quinta-feira, 14 de maio de 2026

Auxílios invisíveis

Auxílios invisíveis

Hammed


“O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente na terra: ele dorme e acorda, de noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele saiba como. A terra por si mesma produz fruto: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, a espiga cheia de grãos”. (Marcos, 4:26 a 28.)
Nem sempre conseguimos perceber com lucidez os auxílios espirituais que recebemos de Mais Alto. No entanto, nossa existência é controlada por uma Fonte Divina, perfeita e harmônica, cuja única intenção é a evolução das almas.

O que nós conhecemos não é a realidade, mas o que a nossa instrumentalidade pode perceber sobre ela. A plenitude da realidade é muito maior do que a ideia ou imagem que concebemos do mundo.

Podemos definir como “míope espiritual” aquele que toma a parte pelo todo e impõe a si e aos outros essa parte como sendo o todo.

Da mesma forma que não podemos calcular com precisão, e de modo consciente, os benefícios da respiração, da água, dos alimentos e das energias da Natureza em nossa vida orgânica, igualmente não nos damos conta dos benefícios da movimentação desencadeada pelos processos transcendentais que nos alcançam a vida íntima.

O Criador, Guardião de tudo o que existe, Artífice da máquina da vida, nos protege de forma contínua, suprindo-nos interna e externamente, quer reconheçamos, ou não, como verdadeira a Vida Providencial.

Na vida física, a criatura se desenvolve sem notar precisamente como ocorre esse fenômeno invisível em seu cosmo orgânico. 

Do mesmo modo, espiritualmente, progredimos e amadurecemos sem perceber como se processam os insights, isto é, a clareza súbita na mente, ou os saltos evolutivos promovidos no interior de todas as coisas e seres viventes.

Jesus de Nazaré se reportou a esse respeito, afirmando: “O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente na terra: ele dorme e acorda, de noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele saiba como. A terra por si mesma produz fruto: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, a espiga cheia de grãos”.  (Marcos, 4:26 a 28.)

Não podemos acreditar que somos “órfãos do Universo”.

Podemos chamar Deus de Providência, uma vez que o seu pensamento é que provê o espaço cósmico; podemos também intitulá-lo de Destino, pois Ele é a Causalidade Excelsa; igualmente podemos denominá-lo de Natureza, visto que tudo nasce de seu Psiquismo Criador.

Quando cremos que os auxílios invisíveis fazem parte de nossa existência, desenvolvemos o potencial de religiosidade – encontrar Deus em nós – e saímos das nossas zonas de conforto para níveis de consciência cada vez mais amplos e elevados.

No campo da fisiologia, o termo homeostase foi criado para definir o processo autorregulador pelo qual um organismo se mantém num adequado e constante ponto de equilíbrio.

É um mecanismo de proteção ou de compensação que o corpo físico dispõe para equilibrar as diversas funções e composições químicas internas, a saber: pressão arterial, temperatura corporal, pulsação cardíaca, taxa de açúcar no sangue e outras tantas.

Tomemos como exemplo a temperatura. Uma das funções da pele é ajudar a conter qualquer disposição do corpo de ficar demasiado quente ou frio.

O principal regulador da temperatura corporal acha-se localizado no cérebro (no hipotálamo). Ele possui termostatos para registrar a elevação e a queda da temperatura.

Ao menor sinal de excesso de calor, acelera-se a circulação do sangue na pele, e o calor dos órgãos internos se transporta para os pequenos vasos sanguíneos, abaixo da pele, ali se desfazendo.

O mesmo termostato estimula a atividade das glândulas sebáceas localizadas no fundo do tecido subcutâneo. O suor secretado pelas glândulas sudoríparas é destilado pelos poros através da transpiração, evaporando-se ao contato com o ar exterior, e isso proporciona um resfriamento eficaz.

Podemos traçar um paralelo entre o princípio da homeostase existente no organismo humano com o processo autorregulador atuante na estrutura da psique.

