terça-feira, 15 de setembro de 2026

A hora do testemunho

A hora do testemunho

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por IA.

Sentias que a adaga da provação iluminativa tombaria sobre ti, ceifando-te alegrias e expectativas de paz que acalentavas com ternura e ansiedade.

No íntimo sabias que a dor te alcançaria as províncias da alma, levando-te a sofrimentos inenarráveis.

Percebias o acumular de nuvens borrascosas nos céus das tuas esperanças.

Caminhavas com passo firme, no entanto, experimentavas o solo, muitas vezes cediço, por onde avançavas.

Cantavas a melodia da vida aos ouvidos do coração, e, não poucas vezes, a ressonância da perversidade de alguns desvairados chegava à concha dos teus sentimentos, anunciando-te horas patéticas.

Prosseguias com entusiasmo, apesar de observares a pertinácia de inimigos gratuitos telementalizados pelas forças do mal que ainda campeiam no mundo.

Desesperadas em face da tua persistência no bem, teriam que te silenciar a voz, apunhalar-te o sentimento, desmoralizar-te, para que, dessa forma, a tua mensagem não passasse de ilusão ou mentira, jamais chegando às aflições que deveriam ser diminuídas.

Arquitetaram o plano desesperado, no qual te crucificariam no madeiro da própria abnegação, tornando-te execrado.

Quando a traição alcançou a face zombeteira do mundo, os teus inimigos exultaram e passaram a comemorar o êxito do seu empreendimento perverso.

Agora aguardam pelos resultados odientos da sua trama, apoiados por alguns que não sintonizam contigo por diversos motivos e que te veem como competidor das suas ambições.

Não te descoroçoes no embate grandioso do amor e da verdade de que te fazes herdeiro do Crucificado sem culpa.

Se a Ele, a quem amas e buscas seguir, retalharam a alma, amarguraram as horas, prenderam a um madeiro de infâmia, que não te farão esses mesmos instrumentos da loucura que avassala a Terra?!

Não te é surpresa o convite ao testemunho.

Na tua condição de seguidor do Incompreendido dos milênios, experimentar o azedume e a crueldade com que O feriram deve constituir-te uma honra, que te assinalarão as horas do futuro com as condecorações em forma de cicatrizes impressas nos tecidos delicados da alma.

É compreensível que sofras, mas também dispões do lenitivo do conhecimento para não te deixares sucumbir, amargurar, ou guardar qualquer ressentimento.

Os teus perseguidores constituem-te benfeitores da jornada.

Já que não conseguiste atraí-los para o teu círculo de amizade, ama-os a distância e dá-lhes o direito de não gostar de ti.

Quem ama Jesus está dignificado pela Sua presença. E, por enquanto, o Seu sinal naquele que O serve é o testemunho de fidelidade e de companheirismo.

*

Não foi um estranho ao Mestre, aquele que O traiu, vendendo-O miseravelmente aos Seus inimigos.

Não foi um desconhecido que O negou três vezes consecutivas.

Não foram corações distantes que O abandonaram.

Todos eles conviviam com a Sua presença, participavam do banquete do Seu amor, ouviam a sinfonia da Sua voz, sonhavam em conquistar o Reino dos Céus com Ele. No entanto, eram criaturas frágeis como tu e os teus inimigos, que abriram campo para a insinuação da ignomínia, para a ação de extermínio do amor. Não dispunham de reservas morais para as refregas que deveriam enfrentar, e, no primeiro embate, tombaram inermes nas armadilhas da loucura.

Assim, considera aqueles que agora te ultrajam e não os temas, nem os lamentes, nem te ressintas em relação às atitudes que tomaram.

Tu conheces o Mestre e eles talvez ainda não tenham travado um relacionamento mais profundo com Ele, apenas se utilizando do Seu nome para projetar a própria imagem atormentada.

