O escriba incrédulo
Irmão X.
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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles, a razão e a universalidade.
"- Fora da caridade não há salvação." Allan Kardec
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“Partiu, pois Jacó, de Berseba, e foi para Harã; chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o Sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar e a pôs por sua cabeceira e deitou-se naquele lugar. “E sonhou: e eis que uma escada era posta na Terra, cujo topo tocava no Céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; e o Senhor estava em cima e disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaac; essa Terra em que estás deitado ta darei a ti e à tua semente; e a tua semente será como o pó da Terra, e estender-se-á ao Ocidente, ao Oriente, ao Norte e ao Sul, e em ti na tua semente serão benditas todas as famílias da Terra. E eis que estou contigo e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta Terra; porque não te deixarei, até que haja feito o que te tenho dito.“Acordado Jacó do seu sono, disse; na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não sabia.”“Então levantou-se Jacó pela madrugada e tomou a pedra que tinha posto por sua cabeceira, e a pôs por coluna e derramou azeite em cima dela; e chamou o nome daquele lugar — Be-tel (Casa de Deus); o nome, porém, daquela cidade, antes era luz. E Jacó fez um voto dizendo: Se Deus for comigo, me guardar nesta viagem, e me der pão para comer e roupa para vestir; e eu em paz tornar à casa de meu pai; o Senhor será o meu Deus; e esta pedra que tenho posto por coluna será a casa de Deus e de tudo quanto me der pagarei o dízimo. (Gênese, XXVIII, 10-22.)“Jesus vendo a Natanael aproximar-se dele, disse: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo! Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu Jesus: Antes que Filipe te chamasse eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Replicou-lhe Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel. Disse-lhe Jesus: Por eu te dizer que te vi debaixo da figueira, crês? Maiores coisas do que estas verás. E acrescentou: Em verdade vos digo que vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.” (João, I, 47-51.)
“No meio de uma cadeia de montanhas eleva-se aos ares um pico isolado, sobre o qual se percebe confusamente um antigo edifício.Um ousado viajante forma o projeto de o escalar.“As ervazinhas suspensas aos flancos dos precipícios, um tronco carunchoso, uma pedra movediça, tudo lhe serve de ponto de apoio: trepa, salta, arrasta-se e, finalmente, coberto de suor e fatigado, chega ao desejado vértice; e levantando os braços aos Céus, exclama cheio de alegria: Sempre venci!“Toda a cadeia de montanhas se desenrola a seus pés. Os mais belos horizontes se abrem diante dele. O que só via em parte, agora abrange e domina num lance de vista.“Em baixo, ao longe, vê obstáculos contra os quais desfaleceram seus primeiros esforços, e ri-se da sua inexperiência; de pé, contempla os que finalmente vencerão, e admira-se da própria audácia.“Os companheiros, muito fracos para vencerem as dificuldades do caminho, não o puderam seguir senão com a vista, mas nesse dia ficara conhecido um atalho, porque só é visível esse caminho, do alto da montanha. É por aí que desce, então, o viajante que chegou ao alto da montanha, é por aí que ele se coloca à frente dos companheiros que ficaram no sopé do monte e lhes diz: Segui-me! Ele os conduzirá sem perigo e sem fadiga até o cimo, cuja conquista tanto lhe custara.Graças a ele, a montanha já se tornou acessível!Todos os viajantes podem, do alto, admirar o famoso edifício, os panoramas sublimes, os magníficos horizontes que dali se descobrem.”
07 de setembro de 1935.
O Brasil celebra hoje o seu "Dia da Pátria". As bandeiras ouro e verde serão desfraldadas aos quatro ventos. Nas grandes cidades serão ouvidos os ecos dos clarins, nas paradas militares, e uma vibração de entusiasmo percorrerá o coração dos patriotas.
Sei também que muitas personalidades desencarnadas, que antigamente lutaram pela organização da nacionalidade, hoje se voltam para São Sebastião do Rio de Janeiro, onde pretendem participar das cerimônias comemorativas; muitos dos chefes tapuias e tupis, legítimos donos da terra conquistada pelos portugueses, ainda no espaço não desdenharão igualmente de passear os olhos pelo cenário das suas passadas existências, recordando hoje as suas tabas solitárias, os seus costumes, que os brancos perverteram, a imensidade das selvas e as belezas melancólicas das suas praias desertas.
