segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Em torno do desconhecimento espiritual

Em torno do desconhecimento espiritual

Camilo



O mundo encontra-se convulsionado, nestes tempos presentes, porque a alma humana também excitada se acha.

Nada obstante, raro foi o período em que o homem tenha consentido um nível de vida reconfortante e pacífico sobre o planeta, dando uma oportunidade à verdadeira saúde social.

Embora os estudiosos dedicados da Sociologia, da Antropologia e das ciências políticas busquem, honestamente, identificar os fundamentos das tormentas que explodem na Terra, dificilmente atinarão com a realidade, tendo-se em vista o caráter materialista assumido por esses nichos de conhecimentos acadêmicos, mesmo diante das vozes da Espiritualidade que periodicamente se fazem ouvir em todas as áreas do planeta.

Pautados pelo materialismo que costumeiramente facilita o movimento do intelecto para as teses ateístas ou mesmo para as niilistas, retirando cada vez mais o chão necessário aos indivíduos para a indispensável estabilidade íntima e para a compreensão da existência, seguem os indivíduos entre extravagâncias e insanidades, passando a crer que tudo começa e se conclui no curto intervalo de uma existência no corpo físico.

Afirmar-se-á que esses processos de convulsão social, de violências domésticas ou urbanas, e também os processos de guerra - como representação da mais gritante violência - têm suas raízes, que podem ser conhecidas nos registros históricos que nos são apresentados, trazendo as peripécias dos humanos, desde os tempos mais longevos, e que cabe às representações fortes das sociedades organizadas contemporâneas desenvolver estruturas tais em seu seio, e ainda trabalhar ideologias quais em seus estudos e práticas, de modo a transformar as influências desses referidos dados históricos.

Toda pessoa atilada, que cultive o bom senso e que seja amante das maduras reflexões, entenderá que, em verdade, na antropologia e na história do mundo estarão, de fato, valiosas explicações para que se compreenda a psicologia, os campos de crenças ou de descrenças, dos valores em geral, que marcam os dias atuais da Humanidade. Mas, na mentalidade cultural do presente, encontrará empeços para justificar situações ponderáveis e ocorrências graves que têm lugar no cerne da alma, como indivíduo que é. Faltarão elementos de substancial apoio às teses geradas pelo intelecto acadêmico, voltado vastas vezes para o imediato.

O que se passa é que, nada obstante os progressos científicos, os avanços da tecnologia, bem como as adaptações empreendidas nas escolas de sociologia ou nos sistemas de administração do mundo há faltado o suporte da consciência espiritual nas ilações dos estudiosos diversos. Falta alma - e as análises de suas missões e transcendência - nas cogitações da mentalidade comuns da Terra.

Há que se admitir que a matéria por si só não tem nenhuma razão de ser. Nenhuma utilidade apresentará em si própria, caso não compareça nos cenários do planeta como instrumento de trabalho e de progresso a ser utilizado pela comunidade terrena.

O Criador dos mundos situou a alma imortal junto à matéria e suas derivações teóricas, de modo a permitir que o homem se exercite em entendê-las e dominá-las, empenhado em imprimir sobre essa mesma matéria as características que haja desenvolvido ou os saberes que lhe ornem o intelecto. Cabe, então, à alma terrestre usar os conhecimentos adquiridos e as habilidades de realizar trabalho, a fim de disciplinar os mais distintos fenômenos materiais que ocorrem sob os céus do mundo.

Enquanto a criatura humana não alcançar o conhecimento quanto a sua realidade espiritual; enquanto não admitir que não nos achamos na Terra por força da casualidade, e que há um planejamento da Divindade para o nosso progresso individual e para o nosso avanço no grupo social, será muito difícil consertarmos as linhas distorcidas da vida terrena.

É por isso que o planeta se acha costumeiramente em plena convulsão, por falta de espiritualidade nas cogitações do pensamento humano.

