domingo, 12 de abril de 2026

Prioridades

Prioridades

Emmanuel



Meu Irmão:

Jesus te abençoe e te conceda a paz.

Teus amigos de muitos séculos rejubilam-se com a decisão de teu espírito convertido ao Evangelho do Divino Mestre, no setor das realizações espirituais.

Tua alma, meu caro amigo, iluminada nos recessos mais íntimos pela claridade superior, experimenta o êxtase daqueles que suspiraram de dor, longo tempo, à distância do Sol.

Quebrou-se a porta do cárcere, Jaks, e vês, presentemente, a radiosa alegria do monte, sequioso de sorver o orvalho divino das verdades eternas.

É por isso que tua mente se embriaga de esperança e, muitas vezes, de ansiedade por executar prontamente os deveres que te cabem, conquistando os cumes.

Tem calma e serenidade, contudo. É preciso semear, tranquilamente, para que a messe seja de fato o celeiro de todos no futuro próximo e remoto. Continua distribuindo a boa semente com alegria, convencido, porém, de que existem problemas de longo tempo por serem questões de longo alcance para a espiritualidade.

O que é anseio incontido no teu coração semeador é também saudade do grande Lar onde nos reuniremos todos, um dia, nos tempos que virão.

Por agora pois, meu amigo, se temos algo de novo a oferecer-te em matéria de orientação, apenas te pedimos bastante serenidade na continuação de teu apostolado na verdade e no bem.

Quanto à pergunta direta que formulas sobre a conveniência da construção de uma instituição beneficente em Pedro Leopoldo, devo dizer-te que a realização é fácil, mas prejudicial sob o ponto de vista dos interesses do espírito.

É que qualquer instituto de benefícios materiais, no momento, viria modificar os programas da usina de energia espiritual que se instalou aqui, com grandes dificuldades. Se houvesse necessidade premente, paralisaríamos o serviço da luz para atender exclusivamente ao serviço do pão, mas em verdade não faltam institutos socorristas próximos, a recepção de trabalho para o livro espiritista demanda circunstâncias especiais de simplicidade e, mais que nunca, sem qualquer presunção de nossa parte, necessitamos difundir conhecimentos básicos para o serviço coletivo de preparação mental no Evangelho.

Se instalássemos, de pronto, instituto dessa natureza na cidade, humilde ou suntuoso, num movimento louvável e justo de caridade, provocaríamos grande e contínua concentração de peregrinos, talvez mais da curiosidade científica menos construtiva que da necessidade em seu próprio sentido.

As preocupações e exigências, nas responsabilidades imediatas, perturbariam de algum modo o serviço que se vem fazendo para todos e provavelmente teríamos um círculo particularista em Pedro Leopoldo, atento a mil e uma obrigações comerciais, excluindo a possibilidade da iluminação coletiva.

Não somos infensos à realização, todavia, não agora. O momento é delicado e precisamos colaborar para que a obra não se faça insustentável.

Constitui-nos um dever semelhante cooperação, de vez que o trabalho é da comunidade do Espiritismo Cristão no Brasil.

Esperemos, pois, a passagem do tempo e aguardemos ensejo mais justo. Não obstante, poderás colaborar conosco enviando-nos, como sempre fazes, “poder” e “energia”, com as tuas preces e vibrações benéficas. Nossa usina não pode dispensar semelhante concurso.

Atende aos nossos trabalhos imediatos em Campos, sempre que te for possível. Existe lá uma realização simpática esperando colaboradores, o “Lar dos Meninos”.

Peço-te cooperação para ela. É serviço de inestimável valor para a Escola de Jesus Cristo.

Quanto aos teus familiares, dá a todos eles o que Jesus te recomenda... amor e sacrifício, proteção e carinho.

É o que te pode lembrar, de momento, o amigo e servo humilde.


Emmanuel por Chico Xavier do livro:
Excursão de Paz

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610/98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

sábado, 11 de abril de 2026

Definindo rumos

Definindo rumos

Joanna de Ângelis



Generaliza-se, sem qualquer fundamentação, o conceito, graças ao qual, as pessoas alcançam o conhecimento doutrinário do Espiritismo pela dor ou através do amor.

Em uma visão superficial pode-se calcular o número de pessoas incursas nessa questão. No entanto, a realidade pode ser desdobrada para uma análise mais profunda, em torno do relevante assunto dos rumos a seguir durante a existência carnal.

A criatura humana ainda se encontra desaparelhada psicologicamente, com as exceções compreensíveis, para os graves desafios da evolução. 

Mergulhadas no oceano das sensações, são mais facilmente atingidas pelos agentes fortes que lhes ferem os sentidos, não possuindo a conveniente sensibilidade para registrar as delicadas mensagens da vida e os sutis convites para o crescimento interior.

Os interesses imediatistas apontam os rumos do prazer e da comodidade em detrimento dos esforços de renovação e do trabalho para a edificação moral.

Situando-se no plano físico, equivocadamente cultivando ideias de perenidade, voltam-se para os valores objetivos, negligenciando as responsabilidades éticas e transferindo a execução dos deveres espirituais.

