sábado, 18 de abril de 2026

Verniz social

Verniz social

Hammed


“... A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que lhe são a manifestação. Entretanto, não é preciso fiar-se sempre nas aparências; a educação e o hábito do mundo podem dar o verniz dessas qualidades...” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 9, item 6.)
Nem sempre conseguimos mascarar por muito tempo nossas verdadeiras intenções e planos matreiros. Não dá para enganar as pessoas por tempo indeterminado. Após vestirmos as roupagens da afabilidade e doçura para encobrir rudeza e desrespeito, vem a realidade dura e cruel que desnuda aqueles lobos que vestiram a “pele de ovelha”.

Realmente, é no lar que descortinamos quem somos. É no lar que escorre o verniz da bonança e da caridade que passamos sobre a face e que nos revela tal como somos aos nossos familiares.

Trazemos gestos meigos e voz doce para desempenhar tarefas na vida pública, no contato com chefes de serviço e amigos, com companheiros de ideal e recém conhecidos, mas também trazemos “pedras nas mãos” ou punhos cerrados no trato com aqueles com quem desfrutamos familiaridade.

Por querer aparentar alguém que não somos, ou impressionar criaturas a fim de conquistá-las por interesses imediatistas, é que incorporamos personagens de ficção no palco da vida. Ou seja, é como se cumpríssemos um “script” numa representação teatral. Nada mais do que isso.

Em várias ocasiões, integramos em nós mesmos não só a sociedade visivelmente “externa”, com suas construções, praças, casas e cidades, mas também a sociedade em seu contexto “invisível”, que, na realidade, se compõe de regras e ordens sociais, bem como dos modelos de instituições criadas arbitrariamente. Captamos, através de nossos sentidos espirituais, todos os tipos de energia oriunda da população. Através de nossos radares sensíveis e intuitivos, passamos a representar de forma inconsciente e automática um procedimento dissimulado sob a ação dessas forças poderosas.

Maquilagens impecáveis, joias reluzentes, perfumes caros, roupas da moda e óculos charmosos fazem parte do nosso arsenal de guerra para ludibriar e corromper, para avançar sinais e para comprar consciências. Não nos referimos aqui à alegria de estar bem trajado e asseado, mas à maquiavélica intenção dos “túmulos caiados”.

Por não nos conhecermos em profundidade é que temos medo de nos mostrar como realmente somos.

Num fenômeno psicológico interessante, denominado “introjeção”, que é um mecanismo de defesa por meio do qual atribuímos a nós as qualidades dos outros, fazemos o papel do artista famoso, dos modelos de beleza, das personagens políticas e religiosas, das figuras em destaque, dos parentes importantes e indivíduos de sucesso, e por muito tempo alimentamos a ilusão de que somos eles, vivenciando tudo isso num processo inconsciente.

Desse modo, nós nos portamos, vestimos, gesticulamos, escrevemos e damos nossa opinião como se fôssemos eles realmente, representando, porém, uma farsa psicológica.

Ter duas ou mais faces resulta gradativamente em uma psicose da vida mental, porque, de tanto representar, um dia perdemos a consciência de quem somos e do que queremos na vida.

Quanto mais notarmos os estímulos externos, influências culturais, físicas, espirituais e sociais em nós mesmos, nossas possibilidades de relacionamento com outras pessoas serão cada vez mais autênticas e sinceras. A comunicação efetiva de criatura para criatura acontecerá se não levarmos em consideração sexo, idade e nível socioeconômico. Ela se efetivará ainda mais seguramente sempre que abandonarmos por completo toda e qualquer obediência neurótica aos modelos aprendidos e preestabelecidos.

Abandonemos o “verniz social” que nos impusemos no transcorrer da vida. Sejamos, pois, autênticos. Descubramos nossas reais potencialidades interiores, que herdamos da Divina Paternidade. Desenvolvendo-as, agiremos com maior naturalidade e, consequentemente, estaremos em paz conosco e com o mundo.

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto
do livro: Renovando Atitudes


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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.


sexta-feira, 17 de abril de 2026

Insucesso aparente

Insucesso aparente

Ignotus


A viagem aérea transcorria tranquila.

Os dois passageiros iniciaram a conversação sem maior profundidade.

- As viagens aéreas fazem-me mal. Elucidou um, sinto-me nervoso, muito tenso.

- Não lhe dê maior importância. Isto ocorre, certamente, porque você vive inquieto.

- Sem dúvida. Agora mesmo estou vivendo momentos cruciais...

