quinta-feira, 16 de abril de 2026

Confiemos servindo

Confiemos servindo

Emmanuel


"Assim também a fé, se não tiver obras, está morta em si mesma.” (Tiago, 2:17.)

Asseguras o mérito da semente, valorizando-lhe as qualidades, mas, se alguém foge de plantá-la, todo o teu esforço verbal terá sido vão.

Gabas-te de possuir primorosos talentos artísticos; no entanto, se não trabalhas por expressá-los, descerás fatalmente ao ridículo diante dos que te ouvem.

Esboças valioso projeto para o levantamento de largo edifício; entretanto, se não promoves a construção, os teus planos, por mais belos, estarão relegados ao mofo.

Confias plenamente no credor que te emprestou recursos determinados; todavia, se não pagas a dívida, serás levado à insolvência.

Apregoas as vantagens de certa máquina, mas, se ninguém lhe experimenta os mecanismos na atividade, o engenho, por mais precioso, acabará esquecido por traste inútil.

Assim também nos assuntos da alma. Em verdade, reverenciamos a Providência Divina, depositamos em Cristo a nossa esperança, admiramos a virtude e acreditamos na força do bem; contudo, se nada realizamos, na esfera das boas obras, a nossa fé pode ser vigorosa e resplendente, mas não adianta.

Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Palavras de Vida Eterna

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- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

Experiência e Autoridade

Experiência e Autoridade

Deolindo Amorim



Durante muito tempo, nas discussões filosóficas e demandas teológicas, o critério da experiência e o critério da autoridade tiveram muita influência no pensamento crítico. Insurgindo-se contra a última palavra do púlpito ou da cátedra, o que significava simplesmente fazer tábua rasa da autoridade, os apologistas da experiência faziam questão da prova direta, queriam a verificação em campo aberto e não as sentenças dos mestres. Os empiristas invocavam a experiência como valor indiscutível enquanto os tradicionalistas faziam da autoridade o valor decisivo nos critérios da verdade. Praticamente duas posições antagônicas: aceitar uma verdade somente depois de comprovada pela experiência ou aceitar uma verdade mesmo sem prova, somente porque provinha de uma autoridade, que poderia ser um doutor, um teólogo, um filósofo...

Como em todas as posições radicais, (...) o exagero de um lado e do outro prejudicou sensivelmente o equilíbrio. Ninguém, criteriosamente, seria capaz de pôr em dúvida a necessidade da experiência sem submissão integral às noções já prontas e acabadas. Fechar o campo da experiência para não ser irreverente com a autoridade dos mestres, é impedir a evolução, é querer colocar o espírito inquiridor dentro de uma redoma. Em todos os campos a experiência sempre abriu caminho à crítica, a não ser nos períodos obscuros da Humanidade, quando não havia sequer a mínima condição de indagar e discutir... A experiência descobre novos filões e permite uma avaliação crítica mais segura, podendo oferecer até elementos para a revisão de certas posições. Se não fosse o respeito à experiência, o conhecimento humano em grande parte ainda estaria parado no tempo e no espaço.

Apesar de tudo, convenhamos, tanto o valor da experiência como o testemunho da autoridade são relativos. O exagero em que incidiram os partidários das duas soluções é evidente! Nem tudo se pode provar pelos instrumentos da experiência sensível, nem todas as verdades podem ser determinadas pelos compassos de precisão ou dentro dos tubos de ensaio. O fato de se não poder demonstrar com exatidão de uma lei ou de um princípio no banco da experiência objetiva não quer dizer que essa lei não seja verdadeira ou seja fantasia.

A experiência tem suas limitações em qualquer campo de investigação. Seria o caso de negar a existência de Deus, em nome da experiência, por não ser possível prová-la diretamente, segundo o desejo de muita gente... O mundo subjetivo ou mundo íntimo tem realidades que escapam a todos os critérios de comprovação prática. Alguém, porventura, já conseguiu trazer o EU na ponta do escalpelo, apesar de tudo quanto já se fez para penetrar na alma humana ou analisar intimamente a personalidade? Nem por isso seria possível negar a existência do EU profundo no ser humano.

