Razões Espirituais
Jorge Andréa dos Santos
As dificuldades atuais da sociedade humana estão, em sua maioria, coligadas aos desentendimentos. O homem social está esquecendo da sua comunidade. É claro e lógico que devemos a esta dissociação, em grande parte, a complexidade da vida.
A técnica, como consequência da ciência, nos trouxe grande soma de informações, incrustadas no despreparado quotidiano humano. A totalidade dos seres ainda não possui condições ideais de realizar a filtragem de todas essas propostas. O despreparo humano refere-se à falta de Espiritualidade. A condição material foi eleita, na maioria das sociedades humanas, como sendo o "bom deus" das comodidades; entretanto, consideremos que as comodidades bem dosadas, atadas ao processo evolutivo, são necessárias e devem ser utilizadas.
No excesso estará o desequilíbrio pelo hipertrófico processo do egoísmo. A avidez de riqueza e poder vedou a percepção dos reais horizontes humanos.
Os que abraçaram o Espiritualismo através das suas respectivas conotações religiosas, perceberam os efeitos desse desequilíbrio, na sociedade dos homens, pelos excessos do tão decantado materialismo. De logo, compreenderam a importância da espiritualização do ser humano, a fim de equilibrar, no fiel da balança, as oscilações das razões espirituais e materiais no mecanismo da vida.
Nos dias de hoje, devemos entender o Espiritualismo como um dos pilares construtivos do psiquismo humano e, como tal, razão inconteste da Evolução. Falemos de um Espiritualismo atuante, raciocinado, experienciado, tal como se dá com a Doutrina Espírita, na qual seus estudos desenvolveram e demonstraram a autenticidade sobre a imortalidade e o fio infinito da Evolução. A Doutrina Espírita nos trouxe essas proposições calcadas nas comunicações entre vivos e mortos-vivos, no processo reencarnatório (palingênese) e na presença de uma Grande Lei a ordenar e comandar todos os parâmetros da vida - Deus!
Na conduta da vida, o homem, em sociedade, deve compreender o seu procedimento para com todos aqueles que lhe cercam e com quem convive; porém a sua grande obediência é para com a Verdade que carrega na intimidade do Espírito.
Quem vislumbrou essa Verdade, como impulso de universalidade, sente nos pensamentos o caminho a seguir, sejam quais forem os fatores do meio e as influências a que está sendo submetido.
A Doutrina Espírita, com seu atuante dinamismo, oferece as condições ideais para a conduta humana. Bem claro que o conhecimento, a leitura de suas premissas e conselhos dirigidos à natureza humana não conseguem, de logo, neutralizar os impulsos que o indivíduo carrega em seus potenciais psíquicos milenares.
Devemos compreender que o processo espiritual é lento por necessitar de ser vivenciado. Não podemos, de uma hora para outra, modificar os impulsos arquetípicos que carregamos com a nossa imortalidade. Somente o trabalho constante, baseado numa ética vigorosa, sadia e sem repressões psicológicas, conseguirá, a pouco e pouco, burilar o impulso anímico ainda deficiente da natureza humana. Somente uma fé raciocinada, de profundidade, fazendo parte da intimidade humana, será capaz de reduzir a cinzas os inquietos pensamentos da estreita exterioridade de seitas e filosofias dogmáticas que atentem contra a inteligência humana.
As grandes descobertas científicas no planeta, apesar de concorrerem nas benesses do humanismo favorecendo a civilização, também propiciaram meios fabulosos de destruição da vida; de um lado, houve crescimento de altruísmo; do outro, revigoração do egoísmo e da perversidade.
O homem moderno está na fase da compreensão e redução de seu crônico analfabetismo. O Movimento Espírita nos tem oferecido grande soma de valores no sentido do esclarecimento e da compreensão da vida, sem propiciar movimentos e reações contra religiões. Isto porque, o Espiritismo não é considerado uma religião a mais, embora existindo em seu cerne normas que convidam os homens a terem uma proposta religiosa.
Certos movimentos espiritistas, em seus anseios de unificação, têm propiciado alguns atritos que convêm esclarecidos.