Todavia, lembrando Paicolás, reconhecerão alguns benefícios de sua influência, ao lado de seus inumeráveis defeitos. Hão de contemplar, enlevados, a Avenida Central, a Avenida Atlântica, a praia de Copacabana, o Russel, o Leblon, as obras de saneamento e o casario imenso da cidade maravilhosa, derramando-se pelos vales, pelas serras e planícies, numa alucinação de progresso vertiginoso.
Os homens e os Espíritos desencarnados se reunirão, celebrando a data festiva.
Essas solenidades são sempre lindas e alegres, quando encaradas dentro da sua formosa significação.
As pátrias devem ser as casas imensas das famílias enormes. Unidas fraternalmente, realizariam o sonho da Canaã das Escrituras, na face da Terra. Contudo, quanto mais avançou a civilização nas suas estradas, mais o conceito de pátria foi viciado . na essência da sua legítima expressão.
O progresso científico eliminou quase todos os problemas da incomunicabilidade. A radiotelefonia fez do Planeta uma sala minúscula, onde os países conversam, como as pessoas. Os paquetes para as viagens transoceânicas são cidades flutuantes, como hífens gigantescos, unindo os povos. As máquinas aéreas, aperfeiçoadas e admiravelmente dispostas, sulcam os ares devorando as distâncias. Por toda parte rasgam-se estradas. Há uma ânsia de comunhão em todas as coisas. Tudo tende a unir-se, aproximando-se.
Entretanto, nunca as pátrias estiveram tão afastadas umas das outras, como agora. Jamais se fez uma apologia tão grande da política de isolamento. As pátrias andam esquecidas de que a existência depende de trocas incessantes. Os maiores. desequilíbrios financeiros e econômicos são infligidos às nações, no seu egoísmo coletivo.
Deslumbrada, num período esplendoroso de sua evolução, e sentindo-se no limiar de transformações radicais em todos os setores de sua atividade, a sociedade humana escuta a voz dos seus gênios e dos seus apóstolos, desejando eliminar as fronteiras de todos os matizes que separam os seus membros, fundindo-se nesse abraço de Unidade que ela começa a compreender. Mas, a política representa o passado multimilenário. Os governos se concentram à base da força e o antagonismo que impera entre todos os elementos da atualidade apresenta um espetáculo interessantíssimo. Todos os pactos de paz são mentirosos. Haverá maior contradição que a de um instituto de paz, que deve ser pura e espontânea, guardado por exércitos armados até os dentes?
Em todos os sistemas políticos dos tempos modernos predominam, apenas, os pruridos da hegemonia internacional. Em virtude de semelhantes disparates, a guerra é inevitável. Não haverá confabulações diplomáticas que a eliminem, por enquanto, do caminho dos homens. E a guerra de agora será mais dolorosa e terrível. Todas as conquistas da ciência serão mobilizadas a seu serviço. A bacteriologia, a eletricidade, a mecânica, a química, todos os elementos serão requeridos pelo polvo insaciável.
Deus criou a Paz, o Amor, a Fraternidade, mas os homens criaram os seus próprios destinos. Confundidos no labirinto de suas maldades, só têm podido iluminar os caminhos da Vida com os fachos incendiados da Morte.
Na atualidade, a guerra das pátrias representa a guerra dos sentimentos; porque uma era nova, de fraternidade cristã, desabrochará nos horizontes do mundo. Todos os Espíritos falam nessa renovação e ela aparecerá, clareando o dia novo da humanidade.
Nessa época de ouro espiritual, que talvez não venha longe, o mundo entenderá a mensagem de paz do Divino Cordeiro. Uma brisa suave de conforto e de alívio descerá do Céu sobre as frontes atormentadas das criaturas. Terminará o dilúvio de expiações em que o homem há séculos está envolvido, e um pássaro simbólico trará novamente a oliva da esperança.
E o Brasil que, embora com sacrifícios ingentes, vem colaborando na disseminação da mensagem da imortalidade e da esperança, nessa era nova entoará, com as nações irmanadas, o hino da Paz, compreendendo, pela evolução moral dos seus filhos, a beleza maravilhosa da Pátria Universal.