O exagero sempre deforma a visão clara das coisas. Os próprios sentidos humanos, que são o meio mais simples ou primário de experiência, estão sujeitos a equívocos e, muitas vezes, a verdadeiras traições. Um indivíduo apaixonado ou exaltado, ainda que esteja de olhos abertos ou de ouvidos atentos, pode ver uma coisa e confundir o choro de uma criança com o grito de um cão... Os sentidos nem sempre funcionam bem! Quem está sozinho dentro de uma casa vê coisas e figuras apavorantes, confundindo a perna de uma cadeira com uma arma de fogo... Não podemos, pois, dar tanta ênfase aos instrumentos sensíveis do conhecimento.

Se é certo que devemos prezar a experiência como caminho necessário à procura da verdade em qualquer terreno possível, também é certo que não devemos desprezar a autoridade daqueles que viveram suas experiências, mas viveram mesmo, acumulando observações proveitosas, deixando livros e depoimentos que se incorporaram à riqueza moral e cultural do Espiritismo.

Trata-se de um acervo que não pode ser depreciado ou relegado ao rol das velharias, como às vezes se diz.

O maior exagero de muitos partidários da verdade positiva está justamente no fato de exaltarem demais a experiência, fazendo até pouco caso do que já existe ou do que já se escreveu. Por sua vez, os que invocam o testemunho da autoridade e esquecem de que ninguém neste mundo é dono da verdade. O sábio que era autoridade numa ciência há 50 anos, por exemplo, já não pode competir, hoje, com os que estão acompanhando o desenvolvimento científico e tecnológico. Por mais erudito, mais culto que seja um indivíduo, precisa atualizar-se, aparelhar-se com o instrumental da época, a fim de não perder o sentido de continuidade e renovação através dos tempos. Autoridade e experiência, portanto, são conceitos relativos.

Dentro deste panorama de contradições e desvios, o que se nota, no fundo de tudo, é a falta de senso de equilíbrio! Não se deve dar à experiência prática um valor absoluto, assim como não se pode atribuir ao critério da autoridade a força de uma sentença definitiva. O desencontro entre a experiência e o testemunho histórico também se observa às vezes no próprio meio espírita.

A preocupação de fazer Espiritismo exclusivamente experimental, como se fosse apenas laboratório, deixando os princípios doutrinários inteiramente à margem, leva ao exagero de uma formação inevitável — o desinteresse quase ostensivo em relação ao trabalho de outras gerações. Até parece que tudo está começando da estaca zero, como se nada se tentou nem se realizou antes... Ora, e as grandes obras, as pesquisas estafantes, as profundas elaborações do pensamento no patrimônio da literatura espírita? Estaria tudo isso obsoleto?

Claro que o Espiritismo suscita e aceita novas pesquisas, tanto quanto o reexame de posições, sempre que necessário. Mas não é por isso que se deve chegar ao extremo de afastar sistematicamente as obras mais autorizadas, ainda hoje, no campo espírita, como se fossem contos da carochinha! Não...!

Por mais importantes que sejam as experiências, sempre estimáveis, não obscurecem a autoridade, por exemplo, de Crookes, de Aksakof, de Bozzano, de Imbassahy, entre outros autores categorizados. Negar a autoridade desses homens, sem falar em Allan Kardec, que é a base de todo o edifício doutrinário, é querer tapar o sol com a peneira.

É evidente que não podemos ficar apenas no testemunho da autoridade, citando Crookes, Flammarion, etc., pois é preciso estudar e investigar mais, abrir novos campos de perquirição, o que, aliás, está no espírito da própria Doutrina codificada por Allan Kardec. No entanto, também não é justo que se dê mais realce a certas experiências, inegavelmente positivas, no domínio da Parapsicologia e de outras esferas de investigação, querendo fazer crer, por causa disto, que os autores clássicos do Espiritismo, homens que estudaram, observaram e experimentaram seriamente, já não têm mais expressão de autoridade no assunto.

