Métodos de cura e o Fluido Cósmico Universal entre os Druidas
Eduardo Carvalho Monteiro
V - MÉTODOS DE CURA ENTRE OS DRUIDAS
O homem do século vinte pôde viajar rompendo a barreira do som mas esqueceu-se da estrada que leva ao interior de si mesmo. Nossos médicos substituíram a intimidade com o paciente pelas telas do computador. À exceção da homeopatia e de certos ramos orientais, nossa Medicina investiu-se na condição de perseguidora de sintomas buscando a cura da doença, sem procurar compreender suas causas e o significado de seu surgimento.
Eles ocupavam-se da cura das doenças físicas, mas sabiam que elas tinham uma correspondência perispiritual. E os problemas psicossomáticos, só descobertos recentemente com desenvolvimento da medicina e psicologia das patologias mentais, já eram do conhecimento desse povo, testemunhando sua sabedoria e desenvolvimento.
Liaig é como se chamava o druida médico, que tinha por obrigação se dedicar ao bem-estar da comunidade e, especificamente, à área médica, ao restabelecimento do equilíbrio do corpo e da alma.
Com sua cultura oral, não se tem notícia de nenhum tratado sobre cirurgias, mas as lendas célticas são pródigas em relatos de técnicas cirúrgicas e até mesmo de transplante de órgãos. Na narrativa da Morte de Conchobar, a habilidade do druida Fingen em curar Conchobar, que tinha sido ferido mortalmente na cabeça por uma pedra, encontramos um exemplo: "Bem, diz Finger, se a pedra não for tirada da cabeça você morrerá imediatamente. Se ela for tirada, eu te curarei, mas você ficará enfermo. Melhor vale para nós sua enfermidade do que sua morte, dizem os ulates. A cabeça foi curada e a ferida costurada com um fio de ouro, porque esta era a cor dos cabelos de Conchobar. o médico então recomendou a Conchobar para ter cuidado e não se encolerizar, não montar a cavalo, não ter com mulheres relações apaixonadas, não correr."
Muito ilustrativa sob diversos aspectos esta lenda. O Cristo ainda não tinha vindo à Terra nos dizer que as moléstias do corpo têm sua causa no espírito quando os druidas já ensinavam isso. Disse o Cristo ao recém curado paralítico: Vá e não peques mais! O que estava querendo ele alertar ao pobre homem, é que se ele continuasse a incorrer em erro, de nada valeria a cura momentânea. Em outras palavras, a causa de seu mal físico eram os vícios morais que urgia vencer, tal qual o médico preveniu a Conchobar: não se encolerizar, não montar a cavalo (desprezar as coisas materiais), não ter relações com mulheres apaixonadas...
Inúmeros contos e lendas fazem a fama dos Liaig, mas a mais importante terapêutica dos druidas era o herbalismo. O visco tinha o valor de uma panaceia universal para eles, assim como outras plantas: salva, verbena, macieira, azinheira, etc...
A medicina vegetal tem relação com a aplicação da lei natural ao corpo e à psiquê. O desequilíbrio da mente ou de órgãos do corpo leva ao desenvolvimento das patologias. Antes de se estabelecer em nosso corpo elas atingem o perispírito e os druidas sabiam disso. O emprego de remédios naturais, sua colheita segundo aspectos favoráveis dos planetas, os quatro elementos, as conjurações, todos esses métodos eram utilizados pelos ovados(*).
Dizem que os druidas eram recipiendários dos segredos alquímicos. Se não o eram, ao menos deveriam ter a chave da porta dos arcanos do reino herbáceo. Esse arcano é o aumento das vibrações da matéria vegetal em contato com a patologia do corpo físico, visando o reequilíbrio e a harmonização de sua energia. Pelo antigo axioma hermético: Como em cima, tal é embaixo. Como embaixo tal é em cima, ou seja, o microcosmo agindo no macrocosmo. Como tudo que cresce provém de uma semente, o fruto deve estar contido em sua semente. A essência, ou quintessência, ou Mercúrio, como os alquimistas a chamam, é a energia doadora de vida que se manifesta em toda a matéria, ou seja, em todos os reinos. A arte dos alquimistas consistia em extrair o "espírito" do vegetal (a quintessência) para ministrar ao paciente, de maneira a suplementar as forças positivas em falta ou deficientes no corpo humano, que representava a parte negativa, em contraposição à força vital positiva.
Infelizmente o homem moderno ignora sua coexistência com a Natureza e não sabe tirar proveito dela. Já os druidas partiam do princípio que nossa saúde física e mental dependia de nossa comunhão com a natureza.