No inconsciente, o Self, arquétipo central que tem a função de unificar, reconciliar e reequilibrar todo o governo psíquico, mantém, de modo semelhante, uma sabedoria instintiva que pode corrigir desacertos e excessos da consciência, equilibrando-a e protegendo-a dos perigos da alienação.

Como psicólogo e psiquiatra, Jung foi quem melhor soube entender e respeitar a providencialidade do auxílio invisível que a tudo apoia e equilibra.

Jung colocou no centro de todo processo psicoterápico o princípio do “poder atuante e autônomo do inconsciente”. Em virtude disso, entendemos que a autêntica psicoterapia nada mais é do que “saber escutar e acompanhar” o outro, com ouvido empático, interpretando as manifestações e possibilidades oferecidas pelo poder criativo e atuante do próprio inconsciente.

Fazendo uma analogia da teoria do “poder criativo e autônomo do inconsciente” com os nossos conceitos, poderíamos interpretá-lo como “a onipresença e a onipotência de Deus em nós”.

Com muita propriedade disse Cristo Jesus: “Em verdade vos digo: se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: transporta-te daqui para lá, e ela se transportará, e nada vos será impossível”. (Mateus, 17:20)

A fé de que se fala aqui é a entrega incondicional aos desígnios de Deus. Essa fé não se limita à esfera religiosa, não se identifica com estudos teológicos e eclesiásticos e não se deixa restringir a nenhuma igreja ou seita. Ninguém possui o monopólio dessa fé, uma vez que ninguém pode viver sem ela.

O auxílio invisível chega a todos nós com a mesma sutileza com que os raios do sol fazem aparecer o dia. Justos e injustos recebem invariavelmente o suprimento divino, e ele desce imperceptível sobre as criações e as criaturas como um orvalho fecundo e fundamental à nossa vida de Espíritos imortais.

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Um Modo de Entender - Uma Nova Forma de Viver

Curta nossa página no Facebook:

Declaração de Origem

- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
- As postagens dão indicação de origem e autoria. 
- As imagens contidas no site são apenas ilustrativas e não fazem parte das mensagens e dos livros. 
- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.


Desprendimento pelo sono

Desprendimento pelo sono

Joanna de Ângelis



Sonhos — Visitas entre Espíritos

Dentre as soberanas concessões que a Divindade faculta ao Espírito reencarnado, na Terra, ressaltam o sono fisiológico reparador e os sonhos, que constituem verdadeiros refrigérios, funcionando como lubrificantes eficientes nas engrenagens da maquinaria física e psíquica. Consequência natural da “lei de trabalho”, mediante a qual o Espírito como o corpo se nutrem do indispensável à preservação da vida, conforme os padrões da Natureza, que faz do trabalho uma necessidade, e, quando este alcança o “limite das forças”, impõe o repouso, que se toma, igualmente, um direito fundamental.

No quadro estabelecido para as necessidades do repouso, o sono se revela como dos mais úteis reconstituintes, graças à diminuição da atividade das peças orgânicas, que modificam o curso, em decorrência da queda de ação física, que lhes minimiza o desgaste de forças e cujo impositivo de renovação se faz menor. Simultaneamente, faculta aos centros da consciência e depósitos da memória um descanso, em cujo período se recompõem os painéis e se reorganizam os núcleos de coleta de dados excessivamente acionados durante a lucidez. As peças da maquinaria física então se refazem e se reajustam, restabelecendo no metabolismo uma equilibrada troca de energias e de fatores na manutenção da nobre aparelhagem somática, por meio da qual a alma se educa e cresce para as funções que deve desempenhar.

Sendo, de alguma forma, a reencarnação uma espécie de exílio para a alma, exceção feita aos que jazem no letargo da ignorância, e que não se dão conta das múltiplas vicissitudes em que se envolvem, automaticamente renascendo noutro corpo, mesmo quando na condição de missionários do amor, da caridade e da sabedoria, aquela anseia por liberar-se do corpo que a semi-imobiliza, quanto alguém que, sofrendo em algemas, anela pela liberdade dos movimentos com a força relativa aos impedimentos a que se vê constrangido.

