sábado, 12 de setembro de 2026

Fixação Mental

Fixação Mental

Dias da Cruz


Em nossas tarefas da noite de 5 de maio de 1955, o iluminado Espírito do Doutor Dias da Cruz voltou a visitar-nos, estudando, para a nossa edificação, o problema da fixação mental, depois da morte. Em sua alocução interessante e oportuna, o instrutor oferece-nos grave advertência quanto ao aproveitamento de nossa reencarnação terrestre.

Analisando, superficialmente embora, o problema da fixação mental, depois da morte, convém não esquecer que a alma, quando encarnada, permanece munida do equipamento fisiológico que lhe faculta o atrito constante com a natureza exterior.

As reações contínuas, hauridas pelos nervos da organização sensorial, determinando a compulsória movimentação do cérebro, associadas aos múltiplos serviços da alimentação, da higiene e da preservação orgânica, estabelecem todo um conjunto vibratório de emoções e sensações sobre as cordas sensíveis da memória, valendo por impactos diretos da luta evolutiva no espírito em desenvolvimento, obrigando-o a exteriorizar-se para a conquista de experiência.

Esse exercício incessante, enquanto a alma se demora no mundo físico, trabalha o cosmo mental, inclinando-o a buscar no bem o clima da atividade que o investirá na posse dos recursos de elevação.

Como sabemos, todo bem é expansão, crescimento e harmonia e todo mal é condensação, atraso e desequilíbrio.

O bem é a onda permanente da vida a irradiar-se como o Sol e o mal pode ser considerado como sendo essa mesma onda, a enovelar-se sobre si mesma, gerando a treva enquistada.

Ambos personalizam o amor que é libertação e o egoísmo, que é cárcere.

E se a alma não conseguiu desvencilhar-se, enquanto na Terra, das variadas cadeias de egoísmo, como sejam o ódio e a revolta, a perversidade e a delinquência, o fanatismo e a vingança, a paixão e o vício, em se afastando do corpo de carne, pela imposição da morte, assemelha-se a um balão eletromagnético, pejado de sombra e cativo aos processos da vida inferior, a retirar-se dos plexos que lhe garantiam a retenção, através da dupla cadeia de gânglios do grande simpático, projetando-se na esfera espiritual, não com a leveza específica, suscetível de alçá-la a níveis superiores, em circuito aberto, mas sim com a densidade característica da fixação mental a que se afeiçoa, sofrendo em si os choques e entrechoques das suas próprias forças desvairadas, em circuito fechado sobre si mesma, revelando lamentável desequilíbrio que pode perdurar até mesmo por séculos, conforme a concentração do pensamento na desarmonia em que se compraz.

Nesse sentido, podemos simbolizar a vontade como sendo a âncora que retém a embarcação do espírito em seu clima ideal.

É necessário, assim, consagrar nossa vida ao bem completo, a fim de que estejamos de acordo com a Lei Divina, escalando, ao seu influxo, os acumes da Vida Superior.

E é por isso que, encarecendo o valor da reencarnação, como preciosa oportunidade de progresso, lembraremos aqui as palavras do Senhor, no versículo 35, do capítulo 12, no Evangelho do Apóstolo João: 

"Avançai enquanto tendes luz para que as trevas não vos alcancem, porque todo aquele que caminha nas trevas, marchará fatalmente sob o nevoeiro, perdendo o próprio rumo." (João 12:35.)

Francisco de Menezes Dias da Cruz por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Ante o vício da paixão

Ante o vício da paixão

Hammed


Imagem gerada por IA.

Jesus, ensina-nos a entender a diferença entre dependência e amor.

Sei, Mestre Querido, que o amor não termina, nós é que nos transformamos; e, por consequência, mudamos nossa visão sobre o mundo e as pessoas.

Senhor Jesus, como pode o amor — o mais nobre dos sentimentos — nos fazer mal? Como alguém pode agir sobre nós tal qual uma droga, um alucinógeno que nos exalta e ao mesmo tempo nos arrasa? Como dosar ou utilizar na proporção certa a inclinação amorosa?

São essas dúvidas cruéis que nos rodeiam a mente e nos fazem às vezes sentir vontade de desistir da busca; tudo nos parece sem importância, não conseguimos avançar, não vemos com otimismo o futuro.

