sábado, 29 de novembro de 2025

Serve e caminha

Serve e caminha

Emmanuel



Tempo é doação da Providência Divina.

Tempo, no entanto, pra quê?

Ocasião para agir e servir, aprender e caminhar para a frente, fazendo o melhor.

*

Realmente possuímos a valorosa legião dos companheiros que avançam dificilmente pelas escarpas do trabalho, sob fardos de obrigações que carregam com alegria, entretanto, ao nosso lado, temos uma legião muito mais vasta: - a dos companheiros expectantes.

Traçam planos de elevação.

Querem levantar grandes instituições de benemerência.

Criam sugestões renovadoras para as realizações em andamento, sem se voltarem para os setores da ação.

Confessam a realidade de certos fenômenos com que foram defrontados, como que a convidá-los para o exercício do bem.

Relacionam casos familiares que lhes pareceram graves advertências.

Descrevem sonhos admiráveis com que foram favorecidos.

Comentam as relações sociais de que dispõem, junto das quais recolheram avisos e ensinamentos.

No entanto, em seguida a semelhantes alegações, mostram-se desarvorados e indecisos, esquecendo-se de que é indispensável se desloquem na direção das atividades das quais se ergue o bem aos outros, a fim de que os outros lhes forneçam auxílio no momento oportuno.

*

Quem se encontre imóvel no tempo, recorde que o tempo não para, nem retrocede.

*

Não hesites.

Inicia a jornada do serviço ao próximo, onde estiveres.

*

Faze algo.

Desfaze-te de algum pertence de que mais utilizas, a benefício de alguém com necessidades maiores do que as tuas.

Alivia os obstáculos em que algum enfermo se encontre.

Age em favor de alguma criança sem proteção.

Estende, pelo menos, essa ou aquela migalha de apoio às mães desvalidas.

Afirma-nos o Evangelho que a fé sem obras é morta.

Sonha e mentaliza, mas serve e caminha.

*

Em qualquer crise de existência, conserve a calma construtiva, de vez que os nossos estados mentais são contagiosos e, asserenando os outros, estaremos especialmente agindo em auxílio a nós.

Emmanuel por Chico Xavier do livro: 
Paciência

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Aprendendo a nos amar

Aprendendo a nos amar

Hammed


“Ele respondeu: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. (Mateus 22:37 a 40.)
Em verdade, o exercício da aprendizagem do amor inicia-se pelo amor a si mesmo e, consequentemente, pelo amor ao próximo, chegando ao final à plenitude do amor a Deus.

Esses elos de amor se prendem uns aos outros pelo sentimento de afeto desenvolvido e conquistado nas múltiplas experiências acumuladas no decorrer do tempo em que nossas almas estagiaram e aprenderam a conviver e melhorar.

Muitos de nós nos comportamos como se o amor não fosse um sentimento a ser aprendido e compreendido. Agimos como se ele estivesse inerte em nosso mundo íntimo, e passamos a viver na espera de alguém ou de alguma coisa que possa despertá-lo do dia para a noite.

Vale considerar que, quanto mais soubermos amar, mais teremos para dar; quanto maior o discernimento no amor, maior será a nossa habilidade para amar; quanto mais compartilhá-lo com os outros, mais ampliaremos nossa visão e compreensão a respeito dele.

Iniciamos a conquista do amor pleno pelos primeiros degraus da escada da evolução. No começo, nossas qualidades e valores íntimos se encontravam em estado embrionário e, ao longo das encarnações sucessivas, estruturaram-se entre as experiências do sentimento e as do raciocínio. Quando congelamos a concepção sobre o amor, passamos a enxergá-lo de forma romântica e simplista.

O amor a Deus e aos outros como a si mesmo é noção que se vai desenvolvendo pelas bênçãos do tempo. As belezas do Universo nos são reveladas à proporção que amamos; só assim nos tornamos capazes de percebê-las cada vez mais e em todos os lugares.

Disse Jesus que toda a lei e os profetas se acham contidos nestes dois mandamentos: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Apenas damos ou recebemos aquilo que temos. Quem ainda não aprendeu a amar a si próprio não pode amar aos outros.

