domingo, 4 de outubro de 2026

Irmão da natureza

Irmão da natureza (Falando a São Francisco de Assis)

Joanna de Ângelis


Imagem gerada por IA.

Enquanto a sociedade estertorava nas guerras cruentas de dominação de povos e vidas, sentiste a necessidade de lutar pela Pátria, evitando o abuso daqueles que se consideravam com o direito a escravizar os seus irmãos.

Não compreendendo a luta que deverias travar, pensaste que as glórias antevistas em sonho referiam-se aos tesouros terrestres, e para melhor compreenderes o amor do Cristo, marchaste para a defesa dos fracos, pensando em servir a Deus e ao país.

Nascido para a paz, jamais poderias combater com armas destruidoras, e por isso tombaste prisioneiro dos hábeis verdugos, que te encarceraram e te fizeram sofrer.

Humilhado e enfermo, retornaste ao lar, quando foste visitado pelo Amigo-Amor que te convocou para diferente luta, cujas armas seriam a mansidão, a renúncia, o sacrifício.

Eras jovem e sonhador, trovador das noites estreladas e amigo da ilusão.

No entanto, possuías uma tristeza invencível que nada conseguia diminuir.

Dissimulavas a melancolia com a jovialidade, mas sabias que a tua vida não te pertencia, embora não entendesses a solidão interior que te macerava, preparando-te para a soledade entre todos pelo resto da tua existência.

Mas quando ouviste o chamado do Cantor da misericórdia, todo o teu ser tremeu de emoção e perdeste o interesse pela existência convencional.

Começaste o despojamento, liberando-te das coisas, para poderes libertar-te de ti mesmo, a fim de te entregares a Ele por inteiro.

Os teus não te compreenderam, mas os leprosos de Rivotorto te receberam as doações de pão, de paz, de carinho com lágrimas que os olhos da alma vertiam em abundância, na decomposição em que se consumiam.

Mais tarde, outros solitários vieram unir-se à tua soledade, afim deformarem o rebanho submisso ao cajado do Pastor.

Ignorando a teologia, sabias o Evangelho na sua integral pureza, sem disfarces nem dissimulações, e saíste a vivê-lo, enquanto o pregavas com palavras simples e atos de coragem incomum.

Transformaste as noites festivas de cantos e banquetes em um perene poema de beleza, enaltecendo os irmãos Sol, Lua, Chuva, Pássaros, Lobo, Neve, enquanto o mundo de então te espreitava com desconfiança e desinteresse. Mas o teu exemplo de abnegação continua sensibilizando outros corações ansiosos de vida nova, que te passaram a acompanhar pelas estradas da Úmbria, albergando-se na Porciúncula modesta e desprovida de tudo, menos da ternura.

Quando menos esperaste, havia multidões que se comprimiam para ouvir as tuas canções de esperança e caridade, tocadas pela tua presença e a dos teus cancioneiros, tão desprotegidos como tu mesmo, no entanto amparados pelo Sublime Cantor.

Irmão Francisco! Canta outra vez para nós o teu poema de amor, nestes calamitosos dias que vivemos!

As noites da Terra já não são ricas de canções, mas de expectativas dolorosas.

Os grupos juvenis raramente se reúnem para sorrir ou para os folguedos inocentes, e sim para a embriaguez alcoólica ou o envenenamento por drogas alucinantes.

O enamoramento que procede à união dos corpos foi sucedido pela volúpia do sexo em desalinho e a posterior dilaceração dos sentimentos em face do abandono e das suas consequências perversas.

O relacionamento fraternal tem sido transformado em gangues
violentas que se arremetem umas contra as outras em fúria desconhecida.

A literatura gentil e cavalheiresca cede lugar à pornografia desabrida e às narrações de funestos acontecimentos.

A música romântica transformou-se em vulcão de ruídos metálicos que induzem à loucura e à bestialidade.

A poesia perdeu a inocência e a beleza, passando às arremetidas de palavras sem nexo ou construções de palavras sem ritmo, sem rima, sem mensagem.