Cu Chulainn, é curado por Lug, na narrativa da Tain bo Cualnge, por intermédio da medicina vegetal: "Lug cantou o ferdord. Cu Chulainn dormiu com isso... Foi então que o deus do Sid colocou as ervas e as plantas curativas cicatrizantes sobre as feridas, as chagas, as pisaduras, de Cu Chulainn e ele se recuperou durante seu sono sem perceber o que quer fosse.
O espiritismo, embora a distância do tempo, corrobora a tese do druidismo na questão da gênese das patologias psicossomáticas, conforme esclarece Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier:
"... Quantas enfermidades pomposamente batizados pela ciência médica não passam de estados vibratórios da mente em desequilíbrio? A agonia prolongada pode ter afinidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser um bem, como a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito em marcha para a sublime aquisição de seus patrimônios da vida imortal. A doença sempre constitui fantasma temível no corpo humano, qual se a carne fosse tocada de maldição; entretanto podemos afiançar que o número de enfermidades, essencialmente orgânicas, sem interferências psíquicas é positivamente diminuto..." (Vinha de Luz / Cap. 157 - Emmanuel por Chico Xavier)
Nós, espíritas, vemos com pessimismo o progresso da ciência contra as doenças. Os cientistas, os médicos, os curandeiros, todos esforçam-se para aperfeiçoar os remédios que curarão nossos males físicos, no entanto, eles não percebem que, mesmo usando as mais sofisticadas técnicas da informática até a simplicidade das ervas, produzirão apenas paliativos porque estão atingindo somente os efeitos e não as causas. Então, derrotada esta ou aquela doença, outras surgirão, caso não descubram e combatam na alma humana as verdadeiras causas de nossos males.
Não há registro de que os druidas utilizassem o passe, como é praticado pelo espiritismo, como meio de cura, no entanto, eles tinham conhecimento do fluido cósmico universal, a que chamavam de guivre, como veremos adiante. (Cap. 2 - Item V)
VI - O GUIVRE E O FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL
Arqueu, Misteriuwn Magnum, C'bi, Apeiron, Aitber (grego) ou Éter, Azote, Luz Astral, Princípio Energético, Princípio Vital, Fluido Magnético, Akasha são algumas das denominações do elemento sutil, quintessenciado, imponderável, existente na Natureza e que penetra todo o espaço. Na explicação dos espíritos codificadores, sem esse princípio formado de elementos etéreos e sutis, a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e não adquiriria nunca as qualidades que lhe dá a gravidade."
Conheceriam os druidas os princípios do fluido cósmico universal? Não há dúvida que sim. Aos quatro elementos da cultura clássica, água, fogo, terra e ar, eles acrescentavam um quinto, ao qual denominavam nuyure ou ainda guivre ou wouivre, por deformação de uso. O guivre, expressão que usaremos por facilidade fonética e de grafia, representa o poder criador do mundo material para os druidas. Nada se faz. sem esse quinto elemento e sua união com os outros quatro elementos cria a vida, o movimento e anima o espírito. Numa definição essencialmente druida, "o guivre é menor que os menores e maior que os mundos, porque ele é a própria sutileza e o poder". Para o druida, o guivre se constitui no fio que liga misteriosamente o mundo humano ao mundo divino, a luz que está na origem da Criação e da matéria viva. O guivre é representado pela serpente.
Eu sou uma serpente, eu sou um druida, exclamavam. Estrabão observa que os druidas ocultavam no símbolo da serpente várias das altas concepções de seu misterioso ensinamento. Devido a seus movimentos sinuosos, uma de suas simbologias era ser a "sabedoria das profundezas" ou, em linguagem psicológica, dos conteúdos do inconsciente.
Símbolo universal da energia ou da força, para os druidas ela era a fonte do potencial oculto e de todas as forças da natureza. Adormecida, a serpente representa as potências latentes; acordada, a energia vital que desperta e regenera. A serpente mordendo a própria cauda, denominada ouroboros, significa que "todo o começo contém em si o fim, e todo o fim contém em si o começo", representando a manifestação e a reabsorção cíclica. Símbolo do tempo e da continuidade da vida, a ouroboros é a correspondente ao Chronos grego (Circulo Infinito do Tempo) que engole seus próprios filhos. Autofecundadora, mordendo-se, ela injeta veneno no próprio corpo e torna-se o emblema da dialética da matéria: vida-morte, morte-vida, no ciclo perpetuo que caracteriza toda manifestação do universo.
A serpente também se relaciona simbolicamente com as águas primordiais (criação do mundo) e materialmente com os veios de água subterrânea, os quais constituem a fonte oculta dos chacras da Terra-Mãe, seus centros de energia. Como já estudamos em capitulo anterior, Paul Bouchet, que se intitula "druida do século XX", sustenta que "os druidas primitivos tentavam balizar os cursos de ondas telúricas mediante monumentos capazes de desafiar a passagem dos séculos".
