sábado, 31 de outubro de 2026

Inalterada preponderância do bem

Inalterada preponderância do bem

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por IA.

As denominadas desgraças, tais como: mortes prematuras ou não, falências comerciais, tragédias afetivas, traições inomináveis, doenças irreversíveis, desgostos afligentes, infortúnios outros parecem predominar no convulsionado contexto social da atualidade.

Tem-se a nítida impressão, diante da violência sob todos os aspectos em que se apresenta, do chocante abuso das drogas, da lamentável utilização do sexo em desalinho, do terrorismo cruel, que a Humanidade regrediu moralmente e que as gloriosas conquistas da Ciência, assim como da Tecnologia nada significam para o ser humano, exceto para o desfrutar do prazer e das comodidades oferecidas.

O utilitarismo insensível usa as pessoas e as descarta com facilidade e indiferença, coisificando-as e logo as desprezando.

O caos predomina quase que em toda parte, tão generalizado se encontra o consumismo e tão baixo o nível das emoções, que os menos advertidos optam por aquelas denominadas radicais, com a maior desconsideração para com a existência física.

A cultura da futilidade atinge índices alarmantes, dantes mesmo jamais imaginados, porque as questões graves, aquelas que dizem respeito à responsabilidade, ao dever, são substituídas na juventude pelo nem se estuda, nem se trabalha e, pelos adultos, como pesado fardo que deve ser abandonado a qualquer momento.

A mal contida ânsia para alcançar as glórias de um momento, para conseguir aparecer no pódio de destaque, consome vidas que se poderiam dedicar a objetivos mais plenos da evolução.

A competição desenfreada e sem qualquer escrúpulo desvaira, anulando os menos resistentes e dando o triunfo, mesmo injusto, aos mais hábeis na arte da dissimulação, do parecer e do explorar...

Paira nas mentes e nos corações a impressão de que o mal prevalece, pois que se encontra em todo lugar, ao mesmo tempo que escasseiam os valores edificantes e as realizações da solidariedade.

Nada obstante, vige o bem menos visível, manifestam-se os atributos da honradez em diversos indivíduos e setores, laboram os missionários do bem, do progresso, da verdade.

Este é um período de crise, de transição, de descobertas de outros valores mais importantes, ainda não conseguidos. É natural que apresente essas tragédias inegáveis. No entanto, toda tempestade que destrói depura a atmosfera, modifica a estrutura existente, reverdece a Natureza, e a flora como a fauna ressurgem em exuberância.

O pântano ameaçador e responsável por miasmas pestíferos, assim como o charco pútrido não estão amaldiçoados, mas carentes de drenagem e ação benfazeja para transformar-se em jardim e pomar.

O solo desértico necessita de ser sulcado, adubado e experimentar alterações com água, a fim de produzir beleza e utilidade. Não existe no Universo a imobilidade. Tudo é movimento, que produz alteração de rota e esculpe futuras formas harmônicas.

Os cânions são trabalho paciente dos rios, dos ventos e do tempo.

Tudo se renova.

A vida não cessa de reproduzir-se em padrões primorosos...

*

Confia no tempo e age com retidão.

Não te desanimem as paisagens morais do planeta, que se encontra em transformação, em viagem para mundo melhor.

Da inarmonia surgirá a ordem em níveis muito elevados, que ainda não podes perceber.

O processo atual é de experiências cósmicas com os seres humanos que ainda permanecem em faixas primitivas e estão sendo utilizados para o aprimoramento dos valores éticos.

Toda época de crise prenuncia conquistas valiosas para o futuro.

A reencarnação é Lei do processo evolutivo e ninguém dela se eximirá.

O mal de agora se torna fator fecundante do bem de amanhã.

A flor perfumada que flutua na haste delicada tem as suas raízes no lodo.

Assim também te comporta, isto é: na situação deplorável em que mourejas, enfloresce, transforma o húmus em perfume e a água pútrida, como os vegetais, em madeira preciosa.

Insiste no culto dos teus deveres, mesmo quando te sintas a sós.