A alma em convulsão atira-se nas valas do desespero, sempre que não consegue compreender ou deter as experiências desafortunadas em que vive.

A alma em convulsão não encontra motivos para valorizar o corpo, a saúde e a vida, lançando-se aos marnéis dos vícios e da dependência toxicológica, como quem deseja fugir dos monstros que lhe infestam o pensamento, gerados pela ignorância, e que não consegue decifrar.

A alma em convulsão vê a família e a interpreta como um peso que deve arrastar, com enfado, caminho afora, ou como um grupo de pessoas que a deve suportar, tanto em suas inseguranças quanto em seus atropelos e desarmonias.

A alma em convulsão converte a honra de administrar a coisa pública em favor do bem geral, em propriedade privada da qual lança mão sem prestar contas, indevida quão abusivamente, ajuntando maior soma de complexos quão duros resgates para o porvir.

A alma em convulsão, uma vez tendo conseguido o cetro do poder temporal, transfaz-se em discricionária déspota, impondo às massas seus caprichos e suas frustrações, desrespeitando a excelsa oportunidade de tornar-se mãos, ouvidos e olhos do Criador, na orientação e proteção dos irmãos sob seus cuidados. Gera, assim, gravíssimas torturas espirituais, a partir das situações de culpa e de remordimentos que passarão a perturbá-la.

A alma em convulsão desdenhará da ideia de Deus, e zombará dos que nessa crença se apoiam, porque admite que a concepção de um Criador universal não passe de quimera que entretém as consciências frágeis ou inseguras dos seres.

Tornam-se compreensíveis, então, as múltiplas razões pelas quais o mundo terreno estertora; por que se espalham tantas dores e infelicitam tantas frustrações por toda parte; por que não se tem conseguido equacionar os dramas sociais e os desarranjos morais, o que abre espaços para a desesperança, para a violência e sua mais torpe expressão, que achamos nas guerras fratricidas.

Somente quando o coração humano se deixar encharcar pelos olorosos e nutritivos néctares da espiritualização, os olhos da ciência terão a necessária luz para penetrar mais profundos conhecimentos; os ouvidos da história registrarão a saga da Humanidade com mais lucidez, enquanto os pés do progresso seguirão mais rapidamente para o encontro, que não se deve mais adiar, da alma humana com a saúde plena e com a paz interior, que se externarão e contagiarão a Humanidade, completamente.

Camilo por J. Raul Teixeira do livro:
O Tempo de Deus

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domingo, 18 de janeiro de 2026

Crescimento, não martírio

Crescimento, não martírio

Hammed


"Não olvideis que o objetivo essencial, exclusivo, do Espiritismo é vosso adiantamento, e é para alcançá-lo que é permitido aos Espíritos vos iniciar quanto à vida futura, vos oferecendo exemplos que podeis aproveitar. Quanto mais vos identificardes com o mundo que vos espera, menos lastimareis aquele em que estais agora. Esse é, em suma, o objetivo atual da revelação". (O Livro dos Médiuns - 2ª Parte - cap. XXVI, item 292-22.)
O termo arquétipo se origina do grego e quer dizer "o que é impresso desde o início". Ainda na Antiguidade, passou a significar também as "formas imateriais" ou o "mundo das ideias", na concepção de Platão.

Carl Gustav Jung denomina de "arquétipos" as imagens primordiais, definindo-os como matrizes sem conteúdo próprio que servem para estruturar ou dirigir o material psicológico - elementos organizadores, modelos ou formas universais - profundamente gravado no inconsciente coletivo de toda criatura humana. O "arquétipo" pode ser exemplificado como uma espécie de canal seco escavado por um curso d'água, o qual, à medida que o leito comece a ser novamente banhado, organiza e modela inteiramente as características do rio. São condutores ou orientadores do comportamento e das atividades mentais.