Como, porém o Espírito nunca se demora sem agir, quando ocorre o fenômeno do sono e se afrouxam os liames que o prendem ao invólucro corporal, funcionando este sem a necessidade da sua permanência, desloca-se, atraído pelas poderosas correntes de interesse que o prendem às vibrações que cultiva, sendo levado, compulsivamente, aos lugares onde se compraz em permanecer.

Todos os homens sonham, mesmo quando não se recordam ao recobrar a lucidez mental, no ato de despertar. Ninguém suportaria a vilegiatura no corpo, se não fruísse desses interregnos abençoados, nos quais se volvem ao passado, reatando ligações de afetividade, evocando reminiscências queridas, restabelecendo acordos de elevação e liberdade... Outrossim, nesses estados retempera-se o ânimo, na comunhão com os Protetores Espirituais que aguardam a criatura no Além, bem como os amores que a seguem com carinho entre as expectativas dos seus triunfos e dos receios de malogros, que tudo fazem por impedir, já que retardariam os cometimentos felizes em tais programações para o futuro.

No estado de repouso físico, o Espírito recobra o controle das potencialidades, podendo, não somente recordar o passado, como algumas vezes, dependendo do seu estado de maior ou menor evolução, penetrar nos arcanos do futuro, graças às percepções que se lhe acentuam, conseguindo adentrar-se na informação dos acontecimentos mais ou menos delineados...

Quem transite em estreito passo ou mergulhado em densa névoa, muito deficiente terá a visão do que se encontra a distância, diferentemente daquele que se movimente no campo largo, em região alta, em dia claro.

O corpo restringe a capacidade de discernimento, na razão da sua própria estrutura. Quanto mais grosseiro em sua função reparadora, menores se fazem as possibilidades de vislumbres para o ser encarcerado.

Outrossim, nos desprendimentos naturais e parciais facultados pelo sono, o ser reencarnado se comunica mais facilmente com os Espíritos, dos quais recebe instruções e diretrizes que o auxiliam na escalada evolutiva. Pode melhormente desnudar os problemas e revelar as apreensões angustiantes que o atemorizam, recebendo palavras de conforto e esclarecimento com as quais firma propósitos de ascensão, admitindo de bom grado as rudes provações por conscientizar-se de que, da boa condução delas, pode retirar valioso proveito para si e para aqueles que lhe são o tesouro querido. Participa de reuniões de elevado teor, ouve aulas de cultura nobre, inteira-se de planos superiores que logo mais se corporificarão no mundo, instrui-se em conferências momentosas, em que os temas de atualidade são enfocados sem as paixões de seitas, nem de grupos, de interesses personalistas nem mesquinhos, adestra-se para voos mais altos e difíceis.

Pode-se mesmo asseverar que o sono é uma forma de prelúdio da morte, tal a mobilidade que, conforme a sua condição de desprendimento moral, o Espírito pode desfrutar.

Em contrapartida, os Espíritos mais embrutecidos pelas paixões dissolventes, no estado de emancipação parcial, deixam-se arrastar às regiões inferiores onde fixam os seus ideais mais grosseiros, de que fruem as sensações mais brutalizantes, vivendo as alegrias desordenadas que decorrem dos gozos selvagens ou as apreensões torturantes das falsas necessidades que agasalham com volúpia enlouquecedora. Comumente explorados por outros Espíritos inferiores que se lhes afinizam pelo estreito conúbio das permutas de idiossincrazias infelizes, defrontam-os e receiam-os, transmitindo ao cérebro em forma de sonhos extravagantes, de pesadelos hórridos os receios e fugas que empreendem, em tentativas de se libertarem vãmente dos comparsas desencarnados. A mente é o centro de atração e repulsa que irmana ou desprende aqueles com os quais alguém se afina pelo processo da similitude ou não de cogitações.

A larga faixa dos que se demoram anestesiados pelo imediatismo das expressões sensoriais, com dificuldade recobra a lucidez, demorando-se mergulhados no denso e tóxico vapor que exalam das viciações e vinculações subalternas, padecendo as injunções obsessivas, sem que a consciência registre as lembranças desses encontros espirituais, tal a inconsciência que desses infelizes se apossa, quando adormecem.