O teu exemplo terminará fecundando outras vidas.

São Francisco, na fase da sua despersonalização, em extrema penúria, era desprezado e chamavam-no louco. Insultado e perseguido, sensibilizou o rico Bernardo di Quintavalle e o poderoso monsenhor dei Cattani, que abandonaram tudo, elegeram a pobreza absoluta, e os chamavam, com desprezo, de loucos. Depois, o lenhador Egídio se lhes associou e com outros mais mudaram a história da Humanidade.

O pobrezinho de Deus fez-se o pai da ecologia moderna, preparou a cultura para o Renascimento, tornou-se modelo para Dante Alighieri, artistas, poetas, escritores, modeladores da Humanidade...

*

Confia n’Aquele que administra a Terra e a conduz com segurança da treva para a luz, do tumulto para o equilíbrio, do incêndio e da loucura para a harmonia e a beleza...

A vitória do bem é inevitável, e o triunfo sobre os sofrimentos será brevemente alcançado.

Faze tua parte, porque o Senhor realiza a que Lhe diz respeito, em favor da inalterada preponderância do Bem.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco
do livro: Seja feliz hoje

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Um céptico

Um céptico

Humberto de Campos


Imagem gerada por IA.

13 de Dezembro de 1935.

Ainda não me encontro bastante desapegado desse mundo para que não me sentisse tentado a voltar a ele, no dia que assinalou o meu desprendimento da carcaça de ossos.

Se o vinte e sete de outubro marcou o meu ingresso no reino das sombras, que é a vida daí, o cinco de dezembro representou a minha volta ao país de claridades benditas, cujas portas de ouro são escancaradas pelas mãos poderosas da morte.

Nessa noite, o ambiente do cemitério de São João Batista parecia sufocante. Havia um "quê" de mistérios, entre catacumbas silenciosas, que me enervava, apesar da ausência dos nervos tangíveis no meu corpo estranho de espírito. Todavia, toquei as flores cariciosas que a Saudade me levara, piedosa e compungidamente. O seu aroma penetrava o meu coração como um consolo brando, conduzindo-me, num retrospecto maravilhoso, às minhas afeições comovidas, que haviam ficado a distância.

E foi entregue a essas cogitações, a que são levados os mortos quando penetram o mundo dos vivos, que vi, acocorado sobre a terra, um dos companheiros que me ficavam próximos ao bangalô subterrâneo com que fui mimoseado na terra carioca...

- O senhor é o dono desses ossos que estão por aí apodrecendo? - interpelou-me.

- Sim, e a que vem a sua pergunta?

- Ora, é que me lembro do dia de sua chegada ao seu palacete subterrâneo. Recordo-me bem, apesar de sair pouco dessa toca para onde fui relegado há mais de trinta anos... O senhor se lembra? A urna funerária, portadora dos seus despojos, saiu solenemente da Academia de Letras, altas personalidades da política dominante se fizeram representar nas suas exéquias e ouvi sentidos panegíricos pronunciados em sua homenagem. Muito trabalho tiveram as máquinas fotográficas na camaradagem dos homens da imprensa e tudo fazia sobressair à importância do seu nome ilustre. Procurei aproximar-me de si e notei que as suas mãos, que tanto haviam acariciado o espadim acadêmico, estavam inermes e que os seus miolos, que tanto haviam vibrado, tentando aprofundar os problemas humanos, estavam reduzidos a um punhado de massa informe, onde apenas os vermes encontrariam algo de útil. Entretanto, embora as homenagens, as honrarias, a celebridade, o senhor veio humildemente repousar entre as tíbias e os úmeros daqueles que o antecederam na jornada da Morte. Lembra-se o senhor de tudo isso?

- Não me lembro bem... Tinha o meu espírito perturbado pelas dores e emoções sucessivas.

- Pois eu me lembro de tudo. Daqui, quase nunca me afasto, como um olho de Argos, avivando a memória dos meus vizinhos. O senhor conhece as criptas de Palermo?

- Não.

