sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Perdoar

Perdoar

Emmanuel


TUDO é perdão, dentro da natureza, a fim de que a vida possa crescer, prosperar, e aprimorar-se, em nome do Senhor.

O sol perdoa o pântano e converte-o em terra proveitosa.

A árvore perdoa a tempestade que a dilacera e torna a a florir para a colheita farta. O chão perdoa o lixo que o avilta e transforma-o em adubo precioso.

O tronco perdoa o serrote que o desarvora e passa à condição de agasalho ou de utilidade geral.

O grão perdoa a mó que o oprime e produz a farinha alva.

A uva perdoa aos pés que a maceram e converte-se em vinho medicamentoso.

O lenho perdoa o braseiro e faz a chama que aquece o lar, dentro da noite fria.

A massa perdoa o calor terrível do forno e transforma-se em pão que enriquece a mesa.

O animal perdoa o homem que o conduz ao matadouro e faz o alimento que lhe apoia a saúde.

Nos fundamentos da vida, tudo é esquecimento do mal com a permanente exaltação do bem.

Sem o espírito de sacrifício não há progresso, como sem renúncia individual não há educação.

Se desejamos colaborar na Obra Divina tomemos nosso lugar no imperativo do perdão e auxiliemos sempre. Desculpar incessantemente é renovar-se para a vida superior.

Não vale arquivar mágoas ou colecionar aflições que sempre acabam instilando em nosso corpo e em nossa alma os agentes da enfermidade ou da morte.

A existência reclama o olvido de toda treva para que o nosso caminho esteja sob o domínio da Luz.

Recordemos o Cristo e saibamos esquecer todas as ofensas e todos os males, porque somente aquele que perdoa de modo integral consegue atingir a necessária e bendita renovação do próprio ser para a vida imperecível.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Escultores de Almas

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Novos dias

Novos dias

Eros



“Doravante, disse Jesus, fica proibido amar com ansiedade de ser amado e servir com a disposição de receber pagamento.

"Os roseirais se debruçarão sobre as janelas das casas sorrindo pétalas exuberantes em participação da felicidade doméstica. E os girassóis darão as costas às ruas e campos onde florescem, esgueirando-se pelas frestas dos lares em festas, porque haverá tanta claridade no reduto doméstico que a estrela Solar será confundida com as constelações luminíferas, que explodirão, irisadas, no ninho familiar.

"Ficará proibido, também, que o bolo da amizade, servido às pessoas, receba o fermento da suspeita.

"A partir de então, já não será necessário que se fale de justiça com as palavras frias dos Códigos humanos. Cada um usufruirá do discernimento com o qual respeitará todos os direitos alheios entregando-se aos deveres que lhe cumpre realizar.

"Não mais haverá sofrimento. E quem sofrer não se envergonhará disso, porque entenderá que toda dor recupera e somente padece quem é devedor.

"A piedade fraternal será transformada em flor de solidariedade que converge em dever sem a necessidade dos estímulos fortes.

"Vicejará a liberdade sem punição. O revel fruirá da bênção de ser livre E lutará, ele próprio. pela reabilitação. Os animais e as aves não permanecerão em jau ias ou gaiolas. O homem estará subordinado às leis do amor, respeitando o seu irmão e todos os irmãos menores do bosque, do deserto e das planuras. E dar-se-á ao bem doravante...

"Os órfãos, os anciãos, os fracos, os enfermos constituirão oportunidade para os aquinhoados com pais, os amparados pelos filhos, os sustentados pela fortaleza, os resguardados pela saúde, o que impedirá a miséria, a vergonha, o abandono, o sofrimento desnecessário.

"O lobo e o cordeiro pastarão juntos", quanto a borboleta e a abelha na mesma flor ou o regato e a fonte misturando as águas, sem guerra nem extermínio.

"Os homens se fitarão nos olhos como as estrelas que se espiam no velário da noite transparente, e o ar balouçando a haste delicada da flor.

"Os sorrisos dos pobres cantarão na melodia da bondade dos ricos, quais palmeiras farfalhantes nos braços da brisa.

"Ninguém a sós... A solidão descerá ao auxílio alheio e a atividade festiva correrá na direção da soledade.

"Ninguém mais chorará os seus mortos, nem lamentará os seus vivos, nem se amargurará com as tristezas... Irromperá uma orquestração de vozes no silêncio da saudade dos que ficaram, encorajando os debilitados. Essas melodias levantarão os enfraquecidos e todos cantarão...

