terça-feira, 22 de setembro de 2026

Necessitados difíceis

Necessitados difíceis

Emmanuel


(O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XII - Item 1.)

Em muitas circunstâncias na Terra, interpretamos as horas escuras como sendo unicamente aquelas em que a aflição nos atenaza a existência, em forma de tristeza, abandono, enfermidade, privação...

O espírita, porém, sabe que subsistem outras, piores talvez... Não ignora que aparecem dias mascarados de felicidade aparente, em que o sentimento anestesiado pela ilusão se rende à sombra.

Tempos em que os companheiros enganados se julgam certos...

Ocasiões em que os irmãos saciados de reconforto sentem fome de luz e não sabem disso...

Nem sempre estarão eles na berlinda, guindados, à evidência pública ou social, sob sentenças exprobatórias ou incenso louvaminheiro da multidão...

Às vezes, renteiam conosco em casa ou na vizinhança, no trabalho ou no estudo, no roteiro ou no ideal... O espírita consciente reconhece que são eles os necessitados difíceis das horas escuras. Em muitos lances da estrada vê-se obrigado a comungar-lhes a presença, a partilhar-lhes atividade, a ouvi-los e a obedecê-los, até o ponto doméstico lhe preceituem determinadas obrigações.

Entretanto, observa que para lhes ser útil, não lhe será lícito efetivamente aplaudi-los, à maneira do caçador que finge ternura à frente da presa, a fim de esmagá-la com mais segurança.

*

Como, porém, exercer a solidariedade, diante deles? - perguntarás.

Como menosprezá-los se carecem de apoio?

Precisamos, no entanto, verificar que, em muitos requisitos do concurso real, socorrer não será sorrir.

Todos conseguimos doar cooperação fraternal aos necessitados difíceis das horas escuras, seja silenciando ou clareando situações, nas medidas do entendimento evangélico, sem destruir-lhes a possibilidade de aprender, crescer, melhorar e servir, aproveitando os talentos da vida , no encargo que desempenham e na tarefa que o Mestre lhes confiou. Mesmo quando se nos façam adversários gratuitos, podemos auxiliá-los...

Jesus não recomendou festejar os que nos apedrejem a consciência tranquila e nem nos ensinou a arrasá-los. Mas, ciente de que não nos é possível concordar com eles e nem tampouco odiá-los, exortou-nos claramente: "amai os vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem e caluniam!..."

*

É assim que a todos os necessitados difíceis das horas escuras, aos quais não nos é facultado estender os braços de pronto, podemos amar em espírito, amparando-lhes o caminho, através da oração.

Emmanuel do livro:
Opinião Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Tenta o amor

Tenta o amor

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por IA.

Ninguém sintetizou, com igual sabedoria, a regra áurea da felicidade, como Ele o fez.

Todos quantos lideraram as massas agarraram-se ao poder e à dominação arbitrária.

Desfilaram guindados ao êxito transitório, carregados pela falácia e ricos de presunção.

Ergueram-se como construtores de impérios e governaram discriminatoriamente, mais temidos que amados.

Filósofos que O anteciparam, trazendo ardentes na alma as flamas do bem e do ideal, inscreveram em estelas de pedra, em pergaminhos e peles de animais, tijolos de barro cozido e papiros as instruções para a libertação das consciências e dos corações.

No entanto, os seus mais excelentes excertos não lograram penetrar fundo no imo das criaturas.

Ele, não!

Viveu ensinando pelo exemplo, pacífico e pacificador, amando sempre.

Estatuiu o amor como sendo o zênite e o nadir da Vida e, ao fazê-lo, mudou as estruturas da ética, da cultura e da civilização.

Jesus dividiu a história e fez, marco limítrofe de todos os tempos, o amor, que é a origem, o meio e o fim de todas as realidades, de todas as vidas.

*

O homem, na sua faina de crescer e de conquistar, vem dilatando os espaços e preenchendo-os com guerras e desolações, lutas e ambições.

Fascinado pelo poder, venceu as distâncias, acumulou ouropéis e caminha, por isso mesmo, vitimado pelo tormento da egoesclerose (enrijecimento do ego - RDB) que o enlouquece.

*

Só o amor é-lhe a terapêutica ideal, que ate agora tem recusado com espírito de sistema e de presunção.

*

Combalido e triste nas lutas do teu cotidiano, entre dissabores e amarguras, tenta o amor.

*

Sobrecarregado de dores e anátemas, a sós na multidão e vergastado pela sandice, sem uma saída aparentemente feliz, tenta o amor.

*

A um passo do desespero, sentindo-te estiolado e perdido, para e tenta o amor.

