas não entram apenas através dos alimentos, mas também por meio de pensamentos e condutas inadequadas, que se transformam em energias negativas e vão se alojar no campo mental. Caso não sejam combatidas, poderão causar sérios danos ao corpo somático. Moléstias aparentemente inexplicáveis são decorrências do grande acúmulo de vibrações
negativas no transcorrer do tempo.

É necessário limpar a mente e sanear o coração das emoções do pessimismo, dos preconceitos, dos complexos de culpa, dos murmúrios da inveja e das ansiedades. Esse sofrimento cravado em sua alma são posturas em desalinho conservadas há muito tempo. São “retalhos” de ilusão que você colecionou na “colcha” de seu destino.

Confie nas forças divinas que regem sua vida. Se você quer uma psicosfera saudável, modifique suas atitudes íntimas; assim alcançará a cura definitiva.

Lourdes Catherine por Francisco do Espírito Santo Neto
do livro: Conviver e melhorar

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