Não peçamos amor antes de dá-lo a nós mesmos, pois o amor que tenho é o que dou e o que recebo.

À medida que aprendemos a nos amar, adquirimos uma lucidez que nos proporciona identificar nos conflitos um alerta de que estamos indo na direção contrária à nossa maneira de sentir e de pensar. Quanto mais aprendemos a nos amar, mais nos desvinculamos de coisas que não nos são saudáveis, a saber: pessoas, obrigações, crenças e tudo que possa nos invadir a individualidade e nos prostrar ou rebaixar. Muitos chamarão essa atitude de egoísmo, no entanto deveremos reconhecê-la como o ato de amar a si mesmo.

Quando nos colocarmos a serviço do amor verdadeiro, a autoestima nascerá em nossa vida como valiosa aliada nas dificuldades existenciais.

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Um Modo de Entender - Uma Nova Forma de Viver

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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O sofrimento

O sofrimento

Carlos Torres Pastorino


A mente, quase sempre astuta, herança da viagem antropológica da evolução, elabora mecanismos complicados para evitar ou vencer quando instalado o sofrimento. Essa atitude, sem qualquer dúvida, gera ansiedade, que é, em si mesma, um tipo de sofrimento. Este se manifesta mais intensamente na solidão e no desespero, na perda dos valores éticos e na ausência do autoamor porque transfere a responsabilidade da ocorrência para outros: indivíduos, acontecimentos, sociedades, governos, Deus...

A falta de coragem para o enfrentamento da ocorrência automática do desgaste orgânico ocasiona o surgimento de processos escamoteadores por meio dos quais poderia avançar pelo tempo sem as manifestações inevitáveis do sofrimento.

A sua presença vai além das sensações orgânicas e dos destrambelhos da maquinaria celular, porquanto é mais vigoroso quando de natureza moral, resultado das imposições do egoísmo, do orgulho, do prazer.

*

Porque necessita de distrações para diminuir as tensões da luta em que se empenha, o ser humano transfere as suas aspirações para a posse mesmo por meio do amor. Ter alguém que o ame, mas não necessariamente a quem ame, constitui um reflexo do egoísmo que elabora as correntezas do poder, impondo-se a outrem e dominando-lhe as resistências, a fim de possuir-lhe os sentimentos que, não obstante, encontram-se inalcançáveis, porque se podem libertar após as experiências do convívio, sem que o corpo se afaste das algemas a que se deixou prender. Isso porque há dependências emocional, financeira, sexual, social... O estoicismo que leva à liberdade nem sempre se manifesta nos indivíduos débeis de valores ético-morais. Preferem o sofrimento dourado, a solidão a dois, ou a mais, do que a liberdade a sós. A grande maioria teme a solidão porque lhe parece que é constrangedora e responsável pelo sofrimento, quando a balbúrdia, a multidão, as fugas espetaculares para os gozos individuais ou coletivos tornam-se agentes da situação de dor e de aflição.

Quando se aprende a meditar, a amar, nunca o sofrimento interfere nesse comportamento porque não há ansiedade nem medo. Tudo transcorre em uma esfera indimensional, na qual o tempo e o espaço não são necessários, desde que o pensamento se encarrega de experienciar o bem-estar, preenchendo os vazios internos com solidão ativa e nunca atulhada de preocupações passivas.

*

Culturalmente, o ser humano vem sendo educado para vencer a dor e evitar a sua presença, utilizando-se de recursos que se multiplicam desde os processos preventivos como os curadores, no caso das enfermidades e dos transtornos da emoção ou dos patológicos mais graves... Essa conduta, em si mesma, já constitui uma forma de sofrimento porque proporciona medo e incerteza a respeito da vida e das suas manifestações na área orgânica.

Quando se tornar possível compreender e viver o conhecimento de que somente existe sofrimento porque o Espírito é o seu desencadeador, em razão dos atos que atentam contra os Estatutos Divinos, naturalmente o sentido existencial alterará a sua conduta, proporcionando uma tranquila aceitação desses efeitos malsãos, convertendo-os em bênçãos de equilíbrio para depois. A importância desse entendimento é significativa porque, ao permitir-lhe a presença — do sofrimento —, passa a conduzir-se de forma edificante, não desejando expulsá-lo por meio de drogas ou de cirurgias, ou de métodos alternativos que não remontem às causas, diminuindo apenas os resultados.