Convém notar, a propósito, que muitas novidades ou descobertas de hoje, se examinarmos bem, se quisermos tirar os rótulos empregados por certas escolas, não estão inovando tanto, não, como poderia parecer à primeira vista. Muita coisa já está em Crookes, em Bozzano, naturalmente com os termos cabíveis nas circunstâncias em que eles trabalharam.

Apesar de tudo quanto já se estudou e realizou em Psicologia experimental, nas técnicas psicanalíticas e nos laboratórios de Parapsicologia a respeito da natureza da alma humana e dos fenômenos inerentes à personalidade e despeito de tudo isto, ainda não se pode encostar O Livro dos Médiuns, como não se pode fechar a vigorosa bibliografia de Gabriel Delanne, cujos livros continuam sendo uma das fontes mais autorizadas no Espiritismo. Dentre eles podemos citar A Evolução Anímica, O Espiritismo perante a Ciência, A Reencarnação, etc.

(...) No terreno filosófico, finalmente, haverá porventura alguma contribuição de natureza humana ou espiritual, que já tenha suplantado a profundidade e a lucidez de pensamento de Léon Denis, autor de livros, como por exemplo, Depois da Morte, Cristianismo e Espiritismo, O Porquê da Vida, O Problema do Ser, do Destino e da Dor? Por que, pois, não estimar, não respeitar a autoridade real de certas obras que estão resistindo aos tempos com toda a integridade? Por que em suma olhar o passado com tanto desinteresse, como se tudo fosse quimera ou sonho romântico se é do passado que nos vem o lastro de experiência? Por que, afinal, relegar a herança que recebemos de outras gerações, se é através da continuidade, dos enriquecimentos e das transformações que se formam as grandes sínteses do conhecimento.

Para terminar, podemos dizer que no meio espírita existem duas tendências desajustadas e, por isso, devem ser reexaminadas criteriosa e serenamente.

Primeira: Valor quase dogmático ao testemunho da autoridade, repetindo o que já se disse, sem um passo a mais no sentido de melhoramento das aquisições científicas e doutrinárias; Segunda: Depreciação da autoridade dos autores históricos, velada ou declaradamente, a fim de exaltar as novas experiências, desprezando tudo quanto constitui o tesouro da cultura espírita.

Ora, nenhuma das duas tendências se compatibiliza com o verdadeiro caráter do Espiritismo pois a Doutrina indica sempre, em todas as situações, o caminho seguro do bom- senso.

Revista Estudos Psíquicos — Lisboa, Portugal — Jun. 1974

Deolindo Amorim do livro:
Ponderações Doutrinárias
(Coletânea de artigos publicados por Deolindo Amorim, em diversos jornais e revistas espíritas do Brasil e do Exterior / Livro organizado por Celso Martins)
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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Determinismo e livre-arbítrio

Determinismo e livre-arbítrio

Joanna de Ângelis



Ação e Reação

A cada momento o Espírito está fazendo, modificando, renovando o seu destino. Os pensamentos e os atos são-lhe os agentes importantes, responsáveis pelas alterações que lhe cumpre viver no suceder dos dias. Isto, porque, a cada ação corresponde uma reação equivalente.

Não obstante a destinação feliz que a todos está reservada pelas divinas leis, o avançar, estacionar pelo caminho ou atrasar o momento de fruir, de beneficiar-se com a felicidade depende do ser, da sua decisão.

Reservado à glória espiritual — determinismo irreversível — o ser jornadeia pela senda que melhor lhe apraz desde quando adquiriu o discernimento — livre-arbítrio.

Ninguém que se encontre fadado ao mal, à desgraça. A ingênua concepção em torno dos que foram criados para a desdita não carece de qualquer fundamentação.