Os "arquétipos" se firmam no inconsciente, só surgindo no consciente através de figuras, de representações ou de sonhos, como conteúdos arquetípicos. Manifestam-se como estruturas psíquicas universais, inatas (não aprendidas), com possibilidades de reproduzir ideias semelhantes nas criaturas humanas; por isso, aparecem coletivamente, de forma simbólica, na literatura, nas artes e nos mitos de todos os povos.

A expressão inconsciente coletivo, segundo o conceito junguiano, é uma herança psicológica, um tipo de memória da raça ou da espécie, onde se encontram conteúdos de estrutura psíquica, padrões universais ou arquétipos existentes na intimidade de todos os seres humanos.

Essas ideias de Jung muito se afinam com certas conceituações da Doutrina Espírita. Por exemplo: o Espírito, ao reencarnar, traz consigo valores, conhecimentos e experiências acumuladas através da noite dos tempos. Nasce equipado com um arcabouço psicológico - repertório de estruturas mentais em forma de vocações, tendências, sentimentos e ideias -, que, em contato com o meio ambiente da atual encarnação, se manifesta espontaneamente, sem que a criatura se aperceba, aparecendo até mesmo nas situações mais corriqueiras do seu mundo diário.

A noção espírita das "Vidas sucessivas" considera que toda criança, no instante do nascimento, traz em si conteúdos psicológicos em potencial. O ambiente e as pessoas com quem e onde ela convive só podem aprimorá-la, não determinando integralmente seu jeito de ser, agir e pensar. Na criança apenas desperta o que já existia nela, ou seja, seus arquivos da alma, armazenados no corpo perispiritual. O Espírito encarnado veste uma roupagem - sua personalidade atual - e vivência diversas personalidades, interpretadas no "teatro da vida", palco das múltiplas existências.

Não obstante encontrarmos uma ampla variedade de "arquétipos", classificados por Jung e sucessivamente por seus discípulos ou seguidores, analisaremos, aqui, o "arquétipo do herói", encontrado nos clássicos, nos dramas, nas poesias e nos livros sagrados das mais antigas culturas, em forma de lendas e de epopeias mitológicas. No entanto, é importante ressaltar que as características pessoais da personalidade humana apresentam alterações naturais e compreensíveis nas configurações dos "arquétipos", devido ao grau evolutivo ou ao padrão psicológico em que estagia.

Quem tem um "herói" dentro de si tem igualmente um outro lado, um "mártir". As pessoas em cuja existência predomina o "arquétipo do herói" vivem heroicamente estressadas. Caminham com a fronte projetada de forma imponente e o corpo (guerreiro) inclinado para frente como se estivessem sempre prontas para lutar. Exigem perfeição de si mesmas e daqueles que estão em sua volta. Não expressam sua verdadeira realidade, ou seja, não querem ser ou não querem viver como são - seres humanos. Inconscientemente, acreditam que são super-homens. Rejeitam o processo natural que nos impôs o Criador: viver a normalidade da natureza humana.

Em contrapartida, a recíproca é verdadeira. A criatura que vive de modo intenso numa estrutura mental de "herói" irá gerar, consequentemente, uma estrutura oposta - o culto à dor e ao martírio. Essas estruturas se interagem. Ora a personalidade está numa crise de "heróica bravura", ora na crise de "sofredora impotente".

Ao longo dos tempos, muitos de nós desenvolvemos a crença de que nos privando das alegrias da vida, cultuando o sofrimento, não cuidando de nós mesmos, sendo austeros e mártires, desempenharíamos bem nossa missão terrena e, como resultado, estaríamos cumprindo nossa tarefa mediúnica.

Não há glória em sofrer por sofrer! Não existe nenhuma recompensa em cultuar a dor; na verdade, não estamos aqui para mostrar como temos sido padecentes, mas sim para aprendermos como cessar as amarguras que nos afligem, como crescermos espiritualmente, como superarmos nossos pontos fracos e como recuperarmo-nos dos equívocos, prosseguindo no cultivo do progresso interior, com tranquilidade e satisfação de viver.