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Chaga moral do Espírito, a obsessão tem uma generalização muito mais ampla do que se pode imaginar, tornando-se, periodicamente, uma virose de contágio célere, em face das circunstâncias que exige como decorrência do processo evolutivo das criaturas e do planeta, que a impõem como necessidade saneadora dos volumosos compromissos negativos que permanecem na economia da sociedade.
Na Antiguidade Oriental, como depois, durante a Idade Média, apresentava-se com características epidêmicas e varria os povos, dava-lhes uma trégua e retornava intempestivamente.
Confundida com a loucura nos seus diversos aspectos, tem desafiado os estudiosos do comportamento, da saúde, da religião e das ciências da mente.
Sutil, em certas ocasiões, assume proporções inesperadas, levando a extremos lamentáveis aqueles que lhe tombam nas urdiduras.
A humanidade tem-na sofrido, considerando-a, em diversas épocas, como castigo divino, e usado métodos de combate não menos cruéis, por desconhecimento da sua gênese, portanto, pela impossibilidade de enfrentá-la, de amenizá-la com recursos hábeis, eficazes.
Trata-se da alienação mental por obsessão, isto é, pela ingerência da presença psíquica de um desencarnado num encarnado.
A obsessão pode influenciar maleficamente também a organização física, produzindo patologias complexas quão danosas.
Allan Kardec estudou-a com proficiência, sendo o primeiro investigador a penetrar-lhe as causas, dissecá-las, e apresentou as terapias compatíveis, capazes de amenizá-la ou erradicá-la completamente.
Antes dele, Jesus, diversas vezes, enfrentou e atendeu obsessos e obsessores, socorrendo-os com Seu inefável amor e libertando-os uns dos outros mediante a força restauradora de que se faz possuidor.
Os Seus diálogos com esses enfermos são profundos, apresentando à psicopatologia admirável capítulo, que permanece obscuro nas áreas das doutrinas especializadas.
O Espiritismo, porém, por lidar com os fatores causais, analisa o problema e o elucida, propondo corretos métodos para atender os que se encontram envolvidos, ao tempo que fornece terapias preventivas, que impedem a instalação da mazela.
A obsessão tem as suas raízes fixadas nos antecedentes morais de ambos os litigantes, que se deixaram vencer pela inferioridade que os dominava à época da pugna.
Egoístas e irrefletidos, não mediram as consequências dos seus atos venais, passando a vincular-se um ao outro através das algemas do ódio, do desforço, que os tornam cada vez mais infelizes.
Arrastam-se, desse modo, por séculos de sofrimentos excruciantes, passando de vítimas a algozes, e reciprocamente, até que o amor lhes acenda a luz da esperança nas sombras onde se detêm e o perdão os torne verdadeiros irmãos na senda evolutiva.
O amor é, assim, o primeiro medicamento para a terapia antiobsessiva.
Abre as portas à esperança e esclarece quanto às sagradas finalidades da vida, proporcionando o perdão que suaviza as dores produzidas pelas ulcerações do ódio. Enquanto persistam o ressentimento e a malquerença, a desconfiança e o rancor, a obsessão permanece como ácido queimando as delicadas engrenagens da casa mental e produzindo as alienações tormentosas.
A mediunidade, por outro lado, é a grande oportunidade que faculta a identificação e a cura das obsessões, porque é através dos seus delicados mecanismos que elas se manifestam e, por eles mesmos, que se podem atender aos agentes indigitados.
O paciente, vítima de obsessão é, certamente, portador de mediunidade, que necessita de conveniente educação, a fim de aplicá-la em finalidades relevantes.
A obsessão é doença grave, mesmo quando se apresenta em quadro simples, em forma de inspiração depressiva ou de morbo que afeta a saúde física. Isso porque impõe a transformação moral do paciente e a mudança emocional do agente que a desencadeia, consciente ou não.
Só há obsessão porque há débito de quem a sofre.