- Não só agora. Sua vida tem sido áspera. Suas conquistas se dão após imenso esforço e você vem atingindo as metas a penates de sacrifício...

- Como sabe? Em verdade penso insistentemente em suicidar-me. Sou um engenheiro químico fracassado. Perdi o meu primeiro emprego e não consigo outro. Retorno à casa com mais um insucesso... A ideia de autodestruição me atormenta e é - me a única saída. Tenho esposa e um filhinho...

- E crê que solucionará o seu caso? Não será uma crueldade deixá-los à mercê de si mesmos, eles que contam com você? Além disso, não se engane: A morte abre as portas da vida e você continuará a viver, certo que em condição pior...

O estranho falou-lhe, infundiu-lhe ânimo.

- Como o senhor pode ter tanta paz e conhecimento da pessoa humana?

- Sou espírita militante e compreendo que a felicidade depende de como cada criatura se comporta em relação à vida.

Detalhou-lhe as bases da crença, as experiências, os estudos espiritistas.

- Que deverei fazer, a fim de livrar-me destes problemas?

- Primeiro, recorde-se de que os insucessos externos são sempre aparentes e graves aqueles de natureza interior, as atitudes que mantemos contra o próximo e nós mesmos: vícios, erros, compromissos morais negativos. Depois, tome contato com a Doutrina Espírita. Formule um programa de renovação interior e viva-o.

- Por exemplo?

- Estabeleça: eu sou forte em Jesus e n’Ele tudo posso.

Hoje faz sol eu sempre tenho sol em mim.

Quem aceita o desânimo já se encontra a caminho do fracasso.

O otimismo deve ser-me uma atitude interior.

Confio no bem, porque o bem é sempre bom.

Por enquanto estou colhendo. Não cessarei de semear. Assim fazendo recolherei bênçãos mais tarde.

Não temerei nada. O receio em coisa alguma ajuda.

Sou um homem de valor. Assim lograrei minhas metas.

O insucesso é experiência, lição que ensina o que não deverei fazer.

Em qualquer circunstância distribuirei alegria e esperança.

Como vê são pequenas regras, cheias de simplicidade e estímulo.

Aplique-as na vida diária. Não espere o êxito agora ou amanhã, porém mais tarde.

- Como agradecer-lhe? Estamos chegando. O senhor colocou vida e sol em minha existência. Bendigo a Deus esta viagem.

- Certamente. Ante este êxito você constata que o seu aparente insucesso enseja-lhe experiência nova. Felicidades!

*

Você possui algo com que pode ajudar.

Não se escuse fazê-lo.

Ao seu lado, desconhecido, há alguém necessitando de sua cooperação. Tente doá-la.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Espelho Dalma

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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Confiemos servindo

Confiemos servindo

Emmanuel


"Assim também a fé, se não tiver obras, está morta em si mesma.” (Tiago, 2:17.)

Asseguras o mérito da semente, valorizando-lhe as qualidades, mas, se alguém foge de plantá-la, todo o teu esforço verbal terá sido vão.

Gabas-te de possuir primorosos talentos artísticos; no entanto, se não trabalhas por expressá-los, descerás fatalmente ao ridículo diante dos que te ouvem.

Esboças valioso projeto para o levantamento de largo edifício; entretanto, se não promoves a construção, os teus planos, por mais belos, estarão relegados ao mofo.

Confias plenamente no credor que te emprestou recursos determinados; todavia, se não pagas a dívida, serás levado à insolvência.

Apregoas as vantagens de certa máquina, mas, se ninguém lhe experimenta os mecanismos na atividade, o engenho, por mais precioso, acabará esquecido por traste inútil.

Assim também nos assuntos da alma. Em verdade, reverenciamos a Providência Divina, depositamos em Cristo a nossa esperança, admiramos a virtude e acreditamos na força do bem; contudo, se nada realizamos, na esfera das boas obras, a nossa fé pode ser vigorosa e resplendente, mas não adianta.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Palavras de Vida Eterna

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Experiência e Autoridade

Experiência e Autoridade

Deolindo Amorim



Durante muito tempo, nas discussões filosóficas e demandas teológicas, o critério da experiência e o critério da autoridade tiveram muita influência no pensamento crítico. Insurgindo-se contra a última palavra do púlpito ou da cátedra, o que significava simplesmente fazer tábua rasa da autoridade, os apologistas da experiência faziam questão da prova direta, queriam a verificação em campo aberto e não as sentenças dos mestres. Os empiristas invocavam a experiência como valor indiscutível enquanto os tradicionalistas faziam da autoridade o valor decisivo nos critérios da verdade. Praticamente duas posições antagônicas: aceitar uma verdade somente depois de comprovada pela experiência ou aceitar uma verdade mesmo sem prova, somente porque provinha de uma autoridade, que poderia ser um doutor, um teólogo, um filósofo...

