sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Silêncio e consciência

Silêncio e consciência

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por IA.

O silêncio interior resulta da tranquilidade emocional que a vontade bem dirigida imprime no comportamento do homem.

Sem essa quietação íntima, muitas realizações permanecem inconclusas ou são terminadas com precipitação, portanto, imperfeitamente.

O correto direcionamento das aspirações, o exercício da prece, a reflexão em torno das leituras edificantes geram o clima psíquico indispensável para a harmonia interna.

Mediante essa conquista, desanuvia-se a área dos sentimentos retos, que elegem valores expressivos e duradouros, capazes de sobreviver ao desgaste do tempo e às variações emocionais.

*

Com o silêncio íntimo, os estados de consciência se tornam valiosos mecanismos de progresso.

Durante a lucidez o homem educa-se, disciplina-se, cumpre deveres, conquista espaços evolutivos.

*

Na fase do sono, porque liberado das paixões mais primitivas, desgarra-se, parcialmente, das roupas físicas e aprende com abnegados instrutores que o promovem, levando-o a apreender em definitivo as finalidades da vida, a fim de entregar-se sem reserva a essa conquista.

*

Há homens que, no estado de consciência lúcida, continuam dormindo, anestesiados pelos tóxicos que expelem, como efeito daquilo que cultivam...

Quando em sono, padecem, agredidos por malfeitores espirituais com os quais se afinizam e se mesclam.

*

Reserva-te a alegria de manter-te sempre lúcido, em qualquer estado de consciência.

*

Aprofunda a mente nos objetivos essenciais da tua existência e silencia teus tor-mentos, canalizando forças para a tua paz.

Jesus, invariavelmente, após as estafantes realizações, fugia das multidões insaciáveis e fazia silêncio, buscando, na oração, a plenitude com Deus.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Viver e Amar

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- Para seguirmos corretamente o espiritismo, devemos submeter todas as mensagens mediúnicas ao crivo duplo de Kardec, sendo eles,  a razão e a universalidade.

- Cisão para estudo de acordo com o Art. 46 da Lei de Direitos Autorais - Lei 9610 /98 LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A glória do esforço

A glória do esforço

Neio Lúcio


Imagem gerada por IA.

Relacionava Tiago, filho de Alfeu, as dificuldades naturais na preparação do discípulo, quando várias opiniões se fizeram ouvir quanto aos percalços do aprimoramento.

É quase impossível praticar as lições da Boa Nova, no mundo avesso à bondade, à renúncia e ao perdão — concluíram os aprendizes de maneira geral. A maioria das criaturas comprazem-se na avareza ou no endurecimento.

Registrava o Mestre a conceituação expendida pelos companheiros, em significativa quietude, quando Pedro O convocou diretamente ao assunto.

Jesus refletiu alguns instantes e ponderou:

— Entre ensino e aproveitamento, tudo depende do aprendiz.

E a seguir, falou com brandura:

— Existiu no tempo de David um grande artista que se especializara na harpa com tamanha perfeição que várias pessoas importantes vinham de muito longe, a fim de ouvi-lo.

Grandes senhores com as suas comitivas descansavam, de quando em quando, junto à moradia dele, cercada de arvoredo, para escutar-lhe as sublimes improvisações. O admirável mestre fez renome e fortuna, parecendo a todos que ninguém o igualaria na Terra na expressão musical a que se consagrara.

Em seus saraus e exibições, possuía em seu serviço pessoal um escravo aparentemente inábil e atoleimado, que servia água, doce e frutas aos convivas e que jamais conversava, fixando toda a atenção no instrumento divino, como se vivesse fascinado pelas mãos que o tangiam.

Muitos anos correram quando, certa noite, o artista volta, de inesperado, ao domicílio, findo o banquete de um amigo nas vizinhanças e, com indizível espanto, assinala celeste melodia no ar.

Alguém tocava magistralmente em sua casa solitária, qual se fora um anjo exilado no mundo.

Quem seria o estrangeiro que lhe tomara o lugar?

Em lágrimas de emoção por pressentir a existência de alguém com ideal artístico muito superior ao dele, avança devagar para não ser percebido e, sob intraduzível assombro, verificou que o harpista maravilhoso era o seu velho escravo tolo que, usando os minutos que lhe pertenciam por direito e sem incomodar a ninguém, exercitava, as lições do senhor, às quais emprestava, desde muito tempo, todo o seu vigilante amor em comovido silêncio.

Foi então que o artista magnânimo e famoso libertou-o e conferiu-lhe a posição que por justiça merecia.

Diante da estranheza dos discípulos que se calavam, confundidos, o Mestre rematou:

— A aquisição de qualidades nobres é a glória infalível do esforço. Todo homem e toda mulher que usarem as horas de que dispõem na harpa da vida, correspondendo à sabedoria e à beleza com que Nosso Pai se manifesta, em todos os quadros do mundo, depressa lhe absorverão a grandeza e as sublimidades, convertendo-se em representantes do Céu para seus irmãos em humanidade. Quando a criatura, porém, somente trabalha na cota de tempo que lhe é paga pelas mordomias da Terra, sem qualquer aproveitamento das largas concessões de horas que a Divina Bondade lhe concede no corpo, nada mais receberá, além da remuneração transitória do mundo.