Os que vivem submissos aos vícios perturbantes são conduzidos pelos compares desencarnados aos submundos das misérias morais, aos baixos redutos de teor vibratório pestilencial, onde mais se encharcam da psicosfera carregada, que os amolenta e vence, criando neles, fixando ou reacendendo os impulsos que os levam a buscar os seus equivalentes humanos, quando volvem ao corpo. Nesses cometimentos sofrem hipnose bem urdida por aqueles que os dominam e pretendem prosseguir utilizando-se das suas fraquezas de caráter em obsessões formidandas, vampirizações escorchantes e aniquiladoras... Defrontam ali os que lhes são antipáticos, porque o amor como o ódio extrapolam-se, dentro do conceito de que “os extremos se tocam no infinito”, atraídos pela animosidade que os vitaliza durante as horas de lucidez física.

Tal o comportamento nas atividades físicas, qual seja a ocorrência no desdobramento pelo sono, em razão de os fulcros de interesses conduzirem sempre os que se detêm a construí-los, a lugares em que se estabelecem.

Naturalmente, que, em decorrência do tipo de atividade que o Espírito executa durante o sono, o corpo lhe sofre a influência, deixando de ser, nessas ocasiões, uma forma de repouso e refazimento, para tornar-se um modo de exaustão e desgaste, considerando que a relativa emancipação da alma não se dando, esta lhe transmite as sensações, emoções, traumatismos e pavores que perturbam a renovação que se buscava.

Há milhões de criaturas que se dizem mais cansadas quando despertam. Isto é perfeitamente razoável, graças ao comportamento vivido no período de desprendimento das amarras orgânicas.

Imprescindível que, precedendo o momento do sono natural, que é de vital importância, o homem se arme dos pensamentos salutares e das disposições superiores que o colocam em faixa vibratória impeditiva aos ataques dos levianos desencarnados, sempre à espreita de ociosos e negligentes quanto eles mesmos e que se comprazem nos intercâmbios prejudiciais de que se nutrem, se divertem e mais se infelicitam. É claro que a melhor e mais eficiente precaução resulta da boa conduta, da vida mental equilibrada, dos propósitos edificantes acalentados. No entanto, absorvido pelos deveres e sucumbido ante as tribulações do cotidiano, restam-lhe os intervalos da oração, das leituras refazentes, das meditações e reflexões renovadoras nas quais se haurem forças para recompor os passos equivocados, recomeçar os serviços interrompidos, dispor-se aos novos empreendimentos de santificação.

Naqueles que se adestram pela vida mental e moral para os problemas do Espírito, a lucidez se faz de tal porte sem jaça, que conseguem, visualizando as ocorrências futuras, guardar a lembrança nítida do estado espiritual e os sucessos ocorridos. João, em Patmos, convocado por Jesus, através do desprendimento pelo sono, anotou a visão dos acontecimentos futuros da Humanidade, mediante os símbolos que lhe foram apresentados, oferecendo aos estudiosos de todos os tempos a insuperável mensagem do Apocalipse.

Os sonhos premonitórios atravessaram os séculos anunciando os fatos porvindouros que os tempos confirmaram sem margem a dúvidas ou equívocos.

José, no Egito, decifrou os sonhos do Faraó, mesmo no cárcere, que prenunciavam abundância e desgraças para o país.

Advertido por um anjo, enquanto dormia e sonhava, José da Galileia conduziu o menino Jesus ao Egito e o trouxe de volta oportunamente, sob a intervenção da mesma veneranda Entidade...

Quantos outros sonhos, precognitivos exuberantes, prenunciando glórias e êxitos, tragédias e horrores!?. . .

A Grécia já considerava a Terra como sendo “A mãe dos sonhos”. Virgílio reportou-se aos sonhos, na Eneida, e chegou a afirmar que os legítimos como os falsos transitavam por duas portas distintas do Hades...