"Doravante, ninguém engane ninguém, pois que se estará enganando a si mesmo, nem minta, nem ultraje, nem persiga mais. Todos se deem as mãos e confraternizem com as rosas, com os girassóis, com as tardes coloridas, com os dias de cinza, com as noites estreladas, com as aves e os animais, e os regatos, e as árvores, compondo um quadro de amor perene, que se faça um perene feriado para o mal.

"Doravante, disse o Senhor, e assim se fará nesses vindouros novos dias. "

Eros por Divaldo Franco do livro:
No Longe do Jardim

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Reencarnação, Lei biológica natural

Reencarnação, Lei biológica natural

Marlene Nobre



O princípio da reencarnação é uma consequência natural da lei do progresso porque, com os retornos sucessivos ao plano físico, o Espírito consegue alcançar a perfeição. Desde o seu estágio nos seres unicelulares, até o momento em que deu seus primeiros passos humanos no Planeta, o princípio espiritual percorreu um longo caminho, construindo seus próprios envoltórios, os sutis e o mais denso; mas ainda tem muito que caminhar, até chegar ao estágio conhecido no mundo cristão como angelitude. Embora tenha adquirido faculdades intelectuais muito desenvolvidas, suas conquistas no campo do sentimento são ainda muito insatisfatórias, situando-o mais próximo de sua natureza animal, com o predomínio do egoísmo, em suas atitudes.

Só a conquista do Amor universal, condensando a caridade no seu conceito mais amplo, poderá libertar o ser humano dos grilhões da carne e fazê-lo feliz.

No século XX, tivemos importantes pesquisadores da reencarnação.

Recordemos os nomes de alguns desses pioneiros.

Hamendras Nath Banerjee, professor da Universidade de Rajastan, na índia, investigou cerca de 1.000 casos de reencarnação, tanto em seu país, como nos EUA, contribuindo com seus trabalhos pioneiros para que ela fosse inserida no campo da pesquisa científica.

O engenheiro Hernani Guimarães Andrade, no Brasil, pesquisou 75 casos de reencarnação, publicando oito deles no livro Reencarnação no Brasil e um em Renasceu por Amor.

Ian Stevenson, professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Virgínia, EUA, tem cerca de 2.600 casos pesquisados, em vários países. Depois de publicar Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação e Cases of Reincarnation em quatro volumes, em que coletou expressivos casos em diferentes países, lançou, em 1997, dois alentados volumes, cerca de 2.300 páginas, Reincarnation and Biology, abordando, especialmente, Marcas de Nascença e Defeitos Congênitos, os quais vão influir muitíssimo, em futuro próximo, nos novos rumos a serem seguidos pela Ciência Médica. Essa importante obra merece um estudo aprofundado de todos os que se interessam em saber qual o verdadeiro significado da vida na Terra. Lamentamos não poder comentá-la, aqui, mas fica o registro para todos os que desejam aprofundar-se no assunto.

Todos esses trabalhos estão a merecer exames apurados por parte dos que fazem Ciência, para que esta não se restrinja aos acanhados compartimentos reducionistas, incapaz de alçar voos mais altos.

Com os Espíritos Instrutores, no século XX, obtivemos informações detalhadas e únicas em todo o mundo, com relação ao processo reencarnatório.

Dada a impossibilidade de descrevê-lo aqui, recomendamos os livros Missionários da Luz e Entre a Terra e o Céu, de André Luiz.

Vamos oferecer, aqui, muito resumidamente, alguns dados sobre este importante processo: um laço do perispírito liga o reencarnante ao óvulo e, a partir da fecundação, ele recomeça a nova existência; do zigoto ao feto, o ser parte de uma única célula, para a extraordinária complexidade multicelular do recém-nascido, passando, nas primeiras semanas, do desenvolvimento embrionário por todas as etapas principais que atravessou, ao longo da filogênese, repetindo-as: ser unicelular, peixe, anfíbio, réptil, ave, e, finalmente, mamífero superior. Esse fenômeno de recapitulação, para o qual os cientistas não têm uma explicação satisfatória, pode ser compreendido se se admite que algo vinculado ao ser vivo conservou a memória de toda a sua história pregressa e repete-a, de forma resumida, durante a ontogênese. Esse algo, é o Modelo Organizador Biológico (MOB), uma das funções do perispírito. Este, para retornar à Terra, necessita deixar a "matéria" do mundo espiritual, tornando-se mais maleável, adquirindo maior plasticidade. Para a reencarnação, dizem os Instrutores, basta o magnetismo dos pais associado ao forte desejo do Espírito reencarnante; este, uma vez ligado ao óvulo, por laços perispirituais, inicia, na concepção, a modelagem do novo corpo, promovendo, automaticamente, através do MOB, a recapitulação das várias fases pelas quais passou na filogênese, adaptando-se, paulatinamente, à matéria física.