A escada evolutiva, na sua inabordável ascensão, sustenta-se nas conquistas pessoais em que o Espírito se firma num degrau de vitória, a fim de poder galgar o próximo, e, assim, sucessivamente. Cada passo dá-lhe mais força e experiência para o cometimento imediato. Cada nova empresa resulta da conquista anterior.

Não retrogradando nunca, porquanto as conquistas são aquisições inalienáveis, que se insculpem no imo, pode, no entanto, estagiar por tempo indefinido em qualquer situação a que se fixa por processos negativos e gravames de que somente se liberará quando se resolva superar o impedimento e ressarcir os males que haja feito.

Pessoas há que se asselvajam de tal forma e de maneira supressiva, tanto se comprometem com os erros, que parecem haver regredido na escala evolutiva à faixa primeva. Todavia, malgrado a soma de desatinos ou a ocorrência da loucura que delas se apossa, as suas experiências nobres e conquistas não se perdem, impondo-lhes, pelo contrário e graças a isso mesmo, maior soma de responsabilidade, mais severa necessidade redentora, que se exigirá no cadinho do futuro depurador.

Não vemos mães, pais, esposos, filhos duramente espezinhados, triturados no amor por aqueles extremos afetos que lhes avinagram todos os minutos e os cobrem de injúrias em todos os instantes, sem descoroçoarem no devotamento, sem uma palavra de queixa ou censura, antes justificando os que deles escarnecem e trucidam, oferecendo uma paisagem opinativa em torno deles, que não corresponde à verdade? Não encontramos criaturas imobilizadas em longas paralisias, ou carpindo rudes cegueiras, mudezas com o semblante iluminado de doce resignação com que bendizem a dor? Não defrontamos encarcerados, sofrendo penas injustas sem queixumes nem pruridos de autopiedade, em eloquentes posições heroicas? Não admiramos portadores de enfermidades irreversíveis, dolorosas, abertas em chagas purulentas, nauseantes por demorados anos, sem irritação nem revolta?

E que se dizer dos que transitam na miséria econômica ou social, carregando bom humor e esperança, parecendo felizes? Quantos outros suportando dolorosas injunções de trabalho exaustivo e humilhante, rendendo graças à honra de conseguirem honestamente o magro pão diário? Não há tantos que jornadeiam em soledade asfixiante com a alma a arrebentar de ternura, sedentos de carinho que não encontram, transformando as horas da própria angústia em sorrisos nos lábios alheios?

Eles sentem ou sabem que se estão soerguendo do abismo a que se precipitaram pelo egoísmo, pelo descrédito às soberanas leis, em ansiosa busca de ascensão. No tentame nobre não lhes faltam mãos espirituais generosas que os socorrem, benévolas, em nome do Pai. Tombaram, sim, no entanto se esforçam por evoluir, recuperando o tempo mal aplicado na sanha da loucura.

Vêm viver, em provas difíceis, a pena de redenção, voluntariamente, conscientes do erro e da necessidade de reparação dos débitos.

Há, também, aqueles que expiam em problemas equivalentes, porém, sob chuva de fel e diatribes que exteriorizam, ou açoitados por surda revolta que os amesquinha, conquanto não possam fugir do jugo purificador a que estão submetidos pelas atitudes de grosseria e desacato para com a vida. Evoluem a penosos penates de difícil superação. Tragam a taça referta de ácidos que requeimam o coração e a mente a fogo, de que precisam para o caldeamento dos sentimentos.

Promovem-se, pela dor, naquilo que não souberam ou desdenharam conseguir pelo amor.

O atentado à ordem resulta em desarmonia do equilíbrio que vige em tudo, em toda parte. Quem arbitrariamente desfere golpes contra a ordem sofre-lhe a natural consequência, e essa é a vergastada da dor, que desperta e corrige, educa e levanta para os tirocínios elevados, os empreendimentos substanciais.