*

É certo que esse procedimento exige uma decisão consciente e uma compreensão dilatada em torno da Realidade Superior.

Como psicologicamente a pessoa procura minimizar a dor, quando não a pode evitar, não é justo se lhe cerceiem os passos na busca do que lhe parece mais aprazível e benéfico. No entanto, é válido esclarecer que o atenuar dessa perturbadora sensação, que muitas vezes enlouquece os fracos e pusilânimes, não resolve realmente a questão, porquanto se transferem esses fenômenos para outras oportunidades em que surgirão mais graves e mais dolorosos. Isso ocorre, não raro, quando a velhice domina as carnes antes moças e as forças anteriormente resistentes e desafiadoras. O alquebrar das energias, o desfalecimento da máquina ensejam que esses resíduos que não foram diluídos reapareçam em forma de amarguras, de revoltas, de queixas, de ressentimentos...

Cabe à mente entender que o Universo é perfeito em sua estrutura e tudo quanto nele existe tende a essa perfeição. As experiências evolutivas trabalham para que essa aquisição se opere sem traumas, sem frustrações, sem mutilações internas. Toda vez, porém, que há um ato de rebeldia, que se manifesta uma tendência violenta ou se expressa uma conduta repressiva, abrem-se campos de fixação para as consequências porque fogem ao estabelecido pela Ordem Cósmica.

*

O livre-arbítrio, que favorece o comportamento a desempenhar, as opções de como agir e ser feliz, também opera o determinismo, que é o resultado dessa decisão. Atirada a flecha, o arqueiro não mais a pode deter, por maior velocidade que se imprima por alcançá-la.

Pela constituição cerebral, que avança dos automatismos fisiológicos para os psicológicos e destes para os espirituais, os fenômenos humanos são de natureza primária, melhorando pelo discernimento, pela aquisição da consciência mediante a razão e, sobretudo, pela penetração no campo do Absoluto, seja por intuição, por inspiração, por sintonia, pelo mergulho nas vibrações cósmicas...

A partir dessa etapa, ressumam os sofrimentos conscientes que permaneciam em depósito nas profundezas do inconsciente, necessitando ser conhecidos e vivenciados com amor e compaixão para que ocorra a libertação das suas amarras e dependências.

Todo prazer se transforma em frustração ou desencanto em razão da sua transitoriedade e pelo impositivo de querer tornar eterno o efêmero, que se dilui na razão direta em que mais se busca segurá-lo, qual ocorre com a água retida na mão fechada escorrendo entre os dedos.

A fuga do sofrimento leva a encontros mais surpreendentes em matéria de dor porque ninguém se pode dissociar de si mesmo, a fim de avançar em partes distintas longe da unidade.

*

O ser é uno mesmo quando no corpo ou fora dele. No corpo, ocorre a perfeita integração dos elementos que o constituem e, à medida que se liberta dos envoltórios materiais, prossegue na sua unidade com os vestígios da vivência impregnados nos tecidos muito sutis do perispírito que o transmitem à essência espiritual.

Desse modo, as alegrias — sensações de gozo —, os sofrimentos sensações de dor — estão nas impregnações do corpo modelador da matéria, veículo das sensações e emoções para o Espírito.

O Espírito em si mesmo, esse agente fecundo da vida e seu experimentador, estabelece, de forma consciente ou não, o que aspira e como consegui-lo, utilizando-se do conhecimento de si mesmo, único processo realmente válido para os resultados felizes.

A negação do mundo, sugerida por Jesus, não é a ignorância em torno das sensações mundanas e suas cadeias escravizadoras, senão a superação dos seus impositivos que respondem pelas ocorrências de sofrimento ou de felicidade após a eleição ou rejeição dos seus modelos e propostas.

Eis por que o amor e a consciência do dever constituem meios de identificação com a realidade. O primeiro, porque sempre cresce e aformoseia o ser, tornando-o rico de paz em caminho da plenitude; e o segundo, porque direciona a conduta para a seleção do que deve fazer e o melhor processo pelo  executar, gerando condicionamentos de harmonia, sem remorsos nem culpas.

