Felicidade e vida
Eros
O Mestre alcançou os sentimentos confusos do povo ali presente e sem que nada lhe perguntassem, narrou:
"- Um homem possuía uma família feliz, uma propriedade ampla, arborizada, cabras, camelos e, próximo à montanha, um córrego de águas tranquilas.
Certo dia, um sacerdote eremita passou pela sua casa e falou-lhe da beleza, do valor dos diamantes que eram encontrados em terras distantes no leito dos rios imensos.
A partir desse momento, a felicidade murchou-lhe no coração, e, inquieto, ele vendeu tudo quanto possuía, entregou a família ao cunhado, prometendo retornar quando encontrasse diamantes e fosse rico, desse modo, feliz.
Viajou por terras distantes, vadeou rios, enfermou e morreu sem voltar a ver a familia.
O comprador da herdade, anos depois, hospedou o mesmo sacerdote eremita que, conversando após o jantar, notou estranha e fulgurante gema sobre a lareira.
Examinando-a, deslumbrou-se. Perguntou ao hospedeiro onde a encontrara, ao que este respondeu possuir incontáveis delas no córrego que nascia na rocha, ao fundo da propriedade.
Aturdido e trêmulo, o caminhante correu com o anfitrião ao lugar referido e deparou-se com extraordinária jazida de diamantes, que se tornaria uma das mais famosas do mundo."
*
Muitas vezes, o homem está sentado no trono da felicidade e deixa-o para ir atrás da ilusão que o destruirá.
A ambição o enceguece, entorpecendo-lhe o discernimento e tornando-o inditoso.
O poder de qualquer natureza torna-se, em consequência, um fardo muito pesado, cujo preço é alto para se pagar.
A felicidade é encontrada, porém, mediante a imersão do pensamento no oceano íntimo, a fim de ali encontrar as pérolas da paz, que dão tranquilidade ao coração.
Tudo quanto inquieta, aturde, causa receio de perda opõe-se à felicidade, que não tem preço, não enferruja, não se decompõe, ninguém a rouba.
A felicidade total, por isto mesmo, não está no mundo transitório, enganoso, onde no entanto, se pode começar a estrutura-la.
Uma consciência em paz, um coração tranquilo e uma conduta sadia são os indispensáveis tesouros que propiciam bem-estar ao corpo, à mente e ao Espírito, geradores, portanto, de felicidade.
Felicidade relativa é Vida plena.
Eros por Divaldo Franco do livro:
A um passo da imortalidade
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