Tu elegeste a incomum possibilidade de permanecer com Ele, enquanto os teus opositores, sentindo-se impossibilitados de fazer o mesmo, hostilizam-te, esmiúçam tua existência, azucrinam-te as horas, gargalham...

Encontram-se a soldo da alucinação a que se entregam de bom grado, e ainda não se deram conta do que estão fazendo.

A sua glória é semelhante à névoa que o sol da verdade dissipará. É idêntica à vitória de Pirro, insignificante.

Assim, prossegue cantando o Evangelho, e não te faltarão almas para ouvir a tua melodia.

Vive Jesus no Seu calvário, e atrairás muitos que anelam por exemplos de fé e de coragem, de forma que se renovem e se entusiasmem para prosseguir na luta.

No fragor da batalha, agradece a Deus a dádiva sublime de poderes demonstrar que o teu é o amor de fidelidade ao ideal que abraças e ao qual entregaste a existência.

Em realidade, este é um testemunho suave e transitório, porquanto as alegrias que decorrem do ato de servi-lO ultrapassam as demonstrações de acrimônia e de antipatia que te ofertam os infelizes sorridentes com as tuas dores...

Ninguém transita no mundo sem a bênção da reparação. Hoje é o teu dia de soerguimento moral, de conserto espiritual.

Posteriormente será a vez de outros, aos quais poderás distender mãos amigas, a fim de os ajudar.

Feliz é todo aquele que resgata, que ascende com os pés feridos e o coração abrasado de amor, ganhando os rumos da Imortalidade.

Aproveita-te dos momentos de solidão e de prece para reabastecer-te de paz, enriquecer-te de compaixão, alcançares níveis de consciência mais elevados.

(...) E quanto mais vigorosos sejam os impositivos de escárnio e de desprezo a que sejas submetido, mais te alegres com a ocorrência.

A vitória somente é verdadeira quando a batalha está encerrada.

Sem crucificação, não ocorrerá ressurreição.

Sem sacrifício, não há verdadeira glória de servir.

Exulta, portanto, na desincumbência dos teus deveres de espalhar luz por onde passes e irás diluindo as trevas que outros deixaram pelos caminhos.

A tua é a tarefa de semear astros luminíferos. Realiza-a, desse modo, sem descanso nem enfado.

Um dia, que não está longe, quando arrebatado pela desencarnação, percorrerás os rios invisíveis do Infinito e verás a Via Láctea iridescente que deixaste na retaguarda.

*

Os grandes mártires ensinaram-nos o caminho a seguir.

Abraçando os seus ideais de engrandecimento humano e espiritual da Terra, nunca se detiveram a receber louvaminhas ou glórias ilusórias. Trabalhavam para o futuro e sabiam que, no seu tempo, não haveria lugar para eles. Insistiram e perseveraram, tornando o mundo melhor para aqueles que vieram depois.

Sem a ambição de seres alguém que ilumina a Humanidade, alegra-te pela oportunidade de oferecer a tua quota de amor, preparando o futuro daqueles que virão logo mais, no qual, certamente, estarás também ao lado desses, que hoje te exigem o testemunho e te crucificam...

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Libertação pelo Amor

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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

No curso da vida

No curso da vida

André Luiz


Imagem gerada por IA.

- Exemplifique o bem desinteressado.

Os nossos atos demonstram a proximidade ou a distância em que vivemos da Lei Divina.

- Viva com alegria.
O presente já faz parte de nossa vida imortal.

- Pondere cada atitude.
Tanto é difícil saber fazer quanto saber não fazer.

- Evite o isolamento sistemático.
Somos peças integrantes do ambiente em que existimos.

- Entenda a função da posse efêmera.
Nem a riqueza e nem a privação expressam virtude.

- Não fuja ao começo.
A caridade corrige qualquer erro.

- Estude incansavelmente.
Alcançar novos conhecimentos é formular novas indagações.

- Cultive confiança.
Com temor não há progresso.

- Seja paciente na dor.
Crise, muitas vezes é o nome que aplicamos à transformação do mal em bem.