*

Na Parábola do Semeador ministrada por Jesus, encontramos a proposta do dever e do amor, da consciência e da ação, quando Ele enunciou com naturalidade: “O semeador saiu a semear...”.

Não houve preocupação com o solo, senão com as sementes, porque, por mais que se perdessem, sempre haveria regaço terreno para que se multiplicassem em abundância, compensando o número daquelas que foram atiradas a esmo e não se reproduziram, como também as outras, as que germinaram e se desenvolveram, transformando-se em fartura e abundância, em razão da fertilidade que sempre existe em algum lugar. Semeando-se a esmo, sem cessar, sem pressa e sem angústia de colher, muitos grãos caem em solos abençoados que generosamente as devolvem em número maior do que as acolheram.

Todo investimento de amor tem o mesmo resultado. Quando é semeado sem especificidade, sempre encontra campo próprio para germinar, não respondendo de imediato o que não é importante, mas fazendo-o positivamente com profusão.

Jesus, embora incompreendido no seu tempo, venceu a História, ultrapassou todas as épocas, encontrando-se instalado no mundo e em milhões de mentes e corações que o aceitam, o amam e tentam segui-lo.

*

O sofrimento que experimentou não o afligiu nem o turbou, antes foi amado e ultrapassado, tornando-se mais do que um símbolo, a fiel demonstração de que no mundo somente teremos aflições.

Isso porque as aflições constituem fenômenos normais da maquinaria em que se transita, projetando para a realidade as construções mentais e emocionais edificadas.

A alternativa, portanto, para o sofrimento é a consciência da aceitação, compreendendo que a sua é a função de despertamento para a vitória sobre as vicissitudes e os limites, o impulso para sair das condições deploráveis das falsas necessidades primárias que já deveriam estar ultrapassadas.

Graças a esse entendimento, a mente alça-se a patamares mais elevados, e o ser experiência melhores condições de vida terrena, compartilhando os sentimentos do Amor Eterno que o penetram e fortalecem, de maneira que ultrapassa a temporalidade do limite da reencarnação.

Estar no corpo ou fora dele tem pouco significado, exceto quando, durante a trajetória material, pode operar-se o crescimento íntimo, enquanto que, além dos despojos, cabem-lhe atividades diferenciadas, que são resultados do que houve por bem ensementar enquanto na caminhada orgânica.

*

Dessa forma, o Reino dos Céus encontra-se na Terra, começa entre os caídos e tropeços do caminho, espraia-se pelos horizontes sem fim da imortalidade em um processo de unidade que dificilmente se poderá dizer se, no mundo ou fora dele, dentro, portanto, de uma realidade infinita e inconfundível.

Assim considerando-se a função do sofrimento, toda e qualquer apresentação de dor pode ser convertida em canto de amor.

As terapias que visam à libertação dos sofrimentos possuem grandiosa validade que, no entanto, não podem nem devem impedir que sejam erradicadas nas suas raízes aquelas causas que os geraram.

Carlos Torres Pastorino por Divaldo Franco do livro:
Impermanência e imortalidade

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A trama de ações e reações na vida humana

A trama de ações e reações na vida humana

J. Herculano Pires


Problema intrigante para muita gente é das ações e reações de indivíduos e de grupos humanos em face da teoria do livre-arbítrio. Há quem não consegue entender essa duplicidade contraditória, perguntando como podemos ser responsáveis por atos que já estavam determinados em nosso destino. Fala-se no Karma, palavra indiana de origem sânscrita, como de um fatalismo absoluto a que ninguém escapa. A palavra Karma não pertence à terminologia espírita, mas infiltrou-se no meio espírita, através das correntes espiritualistas de origem indiana por dois motivos: o seu aspecto misterioso e a vantagem de reduzir ao mínimo a expressão lei de ação e reação. Não há nada de prejudicial nessa adaptação prática de uma palavra estranha, cujo conceito se adapta perfeitamente à expressão espírita. O prejuízo aparece quando certas pessoas pretendem que a palavra mantenha entre nós o seu significado conceitual de origem, modificando o sentido do conceito doutrinário. Segundo o Espiritismo, ação e reação dependem da consciência. A responsabilidade humana decorre das exigências conscienciais e está sempre na razão direta do grau de desenvolvimento consciencial das criaturas. Por outro lado, esse desenvolvimento depende das condições de liberdade e do grau de opção de que as criaturas dispõem. Justamente por isso o problema, que parece simples à primeira vista, torna-se bastante complexo quando o examinamos.

