quinta-feira, 30 de abril de 2026

Aproveitando o tempo

Aproveitando o tempo

Jácome Góes


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O verdadeiro Cristão tem apenas um único direito, que é beneficiar-se com o luminoso conhecimento do Evangelho. A partir daí, começam as suas constantes obrigações representadas pela vivência de cada lição em particular, e do aprendizado em geral.

Omitir-se não é só anular-se, mas também, é assumir pesadas responsabilidades cármicas por INFRAÇÃO CONSCIENTE ÀS LEIS DA VIDA, que cobram, inexoravelmente, nossa participação efetiva no trabalho de Evangelização.

A FUGA AOS CUMPRIMENTOS DA TAREFA, COMODISMO E A AUSÊNCIA DOS TESTEMUNHOS PRODUZEM SOMBRAS EM NOSSA INDIVIDUAL ATMOSFERA QUE PODEM SER PRENÚNCIOS DE LONGAS TEMPESTADES NAS COERCITIVAS EXPERIÊNCIAS DA DOR... NOSSO TEMPO, NOSSA VEZ, NOSSA CHANÇE É AGORA, ADIARMOS O INGRESSO NO ASPOTOLADO CRISTÃO É, ALÉM DE INSENSATEZ, QUASE IRRACIONALIDADE...

SE TEMOS A BÊNÇÃO DA VOZ, usemo-la como instrumento de amor, ensinando, projetando otimismo e abençoando, porque, se optarmos reiteradamente pelo mal, os talentos naturais poderão nos ser retirados como medida extrema para conscientização imperiosa.

SE TEMOS A BÊNÇÃO DA VISÃO FÍSICA, procuremos hoje enxergar o belo, louvando a Deus, e, também, enxergar os tristes sofrimentos que atingem o ser humano, para tentarmos a solução da ajuda com amor.

Amanhã as trevas poderão descer sobre nossos olhos, desaparecendo as cores e a beleza da vida...

SE TEMOS A BÊNÇÃO DE PERNAS FORTES, que atendem às necessidades evolutivas do espírito, caminhemos, então, pelas estradas luminosas da caridade, porque amanhã poderemos estar limitados pela paralisia e impotentes para seguirmos futuros ditames do coração.

SE HOJE TEMOS A BÊNÇÃO DO SORRISO, procuremos expressar através dele, alegria na tentativa de apagar tristezas, pois amanhã os nossos lábios poderão permanecer cerrados e sem vida...

SE HOJE TEMOS PARENTES E AMIGOS, procureros amá-los, com toda força dos nossos sentimentos, para não partirmos sem levar flores e sem deixar saudades...

SE TEMOS UM AMOR ESPECIAL, valorizemos a sua bênção na multiplicação dos carinhos, para que amanhã não venhamos a dizer que alguém deixou um oceano de tristeza nas praias do nosso coração...

SE TEMOS NOSSO LAR, procuremos enriquecer sua atmosfera ambiental para que amanhã ele possa ser o oásis que nos proporciona descanso, e o porto amigo onde chegamos após as difíceis viagens pelos mares da nossa vida, nem sempre serenos...

SE TEMOS FILHOS, procuremos transmitir a herança dos exemplos de dignidade em todos os campos da atuação humana, pois somente assim, no cumprimento da nossa sublimada missão, os faremos milionários em espírito. Caso contrário, se destruirmos a formação do seu caráter com nossas influências negativas, choraremos juntos a irrealização de muitas vidas...

SE TEMOS A BÊNÇÃO DA SAÚDE, valorizemos nosso corpo não o agredindo com vícios e maus hábitos, para que amanhã não venhamos sofrer inevitáveis consequências na síndrome de muitas doenças...

SE TEMOS NOSSO EMPREGO, agradeçamos a Deus essa maravilhosa bênção, marcando no setor de trabalho a expressão das nossas atitudes de interesse e construção profissional, pois amanha poderemos estar privados do nosso mais importante meio de subsistência material...

SE TEMOS NOSSO IDEAL, procuremos eliminar dificuldades e construir pontes com a expressão da nossa fé e otimismo, para que nossa vida tenha um significado real e uma estória a ser contada, como exemplo.