Nunca se faz necessário que alguém se transforme no instrumento da justiça, quando ferido. A opção de fazê-lo acarretar-lhe-á lamentáveis problemas que há de suportar mais tarde.

O mal perpetrado contra alguém não se dirige, apenas, à individualidade almejada, mas ao organismo geral em que aquela se movimenta. O problema passa, então, a pertencer ao grupo afetado. Por essa razão, à vítima sempre cabe a atitude de perdão, porquanto, se revida ao mal que sofreu com outro mal, toma-se agressor, atuando na órbita daquele que o feriu. Todavia, se não perdoa e o seu prejudicador se renovou na prática do bem, já está reparando o mal antes realizado, não se lhe aplicando o impedimento do progresso, porque o desafeto permaneça na teima do desforço pessoal... O ódio que se vote contra outrem não se faz dificuldade ao acesso a escalas superiores por quem lhe padece os petardos.

As ações edificantes, os gestos de renúncia, abnegação, sacrifício e caridade sobrepõem-se aos labores tumultuosos, prejudiciais, viciosos.

O bem é mais importante do que o mal. A luz tem mais poder do que a sombra.

Para as conquistas do Espírito, em cada experiência reencarnatória, são-lhe previstas, em razão das aquisições logradas num como noutro campo do bem ou do mal praticado, determinadas imposições purgadouras, por que deverá passar, a fim de expungir os gravames inditosos que o infelicitaram. Nunca, porém, em caráter absoluto. O determinismo é flexível, com raras exceções, que sempre são examinadas, coordenadas e alteradas pelos responsáveis nos processos reencarnatórios dos que demandam à Terra em aprendizagem edificante, liberadora.

Nos mapas das experiências humanas, graças às mudanças de comportamento dos reencarnados, em decorrência do seu livre-arbítrio, são alterados com assídua frequência, sucessos e socorros, dores e problemas programados, abreviando-se ou concedendo-se moratória à vilegiatura daqueles que se situam num como noutro campo desta ou daquela necessidade...

Jamais olvidar que as leis que regem a vida são de amor, embora a base de justiça que se assenta na misericórdia de Nosso Pai Criador.

O que parece determinismo infeliz e que resulta nas chamadas desgraças terrenas: desastres, desencarnações inesperadas, enfermidades, abandonos, sofrimentos, pobreza de forma alguma são infortúnios reais, antes processos metodológicos de disciplina moral para os calcetas, os devedores inveterados mediante os quais são advertidos pelas forças superiores, a fim de que se voltem para os deveres nobres e se recomponham perante a consciência e o próximo que espezinham e subalternizam... Os infortúnios são os atos que levam a tais correções e não os medicamentos providenciais para a catarse dos descalabros cometidos, das sandices perpetradas...

Como auxiliares valiosos do livre-arbítrio, possui o homem o discernimento, a razão, a tendência para o bem, a irresistível atração para a felicidade... Contra ele estão o passado espiritual, o atavismo animal, a preferência ao erro, como decorrência do hábito, do comodismo a que se prende... A fim de que não se demore por tempo imensurável no erro, as leis sábias determinam-lhe as experiências dolorosas que funcionam como técnicas de avaliação das conquistas morais para o seu crescimento, sua evolução.

Espírito algum conseguirá marginalizar-se indefinidamente, entregando-se a si mesmo. Quando a sua opção infeliz o embrutece e a vilania o amarfanha, vai alcançado pelos impositivos do progresso, e, através de penosas, santificantes expiações, desenvolve as superiores aptidões inatas com que desdobra as asas da santificação, alçando voo no rumo do progresso.

Redescobre e reencontra o prazer do bem de que se divorciara e anela pela emoção de mais facilmente recuperar-se, do que resultam as comovedoras provações que solicita nas quais se agiganta, ganhando redenção e lecionando coragem aos enfraquecidos na luta, aos combatidos no esforço reabilitador, tal a conscientização de que se faz portador, na ânsia de ser ditoso...