Como em todas as posições radicais, (...) o exagero de um lado e do outro prejudicou sensivelmente o equilíbrio. Ninguém, criteriosamente, seria capaz de pôr em dúvida a necessidade da experiência sem submissão integral às noções já prontas e acabadas. Fechar o campo da experiência para não ser irreverente com a autoridade dos mestres, é impedir a evolução, é querer colocar o espírito inquiridor dentro de uma redoma. Em todos os campos a experiência sempre abriu caminho à crítica, a não ser nos períodos obscuros da Humanidade, quando não havia sequer a mínima condição de indagar e discutir... A experiência descobre novos filões e permite uma avaliação crítica mais segura, podendo oferecer até elementos para a revisão de certas posições. Se não fosse o respeito à experiência, o conhecimento humano em grande parte ainda estaria parado no tempo e no espaço.

Apesar de tudo, convenhamos, tanto o valor da experiência como o testemunho da autoridade são relativos. O exagero em que incidiram os partidários das duas soluções é evidente! Nem tudo se pode provar pelos instrumentos da experiência sensível, nem todas as verdades podem ser determinadas pelos compassos de precisão ou dentro dos tubos de ensaio. O fato de se não poder demonstrar com exatidão de uma lei ou de um princípio no banco da experiência objetiva não quer dizer que essa lei não seja verdadeira ou seja fantasia.

A experiência tem suas limitações em qualquer campo de investigação. Seria o caso de negar a existência de Deus, em nome da experiência, por não ser possível prová-la diretamente, segundo o desejo de muita gente... O mundo subjetivo ou mundo íntimo tem realidades que escapam a todos os critérios de comprovação prática. Alguém, porventura, já conseguiu trazer o EU na ponta do escalpelo, apesar de tudo quanto já se fez para penetrar na alma humana ou analisar intimamente a personalidade? Nem por isso seria possível negar a existência do EU profundo no ser humano.

O exagero sempre deforma a visão clara das coisas. Os próprios sentidos humanos, que são o meio mais simples ou primário de experiência, estão sujeitos a equívocos e, muitas vezes, a verdadeiras traições. Um indivíduo apaixonado ou exaltado, ainda que esteja de olhos abertos ou de ouvidos atentos, pode ver uma coisa e confundir o choro de uma criança com o grito de um cão... Os sentidos nem sempre funcionam bem! Quem está sozinho dentro de uma casa vê coisas e figuras apavorantes, confundindo a perna de uma cadeira com uma arma de fogo... Não podemos, pois, dar tanta ênfase aos instrumentos sensíveis do conhecimento.

Se é certo que devemos prezar a experiência como caminho necessário à procura da verdade em qualquer terreno possível, também é certo que não devemos desprezar a autoridade daqueles que viveram suas experiências, mas viveram mesmo, acumulando observações proveitosas, deixando livros e depoimentos que se incorporaram à riqueza moral e cultural do Espiritismo.

Trata-se de um acervo que não pode ser depreciado ou relegado ao rol das velharias, como às vezes se diz.

O maior exagero de muitos partidários da verdade positiva está justamente no fato de exaltarem demais a experiência, fazendo até pouco caso do que já existe ou do que já se escreveu. Por sua vez, os que invocam o testemunho da autoridade e esquecem de que ninguém neste mundo é dono da verdade. O sábio que era autoridade numa ciência há 50 anos, por exemplo, já não pode competir, hoje, com os que estão acompanhando o desenvolvimento científico e tecnológico. Por mais erudito, mais culto que seja um indivíduo, precisa atualizar-se, aparelhar-se com o instrumental da época, a fim de não perder o sentido de continuidade e renovação através dos tempos. Autoridade e experiência, portanto, são conceitos relativos.

Dentro deste panorama de contradições e desvios, o que se nota, no fundo de tudo, é a falta de senso de equilíbrio! Não se deve dar à experiência prática um valor absoluto, assim como não se pode atribuir ao critério da autoridade a força de uma sentença definitiva. O desencontro entre a experiência e o testemunho histórico também se observa às vezes no próprio meio espírita.