Como vimos, o princípio espiritual construiu o corpo humano e seus envoltórios ao longo de bilhões de anos de evolução: "Desde a ameba, na tépida água do mar, até o homem, vimos lutando, aprendendo e selecionando..." .

Foi uma longa caminhada: "Quantos séculos consumiu (o princípio espiritual) revestindo formas monstruosas, aprimorando-se, aqui e ali, ajudado pela interferência indireta das Inteligências superiores?

Acolheu-se no seio tépido das águas; através dos organismos celulares, que se mantinham e se multiplicavam por cissiparidade.

Em milhares de anos, fez longa viagem na esponja, passando a dominar células autônomas, impondo-lhes o espírito de obediência e de coletividade, na organização primordial dos músculos.

Experimentou longo tempo, antes de ensaiar os alicerces do aparelho nervoso, na medusa, no verme, no batráquio, arrastando-se para emergir do fundo escuro e lodoso das águas, de modo a encetar as experiências primeiras, ao sol do meridiano" .

Na descrição dos Amigos Espirituais, "viajou de simples impulso para a irritabilidade, da irritabilidade para a sensação, da sensação para o instinto, do instinto para a razão". E, nessa viagem fantástica, em trânsito da animalidade primitiva para a espiritualidade humana, construiu o cérebro, órgão sagrado de manifestação da mente.

Segundo essas revelações, publicadas no ano de 1947, o cérebro, no homem, evoluiu de modo a constituir-se em um castelo de três andares, que tem nos lobos frontais, no córtex motor e na medula espinhal, elementos importantes de cada uma dessas estruturas. 

Trata-se de um único cérebro que se divide, porém, em três regiões distintas. No primeiro andar, está o cérebro inicial, repositório dos movimentos instintivos; onde moram hábitos e automatismos. É a sede do Subconsciente. Armazém do passado, localiza-se, aí, o porão da individualidade, onde são arquivadas todas as experiências e registrados os menores fatos da vida.

No segundo andar, está a sede das conquistas atuais, representada pelo córtex motor, zona intermediária entre os lobos frontais e os nervos. Nele, localiza-se o Consciente, a possibilidade de manifestação do ser, no atual momento evolutivo, contando, para isso, com duas ferramentas fundamentais - o esforço e a vontade.

No terceiro andar, localiza-se a parte mais nobre do cérebro, representada pelos lobos frontais. Nele, configura-se o Superconsciente, através do qual chegam os estímulos do futuro, com ênfase para o ideal e a meta superior.

Esse modelo é muito semelhante ao do neurocientista Paul MacLean, que assim se expressava: "Somos obrigados a olhar para nós mesmos e para o mundo através dos olhos de três mentalidades muito diferentes", referindo-se aos três cérebros que havia detectado em suas pesquisas.

O livro de MacLean, The Triune Brain in Evolution, traz uma figura esquemática sobre a evolução do cérebro com a seguinte explicação do autor, em 1968: "Em sua evolução, o cérebro humano expande-se seguindo as linhas de três formações básicas que anatômica e bioquimicamente refletem relacionamento ancestral, respectivamente, com os répteis, mamíferos primitivos e recentes. As três formações estão no encéfalo, constituem os hemisférios cerebrais, e os elementos compreendidos do telencéfalo ao diencéfalo".

Com relação à esquizofrenia, as revelações espirituais afirmam que ela tem origem em perturbações sutis do perispírito, que se traduzem, no corpo físico, em um conjunto de moléstias variáveis e, muitas vezes, indeterminadas. 

Os transtornos mentais, quase na sua totalidade, começam nas consequências de faltas graves que o ser humano pratica, tendo por base a impaciência ou a tristeza. Uma vez instaladas no campo íntimo, essas forças desequilibrantes desintegram a harmonia mental.

Como fica a questão da Consciência, neste início do século XXI?

Com os extraordinários avanços da Física Quântica, fica difícil continuar sustentando que o cérebro nos dá consciência, inteligência, e demais atributos.

Sabe-se, hoje, que o observador é necessário, porque ele converte as ondas de possibilidades, os objetos quânticos, em eventos e objetos reais.

Como lembra o professor Amit Goswami, da Universidade de Oregon, EUA, a Física Quântica trouxe três conceitos revolucionários: "movimento descontínuo, interconectividade não-localizada e, finalmente, somando-se ao conceito de causalidade ascendente da ciência newtoniana normal, o conceito da causalidade descendente a consciência escolhendo entre as possibilidades, o evento real" .