"Não olvideis que o objetivo essencial, exclusivo, do Espiritismo é vosso adiantamento, e é para alcançá-lo que é permitido aos Espíritos vos iniciar quanto à vida futura (...)".

É importante observarmos que, segundo os Guias da Humanidade, a principal e específica finalidade da manifestação dos Espíritos é nosso adiantamento; em virtude disso, "ser médium" tem como ponto fundamental e indispensável a edificação do Reino dos Céus dentro de nós mesmos. Portanto, para ser médium não é necessário ser herói nem mártir, mas simplesmente cultivar o mundo interior - a melhoria pessoal. "(...) Esse é, em suma, o objetivo atual da revelação".

Os seres humanos são pluridimensionais, guardando no reino interior características comuns a todos, representadas pelos subprodutos do conjunto dos "arquétipos" presentes em sua estrutura psíquica.

Sensitivos ou não, todos temos matrizes ou imagens de heróis ou de mártires profundamente arraigadas em nossa intimidade. A mentalidade heroica é um mito elitista, que tem como princípio a personificação de que certas pessoas nasceram privilegiadas e para serem servidas.

Enquanto o "ideal martirizante" modela as pessoas para o sacrifício e para uma abnegação exagerada para agradar a Deus, visando a uma troca para adquirir a salvação eterna, o "papel de vítima" costuma ser usado, em muitas ocasiões, para dissimular uma grandeza inexistente na alma. Oculta igualmente uma máscara de resignação, para que o indivíduo não descubra ou não tome consciência do que ele realmente é.

Jesus Cristo, o Médium de Deus, entregou-se ao holocausto em prol da missão de amor pela humanidade, que para Ele foi a plenitude da implantação de uma vida consciente e amorosa em todas as criaturas da Terra. É compreensível que muitas almas sublimadas se entreguem a atos heroicos ou ao martírio de si mesmas, para a exemplificação e glorificação dos ideais superiores da Divina Providência. O Mestre, porém, não se deixou crucificar para ser reconhecido como herói ou mártir, mas para semear os princípios da "sabedoria que eleva" e do "amor incondicional" no coração de todas as criaturas.

Os médiuns devem exercitar a capacidade de distinguir entre o "sacrifício regenerador" e o "indispensável sofrimento" causado pela fraqueza e pela credulidade, filhas das crenças injustas e absurdas.

Na vida, cada ser está estagiando num determinado grau evolutivo; por isso existem diversas missões e inúmeros encargos nos caminhos existenciais.

Médiuns! Qual é o seu conceito sobre mediunidade? Vocês a veem como método educacional ou como uma exaltação à dor? Será que sua vivência atual (heroísmo ou martírio) é um produto necessário a seu desenvolvimento e crescimento espiritual, ou simplesmente fruto de uma autopunição ou de um autoengano?

Hammed por Francisco do Espírito Santo Neto do livro:
A imensidão dos Sentidos

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sábado, 17 de janeiro de 2026

Provação

Provação

Hilário Silva



Heitor Pessoa e a esposa, D. Delminda, desde os primeiros dias na cidade eram assíduos frequentadores do templo espírita.

Corretíssimos. Generosos. Entretanto, fora disso, pareciam fechados. Excelentes companheiros na instituição; contudo, na vida particular, eram francamente inacessíveis.

— Muito bons, mas muito orgulhosos.

— Sabem ensinar a fraternidade, mas escorregam mais que os peixes.

Observações como essas eram frequentes.

E como semelhante situação estivesse incomodando, o presidente imaginou um meio de sanar as impressões.

Em cada semana, o culto do Evangelho seria atendido em determinado lar.

Assim, cada residência dos irmãos da agremiação seria aberta ao exercício da fraternidade.