SE SOMOS SERES EM PROCESSO CONTINUO DE EVOLU-ÇAO, matemos a própria morte, que jamais nos alcançará, pois como espírito somos eternos e fomos criados para a glória de viver. Aqui e lá, é sempre vida, abundantemente vida...

Enfim, sejamos ativos agora, enquanto pudermos, para que amanhã não venhamos a entoar com lágrimas, o triste hino do remorso... UM DIA QUE NÃO SABEMOS QUANDO, MAS QUE PODERÁ ESTAR BEM PRÓXIMO, VIVEREMOS O GRANDE MOMENTO DA DESPEDIDA, E AI FICAREMOS A SÓS COM A NOSSA PROPRIA CONSCIÊNCIA... NOSSO TEMPO É AGORA E JÁ. DIGNIFIQUEMOS A VIDA NAS PROJEÇÕES DOS NOSSOS ATOS DE JUSTIÇA E AMOR. 

Jácome Góes do livro:
Caminho da Redenção
Nota: Os destaques no texto são do próprio autor, preservamos o formato da publicação impressa. - RDB


Jácome Góes
Sergipano, ex-morador de São Paulo, morou em Aracajú - SE.
Foi advogado aposentado do Ministério do Trabalho.
Orador e escritor espírita, teve colunas em jornais e programas de rádio.

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Declaração de Origem

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- Toda atividade do blog é gratuita e sem fins lucrativos. 
- Se você gostou da mensagem e tem possibilidade, adquira o livro ou presenteie alguém, muitas obras beneficentes são mantidas com estes livros.

- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

Rui Barbosa e o Espiritismo

Rui Barbosa e o Espiritismo

Jorge Rizzini


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Quantas outras, não somos nós os que vamos chamar esses leais companheiros de além-túmulo, e com eles renovar a prática interrompida...  Rui Barbosa

RUI BARBOSA, DOTADO DE ALTA espiritualidade de que a maioria de suas obras dá testemunho, não se deixou prender no emaranhado das religiões. Acreditava numa força divina que governava o universo, e isso lhe bastava. Quase ao término de sua existência, porém, converteu-se ao espiritismo, graças ao estudo contínuo de obras científicas assinadas pelos sábios de sua época; sábios que trataram de toda a fenomenologia espírita, exaustivamente, através de experiências realizadas nos países mais cultos.

Realmente, em sua vastíssima biblioteca, no Rio de Janeiro, exposta à visitação pública, podemos constatar a existência dessas obras, na língua original. Estão grifadas com a tinta vermelha de Rui Barbosa com anotações às margens. Delas daremos os títulos e os respectivos sinais que constam no fichário e que facilitam a consulta do leitor curioso.

Ei-las:

Nouvelles expériences sur la force psychique.

Dessa obra básica do espiritismo experimental, de autoria do cientista inglês William Crookes (o descobridor da matéria radiante), possuía Rui Barbosa duas edições, hoje raras; uma sem data e a outra de 1897. Informações do fichário: G, 10-1, 28 nº 1 e B-10, 3, 29.

Do físico Oliver Lodge, leu Rui Barbosa nada menos do que quatro obras que relatam experiências espíritas. São elas: Raymond or life and death (B-2,5,17); Survival of man (B.2, 4, 23); The proofs of life after death (L-8, 4, 27); La vie et la matière, traduzido por J. Maxwell (L-5, 2, 6).

Do sábio russo Aksakoff: Animisme et spiritisme, em tradução de Berthould Sandow (B-2, 3, 21).

De Ernesto Bozzano, catedrático italiano: Les phénomènes de hantise, em tradução de C. Vesme (E-10, h, 42).

De Myers: Les hallucinations telépathiques (B-2, 3, 20).

De Conan Doyle, o precursor da polícia científica: The new revelation (L-9, 3, 31).

De Léon Denis: Les problèmes de l’être et de la destinée (B-7, 2, 7).

De Alfred Russel Wallace, o rival de Darwin: La place de l’homme dans l’univers (L-8, 5, 22).