A preocupação de fazer Espiritismo exclusivamente experimental, como se fosse apenas laboratório, deixando os princípios doutrinários inteiramente à margem, leva ao exagero de uma formação inevitável — o desinteresse quase ostensivo em relação ao trabalho de outras gerações. Até parece que tudo está começando da estaca zero, como se nada se tentou nem se realizou antes... Ora, e as grandes obras, as pesquisas estafantes, as profundas elaborações do pensamento no patrimônio da literatura espírita? Estaria tudo isso obsoleto?

Claro que o Espiritismo suscita e aceita novas pesquisas, tanto quanto o reexame de posições, sempre que necessário. Mas não é por isso que se deve chegar ao extremo de afastar sistematicamente as obras mais autorizadas, ainda hoje, no campo espírita, como se fossem contos da carochinha! Não...!

Por mais importantes que sejam as experiências, sempre estimáveis, não obscurecem a autoridade, por exemplo, de Crookes, de Aksakof, de Bozzano, de Imbassahy, entre outros autores categorizados. Negar a autoridade desses homens, sem falar em Allan Kardec, que é a base de todo o edifício doutrinário, é querer tapar o sol com a peneira.

É evidente que não podemos ficar apenas no testemunho da autoridade, citando Crookes, Flammarion, etc., pois é preciso estudar e investigar mais, abrir novos campos de perquirição, o que, aliás, está no espírito da própria Doutrina codificada por Allan Kardec. No entanto, também não é justo que se dê mais realce a certas experiências, inegavelmente positivas, no domínio da Parapsicologia e de outras esferas de investigação, querendo fazer crer, por causa disto, que os autores clássicos do Espiritismo, homens que estudaram, observaram e experimentaram seriamente, já não têm mais expressão de autoridade no assunto.

Convém notar, a propósito, que muitas novidades ou descobertas de hoje, se examinarmos bem, se quisermos tirar os rótulos empregados por certas escolas, não estão inovando tanto, não, como poderia parecer à primeira vista. Muita coisa já está em Crookes, em Bozzano, naturalmente com os termos cabíveis nas circunstâncias em que eles trabalharam.

Apesar de tudo quanto já se estudou e realizou em Psicologia experimental, nas técnicas psicanalíticas e nos laboratórios de Parapsicologia a respeito da natureza da alma humana e dos fenômenos inerentes à personalidade e despeito de tudo isto, ainda não se pode encostar O Livro dos Médiuns, como não se pode fechar a vigorosa bibliografia de Gabriel Delanne, cujos livros continuam sendo uma das fontes mais autorizadas no Espiritismo. Dentre eles podemos citar A Evolução Anímica, O Espiritismo perante a Ciência, A Reencarnação, etc.

(...) No terreno filosófico, finalmente, haverá porventura alguma contribuição de natureza humana ou espiritual, que já tenha suplantado a profundidade e a lucidez de pensamento de Léon Denis, autor de livros, como por exemplo, Depois da Morte, Cristianismo e Espiritismo, O Porquê da Vida, O Problema do Ser, do Destino e da Dor? Por que, pois, não estimar, não respeitar a autoridade real de certas obras que estão resistindo aos tempos com toda a integridade? Por que em suma olhar o passado com tanto desinteresse, como se tudo fosse quimera ou sonho romântico se é do passado que nos vem o lastro de experiência? Por que, afinal, relegar a herança que recebemos de outras gerações, se é através da continuidade, dos enriquecimentos e das transformações que se formam as grandes sínteses do conhecimento.

Para terminar, podemos dizer que no meio espírita existem duas tendências desajustadas e, por isso, devem ser reexaminadas criteriosa e serenamente.

Primeira: Valor quase dogmático ao testemunho da autoridade, repetindo o que já se disse, sem um passo a mais no sentido de melhoramento das aquisições científicas e doutrinárias; Segunda: Depreciação da autoridade dos autores históricos, velada ou declaradamente, a fim de exaltar as novas experiências, desprezando tudo quanto constitui o tesouro da cultura espírita.

Ora, nenhuma das duas tendências se compatibiliza com o verdadeiro caráter do Espiritismo pois a Doutrina indica sempre, em todas as situações, o caminho seguro do bom- senso.

Revista Estudos Psíquicos — Lisboa, Portugal — Jun. 1974

Deolindo Amorim do livro:
Ponderações Doutrinárias
(Coletânea de artigos publicados por Deolindo Amorim, em diversos jornais e revistas espíritas do Brasil e do Exterior / Livro organizado por Celso Martins)
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