Cristo Amado, estamos cientes de que a paixão termina, o amor não. A paixão vence e refreia o que a razão sugere e pondera; o amor propõe liberdade. Por isso, quando amamos alguém, devemos deixá-lo livre. Se partir, é porque nunca o tivemos; se voltar, é porque o conquistamos.

Hoje sabemos, Mestre, que nosso amor não é maduro, e sim uma dependência psíquica. Somos viciados na “emoção do enamoramento” e na sensação de felicidade que ela nos proporciona; consequentemente, sempre esperamos do “bem-amado” a fonte da alegria de viver, o que nos torna seduzidos e cativos.

Parece, Divino Amigo, que sem “um amor” nos assemelhamos a criaturas que não sabem nadar, buscando freneticamente um tronco flutuante para não se afogarem. A paixão é um prazer que nos causa agonia, mas essa mesma agonia nos dá prazer. Isso é o paradoxo da paixão — é a etiologia dos diversos tipos de dependência.

Jesus, socorre nosso amor!

Na Terra somos muitos os viciados em relacionamentos. Essa condição, que supostamente alivia a dor de uma realidade intolerável — a de não se amar e não sentir capaz de cuidar de si mesmo - perpetua a compulsão afetiva de “ter sempre alguém por perto” e nos desvia da motivação para recuperar e valorizar a própria vida.

O sentimento afetivo pode nos fazer muito mal quando o objeto de nosso amor tem efeito alucinatório sobre nós, anestesiando-nos e, ao mesmo tempo, causando-nos deslumbramento!

Querido Mestre, são diversos os mitos sobre o amor e quase todos nós damos fé ou afirmamos como verdades certas crenças ou construções mentais idealizadas. Temos tendência e inclinação:

• para acreditar que o amor real traz sofrimento e que, se recusarmos sofrer por amor, nunca amaremos corretamente. Amor que significa um contínuo sofrer não é amor, é dor. E dor é um indício de que algo vai mal ou está doente e precisa ser apurado e tratado;

• para afirmar que só se ama verdadeiramente uma vez na vida, alegação notável e romântica, mas completamente equivocada. Podemos amar inúmeras vezes e tão fortemente quanto antes, ou até muito mais. A cada nova existência, cresce o número de nossos amores;

• para crer que sem um parceiro, nossa vida não vale a pena ser vivida. Ora, podemos, sim, alcançar a felicidade, mesmo vivendo a sós e em total abstinência de sexo. Por isso, não devemos atribuir valores absolutos às nossas escolhas de vida, pois corresponderia a dizer que aqueles que não se adaptaram à vida a dois são desnaturados;

• para declarar com firmeza que o amor pode tudo. Ele realmente tudo pode quando é estimulado e compartilhado; mas diante de pessoas que não querem amar ou se deixar amar, a experiência pode ser aniquiladora e humilhante, situação que bem se enquadra no antigo provérbio “querer tirar leite de pedras.”

Por essas razões, Mestre e Senhor, estamos pedindo-te que nos ajudes a sair deste círculo vicioso, para que, tomando posse de nosso valor pessoal, voltemos a acreditar em nós mesmos, e assim, em breve, possamos amar sem medo de ser rejeitados e abandonados.

Jesus, socorre nosso amor!

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
Lucidez - A luz que acende na alma

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Atualidade da doutrina espírita

Atualidade da doutrina espírita

José Petitinga


Imagem gerada por IA.

Rememorando os insólitos fenômenos, que atingiram o clímax a 31 de março de 1848, na residência da família Fox, em Hydesville, e abriram novos horizontes à investigação psíquica, constatamos pela fenomenologia medianímica, a legitimidade da vida espiritual depois da morte.

Do fenômeno incipiente, a princípio, à Doutrina consoladora dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, há um verdadeiro pego. E nesses ensinos, revelados pelos Imortais, reaparecem as velhas doutrinas filosóficas e religiosas, que ampliaram os horizontes do pensamento humano sobre a vida além do túmulo.

Inicialmente, para que se pudessem firmar os valores imortalistas à luz da razão, sensitivos excepcionais e investigadores valorosos foram chamados à experimentação, durante decênios de labor exaustivo.