Chegada a ocasião em que lhes caberia o testemunho efetivo, Heitor e senhora tentaram gentilmente esquivar-se, mas a diretoria insistiu e tiveram que abrir as portas.

Na noite indicada, o casal e o único filho, Marcelo, rapaz de nobres feições, atlético e bem posto, fizeram as honras.

A reunião correu encantadora e o texto do Evangelho, “não julgueis para não serdes julgados”, mereceu apontamentos lindos. O cafezinho foi servido carinhosamente, mas, às despedidas, veladas reclamações ouviam-se aqui e ali. Mafra, o presidente, havia perdido a carteira; Antônio Silva sentia falta do relógio; Dona Carlinda ficara sem o broche de ouro e Dona Aurora não pudera localizar a pulseira.

No dia seguinte, porém, Heitor, muito desapontado, visitou os companheiros, um a um, restituindo-lhes os objetos perdidos e explicando que não costumava receber visitas porque tinha o filho ainda desajuizado, em vagaroso tratamento.

Boquiabertos, os amigos compreenderam que o distinto e esquivo casal trazia a provação de um filho, muito sadio de corpo, mas positivamente obsidiado.

Hilário Silva
 do livro:
Almas em Desfile de Chico Xavier / Waldo Vieira
Hilário Silva é o pseudônimo de um estudioso e aplicado Espírito por intermédio do Espírito André Luiz, de quem foi parceiro de trabalho e estudo para assistência aos irmãos habitantes das regiões umbralinas. Desde o início de sua participação na divulgação do ideal espírita, Hilário Silva compreendeu a necessidade de renovação que a popularização da Doutrina demanda, exige novas formas de pensamento para apresentar e ensinar os caminhos para transformação justa da vida. Autor de diversas obras ditadas a partir do mundo espiritual, como Almas em Desfile e A Vida Escreve, editadas pela FEB.
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Harmonia na dor

Harmonia na dor

Joanna de Ângelis



Os mitólogos informam que a harmonia é filha de Zeus, o soberano deus do Olimpo e de Electra, nascida para assinalar a beleza existente em todas as coisas, tempos e circunstâncias.

Em tudo existe a harmonia, mesmo no aparente caos, que oculta uma ordem não identificada pelos sentidos humanos, porém, de onde nascem o equilíbrio e o desenvolvimento que se direcionam para a plenitude.

A harmonia favorece a alegria ante a majestade exuberante das formas e das cores, do encantamento e da musicalidade, das aspirações pelo belo e pelo bom, ampliando-se na direção do infinito.

Quando a ordem se expressa em qualquer forma de percepção, logo a harmonia se manifesta.

Não exclusivamente existe a harmonia naquilo que proporciona fascinação e enlevo, mas também no sofrimento, que faz parte do seu conjunto ordeiro.

Não existisse a dor, em contribuição para o equilíbrio do conjunto, o tédio, por certo, tomaria conta dos sentimentos humanos na longa trajetória da sua evolução, sem a experiência das lágrimas, sem os vazios existenciais, sem a mensagem da tristeza, que dá um toque especial ao comportamento psicológico.

Muito fácil deslumbrar-se o ser humano com os painéis, os cromos e as exuberâncias da Natureza no Cosmo inalcançável, assim como nas micropartículas ainda não identificadas...

Jesus, por exemplo, é o mais perfeito exemplo de harmonia que jamais se corporificou na Terra.

Na montanha inolvidável, onde Ele apresentou a sinfonia ímpar das bem-aventuranças, tudo é harmonia, desde a formulação das frases, do seu conceito profundo e inconfundível, estendendo-se pela paisagem iridescente do dia refletido nas águas mansas do mar de Tiberíades até a multidão silenciosa, dominada pela Sua presença incomparável e a musicalidade da Sua voz na partitura lírica de todas as palavras.

Nada obstante, ei-Lo em harmonia, quando no horto das oliveiras aguardava a chegada da malta investida do alucinado poder de aprisioná-Lo.