- Amolde-se aos padrões do Evangelho.
Na essência, o mundo atual permanece quase o mesmo da época de Jesus.

André Luiz do livro: Ideal Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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domingo, 13 de setembro de 2026

Altruísmo

Altruísmo

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por IA.

O altruísmo, que é lição viva de caridade, expressão superior do sentimento de amor enobrecido, abre as portas à ação, sem a qual não teria sentido a sua existência.

Dilatação da solidariedade, alcança o seu mais significativo mister quando reparte bênçãos e comparte aflições, trabalhando por minimizar-lhes os feitos, erradicando-lhes as causas.

É o próprio amor ensinado por Jesus, que esquece de si mesmo para concentrar-se no bem do seu próximo, olvidando todo o mal para agigantar-se nas aspirações do progresso, da ordem e da felicidade.

Antítese do egoísmo, cicatriza as lesões da alma, que este produz, fomentando a vigência da saúde integral.

Estrela luminar, irradia paz envolvente, que alcança e vence as grandes distâncias emocionais e preconceituosas que separam os homens. Arrasta os corações que se deixam impregnar pela sua irradiação, assinalando, indelevelmente, os períodos das vidas com a sua presença.

O desejo de posse, de gozo, de superioridade, que tipifica o egoísmo, na área libertadora do altruísmo, se converte em anelo de doação, de felicidade, de fraternidade.

O próprio desejo muda de conteúdo, perdendo a face tormentosa de jogo de prazeres, para constituir-se numa aspiração de serviço.

Os impulsos da carne, que buscam satisfazer os instintos e as paixões mais fortes, mais primárias, transformam-se em arrebatamentos de bondade e compreensão humana.

O próximo deixa de ser usado para ser dignificado. Todos os estímulos são conduzidos para o seu crescimento e triunfo sobre as falsas necessidades, trabalhando-lhe as virtudes em despertamento, a fim de que o homem espiritual sobreponha a sua à natureza dominante do homem animal.

A existência do altruísmo revela-se por diversos sentimentos de grandeza moral, que dão dignidade à vida. Entre esses, a generosidade assume papel de destaque, por ser-lhe a primeira manifestação prática, portanto, a sua forma inicial de exteriorizar-se na ação.

Costuma-se afirmar que, aquele que não abre a mão, mantém fechado o coração. E com fundamento, porquanto a generosidade tem início no sentimento que ama e deseja ajudar, a fim de concretizar-se na ação que socorre.

Abrir a mão é o gesto de deixar verter do coração ao mundo exterior o fluxo generoso em forma de doação, a fim de alcançar, no futuro, as grandiosas formas de abnegação. A generosidade, portanto, doa, de início, coisas, objetos e utensílios, roupas e alimentos, agasalhos e teto, para depois brindar sentimentos, aprimorando a arte de servir até poder doar-se.

Somente quem se exercita na oferta material, predispõe-se às dádivas transcendentes, aquelas que não têm preço, “não enferrujam” nem “os ladrões roubam”.

A generosidade mais se enriquece quanto mais distribui, mais se multiplica quanto mais divide, pois que tudo aquilo que se oferece possui-se, não obstante, qualquer valor que se retenha passa-se a dever. A felicidade, desse modo, resulta da ação de doar, dos benefícios dela decorrentes.

O homem generoso irradia simpatia e gera bem-estar onde se encontra.

Visceral adversária do egoísmo, a generosidade arranca, pela raiz, as tenazes desse responsável pela causalidade dos sofrimentos.

Jesus, na cruz, padecendo a ingratidão dos homens, ainda atendeu o ladrão que lhe rogou socorro, generosamente prometendo-lhe o Reino dos Céus, que já se lhe instalava na mente e no coração, a partir daquele momento.

O altruísmo, no processo de expansão, apresenta-se, também, com uma formulação ética.