Homero, nos seus poemas, asseverava que os sonhos seriam mensagens de Júpiter.

No Egito antigo afirmava-se que os sonhos procediam de mensagens de Isis e a Babilônia guardou memoráveis páginas em torno dos sonhos premonitórios na epopeia de Gilgamés.. .

Caldeus e chineses divisavam nas revelações oníricas a interferência dos antepassados...

Ocorre, normalmente, que à visão descortinada, no estado de desprendimento da alma, se somam às imagens arquivadas na memória, produzindo, quando da volta ao corpo, um estado de confusão e desordem que nenhuma lógica apresenta.

Uma metódica disciplina mental logra resultados positivos, impedindo que as coisas do dia a dia interfiram nas paisagens penetradas durante o período dos sonhos.

Daí a ocorrência dos sonhos meramente fisiológicos, em que a supremacia das ideias e fatos arquivados no inconsciente assomam poderosos à consciência, em estados alucinatórios, que, inclusive, atingem a alma, perturbando-a, igualmente. Neste capítulo, podemos incluir os que são de natureza sexual, nos quais, ao império da libido desordenada, se desdobram os núcleos da vontade permissiva e os anseios mal sopitados momentaneamente se fazem realidade na esfera da imaginação...

À Psicologia Experimental, à Fisiologia do sistema nervoso e à Psicanálise têm cabido o estudo dos estados oníricos.

Os filósofos que lhe deram explicação como simulacros produzidos pelo inconsciente que retira as impressões de fatos e objetos existentes, têm-se utilizado do empirismo no estudo dos sonhos.

Entre os mais antigos apologistas dessa ideia, figuram Epicuro e Demócrito que deram as linhas iniciais para os filósofos do futuro, variando de conceito, não, porém, de identidade de pensamento. Foi, no entanto, com Descartes, que os sonhos passaram a ser melhor pesquisados. Hobbes acreditava que eram resultado de estímulos orgânicos que alcançavam o cérebro, mantendo-o em atividade, não obstante o sono...

Os conceitos têm sido múltiplos e de variada gama. A partir de Freud, todavia, tem-se procurado encontrar os motivos psicológicos, os conflitos íntimos, as tendências que não se expandem como forma de explicação para os sonhos. Através desses, pode-se fazer uma análise do indivíduo, das suas repressões e conflitos, que em lucidez não exterioriza, por causa da inibição.

Dessa forma, o sonho seria o resultado de um desejo insatisfeito e recalcado.

São conclusões válidas, embora não devam ser levadas a rigor.

Certo é que durante o desprendimento pelo sono físico muitas almas se intercomunicam, prognosticando acontecimentos que lhes dizem respeito, e, “a posteriori”, se confirmam. O mesmo ocorre no momento da desencarnação, quando o paciente, recordando-se de alguém, se projeta pelo espaço numa tentativa de comunicação, que redunda, não raro exitosa, através do seu aparecimento àqueles, utilizando-se de sinais vários...

Nem sempre, porém, os sonhos se referem a acontecimentos da vida física, razão por que não se lhes deve atribuir maior importância.

Mais estreitamente vinculados aos compromissos do Espírito, muitas das suas ligações se prendem à vida espiritual, sucedendo que aconteçam na órbita própria, ao invés de no campo das formas.

O esquecimento dos conselhos, advertências, lições que se recebem no estado de sonho, de forma alguma tornam aqueles 'inúteis, porquanto realizam o seu papel de predispor, harmonizar intimamente, demorar fortalecer a alma para que esta se possa desincumbir com maior segurança dos compromissos assumidos para com a vida.

As múltiplas lições que se fixam no período infantil e adormecem no esquecimento aparente, servem de base para a estruturação do processo educativo. O mesmo fenômeno sucede em relação aos sonhos de que se não recordam os homens. Desempenham seu papel no momento próprio e na finalidade para a qual foram facultados.