As energias subterrâneas eram representadas pelos druidas através da simbologia dos guivres, correntes sagradas que, como gigantescas serpentes, percorriam o subsolo terrestre.
Mas retomemos o sentido principal de guivre para os druidas, como substância primordial que tudo penetra, a origem do mundo tangível. Outra simbologia muito presente na iconografia celta para representar o guivre era a serpente com cabeça de carneiro ou criocéfala, que simbolizava o poder vivificador, a energia criadora e renovadora que abria um ciclo de vida. O carneiro é o símbolo astrológico da vitalidade; é ele que abre as portas da Primavera, emblema da vitória da vida sobre a morte. Como já vimos, é no equinócio da primavera que as forças de luz se intensificam e chega o tempo do Festival de Alban Eiler, a Luz da Terra, momento em que as flores brotam e a semeadura tem início. Ligados sabiamente aos fenômenos astronômicos e à simbologia da natureza, tudo se entrelaçava com lógica na cultura druida.
Por intermédio do guivre, o fluido sutil que emana da luz de Deus, os druidas acreditavam que a união da "Mãe-Terra" e do Sol dava origem a toda a vida. É a ideia da luz que está presente na base da criação da matéria e encontra-se embutido no espírito do Alban Eire, comemorativo ao início da vida.
A ideia de um fluido cósmico não é exclusividade do druidismo e do espiritismo. Ela é inerente a inúmeras doutrinas iniciáticas antigas, muitas das quais detinham os segredos das subdivisões do átomo e seu aproveitamento energético.
Conquanto algumas diferenças de concepção, todas guardam estreita relação com a conceituação fornecida pelos espíritos da Codificação. A crença nos "fluidos espirituais" é postulado básico da Doutrina Espírita e o fluido cósmico universal, que corresponde ao guivre druídico, apresenta três atributos fundamentais: preenche todo o espaço, tanto no mundo interatômico quanto no cosmos; é a substância primária da qual procede a matéria; e é o veículo de interação entre a Divindade e sua Criação. Dois estados extremos é como o Fluido Cósmico se apresenta, conforme esclarece o Capítulo II de O Livro dos Espíritos. O primeiro é um estado de desintegração máxima, no qual se mostra as diversas formas de energia que conhecemos; e um segundo estado, de total condensação, a nossa matéria tangível. Numerosos estados de intermediários se colocam entre esses dois extremos. (Cap. 2 - Item VI)
Eduardo Carvalho Monteiro do livro:
Allan Kardec (O Druida reencarnado)
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(*) Ovados: Os ovados eram os detentores da compreensão dos mistérios da morte e do renascimento, por saberem transcender o tempo, prever o futuro e conversar com os mortos. Como xamãs, se é que este termo propriamente lhes caiba, eles possuíam as habilidades da profecia e, no campo material, tinham as tarefas jurídicas, de aconselhamento, ensino e filosóficas dos druidas. Mais abrangentemente, os ovados dedicavam-se à sátira, ao encantamento, à predição, à magia falada e escrita, à justiça, medicina, ensino, música e guerra.De uma maneira geral, o que se mostra é que, embora cada classe possuísse função definida, isso não impedia que uma mesma função fosse exercida pelas três classes.
Assim como os hindus, os druidas acreditavam na reencarnação e os ovados eram os destinados a se comunicarem com os ancestrais para receber orientação e inspiração. Essa conexão especial com o Outro Lado da Vida os fazem oficiantes do Rito de Samain, a festa dos mortos realizada em 31 de outubro. Não se trata, porém, de um culto mórbido à morte, porque o interesse real do ovado é pela Vida e pela regeneração. Ele sabe que para nascer é preciso morrer, seja no sentido figurado ou no real.O ovado possuía dons de cura e conhecimentos da tradição dos animais, árvores e ervas. Além da capacidade já citada de se comunicar com os espíritos, sua condição de penetrar no não-tempo lhe permitia realizar previsões e profecias.Os ovados podiam "recuperar" os acontecimentos ou "revisitá-los" na mesma terra do não-tempo habitada pelos deuses. Em outras palavras, eram intermediários humanos que, em estado de transe, principalmente durante os rituais realizados nos festivais, podiam prever o futuro ou exercer a retrocognição.A árvore que representa o ovado é o teixo, árvore da morte e do renascimento. O norte é o lugar do ovado, pois é onde ele toma conhecimento da "inteligência espiritual e da noite". Os tempos associados ao ovado são o outono e o inverno, a tarde, o anoitecer e a meia-noite, períodos em que se assimila a experiência do dia ou do ano e se penetra nas grandes profundezas do inconsciente. (Cap. 1 - Item V - b)
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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles, a razão e a universalidade.
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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.


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