De Flammarion, diretor do observatório astronômico de Paris, Rui Barbosa leu seis volumosas obras que tratam de assuntos variados referentes ao espiritismo: Dieu dans la nature, L’homme et les problèmes psychiques, La mort et son mistère, Recits de l’infini, Uranie, Autour de la mort.

Charles Richet (Prêmio Nobel de Medicina) também figura entre os cientistas que estudaram os fenômenos espíritas e que chamaram a atenção de Rui Barbosa. O seu Traité de métapsychique (G-l, f, 16) foi compulsado por Rui até a página 401. As conclusões da gigantesca obra também foram meditadas até a página 793. Acha o escritor Sérgio Valle que o Tratado de metapsíquica, de Richet, foi a última obra lida por Rui Barbosa. Parece-nos que razão assiste ao autor de Silva Mello e os seus mistérios porque, como nos explica, a edição do Tratado é de 1922, e Rui Barbosa veio a falecer a 1 de março de 1923: um ano e pouco após haver adquirido o volume de Richet.

Observa-se, através destas citações, que o gigante Rui ao iniciar-se no espiritismo começou pelos mestres no assunto: adquiriu somente obras de cientistas. Leu-as, grifou-as em vermelho, fez anotações nas margens.

Após essas leituras meditadas ficaria convencido da realidade do espiritismo? Já foi dito que sim. Mais adiante daremos provas concludentes. Foi, talvez, devido a essas obras fundamentais que Rui Barbosa, sendo apóstolo da verdade, tomou da pena e resolveu dar um violento golpe no catolicismo: ele não só traduziu, com grande carinho, O papa e o concílio, como veio a escrever um prefácio, cuja extensão supera a própria obra! Prefácio com cerca de trezentas páginas! Rui Barbosa nos mostra os grandes crimes cometidos pelos papas, as falcatruas encobertas por um falso véu místico e examina algumas das resoluções tomadas em concílios vários que visavam, não o benefício do catolicismo no sentido espiritual, mas os cofres do Vaticano e o poder cada vez mais crescente de seus dirigentes. Tudo isso montado em documentos examinados à luz de sua poderosa inteligência. O papa e o concíliocom o prefácio de Rui Barbosa, foi um dos maiores golpes sofridos pela Igreja de Roma. Obra, como essa, com tal poder combativo, só conhecemos a História dos papas, do dicionarista Maurice LachâtreInútil dizer que, tanto uma como a outra, viram suas edições perseguidas pelo Vaticano. Os exemplares encontrados eram queimados como nos velhos tempos da Inquisição.

* * *

A última obra escrita por Rui Barbosa foi a célebre Oração aos moços; escreveu-a no fim da vida. Encontrava-se tão enfermo, que lhe foi impossível lê-la perante os bacharelandos da Faculdade de Direito de São Paulo. Leu-a, pois, um seu representante. Último discurso, é nele que o gigante de Haia deixou a seguinte página inspirada pela doutrina dos espíritos; página que bem demonstra sua convicção na impotência da morte.

Ensina Rui Barbosa:

A maior de quantas distâncias logre a imaginação conceber, é a morte; e nem esta separa entre si os que a terrível afastadora de homens arrebatou aos braços uns dos outros. Quantas vezes não entrevemos, nesse fundo obscuro e remotíssimo, uma imagem cara? Quantas vezes não a vemos assomar nos longes da saudade, sorridente ou melancólica, alvoroçada ou inquieta, severa ou carinhosa, trazendo-nos o bálsamo ou o conselho, a promessa ou o desengano, a recompensa ou o castigo, o aviso da fatalidade, ou os presságios do bom agoiro? Quantas nos vem conversar afável e tranquila, ou pressurosa e sobressaltada, com o afago nas mãos, a doçura na boca, a meiguice no semblante, o pensamento na fronte, límpida ou carregada, e lhe saímos do contato, ora seguros e robustecidos, ora transidos de cuidado e pesadume, ora cheios de novas inspirações, e cismando, para a vida, novos rumos? Quantas outras, não somos os que vamos chamar esses leais companheiros de além-túmulo, e com eles renovar a prática interrompida, ou instar com eles por alvitre, em vão buscado, uma palavra, um movimento do rosto, um gesto, uma réstia de luz, um traço do que lá se sabe, e aqui se ignora?