Harmônico, não se permitiu uma palavra que destoasse de toda a Sua gloriosa existência, durante o julgamento arbitrário e insano.

Traído, abandonado, surrado, levado ao máximo ridículo, sem se permitir afetar pela miséria dos Seus inimigos, prosseguiu em harmonia estoica dantes jamais ocorrida.

Sob o peso da cruz, extenuado, suando sangue e debilitado nas forças como consequência do flagício, o Seu manso olhar dorido inspirava ternura, compaixão e misericórdia em relação aos Seus algozes.

(...) E mesmo na cruz em que outros sofriam vergonhosamente, Ele manteve-se harmônico, em perfeita sintonia com o Pai, a Quem rogou pelos atormentados flageladores.

A harmonia cristã é herança divina do Mestre de Nazaré para todos aqueles que O amam e O seguem.


Se ouviste o chamado de Jesus, que te facultou mudar o rumo da existência e te sensibiliza o coração, iluminando a tua mente, não te permitas, em momento algum, perder a harmonia interna, ou deixar-te arrastar aos tormentos gritantes do desequilíbrio de qualquer forma ou a inarmonia íntima da desconfiança, do arrependimento pela autodoação, da necessidade de libertar-te da situação afligente.

Escuta-lhe a musicalidade das bem-aventuranças, abraça a tua cruz e segue adiante, certo de que a plantarás com êxito no topo do calvário de libertação.

Nenhuma caminhada evolutiva ocorre sem as variações naturais do processo iluminativo.

De igual maneira, à primavera ridente sucede o verão com ardência, que se abranda com o outono e se entorpece na quadra hibernal.

A harmonia do tempo deflui exatamente das diversas quadras que se unem, a fim de que a vida expresse toda a sua variedade de formas e de manifestações de acordo com cada estação.

Assim também no cotidiano viverás, não poucas vezes, as variadas mudanças climáticas da emoção, sem que devas perder a linha direcional de conduta, e mantém-te harmônico e confiante.

Vens de um passado de desaires e de graves comportamentos, que se manifestam em consequências correspondentes ao significado e à intensidade de que se revestiram.

É natural, pois, que vivencies as experiências da reparação, que elimines os torpes efeitos que permanecem na expectativa da corrigenda para que se mantenha a harmonia do conjunto.

Não esperes, desse modo, que tudo esteja sempre conforme o teu sentimento, os teus interesses imediatos, tudo quanto te proporciona satisfações e gratulações que podem ser consideradas como recompensa.

Experimenta a alegria de testemunhar a tua fidelidade à Doutrina Espírita que te desvela esse Cristo-amor, que te enriquece de júbilos pelo conhecimento da verdade, que te investe do poder de amar e que te mantém durante a trajetória sempre bem disposto e resoluto na construção do bem com harmonia íntima.

Nunca desfaleças na jornada, porque a “Irmã Dor” convidou-te a reflexões mais profundas, antes fortalece-te de modo a possuíres o tesouro da dignidade, para que a tua palavra esteja respaldada pelo exemplo e a tua conduta reflita como o espelho das águas do Genesaré a grandiosa epopeia do sermão do monte.


Canta sempre o Evangelho de Jesus com o selo da sua vivência, e não apenas com a memorização dos seus textos.

Aborda as páginas sublimes do Espiritismo com os sinais de mansidão e de humildade de quem as vive, diferentemente daqueles que as abordam preocupados pela forma, sem o timbre de quem as conhece por experiência pessoal.

A tua fé raciocinada fala-te a respeito da Grande Luz que te aguarda no final do túnel existencial.

Segue, intimorato, mesmo que tenhas os joelhos desconjuntados, as carnes dilaceradas e o coração envolto na melancolia do calvário, para o amanhecer surpreendente da tua ressurreição gloriosa em perfeita harmonia.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Tesouros Libertadores

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