Nas fases inferiores da evolução, em que o princípio inteligente passa por ações e reações destinadas a desenvolver as suas potencialidades, a ação da lei é natural automática. Não existe ainda a consciência individual coletiva responsável; nas fases seguintes, até ao plano dos animais superiores e dos antropoides, a consciência está ainda em formação; mas ao iniciar-se a humanização. quando o espírito recebe, segundo a bela expressão de A Gênese, de Kardec — quando Deus põe o seu selo na fronte do indivíduo, com a auréola da Razão — este e o grupo começam a assumir a responsabilidade dos seus atos e pensamentos. Este princípio não se refere apenas a essas fases iniciais, mas estende-se a todo o desenvolvimento, humano, como vemos em diversas passagens evangélicas, como na resposta de Jesus aos fariseus: "Até agora dissestes não saber e não tínheis pecado, mas agora dizeis saber e subsiste o vosso pecado." E como no caso da mulher adúltera, em que ninguém atirou a primeira pedra para a sua lapidação. Dessa maneira, parece-nos fácil a compreensão do problema. Quem faz, sabendo que faz, é responsável pelo que fez. Quem faz por instinto, automatismo, compulsão inconsciente ou condicionamento social não tem responsabilidade pelo que fez ou pelo menos tem a sua responsabilidade atenuada. Por outro lado, as compulsões determinada pelo passado nem sempre são fatais, podendo ser atenuadas ou mesmo eliminadas pelo comportamento favorável dos responsáveis na vida 'atual. Dessa maneira; não há contradição, mas sequência e equilíbrio entre o fatalismo das consequências anteriores e a liberdade atual do indivíduo ou grupo. E a própria responsabilidade coletiva não é massiva, distribuindo-se o efeito na medida exata das responsabilidades individuais de cada um de seus componentes. Há ainda o problema do fatalismo voluntário, decorrente do pedido de espíritos culpados de passarem pelo que fizeram aos outros. Nesses casos, a consciência pesada do indivíduo ou do grupo só pode aliviar-se com a autoimolação dos culpados. Com isso desaparece a falsa teoria da Ira de Deus e da vingança divina provinda de épocas de obscurantismo e de concepção extremamente antropomórfica de Deus. A Justiça Divina, segundo a concepção espírita, não é ditada por um tribunal remoto e de tipo humano, mas exclusivamente pela consciência do réu. E ele mesmo quem se condena, no tribunal especial instalado em sua consciência. Por isso, enquanto essa consciência não está suficientemente desenvolvida, a punição tarda, mas quando ela atinge o grau necessário de responsabilidade a punição se manifesta de maneira rigorosa.

Como pode uma criança inocente; pergunta-se às vezes, ser condenada por Deus a morrer esmagada num acidente? Primeiro temos de lembrar que a criança não é inocente, mas está vestida com a roupagem da inocência como observou Kardec. Depois, é preciso lembrar que o homem responsável pelo ato de brutalidade em que esmagou uma criança no passado, sob o amparo de legislação humana, sente a necessidade de sofrer uma violência correspondente, para livrar a sua consciência do peso que a esmaga e que o impede de continuar avançando em sua evolução. Os familiares da criança são participes do crime do passado e pagam a sua cota de responsabilidade com o mesmo fim de se libertarem. Aquilo, pois, que parece uma atrocidade divina, não passa de uma imolação em grupo, determinada pelas próprias consciências culpadas. Mas há também imolações voluntárias e sem culpa que as justifique, pedidas por espíritos que desejam socorrer criaturas amadas que se afundam nas ilusões da vida material, necessitando de um choque profundo que as arranque do caminho do erro, onde acumulam consequências dolorosas para si mesma. São atos sublimes de abnegação e de amor, que elevam o espírito abnegado e abrem novas perspectivas para os que sofreram o que, em nossa ignorância, chamamos desgraça determinada pela impiedade divina. Os responsáveis pelo acidente responderão por sua culpa no tribunal de suas próprias consciências.