Entendamos essa ética, na condição de serenidade que respeita todos os comportamentos, sem impor a sua forma de ser, de encarar a vida, de manifestar-se. Além de uma ética moral, tem um caráter universal, superando os interesses e convenções geográficas, que estabelecem conceitos de conveniência, estribados em preconceitos e limites, estatuídos em leis transitórias, às vezes, necessárias, mas que não objetivam o bem comum.

Assim, observamos éticas que apoiam estados escravocratas, limitam a liberdade de movimento, freiam a procriação, perseguem os que discordam dos seus códigos, punem e dizimam a seu bel-prazer.

A ética da generosidade centraliza suas atenções na Lei Natural ou de Amor, que respeita a vida em todos os seus estágios e ampara todos os seres sencientes, facultando-lhes a expansão.

Allan Kardec recebeu dos benfeitores da humanidade as diretrizes éticas perfeitas, oriundas da Lei Natural, porque procedente de Deus, a irradiar-se em várias outras, que fomentam o progresso, preservam a vida e dignificam a todos, promovendo o homem através do trabalho, igual ao seu irmão na origem e diferente nas conquistas intelecto-morais, sem privilégios, porém, ao alcance de todos.

Essa ética faculta discernir o correto do equivocado, impulsionando a criatura à aquisição de uma consciência elevada, resultado da eleição dos valores positivos, que tornam a vida digna de ser fruída.

A sua moral é centrada na generosidade, sem a falácia da anuência ao erro ou qualquer atentado aos códigos da ordem, do dever, da justiça.

Toda a sua estrutura de responsabilidade visa à promoção dos seres e do seu habitat, ao considerar a interdependência que existe entre eles.

Não elege uns seres em detrimento de outros, embora a sua expressão de amor varie de acordo com as respostas afetivas, o que não invalida a necessidade de superar a pertinácia dos maus e tê-los em conta como necessitados também da generosidade, que pode e lhes deve ser dispensada.

Normalmente, sob a ação do desejo, as demais pessoas são classificadas de acordo com o interesse que fomentam, com o lucro que proporcionam, tornando-as afáveis e amigas, antipáticas ou inimigas, insignificantes ou indiferentes. Manifestam-se, então, os sentimentos do amor possessivo, do desamor e do ódio, e de desinteresse ou indiferença. A ética da generosidade propõe a conquista dos valores que permanecem escondidos nos últimos, e a compreensão, quando os primeiros não correspondem ao modelo ao qual foram submetidos.

Não é castradora, por apresentar-se destituída de caráter punitivo; não obstante, o seu senso crítico analisa tudo e todos de modo a produzir o melhor.

A ética da generosidade é tranquila e, nesse conceito, pode ser considerada como a conquista da serenidade, conforme o seu significado profundo em sânscrito.

Como efeito, é paciente, não antecipando apressadamente realizações, nem buscando resultados imediatos.

A paciência é o próximo passo na execução do programa altruístico.

Há um inter-relacionamento entre os vários requisitos para a integral vivência do altruísmo, que erradica as causas dos sofrimentos. Um fator depende do outro, que são conquistas do Espírito na sua busca de perfeição.

Tornando-se saudável exercício de elevação moral, cada um promove a área do sentimento, desenvolvendo o intelecto na arte de compreender para servir, de crescer para libertar-se, de entesourar conhecimentos para os distribuir.

A paciência, em razão disso, é relevante, pelo significado de criar condições no tempo próprio para cada realização. Nem a postergação do labor, tampouco, pressa, irreflexão, que não conduzem aos resultados que se esperam.

Ela harmoniza as aspirações humanas, elucidando sobre o valor da ação contínua, bem elaborada, que atende a cada tarefa no momento oportuno.

Faculta repetir qualquer labor malogrado com o mesmo entusiasmo, ensinando como realizá-lo da maneira mais eficiente, sem o cansaço que induz ao pessimismo, ao abandono da realização. Sabe que tudo quanto hoje não pode ser feito sê-lo-á depois, desde que se persevere no tentame.