Graças aos esforços despendidos e aos triunfos logrados após as sucessivas provações vitoriosas, granjeia mérito para as tarefas missionárias que o trazem de volta à Terra, que dignifica e abençoa com estoicismos comoventes e abnegações insuperáveis.

Muitos deles não se permitem alegrias enquanto não reconquistam os a quem ofenderam, refazendo o caminho ao seu lado, ofertando-lhes ventura sobre a dor e alegria além do lago das lágrimas. Para tanto mergulham no corpo somático em sublimes anonimatos, dotados de elevados valores que brilham no lodo em que aqueles se movimentam, salvando as antigas vítimas ainda intoxicadas pela revolta e pela vingança.

Somente após alçá-las ao planalto da esperança e resgatar diretamente com elas os erros, não obstante já se hajam lapidado e enobrecido perante a vida, é que partem noutros rumos...

As provações, portanto, espontaneamente aceitas, representam, conquistas, ajustes entre os Numes Tutelares e os Espíritos que se reencarnam, consubstanciadas no livre-arbítrio destes.

As expiações são as terapêuticas cirúrgicas enérgicas, ásperas, impostas pelo determinismo das leis para o bem daqueles que se deixaram colher nas malhas do egoísmo desvairado, das loucuras descabidas, da insensatez demorada.

Justapõem-se, interdependem-se, extrapolam-se num abençoado programa que objetiva a felicidade e a paz dos homens.

Os pensamentos, portanto, os atos, são os agentes responsáveis pelos sucessos e desditas que pesam na consciência de cada criatura.

O que haja acontecido de mal não se encontra consumado, desde quando luze a oportunidade da recuperação.

É verdade que o tempo urge para ser aproveitado e que não volta nas mesmas circunstâncias, com semelhantes requisitos, em iguais condições. Entretanto, o esforço pessoal, aliado ao interesse de edificação íntima, cria os fatores propiciatórios para que, noutro espaço de tempo, se modifiquem as estruturas negativas, se desfaçam as construções prejudiciais, se minimizem as consequências do já feito, produzindo-se os mecanismos favoráveis em prol do que se irá fazer.

Há sempre esperança no céu do homem decidido pela verdade.

Brilha inapagável a luz do bem no zimbório da vida.

"— Podeis fazer tudo o que eu faço e muito mais, se quiserdes." — afirmou Jesus.

Embora a destinação de glórias imprevisíveis que estão reservadas a todos, a decisão de fruí-las hoje ou mais tarde dependerá de cada ser nunca esquecendo que o "reino dos céus é tomado de assalto", pertencendo àqueles que se resolvem romper com a indecisão, a incerteza e o comodismo, os quais avançam com intimorato amor, numa livre opção para colimar o determinismo das divinas leis.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
No Limiar do Infinito

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terça-feira, 14 de abril de 2026

Nosso "eu"

Nosso "eu"

Meimei


Imagem criada por AI

Nosso “eu” é uma concha de trevas que não nos deixa perceber, senão a nós mesmos.

Espelho mentiroso, que a vaidade forja na esfera acanhada de nosso individualismo, reflete exclusivamente os nossos caprichos e os nossos desejos, impedindo a penetração da luz.

Aí dentro, nossas dores, nossas conveniências e nossos interesses, surgem sempre exagerados, induzindo-nos à cegueira e ao isolamento.

Mas o Senhor, que se compadece de nossas necessidades, concede-nos, com a cruz de nossas obrigações diárias, o instrumento da libertação. Suportando-a com fé e valor, entre os dons da confiança e as bênçãos do trabalho, crucificamos, cada dia, uma parcela de nossa personalidade inferior, a fim de que nosso espírito – gema preciosa e eterna dos tesouros de Deus – possa ser lapidado para a imortalidade gloriosa.

Meimei por Chico Xavier do livro:
Relicário de Luz

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