- Pois nessa cidade os monges, um dia, conjugando a piedade com o interesse, inventaram um cemitério bizarro. Os mortos eram mumificados e não baixavam à sepultura. Prosseguiam de pé a sua jornada de silêncio e de nudez espantosa. Milhares de esqueletos ali ficaram, em marcha, vestidos ao seu tempo, segundo os seus gostos e opiniões. Muito rumor causou essa parada de caveiras e de canelas, até que um dia um inspetor da higiene, visitando essa casa de sombras da vida e enojado com a presença dos ratos que roíam displicentemente as costelas dos trespassados ricos e ilustres que se davam ao gosto de comprar ali um lugar de descanso, mandou cerrar-lhe as portas pelo ministro Crispi, em 1888. Ora bem: eu sou uma espécie dos defuntos de Palermo. Aqui estou sempre de pé, apesar dos meus ossos estarem dissolvidos na terra, onde se encontraram com os ossos dos que foram meus inimigos.

- A vida é assim disse-lhe eu; mas, por que se dá o amigo a essa inglória tarefa na solidão em que se martiriza? Não teria vindo do orbe com bastante fé, ou com alguma credencial que o recomendasse a este mundo cujas fileiras agora integramos? 

- Credenciais? Trouxe muitas. Além da honorabilidade de velho político do Rio de Janeiro, trazia as insígnias da minha fé católica, apostólica romana. Morri com todos os sacramentos da igreja; porém, apesar das palavras sacramentais, da liturgia e das felicitações dos hissopes, não encontrei viva alma que me buscasse para o caminho do Céu, ou mesmo do inferno. Na minha condição de defunto incompreendido, procurei os templos católicos, que certamente estavam na obrigação de me esclarecer. Contudo, depressa me convenci da inutilidade do meu esforço. As igrejas estão cheias de mistificações. Se Jesus voltasse agora ao mundo, não poderia tomar um átomo de tempo pregando as virtudes cristãs, na base, luminosa da humildade. Teria de tomar, incontinenti, ao regressar a este mundo, um látego do fogo e trabalhar anos afio no saneamento de sua casa. Os vendilhões estão muito multiplicados e a época não comporta mais o Sermão da Montanha. O que se faz necessário, no tempo atual, no tocante a esse problema, é a creolina de que falava Guerra Junqueiro nas suas blasfêmias.

- Mas, o irmão está muito céptico. É preciso esperança e crença...

- Esperança e crença? Não acredito que elas salvem o mundo, com essa geração de condenados. Parece que maldições infinitas perseguem a moderna civilização. Os homens falam de fé e de religião, dentro do esnobismo e da elegância da época. A religião é para uso externo, perdendo-se o espírito nas materialidades do século. As criaturas parecem muito satisfeitas sob a tutela estranha do diabo. O nome de Deus, na atualidade, não deve ser evocado senão como máscara para que os enigmas do demônio sejam resolvidos.

Não estamos nós aqui dentro da terra da Guanabara, paraíso dos turistas, cidade maravilhosa? Percorra o senhor, ainda depois de morto, as grandes avenidas, as artérias gigantescas da capital e verá as crianças famintas, as mãos nauseantes dos leprosos, os rostos desfigurados e pálidos das mães sofredoras, enquanto o governo remodela os teatros, incentiva as orgias carnavalescas e multiplica regalos e distrações. Vá ver como o câncer devora os corpos enfermos no hospital da Gamboa; ande pelos morros, para onde fugiu a miséria e o infortúnio; visite os hospícios e leprosários. Há de se convencer da inutilidade de  todo o serviço em favor da esperança e da crença. Em matéria de religião, tente materializar-se e corra aos prédios elegantes e aos bangalôs adoráveis de Copacabana e do Leblon, suba a Petrópolis e grite a verdade. O seu fantasma seria corrido a pedradas. Todos os homens sabem que hão de chocalhar os ossos, como nós, algum dia, mas um vinho diabólico envenenou no berço essa geração de infelizes e de descrentes.

- Por que o amigo não tenta o Espiritismo? Essa doutrina representa hoje toda nossa esperança.