Melhores palavras não poderia Rui Barbosa oferecer aos jovens doutorandos da Faculdade de Direito. Morreu o gigante, pois, plenamente convencido da realidade espiritual apregoada pelos cientistas, cujas obras o Conselheiro lera com vivo interesse.

Infelizmente, ao tempo de Rui Barbosa ainda não haviam aparecido as obras mediúnicas de Francisco Cândido Xavier, caso contrário teria ele dado um parecer. Mas anos depois de seu desencarne, ele próprio veio reafirmar o que dissera na Oração aos moços, fazendo-se porta-voz do Além através da mediunidade de Chico Xavier! A esse respeito, leia-se a obra mediúnica Falando à Terra.

* * *

Como os biógrafos de Rui omitem esse aspecto de sua vida, daremos mais uma prova concludente de sua adesão ao espiritismo.

Quem a fornece, porém, não sou eu; é um católico praticante, o que lhe dá, talvez, maior validade. Trata-se de um depoimento do professor Ataliba Nogueira, secretário da Educação em São Paulo, político renomado e ex-amigo de Rui Barbosa.

Em 1949 pronunciou o professor Ataliba Nogueira uma conferência sobre o Conselheiro, na cidade de Campinas. Pela sua importância foi reproduzida pelo Diário do Povo de Campinas em 6 de novembro de 1949 e pelo Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, em 8 de novembro de 1952.

Ora, estavam numa estação de águas Rui Barbosa, Ataliba Nogueira e inúmeras senhoras e moças. Corria o mês de abril de 1912. A conversa, alegre, de súbito versou sobre a possibilidade dos fatos espirituais. Rui Barbosa já se encontrava em seus aposentos, recolhido. Alguém, então, lembrou-se das experiências com o “copinho”. Todos aprovaram a tentativa de comunicação com o Alto. Aproximaram-se de uma mesa, sobre ela distribuíram em forma circular pedaços de papel, cada qual representando uma letra do alfabeto. No centro, colocaram um copo. O genro de Rui Barbosa, o historiador Antônio Batista Pereira, a um lado, sorria para o grupo. O professor Ataliba Nogueira, porém, católico praticante, reprovava a experiência. Diz ele que o grupo, entre alegria e um pouco de receio, dedicava-se “a uma espécie de distração, de modo algum consoante com as leis religiosas, porém, que as senhoras praticavam como se fosse inocente jogo de damas”. “Inocente jogo de damas”, diz Ataliba Nogueira. Veremos, porém, a que resultados chegaram essas pessoas com o inocente “jogo”.

Mas, deixemos que o próprio Ataliba nos conte:

Certa noite, porém, Antônio Batista Pereira, que assistia à sessão, de pé, disse que o cálice estava denotando alguma inquietação, manifestando, com isso, ter que revelar algum segredo.

Batista Pereira, então, sentou-se à mesa e, com as moças e senhoras, “colocou a ponta do dedo sobre o cálice”, o qual continuava a percorrer as letras, formando sentenças, cujo significado não dizia respeito a nenhum dos presentes.

Terminado o escrito – prossegue Ataliba Nogueira –, verificou-se que era uma mensagem em inglês, dirigida por algum “espírito” ao ilustre hóspede. Ficaram todos estarrecidos, e diante da indecisão geral, Batista Pereira opinou que deviam levá-la imediatamente a Rui. Batem à porta, o Conselheiro, de pijama, recebe o papel e fica emocionado: “É o estilo dele, o estilo perfeito! E o assunto! O mesmo que conversamos em nossa despedida em Haia”. Mas, é possível... Trata-se de William Stead – explica Rui –, o meu amigo e grande jornalista inglês, cuja morte os periódicos noticiam hoje, no afundamento do navio Titanic.

E o professor Ataliba Nogueira, sem meditar na tremenda verdade que o “inocente jogo de damas” revelava (a prova de que continuamos vivos após a morte, e que podemos, como espíritos, falar aos vivos), profundamente tristonho por ver que Rui Barbosa dera autenticidade à mensagem, exclama, talvez com os braços abertos para o público que o ouvia em Campinas:

“E ele (Rui Barbosa) acreditava nestas histórias de espiritismo!”