Face a tal comportamento, surpreendem-se amiúde, quando veem desmoronar os castelos de areia das ambições equivocadas, desejando apressadamente soluções impossíveis de serem encontradas.

Surpreendidas pelos fenômenos naturais do percurso existencial, tombam em lamentáveis estados de desconforto moral, de desânimo, ou resvalam pelas rampas da rebeldia e da violência.

Apressadamente buscam apoio e respostas nas doutrinas libertadoras, aportando especificamente no Espiritismo, ansiosas umas, levianas outras, irresponsáveis muitas, sensatas diversas, sérias e circunspectas inumeráveis.

*

Por essa razão, contam-se, nas hostes espíritas, aqueles indivíduos que chegaram mediante informações; grupos que vieram batidos pelo vendaval do sofrimento; curiosos buscadores da fenomenologia mediúnica e, por fim, os estudiosos, perquiridores sinceros, nos seus objetivos desinteressados de novidades e sem o culto da personalidade.

Os primeiros escutaram desencontradas notícias a respeito dos imortais e das atividades espíritas, chegando à seara movidos por curiosidade e descompromisso.

Os segundos acercaram-se vencidos pelos fenômenos normais da dor, aguardando equacionamentos rápidos e de fácil solução para os problemas que desenvolveram em largo período de tempo.

Os terceiros sentiram-se interessados na fenomenologia rica de novidades e surpresas, como brinquedos que se substituem depois de usados, sempre os deixando por outros mais interessantes e compensadores nos jogos da frivolidade infantil. 

Os estudiosos, no entanto, foram atraídos pela gravidade dos seus postulados e dos fenômenos resistentes às teses que se lhes opõem, permanecendo portadores de inexaurível fonte de informações e de consolo.

Os primeiros facilmente desertam, porque mantêm as ideias que já trouxeram e em que procuram situar a Doutrina, desinteressados no que ela tem para oferecer-lhes.

Os sofredores, na sua grande maioria, recusam-se a crescer, e quando permanecem nas fileiras espíritas, transitam de um para outro estado de dor, variando as causalidades, aguardando sempre e sem cessar, ajuda, compreensão, atendimento para os seus vários e constantes males.

Somente aqueles que estudam os conteúdos espíritas e deles se impregnam é que se tornam espíritas sinceros e úteis, passando da posição de observadores para a de atuantes, que se comprometem com a consciência do serviço, tornando-se instrumentos do bem.

E provável que, mesmo entre esses, surjam alguns que insistam em prosseguir observando sem envolvimento emocional, guardando dúvidas, que mantêm, diletantes e indiferentes.

*

Os rumos, a seguir, no movimento espírita, exigem convicção doutrinária, sacrifício pessoal, resolução consciente e refletida.

Não se apoia em pessoas ou Casas, mas se alicerça esse espírito e trabalho na Causa que a Mensagem desvela, impulsionando ao crescimento íntimo, à libertação.

Allan Kardec, sensata e sabiamente, depois de classificar os participantes e interessados no Espiritismo, alguns como adeptos, outros como espíritas imperfeitos e mais outros como sinceros, definiu os rumos morais dos candidatos ao conhecimento da Doutrina, e particularmente à sua vivência e divulgação.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
No rumo da felicidade

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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Dor e progresso

Dor e progresso

Maria Dolores




Mágoas, tristezas, lutas, desenganos?!...
Debita as provações à lei da vida.
Embora o sentimento, em pranto e chaga,
Prossegue à frente, de cabeça erguida!...

Tudo o que te conforta na existência,
Seja amparo de longe ou de mais perto,
Exige claro exame, porque, em tudo,
A Natureza é sempre um livro aberto.

Para guardar-te a casa a pedra aceita
O pesado instrumento que a carcome,
O trigo foi chamado e atendeu prestamente
À honra de ser pão para extinguir-te a fome.

Madeira que te arma o leito, a mesa
Ou te cria a guitarra para festa,
Obrigou-se a largar o meio em que vivia
Em recanto esquecido da floresta.

A fonte jamais grita contra o lodo
Que lhe cabe vencer na direção do mar...
A argila obedeceu aos tormentos do fogo
Para tornar-se forma e cor nos enfeites do lar.

Pensa nisto, alma irmã... Nada reclames.
Dor é transformação que nos reforma o ser...
Em toda e qualquer vida, a fim de renovar-se,
Necessita servir, caminhar e sofrer.

Maria Dolores por Chico Xavier do livro:
Caminhos do Amor

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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Desespero

Desespero

Ignotus


Imagem gerada por IA

Pisoteada, involuntariamente, no transporte coletivo, por invigilância de um passageiro, a dama religiosa feria com a lâmina da língua.

Xingava.

Reclamava.

Chorava.

Não se vendo repelida, desabafou:

- Covarde! Nem sequer se desculpa. Se eu fosse um homem...

Mas, fitando, encolerizada, o agressor inconsciente que se demorava silencioso, percebeu que o seu antagonista era surdo-mudo.

Ignotus por Divaldo Franco do livro:
Panoramas da Vida

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