- Já o fiz. É verdade que não compareci em uma reunião de sabedores da doutrina, conhecedores do terreno que perquiriam; mas estive em uma assembleia de adeptos e procurei falar-lhes dos grandes problemas da existência das almas. Exprobrei os meus erros do passado, penitenciando-me das minhas culpas para escarmentá-los; mostrei-lhes as vantagens da prática do bem, como base única para encontrarmos a senda da felicidade, relatando-lhes a verdade terrível, na qual me achei um dia, com os ossos confundidos com os ossos dos miseráveis. Todavia, um dos componentes da reunião interpelou-me a respeito das suas tricas domésticas, acrescentando uma pergunta quanto à marcha dos seus negócios. Desiludi-me.

Não tentarei coisa alguma. Desde que temos vida depois da morte, prefiro esperar a hora do Juízo Final, hora essa em que deverei buscar um outro mundo, porque, com respeito a Terra, não quero chafurdar-me na sua lama. Por estranho paradoxo vivo depois da morte, serei adepto da congregação dos descrentes...

- Então, nada o convence?

- Nada. Ficarei aqui até à consumação dos evos, se a mão do Diabo não se lembrar, de me arrancar dessa toca de ossos moídos e cinzas asquerosas. E, quanto ao senhor, não procure afastar-me dessa misantropia. Continue gritando para o mundo que lhe guarda os despojos.

Eu não o farei.

E o singular personagem, recolheu-se à escuridão do seu canto imundo, enquanto pesava no meu espírito a certeza dolorosa da existência dessas almas vazias e incompreendidas na parada eterna dos túmulos silenciosos para onde os vivos levam de vez em quando as flores perfumadas da sua saudade e da sua afeição.

Humberto de Campos por Chico Xavier do livro:
Crônicas de Além-Túmulo

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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Preconceito

Preconceito

Hammed


Imagem gerada por IA.
“... Tendo-o visto, lhe disse: Zaqueu, apressai-vos em descer, porque é preciso que eu me aloje hoje em vossa casa. Zaqueu desceu logo e o recebeu com alegria. Vendo isso, todos murmuraram dizendo: Ele foi alojar-se na casa de um homem de má vida...” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 16 / item 4.)
Diz-se que um indivíduo atingiu um bom nível ético quando pensa por si mesmo em termos gerais e críticos; quando dirige sua conduta conforme julgar correto, demonstrando assim independência interior; quando é autônomo para definir o bem e o mal, sem seguir fórmulas sociais; e, por fim, quando não é escravo das suas crenças inconscientes, porque faz constante exercício de autoconhecimento.

Por nosso quadro de valores ter sido adquirido de forma não vivencial é que nosso mundo íntimo está repleto de preconceitos e nosso nível ético encontra-se distante da realidade.

Ter preconceitos é, pois, assimilar as coisas com julgamento preestabelecido, fundamentado na opinião dos outros. Os preconceitos são as raízes de nossa infelicidade e sofrimento neurótico, pois deterioram nossa visão da vida como uma lasca que inflama a área de nosso corpo em que se aloja.

Aceitamos esses valores dos adultos com quem convivemos, de uma maneira e forma tão sutis que nem percebemos. Basta a criança observar um comentário sobre a sexualidade de alguém, ou a religião professada pelos vizinhos, para assimilar ideias e normas vivenciadas pelo adulto que promove a crítica. De maneira distorcida, baseia-se no julgamento de outrem, quando é válido somente o autojulgamento, apoiado sempre na análise dos fatos como realmente eles são.

Qual seria então tua visão atual a respeito do sexo, religião, raça, velhice, nação, política e outras tantas? Seriam formadas unicamente sem a influência dos outros? Será que tua forma de ver a tudo e a todos não estaria repleta de obstáculos formados pelos teus conceitos preestabelecidos?

Por não estares atento ao processo da vida em ti, é que precisas do juízo dos outros, tornando-te assim dependente e incapacitado diante de tuas condutas.