É certo que ainda permanecem em alguns grupos o sentimento de amor, de fraternidade, de beleza e de harmonia, afirmando que nem tudo está perdido na grande noite adornada de Ciência e de Tecnologia, na qual as almas estorcegam sob os camartelos do sofrimento.

Existe muito conforto para uns e nenhum para outros. Aliás, também nos teus dias era assim, razão por que preferiste os últimos, oferecendo-lhes carinho por faltarem outros recursos.

O progresso facilitou o intercâmbio entre as criaturas e propiciou o desenvolvimento da criminalidade e do ódio.

Há grandeza, sim, na arte e no pensamento, na cultura e no sentimento, porém, a fé empalideceu e agoniza ante a predominância do comportamento hedonista que se espalha por toda parte.

O firmamento está cortado a cada momento por grandiosas naves conduzindo milhões de indivíduos de um para outro lado, com todo luxo e facilidade. Todavia, milhares de ogivas nucleares carregadas de bombas de alta destruição aguardam um simples movimento para dispararem suas cargas terríveis de desagregação de tudo.

Nesse pandemonio de alegrias e pavor, de riquezas e misérias, de esperanças e desencantos, há milhões de pessoas anelando por conhecer-te ou reencontrar-te, a fim de que a tua canção, Irmão da Natureza, as reconduza a Jesus, a quem tanto amas!

Volta novamente à Terra, trovador de Deus, para que tua pobreza inunde de poder todos aqueles que acreditam na força de não ter nada, nas infinitas possibilidades da não violência e no infinito Amor do Pai!

Irmão Francisco! O teu irmão lobo transformou-se no monstro
devastador de drogas que consomem a juventude, em especial, e a outros indivíduos, em particular.

As lutas de cidades, umas contra as outras, ainda continuam, e agora mais graves na violência urbana.

A poluição química da atmosfera, que ameaça a Terra, filha daquela de natureza mental e moral, lentamente destrói a Irmã Natureza que tanto amas.

Homens dominadores e perversos ameaçam-se ainda através da política escravizadora das moedas que subjugam os povos que não têm voz no concerto das nações poderosas.

As vozes que proclamam a paz estão muito comprometidas com a guerra.

O mundo de hoje aguarda o retorno da tua canção, pobrezinho de Deus, porque ela impregna as vidas com ternura, amor e paz.

Iremos fazer um grande silêncio interior, preparar os caminhos e aguardar que tu chegues, simples e nobre como o lírio do campo, bom e doce como o mel silvestre, amigo e irmão como o Sol, para que tua voz nos reconduza de volta ao rebanho que te segue e levas ao Irmão Liberdade, que é Jesus.

Joanna de Ângelis por Divaldo Franco do livro:
Francisco - O Sol de Assis de Divaldo Franco e Cezar Braga Said 

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sábado, 3 de outubro de 2026

Aos espíritas

Aos espíritas

Miramez



O exemplo é a maior divulgação de uma doutrina superior.

A França foi chamada para grandes feitos na face da Terra, principalmente o de servir de berço glorioso ao Consolador prometido por Nosso Senhor Jesus Cristo. As duas primeiras grandes revelações dos Céus para a Terra surgiram no Oriente, e a terceira no Ocidente, mais precisamente, na Cidade-Luz.

Na verdade, a França tinha a grande missão de esparzir claridades espirituais sobre todos os outros povos, bem como sobre seus próprios filhos.

Conta-se que no dia 03 de outubro de 1804, quem pudesse observar os céus com os olhos do Espirito, notaria, se assim podemos nos expressar, a descida das estrelas para a atmosfera francesa, e se fosse observar a cidade de Lion com as faculdades espirituais, não teria outra impressão que não fosse a de um enorme holofote de grande altura, focalizando uma comunidade terrestre que teve a felicidade de receber um dos maiores Espíritos que Cristo enviou à Terra, conforme prometido antes no Seu Evangelho, a fim de dar testemunho de tudo o que Ele havia dito.