A vida se agiganta, molécula a molécula, em clima de harmonia, em paciente e incessante movimentação.

A paciência estimula a coragem, que se esforça para colimar os resultados. Essa coragem é fruto do conhecimento das leis que propiciam a insistência no programa do altruísmo.

A coragem é valor moral para enfrentar a luta e perseverar nela, nunca a abandonando sob qualquer pretexto. O esforço contínuo permite o prosseguimento da ação, que realiza o programa estabelecido.

A erradicação das causas geradoras do sofrimento somente é possível através do esforço com que se empreende a tarefa, a ela dedicando-se com empenho, sem o que se malogra, adiando a oportunidade.

O esforço bem direcionado caracteriza o grau de evolução do ser, porquanto, mais expressivo nuns do que noutros, distingue-os, demonstrando as conquistas já logradas, ao tempo em que faculta a percepção do muito a conseguir.

Insistir, portanto, com seriedade, pela conquista do altruísmo, encetando atividades que devem ser concluídas etapa a etapa, constitui passo de segurança para a libertação do sofrimento.

Mede-se, desse modo, o caráter de um homem, pelo esforço que empreende para crescer, para melhorar-se, a fim de enfrentar as reações que o seu ideal e empreendimento provocam.

Aquele que cede ante o obstáculo, que desiste diante da dificuldade já perdeu a batalha sem a ter enfrentado. Não raro, o obstáculo e a dificuldade são mais aparentes que reais, mais ameaçadores do que impeditivos. Só se pode avaliá-los após o enfrentamento. Ademais, cada vitória conseguida se torna aprimoramento da forma de vencer e cada derrota ensina a maneira como não se deve tentar a luta. Essa conquista é proporcionada mediante o esforço de prosseguir sem desfalecimento e insistir após cada pequeno ou grande insucesso. O objetivo deve ser conquistado, e, para tanto, a coragem do esforço contínuo é indispensável.

Muitas vezes será necessário parar para refletir, recuar para renovar forças e avançar sempre. É uma salutar estratégia aquela que faculta perder agora o que é de pequena monta para ganhar resultados permanentes e de valor expressivo depois.

O esforço estimula o desenvolvimento dos recursos que dormem no próprio homem, agigantando-se, à medida que realiza. A canalização correta do esforço dinamiza-o, já que o arrastamento para o vício, que quebra as resistências morais, é também uma forma de força arrebatadora, que poderia ser direcionada em sentido superior.

O altruísmo não vige sem o esforço para a sua manifestação, considerando-se que parece haver uma conspiração por parte do egoísmo, a fim de impedir-lhe a presença e o predomínio na área da emoção.

O computador, como outro engenho qualquer que ora fascina o homem, guardando milhões de dados, resulta do esforço daqueles que o engendraram e digitaram as informações, sinal por sinal.

Sem esforço a vida perece. Os membros não movimentados perdem a flexibilidade, entibiam-se e morrem.

Outro fator essencial ao altruísmo é a concentração nele, sem cujo contributo a mente se desvia, abrindo brechas para que se instalem ideias pessimistas, desanimadoras.

Centralizar o pensamento na ação altruística permite o estabelecimento de um programa eficiente, graças ao qual se delineiam técnicas e se logram recursos para executá-la.

A concentração amplia os horizontes enquanto fortalece o íntimo, por facultar o intercâmbio de energias superiores que passam a vitalizar o indivíduo, renovando-lhe as forças quando em exaurimento, especialmente no mister altruístico.

Desacostumados aos gestos de elevação, os homens reagem contra eles, tornando-se agressivos e ingratos, para reconhecerem os resultados positivos só posteriormente. Essa atitude não poucas vezes desanima as pessoas abnegadas e menos preparadas, que recuam ou desistem, porque não buscaram o apoio da meditação e deixaram-se intoxicar pelo bafio pestilento em expansão.