E não era para acreditar depois de uma prova tão notável? A exclamação de Ataliba Nogueira chega a ser engraçada.

O que o professor Ataliba Nogueira ignorava, infelizmente, é que o genial jornalista William Stead, a quem Rui Barbosa chamava de “o amigo”, fora médium, autor de livros espíritas e um dos mais valentes propagandistas do espiritismo na Europa. Rui o conheceu em Haia e, posteriormente, veio a ler obras espíritas. Não nos diz Ataliba Nogueira qual o conteúdo da mensagem vinda através do “copinho”. Faz apenas Rui Barbosa exclamar, emocionado: “É o estilo dele, o estilo perfeito! E o assunto! O mesmo que conversamos em nossa despedida em Haia”. Que assunto seria? Certamente, a comunicação mediúnica. O melhor meio para identificar-se seria, sem dúvida, voltar ao assunto espírita iniciado com Rui durante a despedida em Haia, e provar, ele próprio, a realidade do fenômeno. Notemos que após o desencarne William Stead comunicou-se (fato notável), imediatamente, com quase todos os seus amigos, inclusive os residentes nos mais longínquos países.

A “prova do copo”, porém, para Rui Barbosa não passava de mais uma diante das centenas de que ele tomara conhecimento através dos cientistas Crookes, Richet, Lombroso, Flammarion e outros.

Compreende-se agora tenha o Conselheiro ardorosamente combatido a Igreja Católica e, ao fim da vida, falando aos moços de São Paulo, apregoado a impotência da morte diante da eternidade chamada “espírito”!

Quanto a Antônio Batista Pereira, conhecido historiador e genro de Rui Barbosa, esqueceu Ataliba Nogueira de nos informar que também se tornou espírita. Mas, o genro de Rui Barbosa, como todo bom espírita, sempre se regozijou em dizê-lo, publicamente.

E agora nossas palavras finais sobre William Stead. A respeito de seu caráter, conta Rui Barbosa que ele tinha “uma independência superior a todos os interesses, uma austereza, que o levou, testamenteiro de Cecil Rhodes, opulência colossal entre os arquimilionários ingleses e americanos, a dar um pontapé nos milhões esterlinos, que o seu testamento lhe assegurava, rompendo com o potentado e o argentário, de quem era o mais prezado amigo, para denunciar os crimes da sua política africana”.

William Stead, considerado o criador da imprensa moderna (entre as suas inovações destaca-se a introdução da ilustração e da entrevista no jornalismo), morreu em 15 de abril de 1912. Seu desencarne revestiu-se de intensa beleza trágica. Tinha Stead 63 anos de idade quando o transatlântico Titanic – o maior navio do mundo, no qual viajava, bateu em um iceberg e começou a naufragar. William Stead, heroicamente, ajudou os tripulantes a salvar crianças e senhoras, enquanto os passageiros – encontravam-se a bordo 2.223 pessoas – corriam de um lado para o outro, gritavam, jogavam-se da amurada do navio ao mar. Depois, já lhe sendo impossível a salvação, Stead ajoelhou-se no convés e, para acalmar a tripulação, começou a cantar o hino religioso Nearer to thee, my God. Em seguida, sentou-se em uma cadeira, enquanto o navio afundava concentrou-se na leitura de um livro espírita – e desencarnou, dando a nós outros um inexcedível exemplo de convicção espírita.

Nota do autor: Para maiores informações sobre William Thomaz Stead, deve o leitor consultar os livros My fatherde sua filha Estelle William Stead, e Live of William Thomaz Stead, de autoria de F. Whyte, além das grandes enciclopédias internacionais, como a Britânica, Webster’s e Larousse. Será, também, de grande proveito a leitura do artigo sobre Stead de autoria de Sílvio Brito Soares, estampado na revista Reformador, edição de julho de 1962. Quanto às famosas experiências mediúnicas de Stead, consultem-se as obras de Denis e Delanne.

Jorge Rizinni do livro:
Escritores e Fantasmas

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Orientação para a paz

Orientação para a paz

Francisco de Paula Vítor


"Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos." Jesus (Mateus 9:35)

Há muita excitação no mundo por parte dos que anseiam por assumir os primeiros lugares nas diversas posições passageiras da sociedade.