Durante a madrugada que precedeu o quatro de outubro, notavam-se estrelas inteligentes sobrevoando Lion; era a falange do Espírito de Verdade, como se fosse uma grande esquadrilha dirigida por hábeis pilotos, festejando os céus de uma pátria em data comemorativa. Tudo era luz... tudo era alegria... tudo era felicidade... E essa falange de Espíritos superiores e luminosos que veio assistir Allan Kardec renascer na França, por ordem de Jesus - que presidiu sua vinculação à carne - arejou o ambiente espiritual da cidade e eles, dando-se as mãos luminosas, formaram um círculo no espaço, cantando um hino de gratidão aos céus, por ter dado início à profecia do Evangelho na Terra, anotada por João no Capítulo 14, versículos 16 e 17 do Evangelho. E quando pronunciaram, em coro, o Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens, ouvia-se um brando choro de criança, que mais parecia um grito de liberdade.

Espíritas de todo o mundo! A chegada de uma grande alma, como a de Allan Kardec, ao planeta não quer dizer que vocês já são Espíritos salvos e livres. Pelo contrário, tornamo-nos com ele, mais carregados de responsabilidades, por reconhecermos a nós mesmos e os nossos deveres para com a vida. A Doutrina Espírita constitui uma dádiva dos Céus, de modo que nos coloca na posição de alunos conhecedores do seu Mestre que nos fornece todos os meios de nos libertarmos por nós mesmos, o que já representa a maior ajuda de Deus para conosco.

Se não fosse a vinda do Consolador prometido por Jesus, grande parte da humanidade estaria prestes a ser fulminada pelo materialismo petrificante; a razão não encontraria soluções para suas interrogações e certamente não ouviria os convites do coração para o amor e a caridade. A Doutrina dos Espíritos, tanto para encarnados quanto para desencarnados, assinalou novos horizontes na vida, e é através dela que os homens estão avivando a certeza mais profunda da continuação da vida além-túmulo.

O Espiritismo tem a sagrada missão de acender nos corações e nas inteligências dos seres a vontade indomável de conhecer Jesus Cristo e segui-Lo; de respirar o mesmo clima do Evangelho nascente, nos difíceis e longos caminhos da Terra. É evidente que o espírita deve se esforçar na sua autotransformação, colocando em função os preceitos adotados pelo Senhor, quando em trânsito pela Terra, isso porque a alma elevada fala mais pelo exemplo propriamente dito, do que pela palavra.

Espiritas, vocês são chamados para uma inestimável missão: a de salvarem a si mesmos, de corrigirem seus próprios defeitos, de estimularem o bem nos seus próprios caminhos e só o poderão fazer com segurança se derem as mãos ao Cristo, que lhes fala através da Doutrina Espírita. Vocês têm a obrigação de serem moralizados, sem impor moralização aos outros. Têm, por dever de consciência, que serem caridosos, sem exigir caridade para com vocês, têm compromissos com a própria evolução, com o tempo e com Deus, de reformar-se todos os dias, naqueles pontos em que a razão e o coração indicarem que estão fracos, em comparação com os conceitos ensinados e vividos por Jesus, nas divinas páginas do Evangelho.

Lembrem-se de que são iguais a quaisquer outros Espíritos criados por Deus, mas que, como espíritas, começam a conhecer a verdade e a si mesmos. Apesar disso, meus irmãos, não pensem e não deixem que a vaidade os estimule a pensar que estão salvos e que todos os outros estão na retaguarda evolutiva.

Espíritas, Espíritos superiores existem em todas as camadas humanas, em todas as religiões, em todas as filosofias, em todas as ciências. Todavia, é nas claridades da doutrina codificada por Allan Kardec que se encontram os meios mais inteligentes, senão as melhores lições, pelas quais entendemos melhor a Deus, a Cristo e a nós mesmos.