Os mais afoitos e com imensa vontade de pôr ordem naquilo que ajuízam errado, oferecem falhos sistemas de união por entenderem que essa união deva ser uma aceitação tácita das propostas que apresentam; isto é, desejam a anexação de organizações, maiores ou menores, a fim de "avaliar" seus pupilos, dentro de normas adrede preparadas, impondo regulamentos e condutas bem específicas. Geralmente o fazem em nome da salvação doutrinária.
A união, pela natural e compreensível divergência evolutiva da natureza humana, só poderá dar-se na essência do pensamento espiritual de uma Verdade íntima. A união é de pensamentos afins, jamais se realizará através de exigências superficiais, como imposições de certas premissas e estatutos bitolados; jamais haverá entendimento pela imposição de normas exteriores, em estreitos mecanismos.
As diversas Organizações devem trabalhar de acordo com suas próprias possibilidades, esparzindo propostas dentro de seus princípios harmônicos. Bem claro que os iniciantes necessitarão de orientação e não de imposições determinativas e envolventes. Os grupos com destoantes propostas cairão por si mesmos, não possuirão lastro suficiente para avançar em busca da Verdade; isto não deve preocupar os supostos líderes desejosos da pureza doutrinária que, com essa bandeira, desejam afirmações exclusivistas.
Os que se propõem ao comando e exigem satélites obedientes (com raciocínio mascarado) em torno de suas ideias, sem acatar a proposição e o modo de atuação de seus supostos filiados, jamais estarão realizando unificação, mas criando dissensões. As vozes desses supostos líderes se vão enfraquecendo pelas propostas periféricas, únicas que entendem; não possuem as condições de mergulharem na Grande Verdade. Repetimos: a união se fará em profundidade no encontro de ideias sadias. É como se a maioria estivesse atuando na periferia de uma circunferência, mesmo em posições antípodas (divergência de trabalho), buscando, por maturação de ideias, o centro onde se encontra a Verdade de todos. Neste cadinho central o pensamento é uno, a fé potente, a Verdade precisa e ninguém se desentenderá.
O bom senso nos diz que marchamos para a Unidade. Não nos referimos a uma unidade de casas com os poderes de um comando único, mas à Unidade de pensamentos, com direções várias, procurando entender os que possuem capacidade de liderança e os que, ainda aflitos, se encontram a meio caminho necessitando mais de amparo do que de normas.
Toda união deve ser simples e natural, englobada em fé raciocinada e sem complicações. Muito adorno é falta de substância; riqueza em detalhes periféricos é anemia na idéia central. O convite que o momento atual humano nos faz é o de unirmo-nos. Unificação de pessoas, nas propostas de pensamentos universais, serão realidade sem servilismo ou falsa humildade. Coragem de saber unir e desmascarar qualquer comando interesseiro.
A Doutrina Espírita com a sua dinâmica de universalidade está aparelhada, no momento atual da humanidade, a exercer o seu grande papel. Ao homem de hoje não cabe a imposição de normas religiosas, mas a amostragem de pensamentos éticos de consequências filosóficas e científicas que, bem compreendidos representariam, em última análise, uma conotação religiosa de escolha pessoal.
Muitos serão os caminhos para alcançar o estofo da Doutrina Espírita, com maiores ou menores alegrias, com preocupações e mesmo em variadas dificuldades; mas para nos integrarmos na essência do Espiritismo não haverá necessidade de comando periférico e limitado a ditar normas e condutas; cada qual sera responsável por suas atitudes no grau evolutivo em que se encontra. A codificação kardequiana será sempre roteiro seguro.
O espírita não se faz em aparências externas. No caudal de seus pensamentos haverá, quase sempre, necessidade de uma tempestade e tormento da alma, a fim de poder penetrar na essência da vida. No trato da vida, o conhecimento, sendo fator da maior importância, necessita de um grande sustentáculo — colocar o "coração" na essência fenomênica. Se ficarmos somente na superfície, atendendo aos falsos líderes, por melhor que pareçam as razões técnicas e os processos intelectuais, jamais teremos a quietude dos que visualizaram as auroras dos caminhos evolutivos.
Jorge Andréa dos Santos do livro:
Lastro Espiritual nos Fatos Científicos
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