Neio Lúcio por Chico Xavier do livro:
Jesus no Lar

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Verdade e vida

Verdade e vida

Eros


Imagem gerada por IA.
A irradiação da palavra mesclada de amor permanecia no coração dos ouvintes, qual se fosse a melodia de um pássaro divino.

O Cancioneiro permanecia na esplanada do monte, enquanto os ouvintes se afastavam, felizes.

Dele se aproximaram então, vários discípulos para agradecer-Lhe as bênçãos; e porque Ele continuasse a exalar o perfume da bondade, um deles suplicou-Lhe:

- Mestre, que é a Verdade?

Sem hesitação, porém enternecido pela questão, Ele respondeu:

" - A Verdade é Deus!

Para penetrá-la, faz-se necessário diluir-se em amor como os grãos de açúcar em um cálice de água em movimento.

Retida na consciência humana, é, a princípio, uma chispa que as forças do autoconhecimento e do autoaperfeiçoamento transformam em uma estrela fulgurante.

Ninguém a vê e está em toda parte, latente, dentro e fora do mundo, envolta, às vezes, na ilusão. Semelhante a muitas pedras preciosas, que permanecem encapsuladas em uma ganga grotesca que as encarcera, exigindo-se-lhes arrebentem o exterior para que se apresentem em facetas luminosas. Também ela está assim.

Não pode ser detida, porque extravasa o continente que a deseje encarcerar após encontrá-la. Seus matizes não se confundem no charco das mentiras com as tintas que a pintam, forjando-lhe aparência.

Quem lhe experimenta o sabor, não mais permanece o mesmo. Toda uma revolução nele se opera e uma transformação radical lhe sucede, libertadora.

A Verdade emancipa a alma e a completa. Infinita, vitaliza o microcosmo e expande-se nas galáxias, isto é, encontra-se ao alcance de todos. Vibra na molécula e agiganta-se no espaço ilimitado.

Perene, existe desde antes do tempo e sobreviverá ao fim das eras.

Luz que se expande, aquece sem queimar e vivifica sem produzir fastio.

A meditação faculta-lhe o contato; a oração aproxima o homem da sua matriz; a caridade propicia a vivência com ela; a humildade abre a porta para que se adentre no coração e a fé facilita-lhe a hospedagem nos sentimentos.

A Verdade apresenta-se em amor, que se desenvolve na direção da Vida.

Sem Verdade não há Vida."

Eros por Divaldo Franco do livro:
A um passo da imortalidade

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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Necessitados difíceis

Necessitados difíceis

Emmanuel


Imagem gerada por IA.

(O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XII - Item 1.)

Em muitas circunstâncias na Terra, interpretamos as horas escuras como sendo unicamente aquelas em que a aflição nos atenaza a existência, em forma de tristeza, abandono, enfermidade, privação...

O espírita, porém, sabe que subsistem outras, piores talvez... Não ignora que aparecem dias mascarados de felicidade aparente, em que o sentimento anestesiado pela ilusão se rende à sombra.

Tempos em que os companheiros enganados se julgam certos...

Ocasiões em que os irmãos saciados de reconforto sentem fome de luz e não sabem disso...

Nem sempre estarão eles na berlinda, guindados, à evidência pública ou social, sob sentenças exprobatórias ou incenso louvaminheiro da multidão...

Às vezes, renteiam conosco em casa ou na vizinhança, no trabalho ou no estudo, no roteiro ou no ideal... O espírita consciente reconhece que são eles os necessitados difíceis das horas escuras. Em muitos lances da estrada vê-se obrigado a comungar-lhes a presença, a partilhar-lhes atividade, a ouvi-los e a obedecê-los, até o ponto doméstico lhe preceituem determinadas obrigações.

Entretanto, observa que para lhes ser útil, não lhe será lícito efetivamente aplaudi-los, à maneira do caçador que finge ternura à frente da presa, a fim de esmagá-la com mais segurança.

*

Como, porém, exercer a solidariedade, diante deles? - perguntarás.

Como menosprezá-los se carecem de apoio?

Precisamos, no entanto, verificar que, em muitos requisitos do concurso real, socorrer não será sorrir.

Todos conseguimos doar cooperação fraternal aos necessitados difíceis das horas escuras, seja silenciando ou clareando situações, nas medidas do entendimento evangélico, sem destruir-lhes a possibilidade de aprender, crescer, melhorar e servir, aproveitando os talentos da vida , no encargo que desempenham e na tarefa que o Mestre lhes confiou. Mesmo quando se nos façam adversários gratuitos, podemos auxiliá-los...

Jesus não recomendou festejar os que nos apedrejem a consciência tranquila e nem nos ensinou a arrasá-los. Mas, ciente de que não nos é possível concordar com eles e nem tampouco odiá-los, exortou-nos claramente: "amai os vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem e caluniam!..."

*

É assim que a todos os necessitados difíceis das horas escuras, aos quais não nos é facultado estender os braços de pronto, podemos amar em espírito, amparando-lhes o caminho, através da oração.

Emmanuel do livro:
Opinião Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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