Muitas pessoas se esfalfam para alcançar as primeiras posições nas academias, nos esportes, nas artes multiplicadas, nos leitos eleitorais, em tudo, enfim. O problema não está nesse desejo em si mesmo, não. O que mais pesa é que esses candidatos aos primeiros lugares, nas suas áreas específicas, não anseiam pelos lugares destacados com o fim de se tornarem mais úteis aos semelhantes; mas tão só para cumular honrarias e destaques que duram um momento, porque não passam de latarias e fitas de tecidos que se putrefazem como o corpo carnal, ou de alguma quantia em dinheiro que poderá lhes facilitar condições materiais, durante algum tempo, e nada mais.

A pessoa inteligente no mundo deve saber que lhe cabe a missão de cooperar com o progresso de todos, que, sem contestação, começa com o seu próprio.

O artista sensível precisa saber que lhe cumpre a tarefa de ajudar o Criador a sensibilizar as almas para que elas aprendam a integrar-se à natureza, desenvolvendo emoção e alegria.

Os desportistas carecem perceber que, nas demonstrações de resistência física ou de beleza de forma corporal, o que mais importa é o louvor Àquele que lhes propiciou condições corporais tão favoráveis, permitindo se somassem os méritos individuais à necessidade de prestação de serviço ao coletivo.

O que se lança às posições de proeminência nas estações da política, na Terra, tem necessidade de compreender que a sua condição de administrador dos recursos de todos e de intérprete da vontade geral pesa-lhe como uma coroa de ferro sobre a fronte, devendo corresponder à grandiosidade dessa missão, sem que seja debitada em sua conta moral qualquer ação incompatível com a confiança que lhe foi atribuída, publicamente.

Os equívocos, porém, são enormes no que diz respeito aos primeiros postos.

Cada um quer absorver o máximo de prestígio, de oportunidade, de aplauso, de dinheiro, de bajulações, de poder apenas para si. No máximo, estende esses ganhos aos que o cercam, imediatamente, na esfera da afetividade.

Seria tão importante que os que alcançaram os lugares de honra, no mundo terrestre, se aplicassem a trabalhar em benefício dos menos dotados, dos que não tiveram os mesmos ensejos, dos que são mantidos em posições subalternas em virtude das suas expiações. Em nome da justiça, é bom convir que há os que o fazem; bem poucos, é verdade, mas os encontramos.

Artistas que se valem do seu prestígio popular para despertar o sentimento de cidadania nas massas, que começa com o respeito do indivíduo a si mesmo.

Desportistas que aproveitam a sua fama pública para cantar o valor da saúde da mente e do corpo, mostrando o desvalor do consumo de drogas.

Religiosos que se apoiam na confiança que despertam para incentivar a fraternidade, sem muralhas seitistas, e a aproximação entre as criaturas, decantando o amor a Deus e ao próximo como elemento de saúde espiritual.

Políticos que, alicerçados no poder de que usufruem, se atiram em campanhas de melhorias nos estatutos das leis e dos costumes que venham melhorar a vida das comunidades que dirigem.

Com essas reflexões tão valiosas, e pensando em Jesus, o maior Espírito que o Criador enviou à Terra, para que nos guiasse pelas sendas do progresso, sentimos a seriedade e a importância dos nossos estágios humanos.

Para que a alma alcance os cimos da paz, em seu próprio cerne, não vale só que tenham conquistado as primeiras posições no mundo das aparências. Torna-se fundamental que cada ser, nas funções em que estagia, faça-se um servidor. Um servidor do seu próximo, desinteressado.

É bom aprender a oferecer um minuto de prosa fraterna, sem agastamento; uma hora de atendimento fraternal, sem que se sinta constrangido a fazê-lo; um dia de trabalho, benfazejo para uma causa valorosa, sem receber dinheiro; a leitura, durante alguns minutos, para um deficiente visual; a higiene de um banho ou qualquer outro asseio a um idoso ou a alguém incapaz de o fazer por si mesmo; uma peça de vestir; um caderno para um escolar sem recurso; um remédio para algum necessitado.