Meditando-se, percebe-se a necessidade de maior contribuição altruística sacrificial, compreendendo-se que a imensa carência de amor responde pela dureza dos sentimentos, e a agressividade predominante atesta a gravidade das doenças morais em desenvolvimento nas criaturas.

A meditação amplia a visão a respeito do mal, ao tempo em que equipa o homem de lucidez, fornecendo-lhe os instrumentos próprios para cuidar desse adversário cruel.

A arte da concentração é uma conquista valiosa e demorada, que exige cultivo e exercício, a fim de responder de maneira eficiente às necessidades emocionais do homem.

Habituado a concentrar-se nos fenômenos que decorrem das paixões ou sensações mais fortes, tais como o desejo, o ciúme, o ódio, o ressentimento, a sensualidade, a gula, os vícios em geral, quando se trata das aspirações mais elevadas e sutis, o indivíduo justifica-se com escusas de que não consegue concentrar-se, que lhe falta capacidade para deter-se no assunto, exclusivamente por comodidade mental ou porque prefere fugir às responsabilidades que advêm da mudança de programa.

Sem o contributo da concentração quaisquer atividades perdem o brilho e são mal executadas. É ela que propicia o enriquecimento dos detalhes, a visão particular e geral do empreendimento, revigorando o indivíduo, concedendo-lhe lucidez e inspiração.

Todos os grandes realizadores devem à concentração, ao esforço e à paciência o êxito que alcançaram.

Esqueciam-se de tudo, quando fixados no propósito de algo realizar.

Certamente, a tenacidade com que se mantinham era resultado da experiência que se alongava no tempo, propiciando-lhes a capacidade crescente de se afastarem mentalmente de quaisquer outros objetivos, fixando-se na ação a que se entregavam.

A concentração ilumina o altruísmo e revigora-o nos momentos difíceis, por facultar compreender as circunstâncias dos acontecimentos e os problemas nos quais as pessoas se emaranham. Capacita-o com energia especial e irradia-se em ondas de bem-estar, que impregnam todos quantos se aproximam da pessoa que a exercita. E quanto mais o faz, tanto maior se lhe torna a capacidade de exteriorização. É, portanto, essencial ao altruísmo, propiciando a anulação das causas do sofrimento, por facultar a vigência dos sentimentos elevados da vida em plena realização do bem.

Por fim, após a vivência desses variados itens, a sabedoria se instala na mente e no coração do homem, libertando-o da ignorância, apontando-lhe o objetivo real da existência corporal, impulsionando-o para novos tentames, cada vez mais sedutores e agradáveis, brilhando à frente.

Confunde-se a sabedoria com o conhecimento intelectual, o burilamento da mente, a fixação da cultura que, apesar de valiosos, são uma conquista horizontal.

Torna-se indispensável que, ao lado dessa importante aquisição, o sentimento lúcido e profundo do amor se torne a grande vertical do processo evolutivo.

Essa conquista vertical é a responsável pelo discernimento de como agir, facultando os recursos lógicos para tal, ao mesmo tempo suavizando pelo afeto a aspereza ocasional do processo de execução.

A sabedoria faz que o amor seja prudente e um sentimento generoso, doador, altruístico, evitando que se entorpeça com as manifestações do pieguismo, que disfarça os esquemas do ego enfermo.

Simultaneamente, proporciona ao intelecto a serena percepção de que à razão se deve unir ao sentimento humano, sereno e afável, responsável pelo arrastamento das pessoas.

O sábio reconhece a área extensa que tem diante dele para ser conquistada, e vive mais do que fala, ensina mais pelo exemplo do que pelas palavras.

Quando são desenvolvidos os passos que contribuem para o altruísmo e se adquire sabedoria, ilumina-se o Espírito, e a vida ganha sentido, superando-se os limites do tempo e espaço, em face da grande meta que se deve conquistar.