*

Em qualquer circunstância e ocorrência, por mais sombrias se te apresentem, tenta o amor, espargindo-o como pólen de luz, e o amor te responderá, em paz e beleza, tudo quanto ensementares nos outros corações.

*

Haja, portanto, o que houver, não revides mal por mal, desejando e fazendo ao teu próximo todo o bem que desejares que ele te faça.

Descobrirás que o amor ao próximo, efeito imediato e mais urgente do amor a Deus e a si próprio, é a regra de ouro, a solução para todos os quesitos do pensamento universal.

*

Faze, portanto, como Jesus e jamais te cansarás de tentar o amor, até que ele domine soberano em teu coração. 

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Viver e Amar

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domingo, 20 de setembro de 2026

Vem aí

Vem aí

Valérium


Imagem gerada por IA.

A jovem casara-se com o homem amado, contudo, não suportava a sogra. A nobre dama recebia da nora injúrias, remoques, humilhações.

Não podia acariciar o filho, sob pena de ver-se repentinamente insultada.

Não conseguia trabalhar, coagida pelas críticas incessantes.

Tentava-se se explicar era interpretada por descortês.

Se doente, era obrigada a sofrer pesado martírio para que o filho não sofresse mais que ela própria.

Aproveitando-se de viagem longa do esposo, que se ausentara em serviço, a nora expulsou a velhinha numa noite de frio rude e com tanto desconforto, perambulou a infeliz que voltou à casa, depois de cinco dias, simplesmente para morrer.

Anos rolaram entre as saudades do filho e as queixas da esposa, que nunca se reconciliara com a sogra.

Entretanto, chegou o dia em que a nora também desencarnou e ao perguntar pela sogra veio, a saber, espantada, que ela estava em seu próprio lar. Reencarnara-se, desde muito, e recebera-lhe extremo carinho na posição de filha caçula, tendo ficado na Terra, como apoio afetivo do próprio pai.

***

Não vale o cultivo da aversão de qualquer natureza, porque todo o Universo vive equilibrado na lei do amor.

Quando você voltar a ponto de odiar alguém, não se esqueça de que a reencarnação vem ai.

Valérium do livro: Ideal Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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sábado, 19 de setembro de 2026

Sexualidade e vida

Sexualidade e vida

Eros

Imagem gerada por IA.

O dia se transformara em uma fimbria de luz coroando os montes, ao longe.

O Bem-aventurado terminara a Sua alocução. No entanto, alguns casais jovens se acercaram e pediram-Lhe para que lhes falasse sobre o sexo.

Transparecendo na face marcada o respeito pelo tema sugerido, Ele assim considerou:

"O sexo é departamento sublime do corpo, destinado à perpetuação da vida. Feito para a criatura, esta lhe deve disciplina e orientação, ao invés de tormento e gozo. Ou o indivíduo governa o sexo ou lhe tomba exaurido na dissolução do apetite incontrolado.

Instrumento de dois agudos fios, ele faculta a alegria que fomenta a harmonia, assim como conduz a tristeza que leva ao desconforto.

Enraizado no ser, não exige complementos extenuantes para a sua satisfação. A mente insana, no entanto, se atormenta, utilizando-se de recursos perniciosos que o degradam, desviando-o da sua finalidade superior.

Somente com o elevado controle interior, que responde pela satisfação plena das faculdades, é que se logra vencer o abrasar dos sentidos, nos quais seus ramos se estendem em inumeráveis direções.

O Espírito não possui sexo, que é impositivo transitório da existência corporal para experiências nas polaridades masculina e feminina. Por isto, ninguém é responsável pela queda de outrem, senão, quando este sofre o tormento do descontrole pessoal. Não se culpe, desta forma, a ninguém de ser a tentação para o seu próximo. Cada qual vê, no exterior, o que carrega interiormente.

Uma boa aparência pode sensibilizar, levando ao desejo da concupiscência. A entrega, porém, não aquieta o coração, antes desperta mais rudes paixões, que terminam em esgotamento ou saturação.

O alimento se destina à nutrição e manutenção do corpo e não à satisfação da gula. Da mesma maneira, o sexo tem a finalidade de atender a reprodução da forma sob o impositivo da lei natural e não para ser transformado em fonte de gozos insaciável e necessário que a força sexual seja canalizada para as construções do espírito, na arte, no saber, na realização.

Agredido pelo desejo infrene o homem deve orientá-lo com segurança, porquanto não há manifestação natural da vida orgânica que não possa ser comandada corretamente.

No oceano desaguam os rios que vencem as distâncias.

No equilíbrio da vontade se encontram em harmonia todos os desejos sem nenhum choque. Assim, os instintos se transformam em sentimentos e estes se sublimam na área da razão.

O sexo é instrumento da Vida."

Eros por Divaldo Franco do livro:
A um passo da imortalidade

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