Os Espíritos falam em contabilidade divina, registros e fichários especiais do mundo espiritual, para nos darem uma ideia humana da Justiça Suprema, mas essa Justiça não precisa dos nossos recursos inseguros e falhos. A mecânica de ações e reações é processada subjetivamente em cada um de nós e o fichário de cada qual está visível nos registros da memória de cada um, inscritas de maneira viva e ardente nos arquivos da consciência subliminar a que se referia Frederic Myers. Não há organização mais perfeita e infalível do que essa. A misericórdia divina manifesta-se nas intervenções consoladoras e nos socorros dispensados aos sofredores para que possam suportar os seus pesados resgates. Mas por que toda essa complicada engrenagem, se Deus é onipotente e onisciente? Não poderia Ele, no seu absolutismo total, livrar as criaturas desse trânsito penoso pelos caminhos da evolução, fazendo-as logo perfeitas em ato? Essa objeção comum, provinda dos desesperados ou dos materialistas, provêm da ideia falsa do mundo como uma realidade mágica, produzida por Deus no simples ato oral do fiat. A complexíssima estrutura da realidade, em suas múltiplas dimensões cósmicas, devia ser suficiente para mostrar-nos quanto ainda estamos longe de compreender Deus. Certamente não seriamos nós, criaturas do seu amor, em fase embrionária de desenvolvimento espiritual que iríamos perceber agora o que Ele sabe desde todos os tempos. Temos de revisar os nossos ingênuos conceitos de Deus, gerados pela nossa pretensão e as nossas superstições. Se Deus pudesse fazer tudo mais fácil, com a destreza inconsequente de um malabarista que tira coelhos da cartola, é evidente que já seriamos há muito tempo anjos, arcanjos e serafins, revoando felizes e inúteis nas regiões celestiais. Indagar como e por que motivo Deus não age como um malabarista é simplesmente revelar a extensão da nossa ignorância. Como podemos conhecer os problemas divinos, se ainda não conhecemos sequer os humanos?

Mas podemos imaginar o seguinte, a partir de certas concepções contemporâneas, como a teoria do físico inglês Dirac sobre o oceano de elétrons livres em que o Cosmos estaria mergulhado, a da luz infravermelho de que o Universo teria surgido, segundo físicos russos, a teoria do Deus-Éter, de Ernesto Bozzano, e, por fim, a que nos parece mais aceitável, a tese de Gustav Geley, ex-presidente do Instituto de Metapsíquica de Paris, sobre o dínamo-psiquismo-inconsciente que impulsiona todas as coisas do inconsciente ao consciente, sendo este o título do seu livro a respeito. Deus poderia ser interpretado, à luz dessa teoria, como a Unidade no Inefável da intuição pitagórica ou o Eterno Existente e Incriado da concepção budista. O dínamo-psiquismo de Geley explicaria, no caso, o estremecimento inexplicável da Unidade que desencadeou a Década, estruturando o Universo. O dínamo-psiquismo-inconsciente de uma realidade estática teria atingido o consciente, num tempo remoto em que a Consciência Única é Suprema surgiria na solidão do Caos, gerando por sua determinação consciente e sua vontade a estrutura do Cosmos, com todas as leis que o regem. Consciência Única e Suprema, seria a Inteligência Absoluta da concepção espírita, criadora de todas as coisas e todos os seres. Essa Ideia de Deus supriria as lacunas lógicas do processo da Criação, conservando-lhe todos os atributos. Ao mesmo tempo, a mitologia antropomórfica e absurda do Deus das igrejas desapareceria, sendo substituída por uma hipótese científica de força e matéria unificadas na mão de uma Consciência Cósmica não pessoal. Claro que esta não seria a solução do problema que ninguém pode resolver por conta própria, mas uma tentativa de equação nas bases científicas do nosso conhecimento atual... Resta sempre uma dúvida insolúvel. Se Deus realizou-se na evolução comum de todas as coisas e seres, quem estabeleceu essa lei evolutiva e quem criou, antes de Deus o Inefável e o dínamo-psiquismo-inconsciente?