As leis da vida dispõem de recursos elevados para a reeducação dos incursos nos seus códigos de justiça. No entanto, a intemperança e precipitação dos indivíduos, perturbados em si mesmos, levam-nos aos desforços e vinganças, produzindo esses desnecessários processos de sofrimentos.
A mente infeliz, através da monoideia de revide, descarrega ondas de ódio no seu desafeto que, desequipado de recursos morais, tais a vigilância, a caridade, o amor, capta-as pelo campo do perispírito, com o qual aquela sintoniza por afinidade vibratória até transformar-se em ideia perturbadora no seu próprio psiquismo.
De outras vezes, irradia as mesmas deletérias energias e condensa, pela ação da vontade, as suas vibrações, apresentando-se com aspectos terrificadores durante a vigília e o parcial desdobramento pelo sono, e provocando vinculação pelo pavor, que se transforma em patologia alucinante.
Na sucessão de interferências consegue dominar a mente culpada, que se lhe faz submissa, dando curso aos mais graves fenômenos de subjugação, que a ignorância, por muitos séculos, considerou como possessão demoníaca e os cientistas rotularam de esquizofrenia.
Da mesma forma, a constante ingestão psíquica da onda mental enfermiça produz distúrbios orgânicos variados, que facultam a instalação de germes destrutivos da saúde ou provocam, por si mesma, degenerações celulares, ulcerações, disfunções de diversos órgãos.
A desobsessão, por consequência, é a terapia especializada e única possuidora dos recursos para a libertação do alienado.
Mediante o esclarecimento do Espírito enfermo, imbuído da falsa ideia de justiça, dever-se-á dissuadi-lo do infeliz propósito, demonstrando-lhe o erro em que se encontra e induzi-lo à certeza de que o amor de Deus tudo resolve.
Concluída essa tarefa, que exige a interferência de um médium educado – quando o fenômeno da psicofonia atormentada não se dá através do próprio paciente – é indispensável a conscientização da vítima, a fim de que busque a reabilitação por meio de uma mudança de comportamento mental e espiritual, aplicando as técnicas referidas no capítulo da autocura.
Essa reforma moral do obsidiado fará que o seu atual perseguidor constate-lhe o esforço para melhorar-se, demonstrando arrependimento das ações infelizes, e, asserenando o ânimo, torne-se amigo do antigo verdugo, avançando com ele pela rota do bem.
O ministério da desobsessão pode também processar-se além da esfera física, pela interferência dos benfeitores espirituais, quando constatam o esforço da alma para reabilitar-se e auxiliar o seu perseguidor.
Nos processos que afetam o organismo físico, além do recurso espiritual liberativo é conveniente a terapia médica correspondente, para o reaparelhamento orgânico.
Proliferam, também, as obsessões entre os encarnados, graças aos abusos do sentimento, que os levam à vampirização psíquica, gerando distúrbios demorados.
Os desejos perturbadores direcionam petardos mentais que atingem aqueles aos quais são dirigidos, produzindo-lhes estranhas e desagradáveis sensações. Quando são recíprocos, dão curso à interdependência psíquica que afeta tanto a área da emotividade como da organização somática, gerando sofrimento.
Toda forma de obsessão resulta de um inter-relacionamento pessoal interrompido pelas forças negativas da agressividade, do ódio, da traição, do crime ou das expressões do amor em desalinho, que destrambelham os sentimentos.
A desobsessão consiste na interrupção do processo de imantação de ambos os infelizes, porquanto o agressor, embora se considere realizado pelo mal que inflige à sua vítima, padece, por sua vez, de infortúnio e falta de paz.
A criatura é sempre responsável pela própria vida. Somente há desar, obsessão e sofrimento, porque se elegem os comportamentos doentios em detrimento daqueloutros positivos.
Diante das obsessões, constata-se o retorno dos atos inditosos em busca da reparação imediata.
Dissolver os grilhões do mal com as energias poderosas do amor, eis no que consiste a terapia desobsessiva, que libera o ser do sofrimento que a sua incúria gerou, favorecendo-o com a saúde integral, resultado de uma mente em harmonia com a vida, uma organização física em equilíbrio e a emoção como a razão dirigidas para o bem, para o progresso, para a felicidade.
“Se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte dele passe bem.” (KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução – Item XIX – Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão.)