Controles especiais, engenhos ardilosos, precauções extremadas precediam sempre aos experimentos, procurando por cobro a quaisquer tentativas de fraude, nos processos de investigação.

Em todo lugar, porém, a linguagem dos fatos atestava cientificamente a veracidade do fenômeno que abriu as portas à Doutrina propriamente dita.

Richet, operando com Marta, jovem médium de 19 anos, constata a emissão de ácido carbônico na respiração do espírito materializado de Bien-Boa.

Crookes, experimentando a adolescente Florência Cook, mede as pulsações do fantasma Katie King.

Lombroso, através da médium Eusápia Paladino, embriagada, em Gênova, vê o Espirito materializado de sua genitora.

Aksakof, pesquisando a Sra. D’Espérance, constata que Iolanda materializada se utiliza da energia da médium semidesmaterializada ante os seus olhos e sob controle rigoroso.

Lodge e Hyslop dialogam com o Espírito Phinuit incorporado, nas sessões da Sra. Piper.

Em Barcelona, Marata, investigando Cármen Dominguez, com medidas acauteladoras, verifica a realidade do fantasma Leonora.

O banqueiro Livermore, através de Catarina Fox em dezenas de sessões, na sua residência, conversa com o Espírito materializado de Estela Marta, sua esposa desencarnada...

Vivem os mortos! São identificáveis os fantasmas; apresentando-se ponderáveis, contam-lhes as pulsações, modelam-se-lhes os pés, mãos e face; são extraídos resíduos ectoplásmicos; medem-lhes a força com dinamômetros; fotografam-nos... E em todas as pesquisas a vida triunfa sobre a morte.

Espíritos e médiuns submetem-se a exigências rigorosas de investigadores conscientes da própria responsabilidade e deixam-se controlar por sábios da envergadura de Bozzano, D’Arsonval, Roberto Hare, Bouvier, de Rochas, Edmonds, Du Prel, Broferio, para citar somente alguns, sem nos reportarmos aos já referidos, e empolgam-se com a realidade da vida espírita.

Monografias e relatórios, atas e documentos são apresentados a Sociedades e Academias, e o mundo toma conhecimento da Era do Espírito.

No entanto, embora todo esse material valioso, reunido em anos de cuidadoso e fatigante trabalho, de pouco proveito seria para a humanidade, não fosse Allan Kardec, o eminente missionário que, através da sensibilidade das discretas Senhoritas Japhet, Carlotti e das meninas Baudin, interrogando os imortais, codificou o Espiritismo, oferecendo ao homem abençoado roteiro para sua jornada na Terra.

* * *

Hoje, mais de cem anos decorridos, após os fenômenos de Hydesville, e rememorando os insólitos “raps” que ensejaram uma nova Era para a pesquisa da vida espiritual, encontramos na Doutrina Espírita a fórmula sempre atual para equacionar os complexos problemas da alma humana ainda atribulada e inquieta, no momento em que o homem atravessa a atmosfera em busca de outros portos no Infinito...

E ante as conquistas do pensamento, na atualidade, essa doutrina filosófica de consequências morais e religiosas cresce cada vez mais, superando a clássica fenomenologia para repetir os excertos sublimes de Jesus Cristo, conclamando ao amor e à fraternidade.

“Piedade para com os infelizes...
Esquecimento de todas as ofensas...
Perdão a todos os males...
Doação ampla e farta de luz e amor em forma de pão, agasalho e medicamento...
Renúncia como clima necessário à evolução...
Trabalho infatigável”... eis o apelo do Mundo Maior.

Doutrina Espirita hoje é Evangelho vivo e atuante junto aos corações angustiados e afligidos.

E por essa razão que, acima do fenômeno mediúnico puro e simples, está a Doutrina Espírita como “pedra de toque que desgasta o erro” e permite fulgure a verdade, rasgando clareiras na treva densa da ignorância, apontando céus formosos para o futuro.

E enquanto ruge a tormenta desenfreada, avassalando tudo, cultivemos, no Espiritismo, o diamante sem jaça da verdade, situando-o no íntimo dos corações, vivendo integralmente os ensinos de Jesus, porquanto, se o conhecimento amplia a capacidade de discernimento só o amor nos enseja o ingresso no país da consciência tranquila, conforme o postulou e viveu o Divino Amigo de todos nós.