É muito bom, dentro de casa, aprender a pedir por favor e a agradecer aos entes queridos pelo serviço e atenção que nos dedicam.

Enfim, qualquer que seja a nossa situação no mundo, somente teremos paz no íntimo quando aprendermos a ser o melhor para os outros, a fazer o melhor para os outros, a vibrar o melhor para os outros, valendo-nos do nível ao qual já tenhamos chegado na vida, seja ele qual for.

Jesus é Quem nos deixa claro tudo isso.

Francisco de Paula Vítor por Raul Teixeira do livro:
Quem é o Cristo?

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terça-feira, 28 de abril de 2026

Temperança antes da ação

Temperança antes da ação

Joanna de Ângelis


O refrão melhor precaver do que remediar tem urgência de alto significado para o ser humano que, desatento, raramente o leva em consideração.

A precipitação assalta as emoções em mecanismos psicológicos de autodefesa, de cuidados que resultem benéficos, gerando, não raro, situações lamentáveis que se apresentam de imediato ou remotamente, mas que sempre se manifestam  perturbadoras.

A precipitação é má conselheira em qualquer circunstância.

A razão humana, que é atributo  do Espírito, deve sempre estar atenta para compor o quadro das atitudes, estabelecendo parâmetros que se concretizam em comportamentos.

Armados pela volúpia das paixões primevas, os indivíduos veem-se, uns aos outros, de forma agressiva, sempre aguardando o pior que devem provir do próximo, não lhe concedendo chance, sequer, de demonstrar-lhes o contrário.

*

Vítimas da própria como da violência que grassa voluptuosa, equipam-se de sentimentos negativos e tudo veem conforme se encontram emocionalmente.

Reagem, quando poderiam parlamentar, ajustando-se à ocorrência e aclarando-a, para lamentarem depois a precipitação, quando advêm as suas funestas consequências.

Todo aquele que pensa, dispõe de valioso arsenal de raciocínios, de que se pode utilizar antes de agir, instrumentalizando-se para evitar a precipitação.

*

Raciocinando em torno da excelência do chamado de Jesus, Maria, a sofrida equivocada de Magdala, agiu sem precipitação e tornou-se um exemplo ímpar de renovação moral. 

Judas, embora o convívio salutar com o Mestre, não obstante admoestado, deixou-se fascinar pela precipitação e mergulhou em terrível abismo de loucura.

Joana, a esposa de Cusa, despertada para o esplendor do Evangelho, buscou o Senhor para pedir-Lhe roteiro e, aconselhada a prosseguir no ninho doméstico, aguardou o momento ideal para oferecer-Lhe a existência física.

Pedro, escolhido para pastorear o rebanho que lhe fora confiado, no momento de alta significação para o testemunho, amedrontado, precipitou-se e O negou três vezes...

Toda uma legião, de necessitados e aflitos sem conta, precipitou-se na Sua direção, recebendo apoio e socorro, oportunidade e bênçãos. Apesar disso, no momento hábil de agir com gratidão, deixou-O a sós.

João, todavia, jovem e fiel, acompanhou-O dominado pelo raciocínio e pela afeição, seguindo-O, sem medo, durante todo o transe até o momento final...

A temperança é conquista desafiadora, pelo resultar do esforço disciplinante das tendências negativas e pela aquisição de significados morais valiosos.

O ser humano, que cultiva a temperança, não se acovarda, nem se agita, porque se encontra consciente dos recursos de que dispõe para a ação, confiando no tempo, que equaciona todas as incógnitas existenciais.

*

Felizes aqueles que sabem esperar - ensina outro brocardo popular.

A faculdade da paciência, que leva a confiar no tempo, é o instrumento de que se utiliza a temperança para conduzir a pessoa ao pódio da vitória sobre si mesma.

A temperança deve ser erguida sobre a fé irrestrita em Deus, cujas Leis inderrogáveis vigem em todo o Universo...

... E a Lei de amor é a que melhor expressa a Sua Realidade, porquanto dela se derivam todas as demais.

Esperar, pois, e confiar, sem aflição, mantendo a temperança antes de agir, é regra segura para bem viver e ser feliz.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
No rumo da felicidade

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

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