Todo estado de semiadormecimento, em que os sentidos físicos se entorpecem, faculta o desprendimento parcial da alma, que muito anseia por arrebentar as cadeias que a algemam ao corpo. Conforme os largos ou estreitos vínculos daquela com este, mais fáceis ou penosos se fazem os processos de emancipação lúcida. Nesses estados intermediários entre a lucidez física e o sono total, a alma vê além do corpo e figurações, paisagens, pessoas que se estampam na tela mental com claridade, bem delineados. É esta uma forma de clarividência em que a alma rompe os liames corporais e percebe além das constrições físicas. É um momento — prelúdio de sonho.

Graças aos desprendimentos pelo sono nos quais a alma se movimenta com mais facilidade do que no corpo, tem ela uma recordação da sua existência de Espírito e uma prova da sua independência à matéria, em que pode atuar, locomover-se sem a necessidade dos fracos órgãos que lhe emprestam as lerdas atitudes físicas. Durante o sono a vida é mais espiritual do que física, enquanto na vivência da ação corporal invertem-se os valores.

Sendo predominante a vida espiritual, porque preexistente e sobrevivente ao corpo, compete ao homem pensar e agir como se cada momento da sua vida fosse o seu último instante, que merecesse ser aproveitado com sabedoria, a fim de que, na emancipação pelo sono, possa gozar por antecipação do estado que defrontará, quando se libertar em definitivo do envoltório material sob o impositivo da morte física.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
No Limiar do Infinito

Curta nossa página no Facebook:

Declaração de Origem

- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
- As postagens dão indicação de origem e autoria. 
- As imagens contidas no site são apenas ilustrativas e não fazem parte das mensagens e dos livros. 
- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Os espíritas e a política

Os espíritas e a política

Eduardo Carvalho Monteiro / Emmanuel



A década de 1930 foi especialmente agitada na política brasileira, conforme abordamos no capítulo anterior. A revolta de São Paulo em 1932; a nova Constituição promulgada em 1934; o Estado Novo em 1937, reflexo da situação internacional que favorecia governos totalitários de direita; o contragolpe fracassado e a extinção da Constituição foram alguns dos graves acontecimentos vividos naqueles anos, isso para não se falar da Segunda Grande Guerra, deflagrada em 1938. A toda essa ebulição política não podiam ficar indiferentes os espíritas. Independente de sua convicção religiosa, o espírita não pode se afastar de suas obrigações cívicas e nem deixar de exercer sua cidadania, tendo a obrigação de ser um formador de opinião, já que tem uma bagagem espiritual que deve ser exercida em sua plenitude, em face da responsabilidade que se impõe àquele que recebe essa dádiva do Criador. Atento às necessidades de dar uma diretriz a essa importante questão, a FEB lançou, em 1934, o opúsculo “Espiritismo e Política — Modos de ver da Federação Espírita Brasileira”, no qual expõe sua opinião sobre a matéria e oferece sugestões ao movimento espírita de como proceder diante do problema. Da mesma maneira, Chico Xavier também é instado a submeter aos Espíritos a matéria, e em várias ocasiões estes se manifestam, sendo mais conhecidas as mensagens contidas em “Palavra do Infinito”. Outras manifestações da Espiritualidade através do Chico podem ter ficado desconhecidas do grande público, como esta mensagem que aqui reproduzimos e que permanece atualíssima e atemporal. Destacamos um pequeno trecho para ilustrar nossa afirmativa: “Que os nossos irmãos, portanto, consultando a própria consciência, evitem a queda sob o chicote de novas ditaduras implacáveis, que constituiriam retrocesso da mentalidade humana; acima de todas as cogitações, convém que saibam que lhes compete defender, não as moedas dos bancos, as prerrogativas das classes e as falsidades de certos princípios sociais, mas a luz do santuário, a claridade divina que lhes foram confiadas, a fim de que o mundo não as perdesse, nestes tempos de desenfreado utilitarismo.”

A psicografia de Chico aconteceu em 30 de junho de 1937.
Eduardo Carvalho Monteiro

***

Os espíritas e a política

Emmanuel por Chico Xavier


1 - Dentro dos quadros do Espiritismo Evangélico no Brasil, algumas coletividades se levantam, buscando colaborar nos arraiais políticos, objetivando, com os seus nobres intentos conduzir as claridades do Evangelho às casas legislativas na Nação, a fim de norteá-las nos caminho reto.