José Petitinga por Divaldo Franco do livro:
Crestomatia da Imortalidade

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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O escriba incrédulo

O escriba incrédulo

Irmão X.


Imagem gerada por IA.

Descansava Jesus em casa de Igorin, o curtidor, no vilarejo de Dalmanuta, quando Joab, escriba em Cesareia, partiu à procura dele, em companhia de Zebedeu, pai de Tiago e João, que lhe devotava imensa estima.

Enquanto caminhava, depois de largada a barca, o amigo da cidade, que jamais contemplara o Doce Nazareno, falava compungido de mágoas que sofrera.

Sentia-se doente, em suprema revolta.

Desejava escutar o verbo do Senhor para certificar-se quanto à própria conduta.

Dizia-se crivado de injustiça e calúnia.

Permutavam, assim, impressões espontâneas e afetuosas quando o lar de Igorin lhes surgiu pela frente, ao longe.

Ao redor do tugúrio, congregavam-se enfermos, avultando, entre eles, um homem maduro e esbelto a gritar, estentórico, e que, guardado à pressa, excluiu-se do quadro, desafiando, assim, a curiosidade de ambos os viajores.

No átrio da casa pobre, indaga Zebedeu de uma velha aleijada quem era aquele mísero, e informa-lhe a anciã que se tratava de um louco infeliz à procura do Mestre.

Nisso, Tiago e Pedro aparecem de chofre e dizem que Jesus pretendia ausentar-se para a prece nos montes.

Joab, ouvindo isto, penetra sozinho pela casa, e encontra em quarto humilde o Cristo generoso, meditando em silêncio.

- Mestre! – clama, chorando, depois de confortado às saudações primeiras – tenho o peito dorido e o pensamento em fogo, humilhado que estou por injúrias atrozes. Feriram-me, Senhor, enodoando-me o nome e furtando-me o pão... Que fazer ante o mal que me ataca, insolente? de que modo portar-me, perante os inimigos que me cobrem de lodo?

- Perdoa, filho meu! – disse o Amigo Celeste.

- Senhor, como esquecer malfeitores e ingratos?

- Anotando-lhes sempre a condição de enfermos.

- Enfermos? como assim, se perseguem matando?

- Não procederiam desse modo se não fossem dementes.

- Mestre – insistiu Joab -, convém esclarecer que os meus adversários são ladrões perigosos...

- São, pois, mais infelizes...

- Infelizes porque? se tem casas faustosas e terras florescentes?

- Todavia, amanhã descerão ao sepulcro, abandonando o furto a mãos que desconhecem...

- Entretanto, Senhor, sem qualquer razão justa, eles querem prender-me.

- Não importa, meu filho, pois todo delinquente está preso em si mesmo às algemas da treva.

- Mestre! Mestre! Ainda assim, espreitam-me igualmente em tocaia sinistra, prelibando-me a morte, todos eles armados de punhais assassinos!...

- Perdoa e ora por eles – disse o Cristo, sereno -, porque é da Eterna Lei que a justiça se faça... Todo aquele que fere será também ferido...

O escriba, em desespero, ajuntou lacrimoso:

- Senhor, estou sozinho, despojado de tudo... Iludiram-me a esposa e roubaram-me os filhos...

Acusado sem culpa, o cárcere me espera; venerei sempre as leis, guardando-lhes os princípios e toda a minha dor nasce da sombra hostil da infâmia que me cerca! Que fazer, Benfeitor, ante as garras da lama?

- Filho, perdoa sempre, olvida todo mal e faze todo o bem, porque somente o bem é luz que não se apaga...

Incapaz de conter o assombro que o traía, Joab esgueirou-se de soslaio, perguntando lá fora aos amigos surpresos:

- Dizei-me, por favor, onde acharei o Mestre Jesus? quero Jesus para ouvir-lhe a palavra!...

O escriba renitente conservava a impressão de ter ouvido o louco que avistara ao chegar àquela casa, e não o próprio Cristo...

Irmão X. por Chico Xavier do livro:
Contos Desta e Doutra Vida

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