Jesus de Nazaré demonstrou ser plenamente imune a qualquer influência alheia quanto a seus sentimentos e sentidos de vida, revelando isso em várias ocorrências de seu messiado terreno.

Ao visitar a casa de Zaqueu, não deu a mínima importância aos murmúrios maldizentes das criaturas de estrutura psicológica infantil, pois sabia caminhar discernindo por si mesmo.

Toda alma superior tem um sistema de valores não baseado em regras rígidas; avalia os indivíduos, atos e atitudes com seu senso interior, sentimentos, emoções e percepções intuitivas, tendo assim apreciações e comportamentos peculiares. Para ela, cada situação é sempre nova e cada pessoa é sempre um mundo à parte.

Em verdade, Cristo veio para os doentes que têm a coragem de reconhecer-se como tais, não porém para os sãos, ou para aqueles que se mascaram. Zaqueu, vencendo os próprios conceitos inadequados de chefe dos publicanos, derrubou as barreiras do personalismo elitista e rendeu-se à mensagem da Boa Nova.

Despojou-se do velho mundo que detinha na estrutura de sua personalidade e renovou-se com conceitos de vida imortal, aceitando-se como necessitado dos bens espirituais. Disse Jesus: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”. (Marcos 2:27).

Ao dizer isso, o Mestre se referia ao antigo mandamento de Moisés, que impedia toda e qualquer atividade aos sábados, e que Ele, por sabedoria e por ser desprovido de qualquer preconceito, entendia a serventia dessa lei para determinada época, porém queria agora mostrar aos homens que “as experiências passadas são válidas, mas precisam ser adequadas às nossas necessidades da realidade presente”.

Nossos preconceitos são entraves ao nosso progresso espiritual.

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto
do livro: Renovando Atitudes

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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Precipitação e paciência

Precipitação e paciência

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por IA.
“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.” (Mateus, 5:5)

No báratro da atualidade, ante os desafios de cada instante, não te entregues às reações que somente complicam o teu processo evolutivo.

Enfrenta cada problema usando o raciocínio e asserenando o coração, de modo apoderes agir com acerto, sem tais reagentes que resultam da precipitação.

A reação perturba, a ação edifica.

Quando reages sem pensar, serás obrigado, mais tarde, a agir para consertar.

*

Os fatores dissolventes, que resultam dos vícios e acomodações, respondem pela perturbação e desordem que ora grassam soberanos.

Não te deixes arrastar pelo desequilíbrio que se generaliza.

Sé tu aquele que, diante das dificuldades, não se engaja na precipitação.

Esta é geratriz da agressividade e da violência, filha dileta do primarismo e do medo ancestral, primitivo.

Assim, em qualquer momento, tens necessidade de cultivar a paz que ressuma da paciência.

A paciência é instrumento da vida para o serviço da perfeição.

A precipitação é operária a soldo das implosões devastadoras e das explosões infelizes.

*

Lenta e seguramente cresce no trabalho e atua nos teus deveres.

Melhor realizar em profundidade, com calma, do que com precipitação, tudo intentar produzir.

*

A precipitação desnorteia; a paciência harmoniza.

Precipitado, o homem tomba nas próprias armadilhas. Paciente, soluciona todos os enigmas.

*

A precipitação retrata distúrbio emocional, enquanto que a paciência reflete harmonia interior.

*

Átila, precipitado, submeteu grande parte do mundo ao seu domínio, para logo depois sucumbir, vitimado pela própria impulsividade.

Antes dele, Alexandre Magno conquistou a Terra conhecida, não obstante, desencarnou em perturbação e insatisfação íntima.

A história dos precipitados conquistadores do exterior é feita de amargura e com ressaibos de dor.

Jesus, porém, que nos veio amar, permanece conquistando-nos com paciência, aguardando que o sigamos.

Nas suas pegadas levantaram-se apóstolos, mártires e santos em todas as épocas, ensinando-nos que a precipitação conduz à loucura; todavia, a paciência com amor, mãe da resignação cristã, leva à vitória e à salvação.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Alegria de Viver

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