2 - Esse propósito dos nossos irmãos espíritas é realizável. Como outros homens possuem também o direito de admissão a essas atividades, salientando-se que, em razão do seu esclarecimento espiritual, muito se lhes deverá pedir, em matéria de caridade, no seio da política administrativa.

3 - Todavia, é preciso considerar que, se é lícito aos espíritas içarem bandeiras, em meio desses campo inimigos de sua sinceridade, da sua ânsia fraterna e da sua boa fé, não será ocioso chamar-lhes a atenção para os perigos da caminhada em perspectivas, a fim de afastarem dos desfiladeiros íngremes e escabrosos, onde perderão, fatalmente, a flâmula sagrada de seu idealismo. 

4 - Requer-se todo o zelo de suas preferências pessoais, nos quadros do partidarismo, procurando discernir a situação com clareza devida, evitando as ilusões perigosas que percorrem todos os departamentos das atividades do homem moderno.

5 - O grande problema, por enquanto, ainda não é o de espalharem nossos irmãos pelos arraiais políticos desejando transformá-los sem o concurso do tempo, mas resume-se na questão simples e básica da necessidade de levar, cada um deles, através de exemplos e ensinos aos nossos semelhantes, os conhecimentos evangélicos para que os homens transformem a si mesmos para o bem.

6 - Essa solução conduzir-nos-á à equação de todos os problemas da felicidade humana, porque todos os esforços dos pedagogos modernos, para serem construtivos, têm de ser efetuados no sentido de melhorar o homem. 

7 - Esclarecido esse, estará a sociedade reformada, pois bem sabemos que quase todas as tentativas de renovação exterior redundam sempre em tentativas inúteis, quando não constituem, em si mesmas, aquele “túmulo caiado”, que não é símbolo morto.

8 - Os espíritas podem perfeitamente integrar as fileiras do mundo político, mas que não desconheçam em todas as circunstâncias a magnitude dos seus deveres, em face mesmo dos princípios de fraternidade e de amor da doutrina que representam.

9 - As místicas nacionalistas têm a sua beleza estrutural, como teorias de igualdade, mas, ficará no plano mitológico se continuarem desconhecendo os grandes princípios da solidariedade universal e da fraternidade humana, diante dos quais todos os homens são filhos de Deus e candidatos às mais elevadas posições na única vida verdadeira, que é a vida espiritual.

10 - Que os nossos irmãos, portanto, consultando a própria consciência, evitem a queda, sob o chicote de novas ditaduras implacáveis, que constituiriam retrocesso da mentalidade humana; 

11 - Acima de todas as cogitações, convém que saibam que lhes compete defender, não as moedas dos bancos, as prerrogativas das classes e as falsidades de certos princípios sociais, mas a luz do santuário, a claridade divina que lhes foi confiada, a fim de que o mundo não a perdesse, nestes tempos de desenfreado utilitarismo.

12 - Que os nossos amigos ponderem sobre a necessidade de esclarecimento do homem. Desse esclarecimento advirá a regeneração compulsória das coletividades, porque Deus não poderia criar linhas divisoras na Terra, que é patrimônio da humanidade.

13 - Franceses e hotentotes são seus filhos bem amados, e o que caracteriza a diversidade de posições dos homens sobre o mundo é a aplicação da justiça divina que se processa segundo os méritos de cada qual.

14 - Os espíritas, pois, podem colaborar na política, mas entendendo sempre que a sua missão evangelizadora é muito mais delicada e muito mais nobre. 