Verbo se fez carne, na alta expressão, para anunciar a soberania de Deus, a existência dos anjos e a vida eterna de todos nós, colocando-nos com frequência em comunicação com aqueles que ficaram no mundo, e dando a eles a certeza mais aguda da nossa sobrevivência depois do fenômeno da morte, esse Verbo, nos albores da civilização da Terra, potencializou-se e fez-se papel, que foi usado como veículo divino, no sentido de instruir e consolar a massa humana.

Miramez por João Nunes Maia do livro:
Cinquenta Epístolas

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Declaração de Origem

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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Resposta da caridade

Resposta da caridade

Meimei


Imagem gerada por IA.

Quis demorar-se contigo, quando me procuraste pedindo luz.

Perdoa-me se não pude mergulhar o pensamento de imediato, em tuas cogitações.

Falavas dos mundos superiores e indagavas pelo destino; exaltavas a Ciência e citavas a História.

Discutias os problemas sociais com tanta beleza que, em verdade, aspirei a sentar-me ao teu lado para ouvir-te todas as confidências.

Entretanto, por mais me detivesse em tua palavra, trazia no coração os gritos reiterados de quantos me chamavam, impaciente.

Não sei se chegaste a ver as mulheres enfermas e as crianças esfarrapadas que choravam, junto de nós, invejando os cães de luxo que passavam de carro...

Decidia-me a comentar os temas que me propunhas, quando notei a dama bem posta, repreendendo o homem cansado que esmolava na rua e corri a vê-lo. Envergonhando, o infeliz debatia-se em pranto. Amparei-o como pude e segui-lhe o passo, encontrando-lhe a companheira a gemer num montão de lixo, aguardando a morte. O menor dos seis pequeninos que a rodeavam, cravava nela o olhar ansioso, esperando o leite que secara no peito. A pobre mãe fitava-me agoniada, como me pedir lhe reavivasse os seios desfalecentes... Nisso, vir-lhe o esposo desesperado intentando morrer... Entreguei-os aos vizinhos, tão desditosos quanto eles mesmos, e depois de acalma-los, no bálsamo da oração, volto a ver-te.

E agora, a ti que me buscaste as mãos rogando conhecimento, estendo igualmente as minhas, a suplicar-lhe migalha de auxílio para aqueles que esmorecem de fome e pranto.

Vem comigo e não te dês a longas indagações! Ajudando aos que sofrem, seguiremos Cristo que dizemos amar e, decerto, que a luz te abençoará em silêncio, porque Ele próprio, como outrora, te repetirá no júbilo do serviço: “Aquele que me segue não anda nas trevas”.

Meimei do livro: Ideal Espírita
de Chico Xavier / Waldo Vieira

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Declaração de Origem

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

O mestre ensina

O mestre ensina

Eros


Imagem gerada por IA.

E o Mestre, contemplando a multidão que lhe aguardava a palavra iluminada, assim falou:

"- Só Deus é único.

As existências corporais têm como objetivo final a perfeição, que é infinita.

Deus, perfeição e infinito são eternos, termos, portanto, da equação da Vida.

Para que a vida se expresse em harmonia, na Terra, dois fatores são essenciais: Yang e Yin.

O primeiro é positivo; o segundo é negativo.

Da fusão dos dois princípios nasce o equilíbrio.

Tenha-se em mente que, face a este impositivo, surgem os aparentes contrastes como: grandeza e queda, júbilo e melancolia, conquista e prejuízo, conflito e paz, claridade e sombra, começo e fim, bem-estar e sofrimento, poder e escravidão, glória e fracasso, nascimento e morte corporal...

Comportar-se com estabilidade num e noutro polo é resultado da sabedoria, que se conquista através do estudo, da meditação, da ação caridosa em favor do bem.

Por isto, de nada vale conquistar o mundo exterior sem que se haja dominado as más paixões, assim podendo unir yang e yin em perfeita identificação de propósitos, em uma fusão tranquila de amor.

Isto porque, Deus é o Amor Absoluto." 

Eros por Divaldo Franco do livro:
A um passo da imortalidade

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Declaração de Origem

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