Quando coloca esses três conceitos, o professor Goswami argumenta: "se a consciência é um fenômeno cerebral, obedece à Física Quântica, como a observação consciente de um evento pode causar o colapso da onda de possibilidades levando ao evento real que estamos vendo? A consciência em si é uma possibilidade. Possibilidade não pode causar colapso na possibilidade". Foi raciocinando dessa forma que ele abandonou o pensamento materialista com o qual tinha convivido durante 45 anos e abraçou o espiritualismo.

Como bem assinalou Jean Guitton, com a física quântica: "as interpretações objetivistas e deterministas do Universo, conformes ao bom senso, não se podem manter. Que deveremos admitir no lugar delas? Que a realidade "em si" não existe; que ela depende do modo pelo qual decidimos observá-la; que as entidades elementares que a compõem podem ser uma coisa (uma onda) e ao mesmo tempo outra (uma partícula). E que, de qualquer modo, essa realidade é, num sentido profundo, indeterminada." (Deus e a Ciência, p.9)

Assim, a visão materialista do mundo desvanece-se diante dos nossos olhos.

Entramos, definitivamente, na Era do Espírito. Preparemo-nos para uma espiral vertiginosa de novas descobertas, nunca antes imaginadas por nossos espíritos imperfeitos.

Marlene Nobre
do livro: A Alma da Matéria

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O juiz reto

O juiz reto

Neio Lúcio



Ao tribunal de Eliaquim ben Jefté, juiz respeitável e sábio, compareceu o negociante Jonatan ben Caiar arrastando Zorobabel, miserável mendigo.

— Este homem — clamou o comerciante, furioso — impingiu-me um logro de vastas proporções! Vendeu-me um colar de pérolas falsas, por cinco peças de ouro, asseverando que valiam cinco mil. Comprei as joias, crendo haver realizado excelente negócio, descobrindo, afinal, que o preço delas é inferior a dois ovos cozidos. Reclamei diretamente contra o mistificador, mas este vagabundo já me gastou o rico dinheiro. Exijo para ele as penas da justiça! É ladrão reles e condenável!...

O magistrado, porém, que cultuava a Justiça Suprema, recomendou que o acusado se pronunciasse por sua vez:

— Grande juiz — disse ele, timidamente —, reconheço haver transgredido os regulamentos que nos regem. Entretanto, tenho meus dois filhos estirados na cama e debalde procuro trabalho digno, pois mo recusam sempre, a pretexto de minha idade e de minha pobre apresentação. Realmente, enganei o meu próximo e sou criminoso, mas prometo resgatar meu débito logo que puder.

O juiz meditou longamente e sentenciou:

— Para Zorobabel, o mendigo, cinco bastonadas entre quatro paredes, a fim de que aprenda a sofrer honestamente, sem assalto à bolsa dos semelhantes, e, para Jonatan, o mercador, vinte bastonadas, na praça pública, de modo a não mais abusar dos humildes.

O negociante protestou, revoltado:

— Que ouço? Sou vítima de um ladrão e devo pagar por faltas que não cometi? Iniquidade! iniquidade!...

O magistrado, todavia, bateu forte com um martelo sobre a mesa, chamando a atenção dos presentes, e esclareceu, em voz alta:

— Jonatan ben Caiar, a justiça verdadeira não reside na Terra para examinar as aparências. Zorobabel, o vagabundo, chefe de uma família infeliz, furtou-te cinco peças de ouro, no propósito de socorrer os filhos desventurados, porém, tu, por tua vez, tentaste roubar dele, valendo-te do infortúnio que o persegue, apoderando-te de um objeto que acreditaste valer cinco mil peças de ouro ao preço irrisório de cinco. Quem é mais nocivo à sociedade, perante Deus: o mísero esfomeado que rouba um pão, a fim de matar a fome dos filhos, ou o homem já atendido pela Bondade do Eterno, com os dons da fortuna e da habilidade, que absorve para si uma padaria inteira, a fim de abusar, calculadamente, da alheia indigência? Quem furta por necessidade pode ser um louco, mas quem acumula riquezas, indefinidamente, sem movimentá-las no trabalho construtivo ou na prática do bem, com absoluta despreocupação pelas angústias dos pobres, muita vez passará por inteligente e sagaz, aos olhos daqueles que, no mundo, adormeceram no egoísmo e na ambição desmedida, mas é malfeitor diante do Todo-Poderoso que nos julgará a todos, no momento oportuno.

E, sob a vigilância de guardas robustos, Zorobabel tomou cinco bastonadas em sala de portas lacradas, para aprender a sofrer sem roubar, e Jonatan apanhou vinte, na via pública, de modo a não mais explorar, sem escrúpulos, a miséria, a simplicidade e a confiança do povo.

Neio Lúcio por Chico Xavier do livro:
Alvorada Cristã

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