15 - Concentrando possibilidades nesse labor, que aprendam com os padres católicos, os quais, se hoje não mais são os apóstolos humildes e desprotegidos do mundo, como viviam outrora e vivem na atualidade, cheios de poderes temporais e de expressões financeiras, não podem mais dizer ao paralítico, em nome do Senhor — “levanta-te e anda” — porque, voluntariamente, desejaram trocar as posições celestes pelas posições terrestres e não souberam colher na árvore da Vida o fruto maravilhoso do mundo espiritual.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Chico Xavier Inédito - Psicografias Ainda Não Publicadas de Eduardo Carvalho Monteiro

Curta nossa página no Facebook:
- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
- As postagens dão indicação de origem e autoria. 
- As imagens contidas no site são apenas ilustrativas e não fazem parte das mensagens e dos livros. 
- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Diante das contendas

Diante das contendas

Joanna de Ângelis



Arrastam-se as contendas, penosa e demoradamente pelos tribunais de justiça terrestre, caracterizando a belicosidade ainda predominante em a natureza humana.

Graças a elas, multiplicam-se as indústrias do suborno, do falso testemunho, da fragilidade moral de muitos julgadores que dão ganho de causa a quem melhor lhes apetece, a prejuízo de pessoas e Entidades outras respeitáveis, que não conseguiram conquistar, por este ou aquele meio, o voto do êxito.

Passadas as decisões, permanecem as dilacerações das almas, vitimadas por ódios selvagens, ressentimentos danosos, perturbações emocionais de profunda repercussão na economia das vidas.

Comandadas pelo egoísmo, ditas contendas se alastram pelas áreas das heranças de terras e bens outros; pelas redes da afetividade inquieta, no matrimônio e na família; pelas tricas políticas e sociais; pelos fanatismos religiosos e desportivos; por nonadas, que o desbordar das más paixões vitaliza, conferindo-lhes alta importância.

Os tribunais da humana justiça encontram-se abarrotados de processos que se referem a contendas intermináveis, e que o amor, o altruísmo, a caridade, a compreensão fraternal poderiam solucionar com facilidade.

O homem contende por instinto não educado, pelo espírito de competição, temendo ser esbulhado, mesmo quando dilapidando o próximo.

As contendas, em expressão mais ampla, são responsáveis pelas guerras entre povos e Nações, que se estiolam.

*

As piores contendas, no entanto, ocorrem no lar, transformado em ringue de disputas infelizes.

Transferem-se para a oficina de trabalho, tornando irrespirável o clima do lugar em que os debates doentios se estabelecem.

Prosseguem nas atividades sociais, atirando as pessoas, umas contra as outras, e fomentando a maledicência, a calúnia, o ultraje moral e, às vezes, a agressão física.

Contende-se por coisas nenhumas, como por valores de alta monta, pela busca do poder como da fama.

A contenda é labareda que ateia incêndios vorazes de difícil extinção.

*

Evita contender, mesmo que tenhas razão.

Não que devas permitir que os discutidores, os astutos e ambiciosos tomem conta do mundo e administrem tudo.

Não lhes sintonizes, porém, nas mesmas faixas de ondas morais.

Melhor que te sintas prejudicado, evitando contender, do que triunfar em condições desgastantes, perturbadoras.

Ganhador é todo aquele que permanece em paz diante de qualquer resultado.

*

Entre os contendores, que habitualmente tentavam o Mestre, Ele se mantinha sereno e não lhes oferecia a importância que eles se atribuíam.

Vez que outra, os enfrentou com as verdades profundas, porém, não se deteve com eles, prosseguindo na tarefa para a qual viera.

Todos eles passaram e enfrentaram a realidade do além-túmulo, enquanto Ele permanece até hoje como símbolo da paz e herói da harmonia.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
No rumo da felicidade

Curta nossa página no Facebook:

Declaração de Origem

- As mensagens, textos, fotos e vídeos estão todos disponíveis na internet.
- As postagens dão indicação de origem e autoria. 
- As imagens contidas no site são apenas ilustrativas e não fazem parte das mensagens e dos livros. 
- As frases de personalidades incluídas em alguns textos não fazem parte das publicações, são apenas ilustrativas e incluídas por fazer parte do contexto da mensagem.
- As palavras mais difíceis ou nomes em cor azul em meio ao texto, quando acessados, abrem janela com o seu significado ou breve biografia da pessoa.
- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.