Os sofrimentos cedem, então, lugar à paz, porque desaparecem os fatores cármicos, vencidos pelas novas ações libertadoras, e, porque não sejam geradas causas atuais negativas, o futuro não se desenha sombrio nem ameaçador. Assim, o altruísmo viceja na mente e no coração, já não sendo mais o homem quem vive, e sim o Cristo que nele passa a viver, conforme acentuou Paulo e o sentiram outros mártires, heróis e sábios de todos os tempos, que se entregaram ao altruísmo em favor da humanidade.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Plenitude
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sábado, 12 de setembro de 2026

Fixação Mental

Fixação Mental

Dias da Cruz


Em nossas tarefas da noite de 5 de maio de 1955, o iluminado Espírito do Doutor Dias da Cruz voltou a visitar-nos, estudando, para a nossa edificação, o problema da fixação mental, depois da morte. Em sua alocução interessante e oportuna, o instrutor oferece-nos grave advertência quanto ao aproveitamento de nossa reencarnação terrestre.

Analisando, superficialmente embora, o problema da fixação mental, depois da morte, convém não esquecer que a alma, quando encarnada, permanece munida do equipamento fisiológico que lhe faculta o atrito constante com a natureza exterior.

As reações contínuas, hauridas pelos nervos da organização sensorial, determinando a compulsória movimentação do cérebro, associadas aos múltiplos serviços da alimentação, da higiene e da preservação orgânica, estabelecem todo um conjunto vibratório de emoções e sensações sobre as cordas sensíveis da memória, valendo por impactos diretos da luta evolutiva no espírito em desenvolvimento, obrigando-o a exteriorizar-se para a conquista de experiência.

Esse exercício incessante, enquanto a alma se demora no mundo físico, trabalha o cosmo mental, inclinando-o a buscar no bem o clima da atividade que o investirá na posse dos recursos de elevação.

Como sabemos, todo bem é expansão, crescimento e harmonia e todo mal é condensação, atraso e desequilíbrio.

O bem é a onda permanente da vida a irradiar-se como o Sol e o mal pode ser considerado como sendo essa mesma onda, a enovelar-se sobre si mesma, gerando a treva enquistada.

Ambos personalizam o amor que é libertação e o egoísmo, que é cárcere.

E se a alma não conseguiu desvencilhar-se, enquanto na Terra, das variadas cadeias de egoísmo, como sejam o ódio e a revolta, a perversidade e a delinquência, o fanatismo e a vingança, a paixão e o vício, em se afastando do corpo de carne, pela imposição da morte, assemelha-se a um balão eletromagnético, pejado de sombra e cativo aos processos da vida inferior, a retirar-se dos plexos que lhe garantiam a retenção, através da dupla cadeia de gânglios do grande simpático, projetando-se na esfera espiritual, não com a leveza específica, suscetível de alçá-la a níveis superiores, em circuito aberto, mas sim com a densidade característica da fixação mental a que se afeiçoa, sofrendo em si os choques e entrechoques das suas próprias forças desvairadas, em circuito fechado sobre si mesma, revelando lamentável desequilíbrio que pode perdurar até mesmo por séculos, conforme a concentração do pensamento na desarmonia em que se compraz.

Nesse sentido, podemos simbolizar a vontade como sendo a âncora que retém a embarcação do espírito em seu clima ideal.

É necessário, assim, consagrar nossa vida ao bem completo, a fim de que estejamos de acordo com a Lei Divina, escalando, ao seu influxo, os acumes da Vida Superior.

E é por isso que, encarecendo o valor da reencarnação, como preciosa oportunidade de progresso, lembraremos aqui as palavras do Senhor, no versículo 35, do capítulo 12, no Evangelho do Apóstolo João: 

"Avançai enquanto tendes luz para que as trevas não vos alcancem, porque todo aquele que caminha nas trevas, marchará fatalmente sob o nevoeiro, perdendo o próprio rumo." (João 12:35.)

Francisco de Menezes Dias da Cruz por Chico Xavier do livro:
Instruções Psicofônicas

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