A questão é solipsista, tautológica, girando sempre em torno de um ponto único de que não podemos sair. O que prova a nossa total impossibilidade, em nosso estágio evolutivo atual, de conseguir resolvê-la. E o Espiritismo a coloca nos devidos termos, ao dizer que só chegaremos à sua solução quando avançarmos o suficiente na escala evolutiva. Temos de subir a pianos ainda muito distantes de nós para chegarmos a vislumbrar a verdade a respeito. De qualquer maneira, entretanto, temos de colocá-la, para mostrar que o Espiritismo não endossa as absurdas concepções teológicas, nem os mistérios absolutos que regam a percepção dos enigmas metafísicos. Deus espera a nossa maturação espiritual para nos revelar o que agora não podemos entender. Somos filhos e herdeiros de Deus e toda a Verdade ,nos espera nas supremas dimensões da Realidade Universal, de que conhecemos apenas uma reduzida parcela. Por outro lado, não podemos admitir que, a pretexto de nossa impotência atual, os supostos agraciados com uma sabedoria infusa nos imponham como verdades reveladas suas conclusões dogmáticas sobre problemas inconclusos.

A posição espírita é a única aceitável atualmente: Deus existe como a Causa Inteligente do efeito inteligente que é o Todo Universal, e por este efeito podemos avaliar a grandeza da Causa. Esta é a conclusão a que podemos chegar e a que Kardec chegou muito antes de podermos dispor dos recursos atuais das Ciências.

A existência de Deus é aceita como a maior e mais poderosa realidade com que nos defrontamos e que não podemos negar sem cairmos na situação ilógica de quem pretende negar a evidência. A colocação do problema por Kardec, baseado nos diálogos com os Espíritos Superiores, prova ao mesmo tempo a grandeza conceptual do Espiritismo, a firme posição científica e filosófica do Codificador, a elevação intelecto-moral dos Espíritos que o assistiram e a capacidade espírita de enfrentar racionalmente todos os problemas do homem e do mundo. Graças a isso, o Espiritismo se apresenta em nosso tempo como aquela síntese superior do Conhecimento Humano a que Léon Denis se referiu em O Gênio Celta e o Mundo Invisível.

A trama das ações e reações na vida humana, que determina a extrema variedade dos destinos individuais e coletivos, não pode mais, diante dos princípios comprovados da doutrina, ser considerada como ocorrência de fatores ocasionais, aleatórios, que pudessem escapar das leis naturais que regem a totalidade cósmica em todas as suas minúcias, desde as simples amebas até às galáxias no Infinito. A ordem rigorosa dos eventos em todos os planos da realidade, as supostas lacunas que a pesquisa científica preenche, mais hoje, mais amanhã, descobrindo que pertencem a conexões ainda não conhecidas, as particularidades que confirmam a existência de uma estrutura sutil regendo ações e movimentos por toda parte, evidenciam a presença de uma inteligência vigilante e atenta. A Cibernética e a Biônica demonstraram quanto temos de aprender com a Natureza no tocante aos organismos animais. Seria estranho que nessa maravilhosa estrutura macro e micro refinada, as ações e reações da vida humana fossem esquecidas à margem. Por outro lado, o livre-arbítrio do homem não é apenas resguardado, mas também protegido e incentivado pelas responsabilidades que sobre ele se acumula sem cessar. Tudo é importante e significativo no caleidoscópio universal. Cada ação, sentimento, pensamento e anseio das criaturas humanas pesa na balança de todos os destinos. E isso se comprova diariamente na vida particular e na vida coletiva dos homens.

Não vivemos por viver, mas para existir na transcendência.

J. Herculano Pires do livro:
Curso Dinâmico de Espiritismo - O Grande Desconhecido
José Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, como bem definiu Emmanuel, apresentou na Rádio Mulher de São Paulo o programa: No Limiar do Amanhã, constituído por aulas de Doutrina Espírita. 
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- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
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- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.